O cenário geopolítico global, marcado pelos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, trouxe um desafio direto para a porteira do pecuarista brasileiro: a escassez e o encarecimento dos fertilizantes.
O engenheiro agrônomo Wagner Pires, embaixador de conteúdo do Giro do Boi e autor do livro “Pastagem Sustentável de A a Z”, alerta que o momento não é de abandonar a adubação, mas de investir com inteligência técnica para manter a eficiência produtiva sem comprometer a margem de lucro.
A instabilidade no mercado de petróleo impacta diretamente a ureia, elevando o custo do nitrogênio. Wagner Pires sugere três caminhos estratégicos para contornar os preços altos, ressaltando a importância de ajustes no manejo.
Apesar da crise internacional, nem todos os insumos sofreram o mesmo impacto. Wagner Pires reforça que a base da correção de solo deve ser mantida: “Se o combustível está caro, tire o pé do acelerador, ajuste a quantidade de bocas no pasto e foque na correção de base (calagem)”, afirma o especialista.
Essa estratégia garante que, quando o mercado de fertilizantes estabilizar, o solo estará quimicamente equilibrado para responder rapidamente aos estímulos.
No geral, o setor avalia que a redução de tarifas deve melhorar a competitividade do país em um dos principais mercados de destino. Cerca de 70% das exportações brasileiras de frutas têm como destino a União Europeia.
Para Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o impacto será direto em algumas culturas e gradual em outras, o que abre espaço para planejamento por parte dos produtores.
“No caso da uva, a tarifa vai a zero imediatamente, o que melhora a competitividade. Já para frutas como melão, melancia e limão, a redução será ao longo de até sete anos”, afirma. Segundo ele, isso traz previsibilidade ao produtor.
A avaliação de Coelho também ocorre em um momento de mudanças na Abrafrutas, que passará a ser presidida por Waldyr Promicia. A cerimônia de posse da nova diretoria acontecerá durante a Fruit Attraction São Paulo, nesta quarta-feira (25).
De acordo com Coelho, o Brasil já atende às exigências internacionais, especialmente em critérios ambientais e sociais. “Nós já somos auditados pelos mais rigorosos certificados. O país está preparado para atender mercados exigentes como o europeu”, afirma.
Essa também é a análise de Renato Giosa Miralla, sócio e administrador da MBR Company, empresa responsável por exportar mais de 18 frutas brasileiras. “O Brasil tem produção em alto nível e consegue atender diferentes mercados”, diz.
Apesar de ser o terceiro maior produtor de frutas do mundo, o Brasil ainda busca ampliar sua participação no mercado internacional. Para o executivo, o acordo com a União Europeia pode contribuir para esse avanço. “É um marco importante”, observa Miralla.
Expectativa com a Fruit Attraction
Com a expectativa de atrair mais de 18 mil visitantes até a próxima quinta-feira (26), a Fruit Attraction São Paulo está em sua terceira edição e se consolida como a maior feira voltada ao setor de frutas e hortaliças do Hemisfério Sul.
A estimativa dos organizadores é que o evento gere entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão em negócios em três dias. São 500 marcas expositoras e o público é diverso: ao caminhar pelos estandes, é possível ouvir uma infinidade de sotaques, que passam pelo Nordeste do Brasil, pela América do Sul e pela Europa.
Para o presidente da Abrafrutas, a feira vem ganhando relevância no país e se consolidando como ponto de encontro entre produtores e compradores internacionais.
“A feira cresce a cada edição e mostra a força da fruticultura brasileira. Esse ambiente ajuda a potencializar negócios, principalmente com esse novo cenário de mercado”, afirma.
Além disso, segundo Coelho, foi firmado um entendimento entre os organizadores para a realização da feira pelos próximos anos, o que dá mais segurança ao setor. “Isso é importante para toda a cadeia, não só para o produtor, mas para quem está no entorno, como embalagem, logística e serviços”, diz.
Na mesma linha, Miralla avalia que a feira segue trajetória semelhante à da edição de Madri, que ganhou escala ao longo dos anos.
“É uma feira que vem crescendo e ganhando relevância. O Brasil passa a ser visto como um ponto estratégico, tanto para produtores quanto para compradores”, ressalta.
O line-up de exportações nos portos brasileiros aponta para um forte ritmo de embarques de soja em março. Segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado, estão programadas 16,703 milhões de toneladas para o mês, volume superior ao registrado em março do ano passado, quando as exportações somaram 15,994 milhões de toneladas.
Para os próximos meses, a programação segue robusta. Em abril, a previsão é de embarque de 10,513 milhões de toneladas, enquanto para maio estão estimadas mais 184 mil toneladas. Em fevereiro, o line-up indicava 8,873 milhões de toneladas.
No acumulado de janeiro a maio de 2026, a projeção é de embarque de 38,719 milhões de toneladas. Como comparação, dados da Secex mostram que, entre janeiro e março de 2025, o Brasil exportou 22,155 milhões de toneladas de soja, reforçando o ritmo aquecido das exportações neste início de ano.
A safra agrícola 2025/26 de São Paulo começa com perspectiva de crescimento em importantes culturas, segundo levantamento divulgado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Os dados foram consolidados pelo Instituto de Economia Agrícola e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, e indicam avanço na produção de grãos e café, enquanto laranja e cana-de-açúcar registram retração em área e produção.
De acordo com o levantamento, a produção de milho na primeira safra deve alcançar 2,01 milhões de toneladas, alta de 38% em relação ao ciclo anterior. O resultado é atribuído ao aumento da área plantada, estimado em 23,1%, e à elevação da produtividade média, projetada em 7.469 kg por hectare, crescimento de 12,2%. A produção está concentrada em regiões que respondem por 58,6% do total estadual.
A soja também apresenta expansão, com estimativa de produção de 4,57 milhões de toneladas, avanço de 11%. O desempenho é impulsionado por uma produtividade de 3.663 kg por hectare, com destaque para a região de Itapeva, responsável por quase 19% do volume esperado. As regionais de Itapeva, Assis e Ourinhos concentram 39,7% da produção prevista no estado.
No café, o primeiro levantamento da safra 2025/26 indica produção de 4,7 milhões de sacas de 60 quilos. Mesmo com redução de 0,9% na área cultivada, a produtividade deve crescer 5,7%. A região de Franca responde por mais de 57% da produção estadual, com cerca de 2 milhões de sacas, enquanto São João da Boa Vista participa com 1,1 milhão de sacas, equivalente a 23,6% do total.
Os dados também consolidam os números finais da safra 2024/25 para culturas destinadas à indústria. A produção de laranja somou 268,7 milhões de caixas, com produtividade de 30.965 kg por hectare, alta de 2,8%, mas com redução de 9,5% na área cultivada. “O resultado é reflexo direto da alta incidência de greening, principal doença que atinge a cadeia produtiva mundialmente, além das variações climáticas”, informa o relatório.
Já a cana-de-açúcar registrou produção de 390,9 milhões de toneladas, queda de 4,6% em relação ao ciclo anterior. A área plantada recuou 4,8%, totalizando 5,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade teve leve aumento de 0,5%, alcançando 78.057 kg por hectare. Segundo o levantamento, a cultura está distribuída em praticamente todas as regionais da CATI, com destaque para São José do Rio Preto, Barretos e Ribeirão Preto.
O levantamento foi realizado entre novembro e dezembro de 2025, com participação de técnicos das Casas de Agricultura nos 645 municípios paulistas. As informações consideram os principais produtos do Valor da Produção Agropecuária Paulista, com base em dados de área, produção e produtividade.
As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a pressionar a cadeia global de fertilizantes, elevando custos e trazendo incertezas para o produtor rural.
Além do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, o mercado ainda sofre os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia e das disputas comerciais entre grandes potências.
O impacto já chega ao campo: com risco de desabastecimento e preços mais altos, produtores adotam postura mais cautelosa nas compras.
Produtor paga mais caro por menos fertilizante
O Brasil deve encerrar março com cerca de 7 milhões de toneladas importadas, frente a quase 7,9 milhões no mesmo período de 2025, uma queda de aproximadamente 11% no volume.
Apesar disso, o desembolso subiu de US$ 2 bilhões para US$ 2,4 bilhões, um aumento de cerca de 20% nos gastos.
Na prática, o produtor está pagando mais por menos produto, combinação que pressiona diretamente as margens.
Preço por tonelada dispara e volta a preocupar
O custo médio por tonelada também reforça esse cenário.
Em março de 2025, o preço girava em torno de US$ 311 por tonelada. Em 2026, já alcança cerca de US$ 382, alta de aproximadamente 23% em um ano.
Se comparado a 2024, quando os preços estavam próximos de US$ 309 por tonelada, o aumento já passa de 20%.
O movimento interrompe uma trajetória de queda após o pico de 2022, quando os fertilizantes chegaram a cerca de US$ 671 por tonelada.
Ritmo de importação cai
O ritmo diário de importação também recuou. Em março de 2026, a média está em cerca de 118 mil toneladas por dia, contra 137 mil no mesmo período do ano passado, redução de aproximadamente 14%.
O dado indica menor apetite de compra por parte do produtor, reflexo direto dos preços elevados e da incerteza no mercado.
O histórico recente mostra uma desaceleração clara nas importações:
2023 → 2024: crescimento de cerca de 10%
2024 → 2025: alta menor, entre 3% e 4%
2025 → 2026: tendência de estagnação ou queda
Esse movimento sinaliza uma mudança de comportamento no campo, com produtores mais seletivos e focados em reduzir custos.
O recente surto do vírus Oropouche, ocorrido em 2023, chamou atenção no Brasil e em outros países da América Latina não só pela magnitude (mais de 30 mil casos registrados no território nacional), mas também pela primeira morte confirmada no país causada pela doença e pela rápida disseminação para todos os estados, deixando de se restringir à região amazônica.
Diante desse cenário, no início do ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também demonstrou preocupação e fez um apelo para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de prevenção e controle contra esse patógeno, até então quase desconhecido.
Dois estudos publicados nesta terça-feira (24) nas revistas Nature Medicine e Nature Health comprovaram que o impacto do vírus Oropouche é muito maior do que o retratado nos dados oficiais.
Por meio de cálculos matemáticos, dados históricos e análise de sangue de hemocentros, os pesquisadores estimam que, desde 1960, o vírus já tenha infectado cerca de 9,4 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe. Só no Brasil, seriam aproximadamente 5,5 milhões de casos.
Sintomas
A doença, que provoca febre e sintomas semelhantes aos da dengue, pode evoluir para complicações graves, incluindo problemas neurológicos (meningite e meningoencefalite) e até microcefalia em casos de transmissão materno-fetal.
“Estimamos que um em cada mil diagnósticos da doença evolua para complicações graves, como doenças neurológicas, microcefalia, abortos e complicações hepáticas, o que eleva o nível de prioridade para saúde pública”, destaca o coordenador do Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (Leve) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Luiz Proença Módena.
Circulação
Os pesquisadores detectaram que o vírus Oropouche está em circulação contínua, embora muitas vezes em níveis tão baixos que se tornam quase indetectáveis pelos sistemas de vigilância comuns. “No trabalho, identificamos duas grandes ondas de Oropouche na capital amazonense, uma na década de 1980 e a de 2023, que infectaram, cada uma, mais de 12% de sua população”, diz Módena.
A partir desse rastreamento, os pesquisadores também identificaram que indivíduos infectados na década de 1980 ainda eram capazes de neutralizar a linhagem viral recente.
Um vírus do mato
A reemergência do vírus Oropouche em 2023 confirmou sua expansão pelo país. O Espírito Santo apresentou a maior taxa acumulada, com 318 casos por 100 mil habitantes. Já a região Sudeste concentrou 57,9% das notificações, tornando-se o novo epicentro da doença.
Diferentemente de outras arboviroses mais conhecidas, ele é transmitido pelo mosquito-pólvora, porvinha ou maruim (Culicoides paraensis), o que faz com que a incidência da doença em áreas rurais seja 11 vezes maior do que nas cidades.
“Ao contrário do Aedes aegypti [mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya], que se reproduz em água parada, o maruim deposita seus ovos em solo úmido e rico em matéria orgânica. É um mosquito do mato, de áreas úmidas. Por isso, a predominância de casos em áreas rurais e não urbanas”, explica o professor da Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, William de Souza.
De acordo com Souza, historicamente, essa doença estava muito ligada a áreas com plantação de banana e cacau, mas ao estudar a ecologia do vírus identificamos que a questão não é a fruta em si, mas a condição ideal de solos úmidos e com bastante matéria orgânica.
Altas temperaturas e chuvas também são condições propícias para a disseminação do maruim
“O combate à doença se torna muito diferente das outras arboviroses transmitidas por mosquitos, que são mais urbanos. Estratégias como a fumigação em praças e ruas asfaltadas são provavelmente pouco úteis contra o Oropouche. O maruim não vive nos ralos das casas, mas na umidade das áreas florestais e na vegetação periférica das cidades”, explica Souza.
Manaus, epicentro da crise
Em Manaus (AM), a maior metrópole da região amazônica, estima-se que 300 mil pessoas tenham sido infectadas entre 2023 e 2024, quase 260 vezes mais que os casos confirmados.
De acordo com os pesquisadores, a prevalência de anticorpos contra o vírus saltou de 11,4% em novembro de 2023 para 25,7% em novembro de 2024, indicando ampla disseminação da doença.
“A capital do Amazonas é uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes e considerada a porta de entrada para a região amazônica. A subnotificação ocorreu por vários fatores, principalmente pelo fato do vírus ter circulado silenciosamente antes de atingir as bordas do centro urbano, com muitos casos sendo assintomáticos ou leves, e sem diagnóstico”, explica Souza.
Essa dinâmica ajuda a explicar a disseminação do vírus por todos os estados brasileiros e países vizinhos, além de reforçar o cenário que motivou a OMS a emitir alerta internacional.
Já no caso de pacientes em regiões remotas da Amazônia, os pesquisadores destacam a dinâmica e a logística da região.
“Pacientes em regiões remotas da Amazônia muitas vezes enfrentam tempos de viagem de mais de 24 horas para chegar a uma unidade de saúde. Isso significa que muitos casos provavelmente não foram diagnosticados, permitindo que o vírus circulasse silenciosamente até atingir a borda de um grande centro urbano”, afirma Souza.
Morfologia
Outra característica importante do maruim é que ele é três vezes menor que um pernilongo comum, tamanho ideal para atravessar mosquiteiros. Porém a razão por trás dessa reemergência agressiva não está apenas no clima, mas em uma nova recombinação viral (reassortment).
Controle
No trabalho, os pesquisadores também identificaram a emergência de uma nova linhagem viral, resultado de um processo de rearranjo ou reassortimento genético que ocorre quando dois vírus diferentes infectam uma mesma célula.
“A reemergência do Oropouche nos mostra que não podemos combater todas as arboviroses com a mesma receita, pois o maruim não segue as mesmas regras do Aedes“, diz Módena.
Para ele, embora a imunidade de longo prazo pareça existir para quem já foi infectado, a velocidade com que o vírus se expandiu por todos os estados brasileiros mostra que o sistema de saúde precisa de novos sistemas de detecção, focados, inclusive, na vigilância distante dos grandes centros.
Os pesquisadores ressaltam a necessidade de mudanças estruturais, como a adoção de estudos sorológicos contínuos, o uso de bancos de sangue como alerta precoce e a integração de ferramentas digitais e genômicas para acompanhar surtos e mutações.
A JBS Couros anunciou uma nova tecnologia que promete transformar o processo de curtimento e elevar o padrão de sustentabilidade na indústria do couro. Batizada de Savetan, a solução foi desenvolvida pela marca Kind Leather e já apresenta resultados expressivos na redução do uso de recursos naturais.
O novo modelo atua na etapa de curtimento, considerada uma das mais críticas no processamento do couro. A tecnologia melhora a fixação do cromo — mineral essencial para garantir resistência e durabilidade ao material — e aumenta a eficiência do processo.
Na prática, os ganhos ambientais são significativos, de acordo com a empresa:
Os dados reforçam o potencial da inovação para diminuir o impacto ambiental sem comprometer a qualidade do couro final.
Inovação já está em operação no Brasil
A tecnologia Savetan já está em funcionamento em três unidades da empresa:
Pedra Preta (MT)
São Luís de Montes Belos (GO)
Nova Andradina (MS)
A estratégia da companhia prevê a expansão gradual do modelo, com a meta de alcançar 100% das unidades de curtume até o final de 2026.
Sustentabilidade aliada à eficiência
Segundo Ramon Torres, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, o avanço representa uma mudança concreta no setor.
“O Savetan muda de verdade a forma como a gente trabalha o curtimento. Ele deixa o processo mais simples, eficiente e com mais controle, refletindo diretamente na qualidade do couro.”
Além do ganho operacional, a tecnologia se alinha à crescente demanda global por práticas mais sustentáveis e transparentes na cadeia produtiva.
Para Kim Sena, diretor de sustentabilidade da JBS, a inovação marca um novo momento para o setor.
“Ao integrar eficiência operacional com preservação de recursos, entregamos ao mercado um produto alinhado aos limites do planeta.”
O Brasil produzia 53% mais grãos que a Argentina nos anos 1990. Hoje produz 155% mais. A distância entre os dois principais países agrícolas da América do Sul não parou de crescer nas últimas três décadas e tem como pano de fundo políticas agrícolas divergentes, ganhos de produtividade e uma diferença cada vez maior no acesso ao crédito.
“É uma combinação de maior estabilidade macroeconômica, ausência de impostos sobre exportação e maior acesso ao financiamento. Esse conjunto colaborou muito para o desempenho do Brasil nas últimas décadas em relação à Argentina”, disse o pesquisador Guido D’Angelo, da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), em transmissão na segunda-feira (23).
O estudo, assinado por D’Angelo e pelos pesquisadores da BCR Emilce Terré e Julio Calzada, soma a produção de soja, milho e trigo dos dois países por década. Na média dos anos 2000, a brecha chegou a se estreitar, com o Brasil produzindo 45% mais que a Argentina, resultado da adoção de pacotes tecnológicos e do plantio direto nos dois países. Mas a Argentina viu o retorno das retenciones, as taxas sobre exportações agrícolas, enquanto o Brasil mantinha o apoio ao produtor por iniciativas como o Plano Safra.
Na década de 2010, a diferença havia saltado para 82%. Nas primeiras cinco safras dos anos 2020, chegou a 155%. “A Argentina também cresceu nessas décadas, mas o Brasil o fez em ritmo maior”, disse D’Angelo. A projeção para 2025/26, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aponta leve recuo da brecha para 147%, sustentada por uma boa colheita de trigo, milho e soja na Argentina.
Na carne bovina, a distância é ainda maior. Nos anos 1990, o Brasil já produzia 119% mais carne que a Argentina. Na década seguinte, a diferença subiu para 167%. Na década de 2010, o Brasil produzia quase três vezes o volume argentino, distância de 249%. Na média dos anos 2020, produz 235% mais, e a projeção do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para 2025/26 aponta diferença de 284%, beirando quatro vezes a produção argentina.
No campo das exportações, a inversão é ainda mais expressiva. Nos anos 1990, a Argentina embarcava 24% mais carne bovina por ano do que o Brasil. Hoje, o Brasil exporta mais de cinco vezes o volume argentino. Em três décadas, as vendas externas argentinas quase dobraram, enquanto as brasileiras cresceram mais de 13 vezes. “Isso tem a ver com muitos fatores, entre eles o financiamento e o crédito interno, que no Brasil cresceu muito acima do que cresceu na Argentina”, disse D’Angelo.
Segundo os pesquisadores, os dados de crédito ilustram a diferença. No início dos anos 2000, Argentina e Brasil tinham níveis de crédito interno ao setor privado relativamente próximos, de 24% e 31% do PIB, respectivamente. Em 2024, a Argentina registrava 15% do PIB, enquanto o Brasil chegava a 76%, uma distância de mais de 60 pontos porcentuais.
Para a BCR, a redução das retenciones e o fim das distorções cambiais na Argentina são passos na direção certa. A safra atual deve bater recordes de produção de grãos, e o crédito bancário ao setor pecuário registrou o segundo maior nível da história argentina. “Com mais apoio ao produtor, não há dúvidas de que a Argentina pode continuar crescendo em produção e exportações”, concluiu D’Angelo.
A colheita de soja atingiu 67,7% da área no Brasil, segundo o último levantamento da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). Na semana anterior, os trabalhos estavam em 59,2%, o que representa um avanço de 14,4% no período.
Em comparação com o mesmo momento do ano passado, quando a colheita alcançava 76,4%, há uma retração de 11,4%. Já em relação à média dos últimos cinco anos, de 66,4%, o desempenho atual está 2,0% acima.
O ritmo de colheita varia entre as regiões do país. Mato Grosso lidera com 98,3% da área já colhida, seguido por Mato Grosso do Sul (87%) e Goiás (77%). Na sequência aparecem Paraná (70%), Tocantins (68%), Minas Gerais (64%) e São Paulo (62%).
Em estágios intermediários estão Bahia (55%), Piauí (36%) e Maranhão (34%). Já os trabalhos seguem mais atrasados no Sul do país, com Santa Catarina em 25,4% e Rio Grande do Sul em 13%, refletindo condições climáticas menos favoráveis ao avanço das operações.
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Os lançamentos vao ocorrer durante o Show Safra 2026, em Lucas do Rio Verde (MT) – Foto: Divulgação
A realização de uma das principais feiras do agronegócio nacional reúne, nesta semana, soluções voltadas ao aumento de produtividade e ao enfrentamento de desafios recorrentes no campo, com destaque para tecnologias em proteção de cultivos e sementes.
Durante o Show Safra 2026, em Lucas do Rio Verde (MT), a Syngenta apresenta um conjunto de inovações que abrange desde o tratamento de sementes até defensivos químicos, biológicos e portfólio genético. A participação também marca os 20 anos da Dipagro, integrante da rede de revendas SYNAP, com atuação consolidada na região Centro-Oeste. No estande, produtores têm acesso a condições comerciais diferenciadas e ao programa de relacionamento Reúno, voltado à oferta de serviços e benefícios para o campo.
Entre os destaques está o VICTRATO®, solução para tratamento de sementes desenvolvida com tecnologia TYMIRIUM®, voltada ao controle de nematoides e doenças de solo. Esses organismos podem reduzir a produtividade em até 25%, com impactos bilionários na cultura da soja, conforme dados levantados em parceria com consultoria e entidade do setor. A proposta é ampliar a proteção desde a fase inicial das plantas.
O portfólio inclui ainda o inseticida VERDAVIS®, com formulação baseada em PLINAZOLIN®, indicado para pragas de difícil controle, e o fungicida MITRION®, voltado ao combate da ferrugem-asiática e outras doenças relevantes. No segmento biológico, o bioativador MEGAFOL™️ atua na mitigação de estresses climáticos e no estímulo ao desenvolvimento das plantas.
Na área de sementes, a empresa apresenta híbridos de milho e variedades de soja com foco em produtividade, estabilidade e resistência a nematoides. As opções contemplam diferentes ciclos e características agronômicas, buscando atender às demandas de manejo e rentabilidade nas principais regiões produtoras.