Os desafios das lavouras de soja e as soluções da pesquisa para incrementar as atividades no campo são o foco do estande da Embrapa Soja na Expo Londrina, a ser realizada de 10 a 19 de abril, no parque de Exposições Ney Braga, em Londrina (PR). Serão apresentadas diferentes tecnologias, como: bioinsumos, manejo das plantas daninhas de difícil controle, assim como as inovações da genética com o uso de técnicas de edição gênica (tecnologia CRISPR). Aos finais de semana, a Embrapa irá distribuir a revista infantil O incrível Mundo da Soja, com atividades lúdicas. Os visitantes também poderão interagir com o Sojito, mascote da Embrapa Soja, aos sábados e domingos, a partir das 17h.
Painel sobre manejo de plantas daninhas – Na parte técnica da programação, a Embrapa Soja irá promover um painel sobre Plantas daninhas de difícil controle – desafios no manejo, no dia 13 de abril, das 10h30 às 12h, no auditório do Pavilhão SmartAgro, a proposta é debater os principais problemas enfrentados pelos produtores, com foco em caruru, pragas quarentenárias, tecnologia de aplicação e ferramentas para manejo. O pesquisador Rafael Romero Mendes irá ministrar palestra contextualizando o tema, assim como haverá debate com os representantes das cooperativas Cocamar, Coamo e Integrada. ZARC NM – A Embrapa Soja, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR- Paraná) estará demonstrando o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC NM) para a soja, na Via Rural Fazendinha. O ZARC NM leva em consideração, além da série climatológica na região, do tipo de solo e do ciclo da cultura, a adoção de boas práticas de manejo do solo. Quando criado, em 1996, o ZARC considerava três classes de água disponível do solo, sendo determinadas apenas pela textura do solo, principalmente pelo teor de argila. A partir de 2022, um novo método de classificação passou a considerar seis classes de água disponível do solo, em função dos teores de areia, silte e argila. A metodologia agora proposta passa a considerar também a estrutura e a fertilidade física, química e biológica, pela influência exercida na disponibilidade hídrica no solo. Bioinsumos – Durante o 3º Seminário Regional de Produção Sustentável de Grãos: Soja e Milho, a ser promovido pelo IDR-Paraná, no dia 15 de abril, a partir das 8h30, no pavilhão da SmartAgro/ Arena Futuro, a pesquisadora da Embrapa Soja, Mariangela Hungria, vencedora do Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize), em 2025, irá ministrar a palestra Microrrevolução Verde empoderando a saúde do solo, a mitigação dos gases de efeito estufa e o conceito “One Health”.
O crescimento da indústria de etanol de milho no Brasil está criando um novo protagonista dentro do agronegócio em 2026: o DDG, sigla para distillers dried grains, ou grãos secos de destilaria. Muito se fala sobre o insumo, mas o que de fato ele significa?
O DDG é obtido durante o processo de fermentação do milho para produção de etanol. Nele, os componentes do grão que não são convertidos em álcool, como proteínas, fibras e lipídios, permanecem concentrados no produto final, que passa a ser utilizado na alimentação animal. No entanto, especialistas do setor dividem opiniões quanto à sua categorização como coproduto ou subproduto do milho.
Carlos Cogo, sócio-diretor de consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio, acredita que o DDG deve ser definido mais adequadamente como coproduto, já que não é um resíduo secundário de baixa relevância econômica dentro da indústria de etanol de milho.
“Ao contrário, trata-se de um componente central da rentabilidade das usinas, com mercado próprio, demanda crescente e participação importante na receita das plantas industriais. Em muitos casos, a venda do DDG compensa parcela relevante do custo do milho utilizado como matéria-prima, o que evidencia sua função econômica estrutural dentro do modelo de negócios do etanol de milho”, aponta.
“Quando a gente analisa toda a questão de receita dentro das indústrias de etanol, ele vai ser o principal percentual. Mas o DDG é um conceito interessante, e a gente vê as usinas fomentando bastante essa parte de comercialização”, destaca Rodrigo Silva, coordenador de inteligência de mercado agropecuário do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
De subproduto a ativo estratégico no agro
Antes tratado apenas como um resíduo do processo industrial, o insumo passou a ter mercado próprio, demanda crescente e papel direto na rentabilidade das usinas.
Para Cogo, esse movimento tende a ganhar força com a expansão da produção de etanol de milho, especialmente no Centro-Oeste, aliada ao aumento da escala produtiva, à padronização da qualidade, à evolução logística e à crescente demanda das cadeias de proteína animal.
“Além disso, a formação de preços cada vez mais correlacionada a outros insumos, como o farelo de soja, contribui para dar maior transparência e previsibilidade ao mercado. À medida que esses fatores avançam, o DDG deixa de ser um produto regional e passa a assumir características típicas de commodity”, afirma.
Segundo o último balanço da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), divulgado no fim de março, a produção de milho no estado chegou a 55,43 milhões de toneladas na safra 2024/25. Dessa quantidade, mais de 13,9 milhões de toneladas foram destinadas à produção do etanol de milho, tornando Mato Grosso o maior produtor brasileiro de biocombustível do grão.
Na análise de Cogo, esse cenário deve se manter nos próximos anos, com uma tendência estrutural de crescimento, sustentada pela competitividade do milho brasileiro – especialmente da segunda safra -, pelo menor custo relativo de produção do etanol em relação a outras rotas e pela importância dos coprodutos na formação das margens industriais.
“O Brasil deve adicionar cerca de 7 bilhões de litros de capacidade até 2028, com dezenas de projetos em andamento, o que implica aumento relevante na oferta de DDG. No curto prazo, podem ocorrer ajustes de margem em função de eventuais excessos de oferta, mas a trajetória estrutural permanece positiva”, destaca.
Oferta contínua garante vantagem competitiva
A disponibilidade contínua do DDG é um dos seus principais diferenciais competitivos e que contribui diretamente para a sua adoção. Diferentemente de insumos sujeitos à sazonalidade, o insumo é produzido ao longo de todo o ano, acompanhando o funcionamento das usinas de etanol.
Assim, essa regularidade acaba proporcionando uma maior previsibilidade de custos na formulação de rações, reduz a necessidade de estoques elevados, melhora o planejamento operacional e diminui a exposição à volatilidade de preços.
“Para cadeias intensivas, como confinamentos e integrações, essa estabilidade é um fator relevante para ganho de eficiência e gestão de risco”, aponta Cogo.
Em fevereiro, o Brasil embarcou a primeira carga de DDG à China. A remessa de 62 mil toneladas foi enviada pelo Porto de Imbituba (SC), a primeira operação após a abertura do mercado chinês ao produto brasileiro em maio de 2025, com a assinatura do protocolo sanitário bilateral. “É um mercado crescente, demandante demais, um setor que gera valor agregado”, diz Silva, do Imea.
Uso do DDG avança além da pecuária de corte
Embora o DDG já esteja amplamente consolidado na pecuária de corte, especialmente em sistemas de confinamento, há potencial de crescimento em outras cadeias, como suinocultura e avicultura, segundo especialistas.
Esse avanço tende a ocorrer de forma gradual, devido às exigências nutricionais mais rigorosas dessas espécies, que demandam maior padronização e controle de qualidade do insumo.
“Ainda assim, com a expansão das exportações, margens positivas e busca por alternativas competitivas ao milho e ao farelo de soja, o DDG tende a ganhar espaço nessas cadeias, especialmente à medida que a indústria evolui em qualidade e consistência do produto”, aponta Cogo.
Tensões globais impactam mercado de etanol
Outro fator se refere às tensões geopolíticas recentes, que podem gerar impactos relevantes sobre o setor de biocombustíveis e suas cadeias associadas. Esses eventos afetam diretamente os preços do petróleo, os custos de fertilizantes, a logística global e os fluxos comerciais, influenciando tanto a competitividade do etanol quanto o custo de produção do milho.
“Esse ambiente reforça a importância de cadeias integradas, como a do etanol de milho e do DDG, que agregam valor internamente, reduzem dependências externas e fortalecem a integração entre agricultura, energia e produção animal no Brasil”, conclui Cogo.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou na última semana a Resolução nº 5.288, que amplia as finalidades financiáveis no Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro). A norma permite o uso do crédito rural para aquisição de sêmen, óvulos e embriões destinados ao melhoramento genético de rebanhos.
A medida também inclui os serviços de inseminação artificial e transferência de embriões para bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos. A resolução altera o Manual de Crédito Rural (MCR) e possibilita que produtores utilizem recursos do RenovAgro para compra de material genético sem limite percentual dentro do valor total do projeto.
O limite de financiamento do programa é de até R$ 5 milhões por produtor. O prazo para pagamento pode chegar a cinco anos, com carência de até 12 meses após a contratação. A norma também atualiza regras do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), permitindo que agricultores familiares tenham acesso ao financiamento para aquisição de sêmen, óvulos e embriões destinados à produção de leite.
As operações seguirão com taxas de juros definidas para o programa. O RenovAgro é voltado ao financiamento de sistemas de produção com menor emissão de gases de efeito estufa. A inclusão do melhoramento genético entre as finalidades financiáveis amplia o acesso a biotecnologias reprodutivas na pecuária.
Impacto na produção
Estudos técnicos indicam que a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) pode reduzir a emissão de carbono por litro de leite e por quilo de peso vivo em sistemas de produção. A resolução faz parte da política do Ministério da Agricultura e Pecuária voltada ao aumento da eficiência produtiva.
O uso de material genético e de biotecnologias reprodutivas permite reduzir a idade ao primeiro parto, aumentar a taxa de desmame e melhorar o desempenho do rebanho.
Para mais informações, acesse o site do Giro do Boi.
O enchimento de grãos é uma das fases mais exigentes do ciclo do arroz irrigado — e também uma das mais sensíveis a erros de manejo hídrico. Em 2026, com pressão crescente por eficiência no uso da água e maior variabilidade climática nas regiões orizícolas do Brasil, ajustar a lâmina com precisão deixou de ser diferencial e tornou-se requisito técnico básico.
Segundo dados do IRGA (Instituto Rio Grandense do Arroz), as plantas se desenvolvem com pleno potencial quando têm acesso contínuo aos fatores essenciais, sem passar por estresse hídrico em fases críticas. No período reprodutivo, essa condição é ainda mais determinante para o resultado final da lavoura.
Dados da SOSBAI (Sociedade Sul-Brasileira de Arroz Irrigado) indicam que a formação e o enchimento dos grãos se estendem por aproximadamente 30 a 40 dias. Durante esse intervalo, a manutenção de um ambiente estável — com lâmina de água adequada — é parte central do manejo para preservar rendimento e qualidade.
A água, nessa fase, cumpre mais de uma função. Além de suprir a demanda fisiológica da planta em seu pico de exigência, protege a lavoura de oscilações ambientais, incluindo episódios de frio, que podem comprometer a formação dos grãos de forma irreversível.
O erro mais comum no manejo hídrico do arroz não é irrigar pouco — é irrigar sem critério. Manter a lâmina além do necessário tem custo operacional direto e pode comprometer a etapa seguinte: a drenagem e a preparação para a colheita.
Dados técnicos do IRGA apontam, como referência, a interrupção da irrigação em torno de 15 dias após o florescimento pleno. Essa janela favorece a drenagem adequada da área e a consolidação do enchimento sem desperdício hídrico. Em abordagens voltadas a sistemas de base ecológica, o instituto também descreve a supressão da irrigação quando a maior parte dos grãos atinge o estado pastoso — o que ocorre aproximadamente duas semanas após o florescimento pleno. O princípio é o mesmo: encerrar a irrigação sem interromper o enchimento.
A decisão sobre o momento certo de suspender a lâmina não é universal. Cultivares diferentes apresentam velocidades de desenvolvimento distintas, e condições climáticas irregulares — como períodos de frio ou calor atípicos — podem antecipar ou atrasar o ritmo esperado.
Talhões desuniformes exigem leitura ainda mais cuidadosa. O erro de timing — seja pela retirada precoce da água, seja pela permanência além do ideal — tem reflexo direto em produtividade e uniformidade de maturação, o que afeta também a eficiência da colheita.
Ajustar a lâmina é uma decisão que não funciona isolada. Segundo dados do IRGA, o arroz precisa estar livre de limitações relevantes para expressar seu máximo potencial produtivo. Isso significa que o manejo hídrico eficiente só entrega resultado pleno quando acompanhado de fertilidade adequada, controle de plantas daninhas e proteção fitossanitária.
A irrigação bem manejada potencializa o sistema. Mal conduzida, pode mascarar problemas ou amplificá-los. No enchimento de grãos, a água não pode faltar nem sobrar. O melhor resultado vem do manejo fino da lâmina, alinhado ao estádio da cultura e ao momento certo de drenagem. Em arroz irrigado, eficiência hídrica é também eficiência produtiva — e a diferença entre uma safra comum e uma safra de alto desempenho muitas vezes está nos detalhes desse ajuste.
Da herança indígena ao agro moderno, a torta capixaba atravessa gerações e mostra como tradição, produção e identidade caminham juntas no campo e na mesa.
No Espírito Santo, a Semana Santa não começa no calendário. Ela começa no cheiro. É quando o aroma do coentro, do azeite e dos frutos do mar invade as cozinhas, os mercados ganham outro ritmo e as panelas de barro voltam ao centro da cena. É ali, nesse movimento coletivo, que a torta capixaba ganha vida — mais uma vez.
E, olhando de perto, dá pra perceber: não é só um prato. É uma construção de séculos.
A base vem dos povos indígenas, que já misturavam peixes e mariscos em preparos comunitários. Com o tempo, chegaram os europeus, trazendo o azeite, os ovos, novas técnicas. E assim nasceu uma receita que carrega história em cada camada.
Na Semana Santa, ela vira protagonista. Não só pela tradição religiosa de evitar carne vermelha, mas pelo que acontece ao redor dela: família reunida, receita sendo passada, conversa na cozinha. A torta capixaba é, antes de tudo, um encontro.
E aqui entra um ponto que pouca gente fora do Espírito Santo imagina: essa tradição também é sustentada pela força do campo.
O agro capixaba está presente em cada pedaço da torta. E em números que impressionam.
Só com a produção anual de tilápia no estado — mais de 6,2 mil toneladas — seria possível preparar mais de 20 milhões de tortas. Quando olhamos para o tomate, esse número dispara: mais de 600 milhões de tortas poderiam ser feitas com a produção capixaba. A cebola daria conta de outras 64 milhões. E o palmito, ingrediente quase indispensável, permitiria mais 31 milhões de receitas.
Não é só tradição. É cadeia produtiva.
São mais de 150 atividades agrícolas diferentes no Espírito Santo, que garantem diversidade, oferta e qualidade dos ingredientes. É o campo abastecendo a cultura. É o produtor fazendo parte, mesmo sem estar na cozinha.
E aí, essa história ganha as ruas.
Na Ilha das Caieiras, em Vitória, a torta capixaba deixa de ser só tradição familiar e vira celebração coletiva. Durante o Festival da Torta Capixaba, o bairro se transforma em um grande palco gastronômico. Barracas, restaurantes, música ao vivo… e um fluxo constante de gente que chega pra provar — e acaba ficando pra sentir.
Ali, cada receita tem assinatura. Cada preparo carrega uma história. E quem passa por lá entende rápido: não é só comida. É identidade.
Serviço — Festival da Torta Capixaba 2026 De 2 a 5 de abril Quinta: 10h às 15h | Sexta: 10h às 18h | Sábado: 10h às 20h | Domingo: 10h às 18h Local: Ilha das Caieiras Música ao vivo e programação cultural Pratos típicos: torta capixaba, moqueca, bobó de camarão e mais Drive Thru (sexta e sábado, 10h às 16h) Valores: 500g (R$ 100) | 1kg (R$ 200)
E se a ideia for trazer esse sabor pra perto, dá pra começar assim:
Receita tradicional de torta capixaba
Ingredientes:
500g de palmito cozido
500g de bacalhau desfiado
200g de siri, caranguejo, camarão, ostra e sururu (cada)
Alho, cebola, tomate, coentro, cebolinha, azeite, limão e azeitona
6 ovos (claras e gemas separadas)
Modo de preparo:
Refogue alho, cebola, azeite e tomate
Acrescente o palmito e cozinhe até ganhar consistência
Adicione os frutos do mar e o bacalhau já preparados e secos
Misture até formar uma massa uniforme
Incorpore parte das claras em neve com as gemas
Coloque na panela de barro
Finalize com o restante das claras em neve
Leve ao forno até dourar
No fim, a gente entende: a torta capixaba não nasce só da receita. Ela nasce da terra, do mar e das mãos de quem produz — dentro e fora da cozinha.
O mês de março concentra etapas decisivas do calendário agrícola no Brasil, com avanço da colheita de soja e milho de verão, intensificação do plantio do milho safrinha e início do planejamento da safra de trigo. O período tem sido marcado por variações climáticas e pela ocorrência simultânea de estresses abióticos, como déficit hídrico, altas temperaturas e oscilações de radiação, fatores que impactam o desempenho das lavouras. Nesse cenário, tecnologias voltadas ao fortalecimento fisiológico das plantas passam a integrar estratégias de manejo no campo.
No milho de verão, a colheita avança no Centro-Sul e já alcança 55,7% da área. Entre os estados com maior progresso estão Rio Grande do Sul, com 84,5%, Santa Catarina, com 78,2%, e Paraná, com 69,7%. Nessas regiões, as lavouras enfrentaram ondas de calor, irregularidade de chuvas e variações de luminosidade ao longo do ciclo. Avaliações realizadas nas últimas semanas por equipes da Elicit Plant apontam incrementos entre 15 e 17 sacas por hectare em áreas submetidas a múltiplos estresses.
Na soja, a colheita atinge 61% da área nacional, em ritmo inferior ao observado em anos recentes. No Sul do país, o déficit hídrico associado ao calor reduziu o potencial produtivo das lavouras. Já nas regiões Norte e Nordeste, o excesso de chuvas dificultou as operações de campo e afetou a qualidade dos grãos. Mesmo nesse cenário, levantamentos de campo da Elicit Plant indicam ganho médio de cerca de cinco sacas por hectare nas áreas acompanhadas.
O plantio do milho safrinha também registra avanço e já chega a 85,5% da área prevista, acima da média dos últimos cinco anos. O estado de Mato Grosso lidera o ritmo de semeadura, com 99,3% da área, seguido por Tocantins, com 98%, e Maranhão, com 95%. Em parte do Paraná, a baixa umidade do solo limita o desenvolvimento inicial das plantas, enquanto o excesso de chuvas provocou interrupções nas atividades em Mato Grosso do Sul e Tocantins. O atraso na colheita da soja, com cerca de 1,3 milhão de hectares ainda pendentes, amplia a exposição ao risco climático na segunda safra.
As estimativas de produção também indicam um cenário de atenção para o setor. Para a soja, a Companhia Nacional de Abastecimento projeta produção de 176,1 milhões de toneladas, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estima 178 milhões de toneladas. No milho, a Conab prevê 138,8 milhões de toneladas, frente às 131 milhões indicadas pelo USDA.
Com o avanço das safras de verão, produtores da região Sul iniciam o planejamento do cultivo de trigo, ainda sob efeitos residuais de estiagem e períodos de excesso de chuvas. Nesse contexto, decisões de manejo devem influenciar o potencial produtivo da próxima temporada.
Para o responsável pelas operações da Elicit Plant no Brasil, Felipe Sulzbach, o cenário reforça a necessidade de estratégias voltadas à adaptação das lavouras às condições adversas. “O cenário desta safra evidencia que os estresses abióticos deixaram de ser pontuais e passaram a ocorrer de forma combinada, exigindo uma resposta mais consistente das lavouras”, afirma.
Segundo ele, os resultados observados em campo indicam a capacidade das tecnologias de atuar em diferentes ambientes produtivos. Sulzbach avalia que os incrementos registrados em soja e milho demonstram a possibilidade de manter o desempenho das lavouras mesmo diante de limitações climáticas relevantes. “A adoção de tecnologias voltadas ao fortalecimento fisiológico das plantas deve ganhar espaço à medida que o produtor busca mais previsibilidade produtiva”, conclui.
O Brasil é referência no desenvolvimento de tecnologias altamente sofisticadas de diagnóstico e manejo de solos. Com esse histórico, o IBRA megalab, maior laboratório de análise de solo do Brasil, inicia um movimento estratégico de internacionalização após identificar oportunidades de atuação no mercado norte-americano, que em 2025 chegou a US$ 800 milhões, representando 27,3% do mercado global de análises de solo, de acordo com dados do Industry Research. Para viabilizar sua estratégia de expansão internacional, investiu cerca de R$ 5 milhões em um programa dedicado à transferência tecnológica no diagnóstico de solos.
Segundo o diretor do IBRA megalab, Armando Saretta Parducci, o objetivo é adaptar tecnologias desenvolvidas no ambiente tropical brasileiro para sistemas agrícolas de clima temperado, em um processo conhecido internacionalmente como “tropical soil diagnostics technology undergoing temperate adaptation”. Desse montante, aproximadamente R$ 3,5 milhões foram destinados ao desenvolvimento e validação científica das metodologias, enquanto R$ 1,5 milhão foi aplicado em iniciativas de promoção institucional, prospecção de parcerias e abertura de mercado internacional, especialmente nos Estados Unidos.
A iniciativa também inclui projetos-piloto com produtores norte-americanos, voltados à validação de metodologias de diagnóstico baseadas na experiência brasileira, além da participação institucional do laboratório no Congresso Internacional de Agricultura de Precisão (ICPA), organizado pela International Society of Precision Agriculture (ISPA), que pela primeira vez será realizado no Brasil e reunirá especialistas, empresas e centros de pesquisa de diversos países.
Recentemente, durante uma viagem técnica aos Estados Unidos, Parducii confirmou que existe um espaço relevante para a tecnologia brasileira de diagnóstico de solos naquele mercado. “A visita aos Estados Unidos foi muito importante para validar uma percepção que já vínhamos discutindo internamente. Há um interesse crescente em tecnologias mais avançadas de diagnóstico de solo, especialmente aquelas que integram análise laboratorial com agricultura digital, mapas digitais de solo e métricas relacionadas ao carbono”, afirma.
Além disso, o laboratório teve acesso a 150 mil amostras de solo dos EUA para desenvolver uma tecnologia de análise específica para aquele mercado e as principais culturas locais. O movimento de internacionalização do laboratório busca justamente levar essa expertise para outros mercados agrícolas. A estratégia inclui parcerias tecnológicas, intercâmbio científico e possíveis operações voltadas à análise avançada de solos e serviços associados à agricultura de precisão.
Para Parducci, a expansão internacional também representa uma oportunidade de posicionar o Brasil como referência global em ciência aplicada ao solo. “A agricultura brasileira evoluiu muito porque fomos obrigados a entender profundamente nossos solos. Hoje temos tecnologia, conhecimento e profissionais capazes de contribuir com a agricultura em qualquer lugar do mundo”, conclui.
A expectativa é que iniciativas como essa ampliem a presença de tecnologias agrícolas brasileiras no exterior e reforcem o papel do Brasil não apenas como grande produtor de alimentos, mas também como exportador de conhecimento e inovação em ciência do solo.
Experiência
De acordo com Parducci, a experiência brasileira em trabalhar com solos de baixa fertilidade gerou um conhecimento técnico que hoje pode contribuir com novos desafios globais da agricultura, como o aumento de produtividade, a eficiência no uso de fertilizantes e a mensuração de carbono no solo.
A transformação do Cerrado em área fértil é principal exemplo brasileiro, sendo que nas últimas décadas, cerca de 20 milhões de hectares foram incorporados à agricultura comercial, graças a tecnologias de correção e manejo do solo. Nesse contexto, o IBRA megalab tornou-se uma das referências privadas nesse segmento no país, incorporando metodologias modernas de análise química e física de solos, além do desenvolvimento e integração com ferramentas de agricultura de precisão e plataformas digitais de diagnóstico agronômico e operações agrícolas.
Outro ponto destacado é que a agricultura moderna está passando por uma transformação impulsionada por dados. Nesse cenário, laboratórios deixam de ser apenas prestadores de serviço analítico e passam a ocupar um papel central na geração de inteligência agronômica. “No Brasil aprendemos que a produtividade começa no diagnóstico. Quanto melhor entendemos o solo, melhor conseguimos manejar nutrientes, água e carbono. Essa lógica está ganhando relevância globalmente”, ressalta o agrônomo.
SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) – O dólar oscila com leve alta nesta manhã de sexta-feira no Brasil, acompanhando o viés positivo para a moeda norte-americana no exterior, em mais um dia de apreensão com o andamento da guerra no Oriente Médio.
Às 9h08 o dólar à vista subia 0,33%, aos R$5,2750 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para abril — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — avançava 0,69%, aos R$5,2800.
Na quinta-feira, o dólar à vista fechou o dia com alta de 0,70%, aos R$5,2574.
(Por Fabrício de Castro)
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A avaliação é que há espaço para fortalecer a confiança nos produtos brasileiros – Foto: Divulgação
A entrada em vigor provisória de um novo acordo comercial a partir de maio marca uma mudança relevante para o agronegócio brasileiro, ampliando não apenas as oportunidades de exportação, mas também a necessidade de adaptação a exigências mais rigorosas do mercado internacional. Em um cenário global cada vez mais orientado por critérios de origem, sustentabilidade e transparência, o desafio passa a envolver também a forma como o setor se posiciona.
Durante encontro promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (AMBRA), o conselheiro de comércio da Delegação da União Europeia em Brasília destacou que o acordo surge em meio à reconfiguração das relações comerciais e ao aumento da exigência do consumidor europeu. Nesse contexto, a apresentação do agro brasileiro tende a ter peso semelhante ao da competitividade produtiva.
A avaliação é que há espaço para fortalecer a confiança nos produtos brasileiros, especialmente com investimentos em rastreabilidade e certificações, capazes de melhorar a percepção no mercado europeu. Nos últimos anos, a imagem do setor foi impactada por debates ambientais, e apesar de avanços recentes, ainda há necessidade de uma atuação mais estruturada.
Três pontos passam a orientar essa estratégia: rastreabilidade, confiabilidade e sustentabilidade. A comprovação de origem, a transparência na cadeia produtiva e a adoção de práticas alinhadas às exigências ambientais deixam de ser diferenciais e passam a ser condições básicas de acesso.
Na avaliação do presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, o momento exige uma mudança de postura por parte do setor. “Estamos diante de uma oportunidade de reposicionar o agro brasileiro não apenas como fornecedor, mas como uma marca global. Isso passa, necessariamente, por uma comunicação mais estratégica e alinhada às demandas do mercado internacional”, afirmou.
A safra de mandioca de 2025 no Paraná foi encerrada com área colhida de 140,1 mil hectares e produção de 3,6 milhões de toneladas, segundo o Boletim Conjuntural divulgado nesta quarta-feira (1º) pelo Departamento de Economia Rural do Paraná, órgão vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná.
Os números ficaram abaixo das projeções iniciais para o ciclo. De acordo com o relatório, “a safra de 2025 foi encerrada com uma área colhida de 140,1 mil hectares e uma produção de 3,6 milhões de toneladas”, enquanto no início do ano a expectativa era de “área colhida próxima de 150 mil hectares e produção superior a 4 milhões de toneladas”.
O boletim explica que a diferença está relacionada às características da cultura. Segundo o Deral, “tal diferença é explicada por uma peculiaridade da mandiocultura, que permite a condução de áreas por mais de um ciclo, sem a necessidade expressa de colheita como ocorre em culturas anuais”.
Ainda conforme o relatório, parte das áreas foi podada para continuidade do cultivo em vez de ser colhida. O documento aponta que “a poda de áreas para serem reconduzidas, em vez de colhidas, foi incentivada pela manutenção dos preços em patamares mais baixos”.
Em 2025, o preço médio recebido pelos produtores foi de R$ 552,19 por tonelada. O valor representa aumento de 5% em relação a 2024, quando a média foi de R$ 525,50, mas permanece abaixo do registrado em 2023. Segundo o Deral, o preço está “31% inferior à média de R$ 797,49 por tonelada registrada em 2023”.
O cenário de preços segue pressionado em 2026. De acordo com o boletim, “neste primeiro trimestre, os preços recuaram 21% em relação ao mesmo período de 2025”.
O relatório aponta que essa dinâmica influencia o manejo das áreas. Segundo o Deral, “essa dinâmica faz com que haja uma proporção cada vez maior de áreas de segundo ciclo em relação ao total, pois essas possuem produtividades maiores e pressionam ainda mais os preços”.
Ao mesmo tempo, a redução dos valores pode impactar a expansão do cultivo. O documento afirma que “a retração dos valores começa a fazer com que menos áreas de pastagens sejam arrendadas para o cultivo, visando ajustar a oferta”.
Outro fator apontado pelo boletim é o custo de arrendamento. Conforme o relatório, “os altos preços do arrendamento, baseados no inflacionado preço do boi gordo, acentuam essa dinâmica”.
Mesmo com esse cenário, a expectativa para 2026 indica aumento na área colhida. O Deral destaca que “as áreas de dois ciclos que devem ser colhidas em 2026 elevam a expectativa de crescimento para 6% na área colhida (148,6 mil hectares), com uma produção que novamente pode superar 4 milhões de toneladas”.