terça-feira, março 10, 2026

Autor: Redação

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O acordo UE–Mercosul é menos sobre tarifas e mais sobre escolha política


Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, União Europeia
Foto:
European Parliament

Depois de décadas de idas e vindas, a União Europeia autorizou a assinatura do acordo comercial com o Mercosul. Não é a entrada em vigor. É o início formal de um processo longo, gradual e cheio de etapas. Ainda assim, trata-se de um marco histórico no comércio internacional.

As negociações começaram no fim dos anos 1990. Desde então, o texto foi travado, reaberto e renegociado inúmeras vezes. Poucos acordos no mundo exigiram tanto tempo porque poucos envolveram tantos países, tantos setores sensíveis e interesses tão conflitantes. Quanto maior o acordo, mais difícil é acomodar vencedores e perdedores.

O tratado une dois grandes blocos. De um lado, o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). Do outro, os 27 países da União Europeia. Juntos, somam mais de 700 milhões de consumidores e um potencial de comércio que pode chegar à casa do trilhão de dólares ao longo do tempo, é um dos maiores acordos comerciais já tentado no planeta.

Na prática, o acordo prevê redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio, serviços e investimentos, além de prazos longos de adaptação. Nada acontece de uma vez. Setores mais sensíveis terão anos, em alguns casos mais de uma década, para se ajustar, Não há choque imediato nem “abertura total” do dia para a noite.

O grande nó sempre foi a agricultura. O Mercosul é altamente competitivo na produção de alimentos. A Europa, por sua vez, mantém um modelo agrícola fortemente subsidiado e protegido, com custos elevados e menor capacidade de competir em preço. Eficiência produtiva de um lado, proteção estatal do outro.

Mesmo com a autorização para assinatura, a Europa segue dividida. Países como a França e a Irlanda se posicionaram contra ou com fortes ressalvas. O discurso oficial fala em meio ambiente, padrões sanitários e defesa do pequeno agricultor.

Mas o pano de fundo é outro: perda de competitividade. Em vez de enfrentar o desafio de estrutura, modernização, produtividade e custos, parte da agricultura europeia prefere erguer barreiras. O veto agrícola é, antes de tudo, uma escolha eleitoral interna.

Para o Mercosul, o acordo abre portas importantes. Acesso preferencial a um mercado rico e estável, mais previsibilidade para exportadores e novas oportunidades para carnes, café, açúcar, etanol, sucos e produtos com maior valor agregado.Ganhos existem, mas são graduais e estratégicos, não imediatos.

Do lado europeu, os benefícios também são claros. Acesso a alimentos e matérias-primas em escala, diversificação de fornecedores e maior segurança em cadeias produtivas num mundo cada vez mais instável.

Além disso, o acordo tem peso geopolítico: sinaliza que a Europa ainda aposta no multilateralismo, mesmo com o avanço do protecionismo global. Fechar mercados custa caro num mundo fragmentado.

O momento do avanço não é casual. Tensões comerciais globais, aumento de tarifas e disputas geopolíticas pressionaram os blocos a buscar alternativas. Quando o comércio global endurece, acordos entre regiões ganham valor estratégico. Proteger demais pode isolar; negociar pode abrir saídas.

Apesar do avanço, o caminho ainda é longo. Vêm pela frente a assinatura formal, a análise do Parlamento Europeu, processos de ratificação interna e, só então, a implementação gradual. Anos, não meses.

Para o cidadão comum, a mensagem é simples. O acordo não muda preços amanhã, não provoca invasões de produtos nem destrói setores de imediato. Ele cria regras previsíveis para uma integração econômica que será construída passo a passo. É uma aposta no futuro, não um remendo de curto prazo.

Depois de 25 anos, o acordo UE–Mercosul finalmente saiu da inércia política. Ainda há resistências, ajustes e disputas. Mas o essencial aconteceu: a porta foi aberta.

Num mundo mais protecionista, mais endividado e mais instável, esse acordo representa uma escolha clara, negociar, integrar e ganhar escala, em vez de levantar muros.

O relógio começou a andar. E, desta vez, parece que não volta para trás.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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AgroNewsPolítica & Agro

Negócios de milho seguem pontuais


No Rio Grande do Sul, as negociações de milho seguem pontuais, concentradas entre cooperativas e pequenas indústrias, mantendo a liquidez limitada no mercado spot, segundo informações da TF Agroeconômica. “As referências continuam bastante amplas, variando entre R$ 58,00 e R$ 72,00/saca, enquanto o preço médio estadual recuou 1,52%, para R$ 62,18/saca, refletindo ajustes localizados e a baixa participação dos compradores”, comenta.

O mercado catarinense de milho começou 2026 sem sinais de reação, refletindo a ampla distância entre pedidas e ofertas e o ritmo mais lento típico deste período do ano. “Produtores seguem indicando valores próximos de R$ 80,00/saca, enquanto as indústrias permanecem ao redor de R$ 70,00/saca, cenário que continua impedindo avanços nas negociações”, completa.

O mercado paranaense de milho iniciou o ano em ritmo lento. “Produtores seguem indicando valores próximos de R$ 75,00/saca, enquanto as indústrias trabalham ao redor de R$ 70,00/saca CIF, cenário que preserva o impasse e limita a liquidez no mercado spot, com negócios pontuais e sem força para alterar o quadro geral”, indica.

O mercado de milho em Mato Grosso do Sul iniciou 2026 com negociações limitadas. “As referências seguem concentradas entre R$ 53,00 e R$ 58,00/saca, com Campo Grande e Sidrolândia nos níveis mais baixos, enquanto Maracaju e Chapadão do Sul registraram leves avanços, sem alterar de forma significativa o cenário geral”, informa.

O mercado goiano de milho segue operando com baixa fluidez, mesmo após os ajustes observados nas últimas semanas. “As referências permanecem concentradas entre R$ 57,00 e R$ 59,00/saca, porém, após atingir o topo estadual, Anápolis passou por ajuste negativo”, conclui.

 





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Turquia habilita nove fábricas brasileiras de gelatina e colágeno


Bandeiras da Turquia e do Brasil
Foto: Reprodução/Mapa

A Turquia habilitou nove unidades brasileiras para exportar gelatina e colágeno. A decisão amplia o acesso do Brasil a esse mercado e reforça o reconhecimento sanitário da produção nacional.

A autorização é resultado de auditorias presenciais e da análise de documentos técnicos. As avaliações verificaram controles de qualidade, processos produtivos e requisitos sanitários exigidos pelas autoridades turcas.

A inclusão das plantas brasileiras ocorreu após missão veterinária oficial realizada no fim de 2025. Parte das habilitações também considerou o histórico das unidades já aprovadas pela União Europeia.

Auditorias e análise documental

Durante a missão técnica, autoridades da Turquia visitaram três estabelecimentos no Brasil. As auditorias confirmaram a conformidade das plantas com as normas sanitárias exigidas para a produção de gelatina e colágeno destinados à exportação.

Outras seis unidades brasileiras foram habilitadas com base em análise documental. Essas plantas já integravam a lista TRACES, sistema da União Europeia que reúne estabelecimentos autorizados a exportar produtos de origem animal.

Com base nessa equivalência sanitária, o Ministério da Agricultura e Florestas da Turquia incluiu as unidades brasileiras na sua lista oficial de exportadores autorizados. O procedimento dispensou novas visitas presenciais, mas exigiu a comprovação dos controles adotados no Brasil.

Sistema TROIS e status das habilitações

Os registros das empresas habilitadas são feitos no sistema TROIS. A plataforma foi recentemente implantada pela Turquia e concentra informações sobre países e estabelecimentos aptos a exportar produtos de origem animal.

O sistema reúne exportadores de gelatina, colágeno, pescados, lácteos e carnes que atendem às exigências sanitárias turcas. A consulta é pública e permite acompanhar a situação das habilitações por produto e por país.

Atualmente, o TROIS lista dez estabelecimentos autorizados a exportar gelatina e colágeno para a Turquia. Seis deles são brasileiros, o que reforça a presença do Brasil nesse mercado específico.

No detalhamento por produto, há unidades habilitadas exclusivamente para gelatina e outras apenas para colágeno. Entre esses registros, o Brasil aparece tanto nas autorizações voltadas à gelatina quanto nas de colágeno.

Próximos passos para o setor

Além das nove habilitações já concedidas, outros oito estabelecimentos brasileiros seguem em análise pelas autoridades turcas. A expectativa do setor é de novas inclusões nos próximos meses.

A ampliação da lista fortalece a previsibilidade das operações comerciais e consolida o acesso do Brasil ao mercado turco. Para as indústrias, a habilitação reduz incertezas e cria condições mais estáveis para o planejamento das exportações.

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Faltam 3 semanas para a Abertura Nacional da Colheita da Soja; inscreva-se aqui!


Divulgação Soja Brasil

O tempo está passando e a Abertura Nacional da Colheita da Soja está chegando. Faltam três semanas para o evento que marca, oficialmente, o início de mais uma safra de soja no Brasil. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas de forma simples e rápida: basta acessar o link, preencher os dados e a participação estará confirmada.

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A abertura será realizada no dia 30 de janeiro de 2026, a partir das 8h, na Fazenda Alto da Serra, do Grupo Wink, em Porto Nacional, no Tocantins, reunindo produtores, lideranças do setor, autoridades e especialistas do agronegócio.

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O que diz o setor

Para a presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Schneider, sediar a abertura nacional representa um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelos produtores rurais do estado. “O Tocantins se consolidou como um exemplo de produtividade, sustentabilidade e integração entre o campo e a cidade. Receber a abertura nacional reconhece o esforço dos produtores que impulsionam o desenvolvimento econômico e social do país”, afirma.

Já o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, destaca a relevância do Tocantins na produção de soja e milho. Segundo ele, o estado avança a cada safra e se fortalece como referência em tecnologia, gestão e sustentabilidade, contribuindo de forma estratégica para o crescimento do agronegócio nacional.

Programação do evento

A programação será transmitida ao vivo pelo Canal Rural e pelas redes sociais, a partir das 9h, permitindo que produtores e o público de todas as regiões acompanhem o início simbólico da colheita. A realização é do Canal Rural e da Aprosoja Brasil, com apoio da Aprosoja Tocantins e do Grupo Wink.

Entre os convidados confirmados está o economista e biólogo Richard Rasmussen, que participará de um dos painéis, além de autoridades políticas que irão debater políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do estado.

Com o tema “Onde a soja cresce, a transformação acontece”, a Abertura Nacional da Colheita da Soja 2025/26 reforça o protagonismo da cultura da soja e celebra o início de mais uma safra fundamental para o agro brasileiro.

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Soja: Relação entre EUA e China continuará como vetor do mercado em 2026


EUA e China
Foto: Xinhua

O mercado internacional de soja deve passar por movimentações relevantes ao longo de 2026, e, nesse contexto, a relação comercial entre Estados Unidos e China continuará sendo o principal vetor para a formação de preços.

Os eventos ocorridos em 2025 reforçaram como tensões geopolíticas e comerciais são capazes de alterar rapidamente fluxos de comércio, decisões de plantio e estratégias de hedge ao redor do mundo.

O cenário em 2025: tensões e rearranjo do comércio global

O ano de 2025 foi marcado por fortes tensões políticas e comerciais entre Estados Unidos e China. Logo no início do ano, conflitos diplomáticos e comerciais levaram o governo chinês a reduzir de forma significativa as compras de soja norte-americana, movimento que foi rapidamente refletido nos preços da Bolsa de Chicago (CBOT).

A reação do produtor americano foi direta: diante da menor demanda e da pressão negativa sobre os preços, houve uma redução expressiva da área plantada com soja, com migração para o milho. Como resultado, a produção de soja dos Estados Unidos recuou para algo próximo de 115,7 milhões de toneladas, enquanto a produção de milho alcançou níveis recordes, próximos de 430 milhões de toneladas.

Brasil como principal beneficiado do conflito

O Brasil foi amplamente beneficiado por esse rearranjo do comércio internacional. Com a China suspendendo as compras de soja americana a partir de maio de 2025, o país — que já era o principal fornecedor global da commodity — ganhou ainda mais protagonismo junto ao seu maior parceiro comercial.

Esse movimento resultou em uma forte valorização dos prêmios nos portos brasileiros, que em momentos de maior estresse chegaram a níveis próximos de +200 pontos no segundo semestre, ou cerca de US$ 2,00 por bushel. Esse cenário elevou significativamente as cotações no porto e tornou a soja brasileira bastante competitiva no mercado interno, mesmo diante de uma safra recorde, estimada em aproximadamente 171,7 milhões de toneladas.

O ambiente de prêmios firmes se estendeu ao longo do segundo semestre de 2025, enquanto o mercado aguardava algum tipo de acordo comercial entre Estados Unidos e China, o que só veio a ocorrer entre o final de outubro e o início de novembro.

O acordo EUA–China e a reação especulativa do mercado

Quando o acordo finalmente foi anunciado, o Brasil já havia ocupado grande parte da janela de exportação da safra americana. O efeito imediato foi uma forte reação especulativa na Bolsa de Chicago, uma vez que o acordo previa a compra, pela China, de até 12 milhões de toneladas de soja americana até o final de dezembro/25.

Esse movimento foi intensificado pela ausência de dados oficiais, devido ao shutdown do governo norte-americano, o que aumentou a incerteza e a volatilidade. A CBOT chegou a subir cerca de US$ 1,00 por bushel, levando os preços novamente para a região de US$ 11,50, trazendo certo fôlego temporário ao mercado.

No entanto, esse movimento não se sustentou. O Brasil continuava embarcando volumes elevados para a China, que, por sua vez, passou a enfrentar margens de esmagamento menos favoráveis, limitando a capacidade de absorção adicional de soja.

Reversão do movimento e expectativas para a safra 2026

Com o mercado percebendo que as vendas americanas seguiam fracas, a CBOT devolveu parte dos ganhos especulativos. Ao mesmo tempo, o Brasil já avançava no plantio da safra 2025/26, com expectativa de aumento de área e nova produção recorde em 2026.

Soma-se a isso uma Argentina com potencial para colher mais de 50 milhões de toneladas, o que reforça a perspectiva de oferta abundante na América do Sul.

Principais pontos de atenção para 2026

Para 2026, os principais fatores de atenção no mercado de soja brasileira estão diretamente ligados ao ritmo das exportações. Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente 85,4 milhões de toneladas para a China, um volume cerca de 18% superior ao de 2024, o que sustentou prêmios elevados nos portos.

Contudo, o recente acordo entre Estados Unidos e China indica que o país asiático pode comprar cerca de 25 milhões de toneladas de soja americana por ano ao longo dos próximos três anos. Caso esse volume se concretize, há risco de redução da participação brasileira nas exportações, especialmente no segundo semestre.

Dado o potencial de uma nova safra recorde no Brasil, esse cenário pode resultar em um estoque de passagem elevado, principalmente se houver desaceleração das exportações. Nesse contexto, torna-se difícil sustentar prêmios firmes na segunda metade do ano, a menos que novos eventos geopolíticos ou climáticos voltem a pressionar a demanda pela soja brasileira.

Implicações para preços e estratégias do produtor

O Brasil ainda deve registrar exportações robustas, possivelmente acima de 100 milhões de toneladas, mas um crescimento adicional expressivo da demanda não é garantido. Esse ambiente representa risco direto para os preços recebidos pelo produtor, reforçando a importância de uma gestão eficiente da comercialização.

Nesse cenário, torna-se fundamental:

  • avaliar corretamente o custo de oportunidade, especialmente diante dos juros ainda elevados;
  • evitar o carregamento excessivo de soja por longos períodos, arcando com custos financeiros e logísticos;
  • utilizar instrumentos de hedge e travas de preço para proteção de margens.

Em um mercado cada vez mais volátil e dependente de fatores externos, a gestão de risco deixa de ser opcional e passa a ser um elemento central para a sustentabilidade econômica do produtor e dos agentes da cadeia.

Rafael SIlveira, analista de soja da Safras & Mercado

*Rafael Silveira é economista com pós-graduação em Finanças, Investimento e Banking pela PUC-RS. É especialista em mercados agrícolas na consultoria Safras & Mercado, com ênfase em estratégias de investimento e gestão de risco em commodities


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Exportações do agro crescem 3,6% em 2025


exportações do agronegócio brasileiro têm superávit MAPA
Foto: Mapa/Divulgação

As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 169,2 bilhões em 2025, um crescimento de 3% em relação aos US$ 164,3 bilhões registrados em 2024. O desempenho respondeu por 48,5% de todo o valor exportado pelo Brasil no ano passado, consolidando o setor como principal motor do comércio exterior do país.

O resultado foi impulsionado pelo aumento de 3,6% no volume exportado, que compensou a queda de 0,6% nos preços médios internacionais.

Balança comercial do agro fecha o ano com superávit de US$ 149 bilhões

As importações de produtos agropecuários somaram US$ 20,2 bilhões em 2025, alta de 4,4% frente ao ano anterior. Com isso, a corrente de comércio do setor atingiu US$ 189,4 bilhões, e o saldo da balança comercial do agronegócio fechou o ano com superávit de US$ 149,07 bilhões.

Somente em dezembro de 2025, as exportações alcançaram US$ 14 bilhões, o maior valor já registrado para o mês e um crescimento de 19,8% na comparação anual. As importações totalizaram US$ 1,62 bilhão, resultando em saldo positivo de US$ 12,38 bilhões no período.

Novos mercados

Desde 2023, o agronegócio brasileiro abriu 525 novos mercados. De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, essas aberturas já geraram cerca de US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais, sem considerar o impacto das ampliações de mercados existentes.

A diversificação de produtos elevou em cerca de 15% as exportações de itens não tradicionais em 2025 e ajudou o setor a enfrentar um cenário internacional adverso, marcado por tensões comerciais, redução de preços de algumas commodities e desafios sanitários, como a influenza aviária.

Safra recorde garante oferta interna e excedentes exportáveis

A safra de grãos 2024/2025 alcançou 352,2 milhões de toneladas, um aumento de 17% em relação ao ciclo anterior. Na pecuária, a produção de carnes bovina, suína e de frango também atingiu níveis recordes, assegurando excedentes para exportação sem comprometer o abastecimento interno.

China lidera compras do agro brasileiro

Entre os principais destinos das exportações agropecuárias em 2025, a China manteve a liderança, com US$ 55,3 bilhões, o equivalente a 32,7% do total exportado e crescimento de 11% sobre 2024. Na sequência aparecem a União Europeia, com US$ 25,2 bilhões (+8,6%), e os Estados Unidos, com US$ 11,4 bilhões, apesar de queda de 5,6%.

Outros mercados ampliaram significativamente suas compras, como Paquistão, Argentina, Filipinas, Bangladesh, Reino Unido e México.

Soja, carnes e café lideram a pauta exportadora

A soja em grãos seguiu como principal produto exportado, com US$ 43,5 bilhões em receitas e volume recorde de 108,2 milhões de toneladas. A carne bovina registrou novo recorde, com US$ 17,9 bilhões em faturamento e aumento de 39,9% em valor, além da abertura de 11 novos mercados em 2025.

Também se destacaram a carne suína, que colocou o Brasil como terceiro maior exportador mundial, a carne de frango, o café, que somou US$ 16 bilhões com alta de 30,3%, além de frutas, pescados e produtos menos tradicionais, como gergelim, feijões, DDG de milho e miudezas bovinas.

Produtos não tradicionais batem recordes

Diversos itens fora do grupo principal de commodities alcançaram marcas históricas em 2025, como pimenta, amendoim, óleo de amendoim, melões frescos e castanha de caju. O gergelim, por exemplo, gerou US$ 195,1 milhões em exportações para a China após a abertura do mercado em 2024.

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AgroNewsPolítica & Agro

Mercado de trigo segue travado no Sul do país



Em Santa Catarina, o cenário também é de mercado travado


Em Santa Catarina, o cenário também é de mercado travado
Em Santa Catarina, o cenário também é de mercado travado – Foto: Seane Lennon

O mercado de trigo no Sul do país segue marcado por lentidão nos negócios e pouca disposição de compra por parte da indústria, em um ambiente influenciado por fatores externos e pela postura cautelosa dos moinhos. Segundo a TF Agroeconômica, o avanço do dólar e a elevação do preço do trigo argentino provocaram alta expressiva no custo do produto importado nesta semana.

No Rio Grande do Sul, a ausência dos moinhos mantém o mercado praticamente travado, sem registros de negociações relevantes. O aumento combinado do câmbio e das cotações do trigo argentino resultou em elevação de R$ 82 por tonelada no preço final do produto importado. A estimativa é de que cerca de 1,55 milhão de toneladas da safra nova já tenham sido comercializadas, volume que representa entre 42% e 44% da produção. 

Os preços referenciais para trigo destinado à moagem variam de R$ 1.100 a R$ 1.150 por tonelada nos moinhos locais, enquanto no porto os valores chegam a R$ 1.180 para dezembro e R$ 1.190 para janeiro. O trigo para ração é indicado a R$ 1.120 em dezembro e R$ 1.130 em janeiro, com preço de pedra em R$ 54,00 por saca na região de Panambi. A avaliação é de um mercado confortável do lado da indústria, sem urgência para novas aquisições.

Em Santa Catarina, o cenário também é de mercado travado, com moinhos entrando em período de férias e limitados a embarcar apenas os lotes já adquiridos. As negociações ocorrem de forma pontual e sem expressão, acompanhando a venda gradual de farinhas, cujos contratos começam a ser firmados lentamente.

No Paraná, a dinâmica permanece semelhante, com ausência de vendedores e moinhos concentrados em compras a partir de fevereiro. Os preços nominais no norte do estado giram em torno de R$ 1.250 por tonelada CIF moinho, enquanto vendedores pedem R$ 1.300 para janeiro. Nos Campos Gerais, há ofertas de R$ 1.170 para entrega em janeiro e pagamento em fevereiro, e de R$ 1.200 para entrega em fevereiro.

 





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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Paraná será responsável pelo banco brasileiro de antígenos e vacinas contra…


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou nesta quinta-feira (18) que o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) será o responsável pela criação do primeiro banco brasileiro de antígenos e vacinas contra febre aftosa, um estoque estratégico de insumos para a formulação rápida de vacinas em eventuais casos de surto da doença. Pelo projeto inédito, o Tecpar passa a deter os insumos necessários para disponibilizar, em todo o território nacional, em 72 horas, vacinas para o ministério utilizar emergencialmente contra a doença.

O contrato assinado em Brasília entre Mapa e Tecpar prevê a criação do banco com 10 milhões de doses de antígenos de dois sorotipos do vírus de febre aftosa que mais circularam no Brasil. O contrato de 10 anos prevê ainda o fornecimento imediato de até 10 milhões de doses da vacina para o ministério, em casos de eventuais surtos.  

Desde 2021, o Paraná é reconhecido internacionalmente como zona livre de febre aftosa sem vacinação, status concedido ao Brasil pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em maio de 2025. Uma das formalidades exigidas pela OMSA a um país que recebe o título de zona livre de febre aftosa sem vacinação é, justamente, deter um estoque de antígenos e vacinas para resposta rápida em casos de surto, de forma a ser feito o controle imediato da doença. 

Segundo o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, a proposta da criação do banco, idealizada pelo instituto, representa uma importante contribuição do Paraná para garantir a segurança sanitária no Brasil e a manutenção do atual status sanitário brasileiro.

“Mais uma vez o Governo do Paraná e suas instituições se colocam à disposição do país, para apoiar um setor estratégico brasileiro que é o agronegócio. Há 85 anos o Tecpar atua como laboratório público com oferta de soluções na área de saúde animal e humana e agora abre uma nova frente, com o banco brasileiro de antígenos e vacinas contra febre aftosa”, disse.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, salientou que a criação do banco é um passo histórico do fortalecimento da pecuária brasileira e que faz parte do crescimento do setor manter a sanidade do rebanho, de forma a oferecer produtos seguros para toda a população brasileira e também para exportação.

“É muito difícil manter esse status sem a vacina e estamos fazendo a nossa parte hoje, com investimentos na criação do banco, com essa parceria com o Tecpar, que é uma referência nesta área e com outras vacinas, além da parceria internacional com a empresa Biogenesis Bagó. Esse é um investimento na preparação de um futuro tranquilo e que vai permitir que a carne brasileira acesse os mercados mais remuneradores e mais exigentes”, afirmou.

BANCO – A partir da assinatura do contrato, o Tecpar passa a ser o único laboratório público do país a manter um banco brasileiro de antígenos e vacinas contra a febre aftosa. Para isso, o Tecpar conta com a parceria com a empresa argentina Biogenesis Bagó, com a qual, em março de 2025, firmou um acordo de cooperação tecnológica para a transferência e internalização de tecnologia.

Reconhecida internacionalmente na área de febre aftosa, sendo responsável pelo banco de antígenos da Argentina desde 2000, dos EUA e Canadá desde 2006, além de países como Taiwan e Coreia do Sul, a Biogenesis Bagó passa a ser o braço tecnológico do Tecpar para a produção das vacinas, bem como para o controle de qualidade e armazenamento dos antígenos.

A criação do banco de antígenos evita o desperdício de doses de vacinas, já que elas têm validade menor do que a dos antígenos produzidos (diferença de oito anos). Além disso, permite flexibilidade de escolha das cepas, evitando o desperdício de vacinas que poderiam ter sido produzidas antes do eventual surto da doença.

“A infraestrutura do nosso parceiro tecnológico vai garantir, por meio do Tecpar, acesso ao Brasil aos antígenos para formulação rápida das vacinas, além de transferência de conhecimento para os técnicos do instituto, que passarão a se integrar ao processo produtivo da vacina. Com isso, o Tecpar se tornará referência como laboratório público no controle da febre aftosa”, salienta Marafon.

SAÚDE ÚNICA – Com esta nova frente de trabalho o Tecpar reforça o compromisso em fortalecer a Saúde Única no Brasil, abordagem que reconhece a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental. Para isso, o instituto tem investido na ampliação da sua estrutura e em novos projetos e parcerias, visando a autossuficiência do país na produção de imunizantes e insumos veterinários.

Além de seguir como o único fornecedor da vacina antirrábica veterinária ao Ministério da Saúde, com 25 milhões de doses fornecidas em 2025, o Tecpar está finalizando a construção do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV), que irá produzir insumos para o diagnóstico da brucelose, tuberculose e leucose bovina.





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Inflação de 2025 fecha com alta de 4,26%, aponta IBGE


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Foto: Governo Federal

A inflação oficial do país voltou a acelerar em dezembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33%, acima do resultado de novembro, quando o índice havia subido 0,18%, segundo dados divulgados pelo IBGE.

Com o resultado, o IPCA encerrou 2025 com variação acumulada de 4,26%, ficando abaixo da inflação registrada em 2024, que foi de 4,83%.

Transportes puxam a alta no último mês do ano

Entre os grupos pesquisados, transportes teve o maior impacto sobre o índice de dezembro, com alta de 0,74%, respondendo sozinho por 0,15 ponto percentual da inflação do mês. O avanço foi influenciado principalmente pelo aumento das passagens aéreas, que subiram 12,61%, e pelo encarecimento do transporte por aplicativo, com alta de 13,79%.

Os combustíveis também voltaram a subir após queda em novembro. O etanol avançou 2,83%, a gasolina teve alta de 0,18% e o gás veicular, de 0,22%. Apenas o óleo diesel registrou recuo, de 0,27%.

Energia elétrica alivia inflação em habitação

Na contramão dos demais grupos, habitação foi o único a registrar queda em dezembro, com recuo de 0,33%. O principal fator foi a redução de 2,41% na energia elétrica residencial, reflexo da mudança da bandeira tarifária, que ficou menos onerosa no mês.

Apesar do alívio pontual, o grupo habitação foi o que mais pressionou a inflação ao longo de 2025, acumulando alta de 6,79%, com impacto de 1,02 ponto percentual no resultado anual.

Alimentação volta a subir após seis meses de queda

O grupo alimentação e bebidas avançou 0,27% em dezembro, interrompendo uma sequência de seis meses de recuos. A alta foi puxada principalmente pela alimentação no domicílio, influenciada pelo aumento de produtos como cebola, batata, carnes e frutas.

Já itens como leite longa vida, arroz e tomate ajudaram a conter a inflação do grupo, com quedas significativas nos preços.

A alimentação fora do domicílio também acelerou, passando de 0,46% em novembro para 0,60% em dezembro, com destaque para o aumento do preço dos lanches.

Saúde, artigos domésticos e serviços também pressionam

O grupo saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,52%, impulsionado pelos preços de planos de saúde e itens de higiene pessoal. Em artigos de residência, a inflação foi de 0,64%, após forte queda no mês anterior, refletindo reajustes em eletroeletrônicos e produtos de informática.

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União Europeia aprova acordo comercial com Mercosul


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Foto: Camex

A maioria dos países-membros da União Europeia deram nesta sexta-feira (9) um sinal verde para a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, segundo fontes diplomáticas ouvidas por agências internacionais. O resultado ainda precisa ser formalizado e deve ser concluído até as 17h no horário de Bruxelas (16h GMT).

Com a sinalização favorável, o processo entra na reta final e permite que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, avance para a assinatura oficial do tratado, prevista para segunda-feira (12), no Paraguai.

Durante reunião de embaixadores do bloco em Bruxelas, a maioria dos 27 Estados-membros manifestou apoio ao acordo, conforme relataram diplomatas à AFP. A decisão foi tomada apesar da resistência de alguns países, entre eles França e Irlanda, que seguem alertando para possíveis prejuízos ao setor agrícola europeu.

O tratado é defendido por setores empresariais da Europa, que veem ganhos em comércio e investimentos, mas enfrenta críticas de produtores rurais, especialmente franceses, preocupados com a concorrência de produtos sul-americanos.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo representa a ampliação do acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, com efeitos que ultrapassam o agronegócio e alcançam também diferentes ramos da indústria nacional.

*Com informações da AFP e Reuters

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