A Defesa Civil do Rio Grande do Sul confirmou nesta terça-feira (9) que o fenômeno que atingiu a cidade de Flores da Cunha, na Serra Gaúcha, na segunda-feira (8), foi um tornado. A conclusão foi divulgada pelo Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual, após análise técnica das imagens coletadas na região.
Equipes do Departamento de Gestão de Desastres estiveram no local desde o momento do ocorrido e realizaram levantamentos detalhados dos danos. Segundo o órgão, imagens aéreas da comunidade de Alfredo Chaves, no interior do município, mostram claramente o padrão típico de um tornado: destroços arremessados em diferentes direções, característica que distingue esse tipo de fenômeno de ventos lineares.
Ventos podem ter ultrapassado 100 km/h
A análise meteorológica indicou a presença de uma tempestade com alta refletividade sobre a área atingida, sugerindo que as rajadas de vento podem ter superado os 100 km/h. A Defesa Civil informou ainda que às 17h10, pouco antes do impacto, o Centro de Operações havia emitido um alerta laranja para a região de Flores da Cunha, incluindo a comunidade atingida. O aviso mencionava potencial para tempestades, ventos fortes e granizo.
2025 segue como um dos anos de menor custo impulsionado pela supersafra de grãos, maior oferta de coprodutos e preços mais estáveis. O custo por arroba permanece competitivo, garantindo margens superiores a R$ 930 por cabeça nas duas regiões
Em novembro de 2025, o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) apresentou comportamentos distintos entre as duas principais regiões produtoras do país. No Centro-Oeste, o índice fechou em R$ 12,53, queda de 2,64% em relação a outubro. Já no Sudeste, o ICAP foi de R$ 12,28, registrando um leve aumento no comparativo mensal. A dinâmica reflete condições regionais específicas. O Centro-Oeste segue beneficiado por uma oferta mais ampla de grãos e coprodutos, além de melhor logística interna no período pós-colheita. No Sudeste, por outro lado, o leve aumento está ligado à menor disponibilidade regional de milho, ao encarecimento dos fretes e ao reposicionamento das indústrias de ingredientes proteicos.
Visão trimestral dos insumos por Região
Centro-Oeste
A redução do ICAP na região Centro-Oeste foi influenciada principalmente pelos alimentos volumosos, que apresentaram queda de 11,77% em relação ao trimestre anterior. A dieta de terminação, etapa de maior custo dentro do ciclo produtivo, encerrou o período em R$ 1.097,51 por tonelada de matéria seca, leve recuo de 0,70%. Os insumos que exerceram maior pressão de baixa foram: silagem de milho (-26,38%), silagem de capim (-22,14%) e bagaço de cana (-13,99%).
Sudeste
No Sudeste, o aumento do ICAP foi impulsionado por elevações nos custos dos insumos proteicos (+3,80%) e volumosos (+2,26%). A dieta de terminação fechou novembro em R$ 1.160,81 por tonelada de matéria seca, alta de 0,69% no comparativo trimestral. Os principais insumos que contribuíram para essa elevação foram: silagem de milho (+7,29%), caroço de algodão (+5,77%), polpa cítrica (+4,06%), bagaço de cana (+1,78%) e DDG (+1,66%).
Porteira pra Fora x Porteira pra Dentro
Na comparação com novembro de 2024, os custos nutricionais seguem significativamente mais baixos no Centro-Oeste, com queda de 16,74% no ICAP. No Sudeste, o movimento foi de leve ajuste, com retração anual de 1,21%. O dado reforça que, mesmo com oscilações recentes, o patamar de custos em 2025 permanece estruturalmente mais confortável, especialmente no Centro-Oeste.
A queda dos custos nutricionais em relação a 2024 é resultado de um conjunto de fatores estruturais que marcaram o ano de 2025. A supersafra de grãos — especialmente milho e soja — ampliou a oferta interna e reduziu a pressão sobre preços ao longo de todo o ano, derrubando o custo das bases energéticas e proteicas das dietas. Além disso, a indústria de coprodutos operou com maior regularidade e competitividade, favorecendo insumos como DDG, polpa cítrica, bagaço de cana e caroço de algodão. Somado a isso, a menor volatilidade cambial e a recomposição dos estoques nacionais contribuíram para estabilizar preços em patamares mais baixos. Todo esse conjunto fez de 2025 um ano estruturalmente mais barato para produzir arrobas no confinamento quando comparado a 2024.
O ano segue com margens ampliadas, impulsionadas pela elevação contínua da cotação da arroba do boi gordo. Com base no ICAP de novembro, é possível estimar o custo da arroba produzida e prever a margem do confinamento. A estimativa considera os valores médios observados nos clientes da Ponta Agro, disponíveis no Report de Confinamento: dias de cocho, arrobas produzidas e percentual da nutrição no custo total. Os custos estimados são de R$ 183,88 e R$ 194,93 por arroba produzida para Centro-Oeste e Sudeste, respectivamente — patamares que permitem lucros superiores a R$ 930,00 por cabeça* nas duas regiões, considerando apenas o preço de balcão.
Para ampliar as margens, além de melhorar a eficiência produtiva, o pecuarista deve buscar bonificações junto aos frigoríficos. Atualmente, o diferencial de preço do Boi China em relação à cotação balcão varia entre R$ 5,00 e R$ 7,50, dependendo da região produtora.
*Estimativa de lucratividade realizada com cotação de arroba balcão, sem a adição de bonificações por rastreabilidade, padrão de qualidade e protocolos de mercado.
Os cafés especiais Dois Irmãos e Pelegrini surgiram a partir do projeto do Sebrae Rio voltado à produção de cafés de alta qualidade no Noroeste Fluminense
O Estado do Rio de Janeiro acaba de conquistar um marco histórico no cenário nacional dos cafés especiais. Dois produtores do Alto Noroeste Fluminense, dos municípios de Porciúncula e Varre-Sai, estão entre os 150 classificados no Coffee of the Year (COY) 2025, um dos mais importantes concursos de qualidade de café do país.
Os selecionados são o Café Dois Irmãos, de Fábio José Alves, de Porciúncula, e o Café Pelegrini, de Marcos Fernando Pelegrini, de Varre-Sai. Ambos são produtores artesanais e integram o grupo de quarenta produtores atendidos pelo projeto de agricultura familiar “Valorização de Cafés Especiais Fluminense”, desenvolvido pelo Sebrae Rio em parceria com prefeituras locais, sindicatos rurais, Emater-Rio e Senar-RJ.
Esse projeto vem transformando a cafeicultura regional ao introduzir técnicas inovadoras de colheita e pós-colheita e ao incentivar a participação dos produtores em feiras, festivais e concursos. Essa trajetória tem elevado o padrão de qualidade do café fluminense e consolidado novas marcas no cenário nacional. Hoje, o Alto Noroeste Fluminense já reúne mais de 30 marcas de cafés gourmet e especiais.
“Estar entre os 150 melhores cafés do país é um feito histórico para o Rio de Janeiro e reforça que o estado entrou, de fato, no mapa dos cafés especiais de alta performance. É reflexo de um trabalho consistente com foco em qualidade e construção de identidade territorial. Com isso, os cafés do Rio ganham visibilidade como produtos competitivos, premiáveis e alinhados às tendências do mercado nacional e internacional”, destaca Sergio Malta, diretor de Desenvolvimento do Sebrae Rio.
O Coffee of the Year acontece dentro da Semana Internacional do Café (SIC), o maior evento de café da América Latina, reunindo produtores de todo o país. Entrar para o ranking nacional já é, por si só, um selo de excelência, projetando os cafés classificados para compradores, torrefações, cafeterias e formadores de opinião do Brasil e do mundo.
Um dos destaques deste ano, o produtor Marcos Fernando Pelegrini celebra o reconhecimento. “É uma alegria enorme ver o nome do nosso café entre os melhores do Brasil. A gente vem se dedicando há anos, buscando sempre melhorar a qualidade, e esse resultado mostra que o esforço vale a pena. O apoio técnico do Sebrae e da Emater foi fundamental para chegarmos até aqui”, afirma.
Também emocionado com a conquista, Fábio José Alves, do Café Dois Irmãos, vê o resultado como a realização de um sonho familiar. “É o reconhecimento de um trabalho de muitos anos e que envolve muita gente – das equipes do projeto aos meus avós, que eram produtores de café e me ensinaram o ofício. Eles nunca tiveram uma terra; sempre trabalhamos como meeiros. Fui o primeiro da família a comprar um pedaço de chão e vi nos cafés especiais uma oportunidade de crescer e agregar valor ao meu produto. O Dois Irmãos é uma homenagem aos meus dois filhos”, conta.
A Semana Internacional do Café (SIC) 2025 acontece de 5 a 7 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG). Durante o evento, as amostras finalistas estarão disponíveis nas Salas de Cupping, para degustação por compradores nacionais e internacionais. Os 15 cafés mais bem pontuados (dez arábicas e cinco canéforas) disputarão a etapa de voto popular, que definirá a classificação final e os grandes campeões.
A cerimônia de premiação do Coffee of the Year 2025 será realizada no dia 7 de novembro, às 15h, no Grande Auditório do Expominas, em Belo Horizonte.
“O Sebrae Rio seguirá acompanhando e impulsionando os produtores na jornada até a etapa final da competição, reforçando o compromisso de posicionar os cafés especiais fluminenses entre os mais valorizados do Brasil”, conclui o diretor Sergio.
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta quarta-feira (10) um julgamento decisivo para o futuro da política de demarcação de terras indígenas no país. O Plenário analisará quatro ações que discutem a constitucionalidade da Lei 14.701/2023, que restabeleceu a tese do marco temporal, segundo a qual apenas terras ocupadas ou disputadas até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, poderiam ser demarcadas.
A sessão desta quarta será dedicada à leitura do relatório e às sustentações orais das partes envolvidas, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de terceiros interessados. Todos os processos estão sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que conduz também um processo de conciliação sobre o tema.
O que está em análise no Supremo
O STF julga simultaneamente:
ADC 87, que pede o reconhecimento integral da constitucionalidade da lei;
ADIs 7582, 7583 e 7586, que questionam diversos dispositivos e defendem que a norma viola a Constituição.
O centro do debate é a validade jurídica do marco temporal. A tese foi rejeitada pelo próprio STF em setembro de 2023, quando os ministros afirmaram que a proteção aos direitos originários dos povos indígenas não depende da ocupação ou disputa da terra em 1988, nem de conflito persistente à época.
Mesmo após essa decisão, o Congresso aprovou a Lei 14.701/2023, restabelecendo o marco temporal e redefinindo regras de demarcação e indenização. Vetos presidenciais foram derrubados, e partidos e entidades indígenas recorreram ao Supremo tanto para contestar quanto para defender a norma agora em análise.
Conciliação em paralelo ao julgamento
Além do mérito das ações, a Corte deverá decidir se homologa a proposta construída em 23 audiências de conciliação convocadas pelo ministro Gilmar Mendes entre agosto de 2024 e junho de 2025.
O texto consensual formulado pelo grupo de trabalho propõe ajustes legislativos que tratam de:
participação de estados e municípios nos processos demarcatórios;
transparência e ampla publicidade das etapas conduzidas pela Funai;
mecanismos para aumentar previsibilidade e segurança jurídica.
O objetivo da conciliação é harmonizar a proteção aos direitos dos povos originários com os interesses da população não indígena, buscando uma solução que reduza conflitos e garanta estabilidade institucional.
Debate avança também no Senado, que aprova PEC do marco temporal
Enquanto o STF começa a julgar a constitucionalidade da Lei 14.701/2023, o debate político avança no Congresso. Na terça-feira (9), o Senado aprovou a PEC 48/2023, que restabelece o marco temporal na Constituição e determina que somente terras ocupadas ou disputadas até 5 de outubro de 1988 podem ser demarcadas.
A proposta foi aprovada em dois turnos:
1º turno: 52 votos favoráveis, 14 contrários e 1 abstenção;
2º turno: 52 votos favoráveis, 15 contrários e 1 abstenção.
Relatada pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), a PEC amplia ressalvas e inclui previsão de indenização prévia para ocupantes regulares de áreas que venham a ser reconhecidas como indígenas. O autor da proposta, senador Dr. Hiran (PP-RR), afirma que o objetivo declarado é oferecer segurança jurídica ao processo de demarcação.
O avanço de um ciclone extratropical continua influenciando o tempo em boa parte do país nesta quarta-feira (10), com previsão de chuva forte, risco de temporais e ventos intensos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, segundo a Climatempo.
Você quer entender como usar o clima a seu favor?Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.
Sul
O sistema se desloca lentamente em direção ao oceano, provocando pancadas de chuva em grande parte do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A situação é de perigo no sudeste gaúcho, com maior risco de temporais localizado na metade leste do RS e no sul catarinense.
Em Santa Catarina e no sul e sudoeste do Paraná, as pancadas devem ocorrer com intensidade moderada a forte. As rajadas de vento também se intensificam: podem variar entre 50 e 70 km/h em grande parte da região e alcançar até 90 km/h na metade leste. No litoral gaúcho e no sul de SC, os ventos podem superar esse valor.
Apesar da instabilidade, as temperaturas sobem no oeste do Sul e também nas áreas do norte e leste do Paraná e de Santa Catarina.
Sudeste
As instabilidades seguem atuando desde as primeiras horas do dia em São Paulo, além da metade oeste e do sul de Minas Gerais. Ao longo do dia, a chuva ganha força e atinge de forma moderada a forte Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e áreas do norte, leste, litoral e nordeste paulista.
Há risco de temporais no sul de Minas, na divisa com São Paulo, no interior do Rio de Janeiro, na Zona da Mata Mineira e nas regiões central e nordeste de Minas. As temperaturas voltam a subir na maior parte do Sudeste, enquanto no sul mineiro o clima permanece mais ameno.
O deslocamento do ciclone favorece ainda fortes rajadas de vento, especialmente no centro-sul de Minas, em boa parte do Rio de Janeiro e no sul, leste, litoral e nordeste de São Paulo, onde os ventos também podem chegar a até 90 km/h.
Centro-Oeste
As instabilidades perdem força em Mato Grosso do Sul, mas ainda há chance de chuva moderada a forte no norte, nordeste e noroeste do estado.
Em Mato Grosso e Goiás, as pancadas continuam desde a manhã, com potencial para temporais no período da tarde, especialmente no nordeste goiano e na faixa norte de MT. As temperaturas ficam mais amenas em Goiás, enquanto o calor volta a se intensificar nas demais áreas da região.
As rajadas de vento podem atingir até 70 km/h no leste e sul de MS e no sul e sudeste de Goiás.
Nordeste
Chove de forma moderada a forte na metade sul do Maranhão, sul do Piauí e no oeste da Bahia, com possibilidade de temporais isolados. No interior do Maranhão e entre o litoral maranhense, piauiense e cearense, a chuva ocorre de forma mais fraca.
Nas demais áreas, o tempo permanece mais firme, com predomínio de calor e baixa umidade do ar, especialmente no interior do Nordeste, como leste do Piauí, Ceará, oeste do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, onde os índices podem ficar abaixo de 20%.
Norte
As pancadas seguem espalhadas no Amazonas e no Acre. Em Rondônia, sul do Pará e Tocantins, a chuva ocorre de maneira moderada a forte, com chance de temporais pontuais.
Em Roraima e no norte do Pará, o tempo fica mais firme, enquanto no Amapá há previsão de chuva fraca no norte do estado. As temperaturas continuam elevadas em toda a região.
O volume de fertilizantes importados pelo Brasil registrou queda em novembro de 2025, de acordo com dados oficiais do governo brasileiro. Segundo análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros, o movimento é típico desta época do ano e segue o padrão sazonal histórico das compras nacionais.
No mês, o país importou cerca de 3,3 milhões de toneladas dos principais produtos¹, volume inferior ao observado entre agosto e outubro. “O comportamento das importações em 2025 está alinhado ao histórico: os maiores volumes ocorrem nos meses que antecedem a safra de verão. À medida que o ano avança, especialmente no final do segundo semestre, é natural vermos uma desaceleração”, explica o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías.
Apesar da queda mensal, o acumulado de janeiro a novembro de 2025 permanece acima dos níveis registrados em 2024, demonstrando a resiliência do mercado brasileiro. De acordo com Pernías, esse desempenho ocorreu mesmo diante de um cenário desafiador para os compradores. “Em boa parte do ano, as decisões de compra foram tomadas em meio a preços elevados, relações de troca pouco atrativas e preocupações relacionadas a conflitos, riscos de sanções e tarifas impostas pelos Estados Unidos”, afirma.
Outro ponto relevante observado pela StoneX é a mudança no perfil das aquisições. Com preços altos e oferta limitada de produtos como ureia e MAP, os importadores brasileiros intensificaram a compra de fertilizantes menos concentrados, como sulfato de amônio (SAM) e SSP, buscando alternativas mais econômicas para reduzir custos de produção.
Entre janeiro e novembro de 2025, as importações de ureia somaram 6,6 milhões de toneladas, cerca de 12% abaixo do registrado no mesmo período de 2024. Já as compras de SAM cresceram 31% no ano. “Esses números mostram uma clara mudança estratégica dos compradores, que passaram a priorizar produtos com melhor custo-benefício diante do cenário global”, conclui o analista.
No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que, na véspera da decisão do Fed, bolsas de NY recuaram e o dólar se fortaleceu, enquanto o petróleo ampliou perdas com excesso de oferta.
No Brasil, Ibovespa oscilou com impasse na votação do PL da Dosimetria e dólar tocou R$ 5,50 antes de recuar. Hoje, Copom deve manter Selic em 15% e Fed cortar 0,25 p.p., com divulgação do IPCA de novembro.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
Estimado usuário. Preencha o formulário abaixo para remeter a página.
Foto: Canva
Segundo análise divulgada nesta segunda-feira (8) pela Grão Direto, o mercado de milho iniciou a semana refletindo a interação entre a volatilidade externa e ajustes domésticos ligados ao clima e ao câmbio. Conforme o relatório, “o fechamento da última semana indicou certa fragilidade dos contratos”, influenciado pela expectativa em torno do próximo relatório do USDA e pelo movimento de queda observado nos grãos.
O documento aponta que, nos primeiros dias da semana, os preços internacionais tendem a permanecer sensíveis à formação de expectativas sobre a oferta global. O especialista afirma que o mercado deve manter “comportamento lateralizado ou levemente pressionado”, enquanto aguarda novos dados oficiais. Ainda assim, destaca que não está descartado “algum ajuste técnico intermediário”, sem indicar mudança de tendência.
No campo climático, o relatório afirma que esse fator tende a ganhar relevância com o avanço do calendário do milho de segunda safra. A análise registra “preocupações com janelas apertadas de plantio e condições irregulares em algumas regiões”, o que já vem sendo incorporado às curvas futuras brasileiras como “prêmio de risco”.
A percepção de possíveis atrasos ou necessidade de substituição de área na segunda safra cria um elemento de sustentação para os preços, apesar de a colheita atual e dos estoques oferecerem algum alívio no curto prazo. Segundo a análise, o mercado começa a testar cenários em que a oferta de 2026 possa ser menos confortável, tornando o preço mais sensível às previsões meteorológicas e às oscilações cambiais nas próximas semanas.
O especialista avalia que o milho inicia a semana com viés de estabilidade. Ele afirma que o setor mantém o “radar ligado para o clima e os próximos dados do USDA”, ressaltando que a combinação entre pressão externa e preocupação com a safrinha de 2026 sustenta as curvas futuras e limita recuos mais intensos.
A projeção inicial para a safra de 2026 indica redução na produção total de grãos na União Europeia e no Reino Unido, com estimativa de 296,7 milhões de toneladas. O volume fica abaixo das 306,6 milhões de toneladas colhidas em 2025, em um movimento atribuído ao retorno dos rendimentos a patamares considerados normais após um ano de resultados excepcionais.
A produção de trigo, excluindo o trigo duro, deve alcançar 143,9 milhões de toneladas, frente às 147,5 milhões registradas no ano anterior. A expectativa de queda nos rendimentos ocorre apesar das chuvas recentes, que favoreceram a umidade do solo e garantiram bom desenvolvimento das lavouras antes do inverno. As áreas destinadas ao cereal tendem a ficar ligeiramente maiores que as do ciclo anterior.
No caso da cevada, a previsão aponta recuo para 58,2 milhões de toneladas, ante 63,2 milhões em 2025. A entidade destaca que o declínio é reflexo direto de produtividades menores, com destaque para a Espanha, que teve desempenho atípico no ano anterior, e para o Reino Unido, onde a área cultivada deve diminuir.
O milho aparece como uma das poucas culturas com recuperação esperada após a seca que afetou 2025. Mesmo assim, a área tende a seguir em retração, já que muitos produtores se frustraram com os resultados recentes e devem migrar para outras alternativas de primavera, como girassol e soja, especialmente nos países balcânicos e na França. Caso o cenário se confirme, a região terá reduzido em cerca de 15% sua área de milho desde 2020. A produção prevista é de 58,9 milhões de toneladas, ligeiramente acima das 57,1 milhões do ciclo anterior.
Para a canola, a projeção é de 21,8 milhões de toneladas, repetindo o desempenho de 2025. A queda nos rendimentos deve ser compensada pela ampliação do plantio, que passa de 7,1 milhões para 7,5 milhões de hectares, movimento impulsionado pelos preços atrativos durante a janela normal de semeadura.
As exportações brasileiras de feijão superaram 500 mil toneladas entre janeiro e novembro de 2025, alcançando o maior volume desde o início da série da Secretaria de Comércio Exterior, em 1997. O levantamento indica que, apesar do avanço no mercado externo, o consumo doméstico segue com negociações pontuais. Segundo o documento, essas operações têm ocorrido “principalmente para reposição de estoques”.
De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, no mercado interno, os preços do feijão carioca continuam influenciados por um comportamento “seletivo da demanda”, já que a oferta recente tem sido formada por produtos de qualidade superior. Em relação ao feijão preto, o levantamento afirma que o grão “permanece pressionado pela elevada disponibilidade de grãos remanescentes da safra 2024/2025”.
A CNA destaca que, no caso do feijão carioca de notas 9 ou superiores, a oferta de grãos de coloração clara, boa peneira e baixa umidade permanece concentrada na colheita paulista, o que tem contribuído para a estabilidade das cotações. Entre 28 de novembro e 5 de dezembro, a saca apresentou alta de 0,42% em Itapeva (SP). O documento ainda aponta que “a postura mais firme dos produtores”, principalmente entre os irrigantes da terceira safra, sustentou altas de 1,03% em Sorriso (MT) e de 0,54% no Noroeste de Minas. No Centro e no Noroeste Goiano, houve pequena retração.
Em relação ao feijão carioca de notas 8 e 8,5, o boletim indica maior aproximação dos preços em relação aos produtos superiores, reduzindo a diferença para cerca de 5,5% no início de dezembro. De acordo com a CNA, o levantamento registra alta de 3,24% em Itapeva (SP), seguida por avanços de 3,21% no Noroeste de Minas, 2,72% no Centro/Noroeste Goiano e 0,88% no Leste Goiano. Segundo o relatório, a “postura mais cautelosa dos compradores” levou a quedas no Sul Goiano (-3,44%), em Barreiras (BA) (-0,90%) e em Sorriso (MT) (-0,51%).
Para o feijão preto tipo 1, o documento reforça que a oferta elevada da safra anterior mantém pressão sobre os preços. O boletim afirma que produtores têm negociado conforme “necessidade de caixa ou liberação de espaço nos armazéns”, enquanto compradores demonstram baixa disposição de compra. Os preços registraram alta de 0,9% em Curitiba e leve queda de 0,4% na Metade Sul do Paraná.