Uma situação atípica desafiou o produtor Wagner Queiroz, de Inhaúma (MG): uma vaca de seu plantel Girolando pariu sem ter passado pelo período seco, ou seja, enquanto ainda estava em plena produção. Para responder a essa dúvida crítica, o médico veterinário Guilherme Vieira trouxe orientações técnicas.
O manejo correto é a única forma de evitar que a vaca sofra um colapso metabólico e que a produção do tanque seja comprometida. Quando uma vaca pare durante a lactação, o leite que ela já produzia se transforma em colostro. Este alimento é vital para o bezerro, mas um veneno para a indústria de laticínios.
Confira:
Cuidados necessários
O colostro é riquíssimo em anticorpos e proteínas (caseína), o que o torna altamente ácido. Wagner deve retirar essa vaca da linha de ordenha imediatamente. Se esse leite for para o tanque comum, ele pode azedar toda a produção da fazenda, causando um prejuízo financeiro direto. Forneça esse leite exclusivamente para o bezerro.
A vaca está enfrentando o que os especialistas chamam de Balanço Energético Negativo (BEN) extremo. Ela não teve o descanso de sessenta a noventa dias necessário para regenerar o úbere e recompor reservas.
O organismo dessa vaca não parou, o que a torna uma candidata fortíssima a complicações graves nos primeiros dias pós-parto. Parir no meio da lactação é um sinal de falha no planejamento da estação de monta. O descanso do úbere é fundamental para a longevidade da vaca. O foco agora deve ser salvar a saúde da matriz e garantir a cura do umbigo do bezerro.
A previsão do tempo indica uma semana marcada por chuvas volumosas em importantes áreas produtoras de soja do Brasil, especialmente no Centro-Norte do país. A atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) deve manter instabilidades e provocar acumulados entre 50 e 70 milímetros em diversas regiões.
As precipitações retornam para o sul de Mato Grosso, Goiás e também Mato Grosso do Sul, ajudando a manter bons níveis de umidade no solo. No entanto, o excesso de chuva pode atrasar algumas operações no campo, principalmente nas áreas onde os produtores ainda realizam atividades ligadas à colheita e à preparação para o plantio da segunda safra.
Apesar dos possíveis atrasos, a chuva é considerada bem-vinda em regiões como Mato Grosso do Sul, onde contribui para a manutenção das condições hídricas das lavouras.
Por outro lado, estados como Paraná, São Paulo e Bahia devem enfrentar uma semana com pouca ou nenhuma chuva. A condição de tempo mais firme favorece o avanço dos trabalhos em campo, permitindo que os produtores aproveitem a janela de clima mais seco.
22 a 26 de março
Entre os dias 22 e 26 de março, a tendência é de redução das chuvas em Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, com acumulados que não devem ultrapassar 30 a 40 milímetros no período de cinco dias.
Já no Rio Grande do Sul, a chuva volta a ganhar força, enquanto boa parte do Matopiba, região que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, deve registrar volumes entre 70 e 80 milímetros em cinco dias.
Na última semana de março, os modelos indicam tempo mais firme no Sudeste e em grande parte do Matopiba. Ainda assim, a chuva deve persistir no oeste e no norte de Mato Grosso, onde os acumulados podem superar os 100 milímetros em apenas cinco dias.
Foto: Gabriela Cruz-Lustre/divulgação Agência de Minas
Uma nova espécie de orquídea foi identificada no Parque Estadual de Grão Mogol, no norte de Minas Gerais. A planta foi identificada pelos pesquisadores Gabriela Cruz-Lustre e João Batista, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A nova espécie recebeu o nome científico de Habenaria adamantina, em referência aos diamantes que marcaram a história do município de Grão Mogol e também ao brilho delicado de suas pequenas estruturas florais.
A descoberta reforça o papel das unidades de conservação como espaços estratégicos para a produção de conhecimento científico e a preservação da biodiversidade. A descoberta foi destacada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF).
Espécie endêmica
A orquídea é considerada endêmica da região, ou seja, ocorre apenas naquele território e não existe naturalmente em nenhum outro lugar do mundo. Mesmo sendo encontrada em áreas abertas e próximas a trilhas, a espécie permaneceu desconhecida pela ciência até agora.
Com a identificação, o número de espécies do gênero Habenaria registradas no município aumentou de quatro para 12.
Habitat
A planta ocorre em áreas de campo rupestre, ecossistema característico da Serra do Espinhaço e reconhecido como um dos ambientes mais biodiversos e, também mais ameaçados do país. No parque, a espécie cresce em solos arenosos e úmidos, geralmente em áreas ensolaradas e próximas a pequenos cursos d’água.
Até o momento, os pesquisadores identificaram apenas duas populações da espécie, distribuídas em uma área estimada de 16,9 km².
Autorização para pesquisa
Segundo o gerente de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do IEF, Edmar Monteiro Silva, pesquisas científicas em áreas protegidas dependem de autorização prévia dos órgãos gestores, procedimento fundamental para garantir que os estudos sejam realizados de forma responsável.
“A autorização assegura que os trabalhos ocorram sem comprometer os objetivos de conservação das áreas protegidas. Também possibilita que o órgão acompanhe e avalie as atividades, garantindo que estejam alinhadas às normas ambientais e contribuam para a gestão das Unidades de Conservação”, explicou.
Ameaças
Entre as principais ameaças estão o pisoteio acidental de visitantes, a erosão do solo e mudanças na vegetação natural. Apesar disso, a pesquisadora Gabriela Cruz-Lustre destaca que o parque já adota medidas importantes de proteção, como o controle do uso público e a orientação para que visitantes permaneçam nas trilhas e não removam material vegetal.
Importância
A identificação da nova espécie demonstra como áreas protegidas continuam revelando espécies ainda desconhecidas, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre a flora brasileira e para o fortalecimento das estratégias de conservação da natureza.
Imagem gerada por Inteligência Artificial para o Canal Rural
O Congresso Nacional promulgará o acordo Mercosul-União Europeia nesta terça-feira (17). A cerimônia é simbólica e representa a última etapa legislativa de internalização do tratado. A sessão conjunta tende a ser prestigiada por autoridades do governo e da oposição.
O Executivo estima que o acordo entrará em vigor em até 60 dias após a promulgação.
Toda a negociação para acelerar a tramitação e aprovar o texto em tempo recorde demonstra como a agenda internacional tem dominado as preocupações da política interna.
Mesmo com essa etapa concluída, porém, os parlamentares devem manter em discussão propostas de adequações regulatórias para garantir acesso a mercados internacionais, especialmente diante de novas exigências ambientais e sanitárias.
Para viabilizar essa articulação célere, parlamentares ligados ao agro negociaram a publicação do Decreto 12.866/2026, divulgado em 4 de março, que regulamenta os procedimentos para investigação e aplicação de salvaguardas bilaterais.
Dessa forma, ampliações de acesso a mercados estrangeiros estarão acompanhadas de mecanismos de proteção à produção nacional.
O instrumento funcionará como uma defesa em caso de desequilíbrios comerciais, quando houver importações excessivas, preservando a competitividade da produção brasileira. Para o setor produtivo, o decreto representa uma garantia mínima de previsibilidade.
Agenda legislativa do agro
Mesmo assim, o setor reconhece que ainda existem obstáculos para a produção nacional e deve manter foco nas articulações dentro do Congresso.
Na última quarta-feira (11), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entregou sua Agenda Legislativa para 2026 à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em sessão solene.
Um dos gargalos evidentes é a infraestrutura logística. Por isso, mudanças estruturais — como o fortalecimento dos modais de transporte, o aprimoramento regulatório e a expansão da armazenagem próxima às regiões produtoras — estão entre as prioridades.
Além disso, medidas que elevam custos para as exportações brasileiras também representam risco e estão no centro das articulações previstas para este ano.
Nesse contexto, propostas como o PL 4.423/2024, que estabelece normas gerais sobre o comércio exterior de mercadorias, e o PL 508/2024, que consolida a legislação federal sobre comércio exterior, fazem parte da agenda. Entre os principais pontos defendidos estão:
defesa da soberania nacional diante de legislações e mecanismos extraterritoriais que prejudiquem o produtor brasileiro;
fortalecimento do sistema brasileiro de defesa comercial, com instrumentos mais ágeis, técnicos e alinhados ao padrão internacional;
aceleração e ampliação de acordos comerciais que reduzam barreiras e diversifiquem mercados;
atuação contra barreiras técnicas, sanitárias e ambientais consideradas indevidas, com base em ciência e transparência;
promoção internacional da agricultura tropical, com o objetivo de combater narrativas distorcidas e destacar a sustentabilidade e a competitividade do agro brasileiro.
Implementação do acordo
Com a promulgação formalizada, a atenção agora se volta para a implementação do acordo Mercosul-União Europeia.
O Executivo precisará depositar os instrumentos de ratificação nos organismos multilaterais e notificar a União Europeia.
Em paralelo, apesar de o Congresso ter uma agenda extensa em comércio internacional, o ano eleitoral tende a dificultar o avanço de parte das medidas. A expectativa é que o foco esteja nas aprovações nos próximos três meses, antes de a atenção dos parlamentares se voltar para as bases eleitorais.
*Fernanda César é gerente de Análise Política Federal e de Bens de Consumo. Atua desde 2017 na BMJ Consultores Associados. É bacharel em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-graduada em Direito e Relações Governamentais pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB).
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Está aberta a votação para o Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26. A premiação reconhece profissionais que fazem a diferença na cadeia produtiva da soja no país, seja no campo ou na pesquisa.
Participar é simples: basta acessar o link da votação, preencher seus dados e escolher um produtor e um pesquisador entre os indicados. Depois de confirmar suas escolhas, o voto já estará contabilizado.
Os candidatos foram selecionados por suas contribuições para o desenvolvimento da sojicultura brasileira, com iniciativas que envolvem tecnologia, inovação, sustentabilidade e aumento da produtividade no campo.
Ainda está em dúvida em quem votar? Conheça os indicados:
Pesquisadores
Ricardo Andrade O pesquisador Ricardo Andrade atua no desenvolvimento de tecnologias que ajudam a soja a produzir bem mesmo em condições climáticas adversas no oeste da Bahia. Engenheiro agrônomo e especialista em fisiologia vegetal, ele trabalha principalmente com estudos voltados à adaptação das plantas a estresses como a seca.
Seu trabalho busca entender como a soja reage ao ambiente e como pode se tornar mais resiliente diante das mudanças climáticas. Entre as linhas de pesquisa estão técnicas com bioestimulantes que aumentam a tolerância da planta a condições adversas e elevam o potencial produtivo.
Andrade também destaca a importância da educação e da formação de novos profissionais para o avanço do agro brasileiro. Para ele, a maior recompensa da pesquisa é ver tecnologias desenvolvidas no laboratório sendo aplicadas nas lavouras pelos produtores.
Fernando Adegas Pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas construiu carreira dedicada ao manejo de plantas daninhas e ao desenvolvimento de estratégias para evitar perdas na produção agrícola.
Filho de família ligada ao campo, decidiu seguir a agronomia ao perceber a importância da agricultura para a economia brasileira. Após atuar na extensão rural no Paraná, aprofundou seus estudos na área de plantas daninhas, tema que se tornou central em sua trajetória científica.
Na Embrapa, acompanha a evolução dos sistemas de produção e o surgimento de plantas resistentes a herbicidas, trabalhando no desenvolvimento de técnicas de manejo integrado. O objetivo é garantir que os produtores consigam controlar as invasoras e manter a produtividade das lavouras, respeitando as diferenças entre regiões e biomas do país.
Leandro Paiola Albrecht Professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Leandro Paiola Albrecht desenvolve pesquisas voltadas ao manejo de plantas daninhas e à busca por soluções que aumentem a produtividade e a rentabilidade da soja.
Seu trabalho vai além do uso de herbicidas e inclui práticas como rotação de culturas, cobertura do solo e estratégias integradas dentro do sistema produtivo. Ele também participa de estudos sobre resistência de plantas daninhas em áreas de soja no Brasil e no Paraguai, avaliando espécies como buva, caruru e capim-amargoso.
Essas pesquisas ajudam a identificar novas formas de controle e evitar perdas nas lavouras. Segundo o pesquisador, o objetivo é integrar diferentes tecnologias para gerar soluções práticas e acessíveis aos produtores, garantindo produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo.
Produtores
João Damasceno Produtor rural do Tocantins, João Damasceno ajudou a consolidar a produção de soja no Norte do Brasil.
A história da fazenda começou com seu pai, que adquiriu a propriedade na década de 1940. A partir da safra 1993/94, a família passou a investir na soja, substituindo outras culturas e ampliando gradualmente a área plantada e o parque de máquinas.
Com apoio técnico da Embrapa, adotou sistemas de rotação de culturas e integração com a pecuária, garantindo mais sustentabilidade à produção. Hoje, a fazenda reúne soja como cultura principal, além de milho safrinha, gergelim, confinamento de gado e seringueira, além de estrutura própria de secagem e armazenamento.
Mesmo com oportunidades de expansão, a família decidiu investir na propriedade original, que carrega valor histórico e sentimental. Para Damasceno, produzir soja também significa preservar o legado familiar construído ao longo de gerações.
Maira Lelis Produtora rural de Guaíra (SP), Maira Lelis representa uma nova geração do agro que combina tradição, tecnologia e sustentabilidade.
A história da fazenda começou há mais de 80 anos com seu avô, quando a área ainda era formada por cerrado. Com o passar do tempo, a propriedade evoluiu com mecanização, adoção de tecnologias e ampliação da produção de grãos.
Hoje, a gestão é focada em inovação, eficiência e redução de custos. Entre as práticas adotadas estão rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e aplicação de microrganismos para fortalecer a saúde do solo e aumentar a produtividade da soja.
Uma das iniciativas recentes é a criação de um corredor ecológico com árvores que produzem pólen ao longo do ano, ajudando a atrair inimigos naturais das pragas e equilibrar o sistema produtivo. Para Maira, produzir alimento com responsabilidade ambiental e preparar o solo para as próximas gerações é parte essencial da missão no campo.
Carlos Eduardo Carnieletto A trajetória de Carlos Eduardo Carnieletto nasceu dentro da agricultura familiar no Paraná. A produção começou com os pais, em uma pequena área cultivada com muito trabalho e dedicação.
Ao longo dos anos, a estrutura da propriedade foi ampliada e consolidada. Formado em agronomia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ele manteve a ligação com o campo e hoje administra sua área com foco em eficiência e gestão.
Diante de custos elevados e preços pressionados, busca aumentar a produtividade sem elevar os gastos da lavoura. Entre as práticas adotadas estão o uso de biológicos, coinoculação e acompanhamento constante das lavouras.
Para ele, o solo é o principal patrimônio do agricultor. Por isso, investe em conservação, cobertura e manejo adequado da terra. Mesmo diante dos desafios do setor, Carlos acredita nos ciclos da agricultura e mantém a convicção de seguir produzindo. Encerrar uma safra com bons resultados continua sendo sua maior motivação.
A votação para escolher o Personagem Soja Brasil da safra 2025/26 vai até o dia 10 de abril. Participe!
O motor do capitalismo sempre dependeu de um equilíbrio vital: a produção gera riqueza que, via salários, alimenta o consumo. No entanto, a inteligência artificial (IA) rompe essa lógica ao acelerar a produtividade a níveis inéditos, sem a necessidade da contrapartida do trabalho humano.
Para que esse sistema não entre em colapso, a própria eficiência da IA na produção terá que financiar mecanismos automáticos de distribuição de renda. Sem esse ajuste, a roda do capitalismo trava: as máquinas produzirão com perfeição, mas não haverá ninguém com poder de compra do outro lado.
É nesse momento de transição que o olhar se volta para aquilo que a tecnologia não consegue automatizar: a biologia humana. E é exatamente nesse ponto que a discussão deixa de ser tecnológica e passa a ser econômica — e, no fundo, profundamente humana.
Existe uma característica do capitalismo que a tecnologia simplesmente não consegue contornar. Robôs não consomem calorias, algoritmos não sentem fome e máquinas não se sentam à mesa. O ser humano, trabalhe ele ou não, continue ele operando máquinas ou apenas vivendo em um mundo automatizado, demandará alimento todos os dias.
A comida é a única mercadoria de demanda absoluta e permanente.
Nesse novo paradigma, o Brasil ocupa uma posição de privilégio estratégico inigualável. Como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o país detém o ativo que pode se tornar o último baluarte do consumo real.
Se a riqueza gerada pela IA e pela automação acabar concentrada nas mãos de poucos, a criação de mecanismos como a Renda Básica Universal deixa de ser uma escolha ideológica e passa a ser uma necessidade de mercado. Sem renda nas mãos das massas, o estoque de alimentos apodrece nos portos.
A distribuição dessa riqueza tecnológica para a base da pirâmide é o que garantirá que o fluxo de escoamento da produção agropecuária brasileira continue ativo. É a renda, vinculada ou não ao emprego formal, que permitirá que o cidadão continue exercendo sua função biológica de consumidor.
O futuro pode ser digital, mas a sobrevivência continua sendo analógica, e rural.
Para o Brasil, o desafio é entender que a força do campo não é apenas uma vantagem econômica. É a garantia de que, mesmo em um mundo dominado por circuitos e algoritmos, a vida, e o mercado que a sustenta, continuará pulsando através do que plantamos e colhemos.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Apesar da alta de 11,6% do preço do diesel anunciada pela Petrobras na última sexta-feira (13), a defasagem em relação ao mercado internacional continua alta. O preço do combustível ainda está 60% mais barato aqui em relação ao exterior.
No caso da gasolina, a defasagem é de 50%, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), refletindo o preço do petróleo acima de US$ 100 o barril.
Para se equiparar ao preço de paridade de importação (PPI) a estatal precisaria aumentar o preço do diesel em R$ 2,18 o litro, e a gasolina em R$ 1,26 o litro.
Na última sexta-feira, ao explicar o mecanismo de subvenção do governo que permitiu à Petrobras elevar os preços, a presidente da companhia, Magda Chambriard, descartou aumento imediato da gasolina, depois de um ajuste de R$ 0,38 por litro do diesel nas refinarias.
A ação do governo vai ajudar a estatal e outros agentes do mercado a compensar o imposto de exportação de petróleo e do diesel, implantados pelo governo para garantir o abastecimento interno.
Pelo sistema adotado de subvenção, Magda estimou o impacto de apenas R$ 0,06 por litro para as distribuidoras, já que a renúncia fiscal do governo com PIS/Cofins adotado pela Medida Provisória 1.340 é de R$ 0,32 por litro.
Sem a subvenção do governo, da ordem de R$ 0,32 por litro de diesel, o aumento da Petrobras seria de R$ 0,70, valor que vai receber integralmente.
Já a Acelen, braço do grupo Mubadala, aumentou quatro vezes o diesel e três vezes a gasolina apenas neste mês na Refinaria de Mataripe, na Bahia, devido à alta volatilidade do preço do petróleo.
Na última quarta-feira (11), a empresa aumentou o diesel em R$ 0,81 o litro e a gasolina em R$ 0,44 o litro. Com isso, a defasagem do preço do diesel produzido lá em relação ao mercado internacional é de 15%, e a da gasolina é de 14%.
O plantio do milho safrinha 2026 atingiu 91% da área estimada no Centro-Sul do Brasil até a última quinta-feira (12), segundo levantamento da AgRural divulgado nesta segunda-feira (16). O avanço representa um salto em relação aos 82% registrados na semana anterior, embora o ritmo ainda esteja abaixo dos 97% observados no mesmo período do ano passado.
Com o encerramento da janela ideal de plantio em diversas regiões produtoras, os produtores aceleraram o ritmo da semeadura na última semana. Mesmo assim, cerca de 1,3 milhão de hectares ainda permaneciam por plantar, área mais que o dobro da registrada no mesmo momento da safra passada.
O principal ponto de atenção da safra neste momento é o clima. No oeste do Paraná, onde o plantio já foi totalmente concluído, a estiagem tem preocupado produtores. A baixa umidade do solo ocorre justamente no momento em que parte das lavouras começa a entrar na fase reprodutiva, considerada decisiva para o potencial produtivo do milho.
Colheita do milho verão
Enquanto isso, a colheita do milho da safra de verão 2025/26 alcançou 50% da área no Centro-Sul, avanço em relação aos 42% da semana anterior. Ainda assim, o ritmo segue mais lento do que no mesmo período do ano passado, quando os trabalhos já atingiam 72%.
Soja
No caso da soja, a colheita da safra 2025/26 chegou a 61% da área cultivada no Brasil até quinta-feira. O avanço ocorre frente aos 51% da semana anterior, mas também permanece abaixo dos 70% registrados em igual período de 2025.
Apesar de o ritmo seguir como o mais lento desde a safra 2020/21, o mercado começa a direcionar o foco para as condições climáticas nas lavouras mais tardias. No Rio Grande do Sul, a estiagem já provocou perdas em algumas áreas, e as chuvas leves registradas recentemente foram insuficientes para recompor a umidade do solo.
Por outro lado, nas regiões Norte e Nordeste, embora as precipitações tenham diminuído, o excesso de umidade nos grãos ainda dificulta a colheita e o recebimento da soja em determinados polos produtores.
O governo prevê realizar testes para avaliar a viabilidade técnica do aumento da mistura do biodiesel ao óleo diesel ainda neste semestre, informou o Ministério de Minas e Energia (MME) em nota.
A elevação do percentual obrigatório de biodiesel no óleo fóssil é pedida pela indústria e por 43 entidades do setor produtivo, em meio ao aumento do diesel e ao conflito no Oriente Médio.
“A previsão é de que a execução dos ensaios possa ter início ainda neste primeiro semestre de 2026, observando-se a disponibilidade de bancos de prova, a formalização das parcerias institucionais necessárias e as demais condições técnicas e orçamentárias requeridas para a plena execução do escopo previsto”, disse o ministério.
Mistura acima de 15% depende de comprovação técnica
Na última semana, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, descartou a possibilidade de elevação do teor mínimo obrigatório de biodiesel ao óleo diesel, para acima dos atuais 15% sem a realização de testes.
“A legislação (da Política do Combustível do Futuro) foi expressa no sentido de vincular a implementação de teores superiores a B15 à demonstração técnica de viabilidade. O cronograma inclui a previsão de B16 a partir de março de 2026 e progressão até B20 em março de 2030, desde que haja comprovação da viabilidade técnica de misturas superiores a 15%. Ou seja: enquanto não houver testes e a constatação da viabilidade técnica desses novos porcentuais, não é possível (nos termos da Lei, que exige testes) implementar o cronograma da Lei do Combustível do Futuro”, esclareceu a pasta.
Plano de testes reúne indústria e instituições de pesquisa
O ministério informou ainda que a realização dos testes aguarda a “formalização da execução financeira e o repasse dos recursos às instituições participantes, etapa necessária para viabilizar o início das atividades experimentais”. “O plano de testes é um trabalho complexo construído de forma multidisciplinar e colaborativa, com a participação de representantes das montadoras, sistemistas, transportadores, produtores de biodiesel, distribuidores de combustíveis, universidades, institutos de pesquisa e órgãos de governo”, esclareceu o MME.
O plano de testes de viabilidade técnica para misturas acima de B15 está em fase final de verificação metodológica e validação pelo Subcomitê de Avaliação da Viabilidade Técnica de Misturas de Altos Teores de Biocombustíveis em Combustíveis Fósseis, no âmbito da governança instituída pelo Comitê Permanente do Combustível do Futuro (CTPCF), disse o MME.
De acordo com a pasta, o plano de testes foi acordado entre fabricantes de veículos, produtores de combustíveis, fabricantes de peças, distribuidores e revendas, representantes de consumidores e laboratórios de pesquisa. A pasta conclui a nota afirmando que “acompanha permanentemente a evolução do cenário internacional de energia e seus potenciais impactos sobre o mercado doméstico de combustíveis, mantendo diálogo constante com os agentes setoriais e com os órgãos competentes, de modo a avaliar medidas que contribuam para a segurança energética nacional e para a estabilidade do mercado”.
Entidades querem 17% de biodiesel ao óleo diesel
O setor do biodiesel reforça a pressão sobre o aumento da mistura e defende a ampliação do biocombustível em vez do subsídio anunciado pelo governo ao diesel importado.
“A Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio) reconhece a necessidade de proteger a economia brasileira e os setores produtivos dos impactos dessa turbulência global. No entanto, entende que subsidiar o diesel fóssil importado é uma resposta equivocada do ponto de vista estratégico. Em vez de reduzir a vulnerabilidade energética do país, a medida aprofunda a dependência brasileira de um combustível sujeito a crises geopolíticas, choques de oferta e oscilações internacionais de preço”, afirmou a FPBio em nota.
Em relação à isenção de PIS/Cofins sobre o diesel, a FPBio afirmou que a “Constituição Federal estabelece a necessidade de manutenção de regime fiscal favorecido para os biocombustíveis”, ponderou.
A oferta restrita de etanol durante o período de entressafra tem mantido as cotações do biocombustível firmes no mercado spot do estado de São Paulo. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Segundo o levantamento, os estoques reduzidos nas usinas têm sustentado os valores pedidos nas negociações, enquanto as distribuidoras seguem mais cautelosas nas compras diante das incertezas no cenário energético internacional.
Entre os dias 9 e 13 de março, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado em São Paulo foi de R$ 2,9439 por litro, valor líquido de ICMS e PIS/Cofins. O resultado representa leve alta de 0,30% em relação ao período anterior.
Já o etanol anidro registrou R$ 3,2731 por litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins), praticamente estável no período, com ligeira queda de 0,02%.
Oferta restrita sustenta preços
De acordo com o Cepea, a postura mais firme das usinas nas negociações está ligada principalmente ao baixo volume de produto disponível para comercialização nesta fase de entressafra.
Além disso, agentes do setor acompanham a recente alta nos preços do petróleo, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio. Esse movimento também contribui para dar suporte às cotações do etanol no mercado doméstico.
Distribuidoras compram com cautela
Do lado da demanda, a procura por etanol tem sido considerada razoável, mas as distribuidoras continuam atuando com cautela.
Segundo o Cepea, as incertezas relacionadas ao cenário geopolítico, aos preços do petróleo e às políticas da Petrobras têm levado compradores a adquirir apenas volumes suficientes para atender às necessidades imediatas.
Mercado físico registra alta
No mercado físico, a média semanal do Indicador diário Esalq/B3 (Paulínia-SP) ficou em R$ 3.046,20 por metro cúbico entre os dias 9 e 13 de março, o que representa alta de 0,93% frente à semana anterior.
Diferentemente do período anterior, o Cepea destaca que houve pouca presença de etanol proveniente de outros estados no mercado paulista.
Paridade favorece biocombustível
As paridades entre os produtos do setor sucroenergético também seguiram favoráveis ao biocombustível.
Segundo cálculos do Cepea:
o etanol hidratado ficou 1,69% mais valorizado que o açúcar equivalente
o etanol anidro registrou prêmio de 7,72% sobre o açúcar
Na comparação entre os dois biocombustíveis, o etanol anidro foi negociado com valor 6,5% superior ao hidratado em São Paulo.