Nova solução pode combater mastite sem antibióticos na pecuária leiteira

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) vem avançando no desenvolvimento de soluções inovadoras para um dos principais desafios da pecuária leiteira: a mastite bovina. Pesquisas conduzidas nos programas de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas e em Ciências Veterinárias resultaram em uma formulação que utiliza óleos essenciais como base para tratamento e prevenção da doença, com potencial para reduzir o uso de antibióticos e seus impactos associados.
A tecnologia combina óleos essenciais de orégano e tomilho a uma emulsão com poloxâmero, composto amplamente utilizado em formulações farmacêuticas. A proposta se destaca por oferecer uma alternativa com ação antimicrobiana, ao mesmo tempo em que contribui para enfrentar um problema crescente: a resistência aos antimicrobianos, considerada um desafio global de saúde pública.
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A mastite bovina é uma das doenças mais relevantes da cadeia leiteira, com impacto direto na produtividade, na qualidade do leite e na rentabilidade das propriedades rurais. Além dos prejuízos econômicos, a presença de microrganismos como o Staphylococcus aureus pode representar riscos à saúde humana, especialmente quando há consumo de produtos contaminados. Soma-se a isso o uso recorrente de antibióticos no tratamento convencional, que pode deixar resíduos no ambiente e intensificar o problema da resistência microbiana.
Nesse contexto, a pesquisa se insere no conceito de Saúde Única, ao considerar a interdependência entre saúde animal, humana e ambiental. Ao propor uma alternativa baseada em bioinsumos, a tecnologia amplia as possibilidades de manejo mais sustentável na pecuária leiteira e contribui para práticas alinhadas à inovação e ao uso responsável de recursos.
O avanço científico também impulsionou a criação de uma startup voltada ao desenvolvimento de produtos multifuncionais, com aplicações nas áreas veterinária e humana. A iniciativa busca transformar o conhecimento gerado em soluções aplicáveis ao mercado, reforçando a conexão entre pesquisa acadêmica, inovação e empreendedorismo.
O reconhecimento no meio científico reforça o potencial da pesquisa aplicada. A formulação conquistou o primeiro lugar em um prêmio nacional voltado à inovação em Ciências Farmacêuticas com base na biodiversidade brasileira, destacando a relevância de soluções que utilizam recursos naturais como base para novas tecnologias.
Com apoio de instituições de fomento, o estudo evidencia o papel estratégico da ciência no desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis para o agronegócio. Ao integrar conhecimento técnico, biodiversidade e inovação, a iniciativa amplia perspectivas para o controle de doenças na pecuária e fortalece o uso de soluções mais seguras e eficientes no campo.
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