terça-feira, março 17, 2026
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Nova tecnologia da Embrapa facilita rastreabilidade no manejo de dejetos suínos


Santa Catarina - suino
Foto: Freepik

O GeoFert é uma solução tecnológica desenvolvida pela ciência agropecuária para ampliar a rastreabilidade na transformação de dejetos suínos em biofertilizantes. Trata-se de um sistema digital de gestão, informatizado e que utiliza georreferenciamento, capaz de organizar as atividades de coleta, transporte e aplicação desses resíduos.

Concebida no âmbito do projeto Modelo de Gestão Ambiental para áreas com produção intensiva de animais na região Sul do Brasil (Smart), a tecnologia está em fase de validação por parceiros privados para ser transferida com segurança e sustentabilidade à cadeia suinícola.

A produção intensiva de suínos, especialmente em regiões de elevada concentração animal, como o oeste de Santa Catarina, enfrenta um desafio persistente: o manejo adequado dos dejetos. Cerca de 95% dos resíduos gerados são líquidos e destinados à fertilização do solo.

Embora ricos em nutrientes e essenciais para a manutenção da fertilidade, o uso inadequado pode gerar impactos ambientais significativos, como riscos de contaminação hídrica e degradação do solo.

A sustentabilidade da atividade depende de uma gestão integrada que considere produção, meio ambiente e exigências regulatórias. Em Santa Catarina, o licenciamento ambiental de granjas suinícolas utiliza o Sistema de Gestão Ambiental da Suinocultura (SGAS), desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves (SC), que permite estimar excreção animal, oferta de nutrientes, dimensionamento de estruturas e recomendação de adubação.

Destinação correta dos efluentes

Injetor de dejetos suínos
Foto: Divulgação

O sistema contribuiu para padronizar e tornar mais ágil o licenciamento no estado. Entretanto, a etapa de pós-licenciamento, quando o produtor deve comprovar a destinação correta dos efluentes prevista na Licença de Operação, permanece como um dos pontos mais críticos do processo.

O desafio se intensifica em granjas que utilizam áreas de terceiros (cedentes) ou que dependem de frotas públicas, geralmente de prefeituras, ou de associações de máquinas para realizar o transporte dos resíduos. Nesses casos, a necessidade de controle, transparência e rastreabilidade é ainda maior.

“Em muitos municípios, essa etapa ainda depende de registros manuais ou de controles fragmentados, o que dificulta a verificação e compromete a transparência do processo”, diz o pesquisador da Embrapa Cláudio Miranda.

O GeoFert foi criado para atender a essa demanda, uma vez que permite programar, registrar e verificar cada etapa da aplicação dos biofertilizantes. As informações armazenadas incluem:

  • Origem dos efluentes;
  • Propriedades receptoras;
  • Datas e horários das atividades; e
  • Coordenadas geográficas dos locais de aplicação.

GeoFert usa dados do Cadastro Ambiental Rural

Segundo Miranda, um dos diferenciais desse sistema é a integração de informações de rastreamento das máquinas e os estabelecimentos agrícolas, tendo por base os dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

“Isso permitirá fortalecer a conformidade de prestadores de serviços agrícolas (prefeituras, associações de máquinas ou empresas privadas), bem como assegurar maior agilidade, transparência e economicidade no atendimento das solicitações dos serviços agrícolas demandado pelos agricultores”, ressalta.

Diferentemente de soluções comerciais de rastreamento de frotas, o GeoFert foi desenhado especificamente para atender às necessidades da cadeia suinícola e às exigências de comprovação ambiental pós-licenciamento, complementando as funcionalidades do SGAS no planejamento e execução das atividades.

Principais benefícios

  • Conformidade ambiental: atende às exigências legais relacionadas ao manejo de
    resíduos.
  • Evidências auditáveis: gera informações robustas para órgãos ambientais e de
    controle.
  • Transparência no uso de recursos públicos: fundamental para operações realizadas por frotas públicas ou conveniadas.
  • Gestão inteligente: oferece painéis com mapas, gráficos e tabelas para decisões rápidas e embasadas.

Público-alvo

O sistema pode ser utilizado por produtores rurais, órgãos ambientais, consultorias e empresas de assistência técnica, prefeituras, associações de máquinas e prestadores de serviços agrícolas.

Atualmente, o GeoFert encontra-se em fase de validação por meio de acordos de cooperação técnica. Em agosto de 2025, o município de Presidente Castello Branco (SC) tornou-se o primeiro a implementar oficialmente a ferramenta, com a automatização de solicitações de serviços e digitalização de informações antes registradas manualmente.

A validação tem a parceria da empresa Ekodata Tecnologia e Saneamento Ambiental, responsável pela implantação do sistema, treinamento dos usuários e acompanhamento dos testes, com possibilidade de sugerir customizações e melhorias

“A fase de validação tem sido fundamental para aprimorar o sistema. Cada município que adota o GeoFert nos permite ajustar fluxos, adequar interfaces e incorporar funcionalidades alinhadas às demandas reais dos operadores e dos gestores públicos”, acrescenta o pesquisador.

De acordo com ele, a expectativa é que a adoção do GeoFert represente um avanço expressivo para a sustentabilidade da suinocultura familiar, fortalecendo a rastreabilidade no uso de biofertilizantes, promovendo maior responsabilidade ambiental e ampliando a eficiência das políticas públicas de apoio à atividade.

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