A semeadura da soja da safra 2025/26 atingiu 78% da área prevista no país, segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O índice representa um avanço de 9 pontos porcentuais em relação à semana anterior, quando a semeadura estava em 69%.
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O resultado também supera a média dos últimos cinco anos, de 75,8% Apesar disso, o ritmo segue atrás do registrado na safra passada: no mesmo período da temporada 2024/25, 83,3% da área já havia sido semeada, diferença de 5,3 pontos porcentuais.
Plantio de soja no Brasil
Por estado, o plantio de soja apresenta os seguintes índices: São Paulo (100%), Mato Grosso (99,1%), Mato Grosso do Sul (95%), Paraná (92%), Minas Gerais (79,5%), Goiás (74%), Tocantins (72%), Bahia (65%), Santa Catarina (52%), Rio Grande do Sul (47%), Piauí (35%) e Maranhão (19%).
A recuperação de áreas degradadas e a expansão de sistemas integrados de produção devem orientar a pecuária brasileira nos próximos anos. A avaliação é de Fábio Dias, líder de Pecuária Sustentável da JBS, durante participação no VEJA Fórum de Agronegócio, em São Paulo.
Nos debates sobre produção sem desmatamento, Dias afirmou que eficiência econômica e sustentabilidade ambiental passaram a ser elementos inseparáveis da gestão no campo. A empresa mantém atuação global e relação direta com milhares de produtores, o que, segundo ele, reforça a necessidade de estabilidade produtiva ao longo do tempo.
Solo como ativo e mudança de mentalidade
Dias destacou que o setor vive uma transição. O foco exclusivo no aumento de volume deu lugar à atenção à degradação e à queda de produtividade em áreas mais antigas de abertura. Esse movimento, segundo ele, impulsiona uma agenda voltada à regeneração e ao cuidado contínuo com o solo, tratado como ativo central da fazenda.
Para o executivo, priorizar práticas regenerativas tornou-se uma exigência de gestão. Manter a área em condições de produção crescente seria, na avaliação dele, determinante para a viabilidade de longo prazo da atividade pecuária.
Potencial dos sistemas integrados
O representante da JBS ressaltou também o diferencial do modelo produtivo brasileiro, capaz de acomodar mais de uma safra na mesma área. Nesse contexto, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) aparece como ferramenta relevante. Além de diversificar a renda, a presença dos animais no sistema melhora a biologia do solo e favorece o acúmulo de carbono.
Dias afirmou que a ILPF amplia a eficiência e contribui para reduzir a idade de abate dos animais, diminuindo a pressão por novas áreas e as emissões entéricas. Para ele, esses elementos consolidam a pecuária de baixo carbono como caminho possível no país.
Expansão de assistência técnica
Para estimular a adoção dessas tecnologias, a JBS estruturou uma rede de apoio técnico, ambiental e gerencial. O trabalho é conduzido pelos Escritórios Verdes, criados em 2021, que oferecem orientação gratuita aos produtores. Desde então, mais de vinte mil pecuaristas foram atendidos e reinseridos na cadeia formal.
Dias avaliou que a combinação entre sistemas integrados, recuperação de pastagens e redução da idade de abate reforça o potencial brasileiro para avançar em produtividade e sustentabilidade. Segundo ele, essas práticas tendem a estabelecer um novo padrão de eficiência no setor.
A decisão da China de adiar por mais dois meses o resultado da investigação sobre as importações de carne bovina trouxe alívio ao mercado pecuário brasileiro. O novo prazo, confirmado pelo Ministério do Comércio do país asiático, estende a análise até 26 de janeiro de 2026.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o setor aguardava essa definição há meses. Ele afirma que a prorrogação é uma boa notícia, especialmente após semanas de forte volatilidade no mercado futuro do boi gordo.
Mercado futuro pressionado
Iglesias explica que o mercado vinha registrando um movimento “bastante agressivo de queda”, influenciado pelas especulações sobre possíveis restrições chinesas. A expectativa era de preços firmes no último bimestre, o que não se concretizou.
“Tínhamos uma perspectiva positiva para a arroba e que não se consolidou justamente por conta dessas especulações envolvendo a China”, afirmou.
Com a extensão da investigação, o analista acredita que os preços tendem a retomar estabilidade e podem até reagir. Ele cita dois fatores: o retorno dos Estados Unidos às compras de carne bovina brasileira e o adiamento da decisão final por parte da China.
Investigação segue sem mirar países específicos
A investigação chinesa, iniciada em dezembro do ano passado, não tem foco específico em um ou outro fornecedor. No entanto, eventuais salvaguardas podem atingir diretamente os maiores exportadores para o país, como Brasil, Argentina e Austrália.
Para Iglesias, a manutenção do acesso ao mercado chinês neste período é essencial para evitar novas pressões sobre a arroba, especialmente em um momento de demanda interna mais fraca.
A expectativa é que o Conselho Europeu se reúna e aprove definitivamente o acordo Mercosul e União Europeia (UE) até meados de dezembro, disse o embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca, acrescentando que o país espera anunciá-lo ainda neste semestre, para dar início “a um processo extraordinário da nossa relação, entre duas regiões com 700 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB)”.
O setor agroalimentar do Brasil será muito beneficiado com a redução de tarifas para a União Europeia (UE) a partir do acordo com o Mercosul, acrescentou.
“Eu não acredito em absolutamente nenhuma invasão de produtos sul-americanos ou do Mercosul na Europa ou na Itália. Acredito, sim, num enorme fluxo de produtos europeus, em especial italianos, nos países do Mercosul.” Mosca se diz “sempre muito otimista”, esperando colher frutos da parceria em breve.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta semana que pretende assinar o acordo Mercosul e UE em 20 de dezembro. As declarações foram feitas durante painel Perspectivas Econômicas com o Novo Acordo União Europeia e Mercosul, no evento Lide Brasil e Itália Forum, em Roma.
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Foto: United Soybean Board
As irregularidades das chuvas no Brasil, os casos de necessidade de replantio e a expectativa de demanda externa mais aquecida no próximo ano deixaram produtores brasileiros mais resistentes em negociar novos lotes da soja em grão ao longo da semana passada.
Com isso, levantamento do Cepea mostra que a liquidez no mercado spot nacional diminuiu, mas os preços subiram.
Segundo pesquisadores do Cepea, os valores da soja em grão também foram influenciados por projeções do USDA indicando menor oferta mundial, o que, somado ao avanço da demanda na safra 2025/26, deve reduzir a relação estoque/consumo final para o menor volume em três temporadas.
Quanto ao farelo de soja, levantamento do Cepea mostra que a demanda permaneceu aquecida, dando suporte aos preços domésticos. Já as negociações de óleo de soja estiveram enfraquecidas, com parte das indústrias de biodiesel do País sinalizando que estavam abastecidas para o médio prazo.
Na segunda-feira (24), a CNA protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para suspender todas as portarias e decretos recentes relacionados a demarcações até que o tribunal conclua o julgamento sobre a Lei 14.701/2023, que instituiu o Marco Temporal.
Segundo a entidade, a decisão do governo de avançar com novas demarcações ocorre “em completa deslealdade” com o STF e com o Parlamento, especialmente porque está em curso, no âmbito da Corte, uma Mesa de Conciliação criada justamente para construir uma solução consensual sobre o tema.
A CNA argumenta que, ao editar portarias declaratórias e decretos homologatórios durante esse processo, o Executivo demonstra que “nunca buscou atuar com lealdade processual” e ignora o esforço de conciliação proposto pelo Supremo.
A confederação também afirma que as medidas desconsideram a vigência do Marco Temporal e colocam em risco o direito de propriedade de agricultores, principalmente pequenos e médios produtores. Para a CNA, as novas demarcações podem “incentivar conflitos no campo”, gerar instabilidade social e comprometer a segurança jurídica em diversas regiões do país.
FPA vê aumento da insegurança jurídica
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também se posicionou sobre o avanço dos atos normativos. Em nota divulgada na terça-feira (25), a entidade afirmou que as portarias e decretos publicados pelo governo “têm gerado aumento na percepção de insegurança jurídica” nos processos de demarcação.
Assim como a CNA, a FPA destaca que as medidas não estariam alinhadas à Lei 14.701/2023, aprovada pelo Congresso e atualmente em vigor. Para a Frente, editar atos normativos enquanto o STF ainda conduz a conciliação prevista na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 87 prejudica o ambiente de diálogo entre os Poderes e pode amplificar conflitos fundiários.
A FPA alerta que a falta de convergência entre governo, Congresso e Supremo gera incertezas jurídicas para produtores, comunidades indígenas e gestores locais, além de comprometer a previsibilidade dos processos de regularização territorial.
O governo chinês decidiu prorrogar, pela segunda vez, o prazo da investigação sobre possíveis medidas de salvaguarda aplicadas às importações de carne bovina. A confirmação veio nesta terça-feira (25), por meio do Ministério do Comércio da República Popular da China (MOFCOM).
Segundo o comunicado, “tendo em vista a complexidade do caso, o Ministério do Comércio decidiu prorrogar novamente o prazo da investigação até 26 de janeiro de 2026”. A apuração começou em 27 de dezembro de 2024 para analisar se o aumento das compras internacionais estaria prejudicando a produção doméstica.
A primeira prorrogação ocorreu em 6 de agosto de 2025, quando o prazo foi ampliado até 26 de novembro. Com a nova decisão, o processo se estende por mais dois meses, mantendo o ambiente de incerteza para o Brasil, principal fornecedor de carne bovina ao mercado chinês.
Ministério da Agricultura descarta risco de suspensão
Apesar das especulações sobre possíveis restrições motivadas por detecções de Fluazuron, substância usada no controle de carrapatos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afirma que não há qualquer indício de bloqueio por parte da China.
Goulart reforçou que o Brasil acompanha de perto o andamento da investigação chinesa, por meio do Mapa, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e do Itamaraty. A expectativa é positiva.
“Nós esperamos um bom resultado, uma investigação que mostre que as exportações brasileiras não impactam de forma significativa a economia do produtor local chinês.”
Segundo o secretário, o risco de suspensão foi descartado, e o governo segue em diálogo com a Administração Geral de Alfândegas da China (GACC).
“Nosso objetivo é mostrar que o sistema agropecuário do Brasil é transparente e que não causa impactos negativos na produção local chinesa.”
Principal comprador
A China segue como o destino mais importante para a carne bovina brasileira. Em outubro, o país asiático comprou 190,8 mil toneladas, equivalente a 53% de tudo o que o Brasil exportou no mês, gerando US$ 1,04 bilhão em receita.
No acumulado de 2025, a relevância chinesa permanece elevada: 48,1% do volume exportado e 49,7% da receita vêm da China. Muito atrás aparecem União Europeia, Estados Unidos, México e Chile.
A Petrobras decidiu assumir de vez que o futuro da empresa passa pelo campo. Ao anunciar que pretende crescer ao menos 60% no fornecimento de energia primária até 2050, a presidente Magda Chambriard deixou claro que a estatal só conseguirá manter sua fatia de 31% da matriz energética brasileira se acompanhar o ritmo do agronegócio, hoje o maior consumidor de diesel do país. É por isso que regiões como o Matopiba, onde a fronteira agrícola avança e a demanda por energia cresce mais rápido do que a infraestrutura disponível, se tornaram prioridade absoluta da companhia.
Mesmo com restrições legais para atuar no mercado de distribuição tradicional até 2029, a Petrobras quer ampliar a venda direta de combustíveis para grandes consumidores do agro, cooperativas, tradings, transportadoras e produtores com alto volume de consumo. Isso abre uma porta importante para o setor, especialmente em áreas onde o abastecimento ainda é instável e os custos logísticos pressionam a rentabilidade. No Matopiba e no Centro-Oeste, onde a produção cresce e a logística patina, ter a Petrobras como fornecedora pode significar mais segurança, mais concorrência e, potencialmente, menor custo no tanque e no frete.
A aproximação, porém, não é apenas comercial, é estratégica e estrutural. A estatal sabe que o Brasil não fará uma transição energética rápida. Diesel, biocombustíveis e gás continuarão sendo a espinha dorsal das próximas duas décadas. E sabe também que não existe transição energética sem o agronegócio, porque a substituição gradual dos combustíveis fósseis por combustíveis renováveis depende diretamente da produção agrícola. Etanol, biodiesel, biogás, SAF (combustível sustentável de aviação) e diesel coprocessado são todos produtos que conectam a indústria energética ao campo. A Petrobras precisa do agro para produzir biomassa em escala, e o agro precisa da Petrobras para transformar essa biomassa em energia limpa, competitiva e disponível.
Essa interdependência redefine a relação entre energia e produção rural. Crescer com o agro significa crescer com o Brasil real, o Brasil que planta, colhe, exporta e movimenta a economia. Para o produtor rural, isso se traduz em previsibilidade, segurança de abastecimento e, ao longo do tempo, em novas oportunidades no mercado de combustíveis renováveis, que podem gerar renda adicional e estimular práticas produtivas mais sustentáveis.
A expansão da Petrobras para o Matopiba reforça também o reconhecimento de que essa região, antes vista como periferia, hoje é um dos motores da agricultura brasileira. Mas escancara desafios: sem infraestrutura sólida, mesmo combustíveis mais acessíveis não resolvem gargalos de estradas ruins, armazéns insuficientes e distâncias longas até portos. A energia chega, mas o escoamento precisa acompanhar.
Ainda assim, o movimento tem lógica e traz oportunidade. A Petrobras se reposiciona como fornecedora estratégica do campo num momento em que o mundo cobra mais produção de alimentos, mais segurança energética e mais estabilidade logística. Se conseguir equilibrar expansão, governança e responsabilidade ambiental, a estatal pode se tornar não apenas uma gigante da energia, mas uma parceira fundamental na modernização do agronegócio brasileiro.
E para o agro, essa parceria não é apenas bem-vinda, é indispensável para manter o Brasil competitivo, sustentável e preparado para liderar a transição energética nos próximos anos.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O setor exportador de produtos citrícolas ganhou um importante alívio tarifário
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Foto: Seane Lennon
O setor exportador de produtos citrícolas ganhou um importante alívio tarifário nos últimos dias. Para o suco de laranja, o governo dos Estados Unidos retirou, no final da primeira quinzena de novembro, a tarifa adicional de 10% que havia sido aplicada de forma generalizada às importações em abril deste ano e que ainda incidia sobre o produto. Já para os subprodutos, em ordem executiva anunciada na última quinta-feira, 20, óleos essenciais, subprodutos terapêuticos e polpa de laranja tiveram zeradas as tarifas de 40%, mas continuaram sobretaxados em 10%.
Segundo pesquisadores do Cepea, essa movimentação representa mais uma boa notícia para o setor, que enfrenta um período de lentidão nos embarques internacionais de suco. Agentes consultados pelo Cepea ressaltam que a isenção tarifária preserva a competitividade do suco brasileiro no mercado norte-americano, fator considerado essencial para o equilíbrio das exportações nesta temporada. No entanto, para os EUA, segue vigente a tarifa de US$ 415 por tonelada de FCOJ, que já existia antes de todo esse imbróglio imposto pelo presidente Donald Trump.
Para os subprodutos, pesquisadores do Cepea indicam que as exportações com a sobretaxa vinham perdendo espaço no mercado norte-americano, e a isenção anunciada pode ajudar na recuperação dos embarques para os EUA.
SÃO PAULO (Reuters) – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira que por mais pressão que haja sobre o Banco Central para não baixar juros, as taxas estão “exageradamente restritivas” e terão que cair, defendendo que a autoridade monetária dê ao menos uma sinalização sobre cortes à frente.
Em evento promovido pela Bloomberg, em São Paulo, um dia antes de o BC anunciar sua decisão sobre o patamar da Selic, Haddad afirmou que uma taxa real de juros de 10% no Brasil é algo que não faz sentido, citando uma melhora nas expectativas de mercado e nos dados correntes de inflação.
“Considero uma taxa exageradamente restritiva, nós poderíamos já começar a pensar, sinalizar… vamos ver o comunicado, as vezes o patamar do juro pode se manter, mas o comunicado pode sinalizar… vamos aguardar”, disse o ministro em entrevista à Bloomberg paralela ao evento.
Haddad avaliou que os juros do país poderiam estar em patamar restritivo para arrefecer a inflação, mas não em um nível tão elevado, que, para ele, deprime o crescimento econômico e prejudica as contas públicas.
“Penso que uma correção do patamar da Selic ia fazer tudo convergir para um patamar mais adequado de crescimento, de fiscal, de inflação, de tudo”, afirmou.
Haddad ponderou que não é possível afirmar quando acontecerá o corte de juros pela autoridade monetária.
O mercado tem melhorado gradualmente as projeções para a inflação neste e nos próximos anos, mas em níveis ainda incompatíveis com o atingimento do centro da meta contínua de 3%.
De acordo com o mais recente boletim Focus do BC, as expectativas de inflação estão em 4,55% para este ano (contra 4,80% há um mês), 4,20% para 2026 (4,28% antes) e 3,80% para 2027 (3,90% antes).
A Selic está atualmente em 15% ao ano, e BC anuncia na quarta-feira sua decisão para os juros básicos após ter defendido em suas comunicações oficiais uma manutenção da taxa neste nível por período “bastante prolongado”, para assegurar o atingimento da meta de inflação.