terça-feira, maio 26, 2026

Autor: Redação

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Milhares de indígenas acampam em Brasília pelo direito à terra


A 21ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) recebe, neste domingo (6), em Brasília, milhares de indígenas de todas as regiões do país em defesa da demarcação dos seus territórios.

Ao todo, são esperadas cerca de 10 mil indígenas com previsão de atos e programações ao longo de toda a semana, entre 7 e 11 de abril.

No acampamento, em meio ao comércio do artesanato indígena, o português se mistura com outras das 274 línguas indígenas do Brasil, na maior mobilização anual dos povos originários brasileiros.

A indígena Andrea Nukini, de 44 anos, levou quatro dias e quatro noites viajando de ônibus da aldeia do povo Nukini, no município de Mancio Lima (AC), até Brasília. Segundo ela, a falta de demarcação obriga os povos a se manterem mobilizados.

“A nossa luta nunca acaba, porque a gente nunca tem o território totalmente nosso e demarcado. Era para todos nós, povos indígenas, termos nossos territórios demarcados, como manda a Constituição há mais de 35 anos. Mas isso não acontece”, destacou.

Marco temporal

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Marciely Tupari, coordenadora secretária da COIAB, em frente a barracas no Acampamento Terra Livre (ATL). Foto: Bruno Peres/ Agência Brasil

Entre as prioridades do movimento neste ano, como nas edições anteriores, está a luta contra o Marco Temporal, tese que diz que apenas os povos indígenas que estavam em seus territórios na promulgação da Constituição, em outubro de 1988, têm direito à demarcação da terra.

A coordenadora secretária da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Marciely Tupari, explicou que a expectativa é reverter o cenário atual, criado com a mesa de conciliação estabelecida no Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir o Marco Temporal. Indígenas organizados abandonaram a mesa por contestarem sua legitimidade.

“O movimento indígena definiu que estar nesse espaço era validar o que o Gilmar Mendes estava propondo, e uma das propostas era a mineração em territórios indígenas, o que sempre fomos contra. Não fazia sentido a gente estar num espaço para debater os nossos direitos e liberar o nosso território para empreendimentos. Nossos direitos não são negociáveis”, afirmou a liderança.

Após o Marco Temporal ser considerado inconstitucional pelo STF, o Congresso Nacional aprovou a lei que instituiu a tese. O caso, então, voltou para o Supremo e o relator do processo, ministro Gilmar Mendes, abriu uma mesa de conciliação para tratar do tema, solução que vem sendo rejeitada pelo movimento indígena.

Nessa mesa, o magistrado apresentou proposta de legislação que abre caminho para mineração em terras demarcadas. Posteriormente, a proposta foi retirada, mas voltará a ser tratada em outra conciliação aberta por Mendes.

“A gente tem exemplo do impacto que a mineração traz para dentro dos territórios e dos nossos rios, como ocorre com os Yanomami e os Munduruku. Os parentes estão sofrendo com a desnutrição, com mercúrio dentro do corpo, os peixes estão contaminados”, justificou Marciely.

Representação na COP30

O ATL 2025 busca ainda articular a pauta dos povos indígenas com a realização da COP30, para convencer os países que vem ao Brasil de que a demarcação dos territórios indígenas é parte da luta contra o aquecimento da terra. A Conferência da ONU para Mudanças Climáticas (COP30) ocorrerá em Belém (PA), em novembro deste ano.

“A gente está se articulando também para fazer, por exemplo, uma NDC [Contribuição Nacionalmente Determinada] indígena, para se contrapor à NDC que o governo lançou na COP do ano passado, quando ele não introduziu os problemas que o agronegócio traz para as mudanças climáticas”, acrescentou a liderança da COIAB.

As NDC são as metas definidas pelos países para redução dos gases do efeito estufa. O governo brasileiro apresentou sua NDC prevendo reduzir em 53% a emissão de gases até 2030.

Com o tema “A respostas somos nós: Em defesa da Constituição e da vida”, o Acampamento Terra Livre de 2025 é organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e deve receber cerca de 200 povos de todas as regiões do país em cinco dias de programações e protestos à favor da demarcação das terras indígenas.



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riscos e oportunidades para o agro brasileiro



O recente anúncio de Donald Trump sobre a imposição de tarifas de importação contra centenas de países marca uma mudança histórica nas políticas comerciais norte-americanas, com consequências significativas para o Brasil e o comércio global. O presidente da maior economia do mundo justificou as tarifas como parte de sua política protecionista.

Segundo ele, o tarifaço busca fortalecer a indústria e reduzir déficits comerciais bilaterais, que somam cerca de US$ 1 trilhão por ano. Trump descreveu ainda as medidas como uma “declaração de independência econômica”, afirmando que elas libertarão os Estados Unidos da dependência de produtos estrangeiros e ajudarão a revitalizar o “sonho americano”.

Impacto no Brasil

Embora o Brasil tenha sido incluído na lista de países afetados, a tarifa aplicada aos produtos brasileiros foi de 10%, considerada a mínima entre as novas taxas impostas. Isso coloca o Brasil em uma posição menos desfavorável em comparação com países como Vietnã (46%), China (34%) e União Europeia (20%).

Para Vito Villar, líder de Política Internacional na BMJ Consultores Associados, a medida pode gerar tanto desafios, quanto oportunidades para o Brasil. “Principalmente, por existir agora uma vantagem tarifária (pela baixa alíquota comparada a competidores) é possível que oportunidades se abram ao comércio brasileiro nos Estados Unidos”, assegura.

Sobre a justificativa de tarifas desiguais entre os dois países, levantada pelo governo norte-americano anteriormente, Villar enxerga pouca relevância na decisão. 

“No limite, a questão tarifária pouco importou para a imposição de tarifas, mas, sim, o déficit tarifário que os EUA possuíam com o destino. Por isso, países com baixas tarifas de importação como a Austrália ficaram equiparados a países com altas, como o Brasil”, afirma.

Consequências globais

Além disso, o tarifaço pode impulsionar negociações comerciais e acordos como o do Mercosul com a União Europeia. Mas Villar alerta que um possível excesso produtivo mundial pode ser direcionado ao Brasil, pressionando preços e aumentando a concorrência interna.

Sobre as possíveis mudanças na dinâmica do comércio agrícola global, o especialista pondera que é necessário aguardar os próximos passos e a efetiva aplicação das tarifas. “Em 2018, o aumento das tarifas ocasionou um grande desvio de comércio agrícola para a China”, recorda.

Ele destaca que a única saída, pelo menos neste momento, é a franca negociação com os Estados Unidos, seja em abertura comercial seja em renegociação das próprias tarifas. 



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Pragas ou aliados? Concurso de fotos mostra o impressionante mundo dos insetos



Para a agricultura, alguns insetos, como abelhas e joaninhas, são aliados na eliminação natural de pragas e ainda ajudam na polinização, enquanto outros, como gafanhotos e lagartas, são inimigos capazes de destruir toda uma lavoura.

O que não se pode negar é que a estrutura corporal desses animais invertebrados é fascinante. O concurso global anual de fotografias da Sociedade Real de Entomologia do Reino Unido trouxe uma lupa sobre alguns deles com imagens produzidas por amadores e profissionais de 44 países.



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Pecuaristas terão desconto de 70% nas avaliações genômicas de angus e brangus


A Associação Brasileira de Angus e Ultrablack e a Associação Brasileira de Brangus (ABB) firmaram parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae/PR) para subsidiar avaliações genômicas de animais das raças Angus, Brangus e Ultrablack.

Assim, os valores aos pecuaristas passam a ser reduzidos em 70%, com a avaliação completa a R$ 45,50 e prazo de até 60 dias para o recebimento dos resultados, que serão compartilhados junto ao Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) ou outro escolhido pelo criador.

De acordo com a coordenadora de projetos técnicos da ABB, Ândrea Plotzki Reis, os produtores terão a oportunidade de fazer escolhas mais assertivas na seleção de seus animais a um preço mais acessível.

“Por enquanto, o subsídio está disponível para criadores do Paraná, mas também temos um projeto semelhante para os pecuaristas do Rio Grande do Sul por meio do Sebrae-RS. […] essas iniciativas podem vir a ser modelos para outras regiões. Esperamos que parcerias parecidas possam ser desenvolvidas em outros estados”, enfatiza a profissional.

Coleta em angus e brangus

coleta material genético angus e branguscoleta material genético angus e brangus
Foto: Reprodução

A coleta do material genético tanto de Angus quanto de Brangus (pelo com o bulbo ou cartilagem da orelha) deverá ser realizada pelo criador e encaminhada junto às informações de tatuagem, sexo, data de nascimento e, caso exista, registro do animal.

Saiba como participar:

  • Angus: o criador associado à Associação Brasileira de Angus e Ultrablack deverá encaminhar a amostra coletada e preenchida corretamente ao seguinte endereço: Largo Visconde do Cairú, 12 – Sala 901 – Centro Histórico – Porto Alegre/RS – CEP 90030-110. Para dúvidas e informações, o contato pode ser realizado com Danielli Minuzzo pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (51) 9809-6806.
  • Brangus: o criador associado à Associação Brasileira de Brangus deverá contatar a coordenadora de Projetos Técnicos, Ândrea Plotzki Reis por meio do telefone (67) 99836-4532 ou [email protected] para realizar o cadastro, a coleta e o posterior envio dos materiais.

“A genotipagem permite que os criadores tenham informações detalhadas sobre o potencial genético dos seus animais desde cedo sem precisar esperar pelo desempenho produtivo ou reprodutivo, ou seja, principalmente em touros jovens, esse criador pode utilizar no seu rebanho com uma acurácia, uma confiança maior do que se não tivesse nenhuma informação prévia”, contextualiza Ândrea.



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confira a previsão do tempo para a semana



O tempo mais seco e frio, típico do outono, deve afetar o Sul e Sudeste do país, enquanto as demais regiões são marcadas por temporais e chuva que pode, em algumas áreas, superar os 100 mm. Confira a previsão do tempo do meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, entre segunda (7) e sexta (11).

Sul

A semana começa com instabilidades que devem causar chuva no Rio Grande do Sul, especialmente intensas nas regiões de Uruguaiana e Santa Maria. As temperaturas continuam mais baixas à tarde em todo o Sul. De forma geral, os próximos cinco dias serão de precipitações bem distribuídas em territórios gaúcho e catarinense, com acumulados entre 30 mm e 40 mm. Já no Paraná, o tempo será mais seco, com volumes que não devem ultrapassar os 10 mm, o que pode iniciar um cenário de restrição hídrica sobre as lavouras em desenvolvimento.

Sudeste

A segunda-feira será de continuidade da chuva nas áreas litorâneas de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e no sul de Minas Gerais, com volumes entre 20 mm e 30 mm, sem alertas de temporais. Ao longo da semana, o interior paulista e mineiro terão dias mais secos, sem precipitações significativas, ao passo que lavouras de café capixabas devem ser beneficiadas com a umidade.

Centro-Oeste

A semana inicia com a circulação de ventos formando instabilidades em Mato Grosso, interior de Goiás e na metade norte de Mato Grosso do Sul, com pancadas de chuva mais fortes nos municípios de divisa com o Pará e Amazonas. De segunda à sexta, precipitações bem distribuídas em território mato-grossense, com volumes de cerca de 50 mm. Em Mato Grosso do Sul, a chuva não deve ultrapassar 30 mm. Em Goiás, tempo mais seco nos próximos cinco dias.

Nordeste

A semana começa com a chuva aumentando no Maranhão e no oeste do Piauí, com alerta de temporais. Ao longo da semana, a chuva retorna para a Bahia com volumes entre 30 mm e 40 mm devido a atuação de uma frente fria, o que deve aliviar a restrição hídrica em lavouras e pastagens. Nos demais estados, precipitações entre 20 mm e 30 mm, trazendo umidade para a região do agreste nordestino. Devido a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), a chuva no norte maranhense deve ultrapassar os 100 mm até sexta-feira (11).

Norte

A semana começa com temporais em Manaus, Porto Velho (RO), Rio Branco (AC) e Boa Vista (RR). Ao longo dos dias, chuvas de 100 mm no centro-norte do Amazonas, de Roraima, do Pará e do Amapá, com potencial para danificar estradas. No Acre e em Rondônia, a chuva
também persiste, mas com volume menor, de 50 mm. Situação adversa no Tocantins, com predomínio de tempo quente e seco no centro-sul do estado, enquanto no centro-norte, precipitações de, aproximadamente, 50 mm.



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Cultivo de abóbora, feijão e milho na mesma área otimiza recursos para produtores



A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) iniciou estudos sobre o plantio consorciado de milho crioulo e feijão mangalô no mesmo terreno. A modalidade de cultivo surgiu através do resgate de um antigo sistema da agricultura familiar unindo tradição e eficiência.

O sistema Milpa, que é uma forma muito antiga de cultivo, também conhecido como “três irmãs”, consiste na plantação de milho, feijão e abóbora dentro de uma mesma área. A estratégia foi adotada para a otimizar recursos e gerar segurança alimentar.

“O resgate e manutenção dos milhos crioulos vem sendo realizado por produtores e empresas de pesquisa e, diante disso, vimos como uma oportunidade de inserção do cultivo do feijão mangalô, uma espécie que faz parte do grupo das plantas alimentícias não convencionais (Panc)”, diz a pesquisadora Marinalva Woods, da Epamig.

Mesmo no início da pesquisa, podem se sentir efeitos positivos. A presença de insetos benéficos para o cultivo e o desenvolvimento das plantas com menor índice de efeitos prejudiciais gerados por doenças são alguns deles.

Além disso, a fixação de nitrogênio no solo por parte do feijão mangalô contribui para a melhor formação do milho promovendo uma melhor adaptação em um cenário de mudanças climáticas.

A medida também favorece a segurança alimentar e nutricional. por garantir diversidade de produtos e beneficiar a alimentação da população de maneira geral.

*Com supervisão de Thiago Dantas



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Festival das abelhas traz exposições, bazar e concurso de fotografia em SP


A 4ª edição do Hachimitsu Matsuri, festival dedicado às abelhas, será realizada entre os dias 10 e 13 de abril no Pavilhão Japonês do Parque Ibirapuera, em São Paulo. O evento contará com bazar, exposição de fotos, workshops, palestras e convidados especiais.

Durante os quatro dias, 17 expositores apresentarão produtos ligados às abelhas e ao mel. Entre os destaques gastronômicos, a Na Na Ya Patisserie e a Mori Chazeria trarão doces e bebidas à base de mel.

Neste ano, o evento traz uma novidade: o II Concurso de Fotografia, que premiará os melhores registros de abelhas nas categorias Meliponini (sem ferrão), Euglossini (das orquídeas) e semi-sociais. Os vencedores receberão uma câmera Instax.

Foto: Leonardo Amaro/ Cidade São Paulo

As palestras abordarão temas importantes e pouco divulgados, como observação e registro de abelhas na natureza, a diversidade de méis brasileiros e jardins agroflorestais. Além de uma oficina infantil sobre abelhas sem ferrão como atividade educativa para as crianças.

O evento acontece das 10h às 17h. A entrada será gratuita no primeiro dia (10). Nos demais dias, os ingressos custam R$ 15 (inteira) e R$ 7 (meia).

O Pavilhão Japonês

O Pavilhão Japonês foi construído em 1954 pelo governo japonês e pela comunidade nipo-brasileira como um presente à Prefeitura de São Paulo, em comemoração ao IV Centenário da cidade.

A estrutura foi transportada desmontada, em navio, e utiliza materiais trazidos do Japão, como madeiras especiais, pedras vulcânicas do jardim e lama de Kyoto, que dá textura às paredes. A construção contou com a participação de imigrantes japoneses, que atuaram como voluntários ao lado do corpo técnico vindo do Japão.

Situado às margens do lago do parque, o pavilhão abriga um salão nobre, salas anexas, salão de exposição, um jardim e um lago de carpas, tornando-se um importante símbolo do intercâmbio cultural entre Brasil e Japão.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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AgroNewsPolítica & Agro

Produtores de citros intensificam manejo de pragas



Colheita de bergamota e laranja seguem em andamento




Foto: Seane Lennon

A colheita da bergamota Satsuma Okitsu e de algumas variedades de laranja de umbigo está em andamento na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (3), o retorno das chuvas ajudou na recuperação das folhas, mas frutos e parte da vegetação exposta ao sol sofreram queimaduras, principalmente na bergamota Murcott.

Na região de Erechim, a precipitação reduziu a queda prematura dos frutos, e a expectativa é de que, com a estabilização do clima, o calibre aumente. O preço inicial da laranja destinada à indústria de suco, especialmente das variedades precoces, é de R$ 1,40/kg.

Em Soledade, a colheita da bergamota Okitsu ocorre no Baixo Vale do Rio Pardo. A umidade adequada do solo favoreceu a formação dos frutos, enquanto os produtores intensificam o manejo da mosca-das-frutas, uma das principais pragas da citricultura. Até o momento, a pressão de doenças e outras pragas está baixa.





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AgroNewsPolítica & Agro

Setor agro reage às medidas de Trump e alerta para riscos globais



Associação vê tarifas dos EUA como ameaça à segurança alimentar




Foto: Pixabay

A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) divulgou nota oficial manifestando preocupação com as tarifas adicionais impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil e a outros países. Segundo a entidade, a medida anunciada pelo presidente Donald Trump representa um risco à estabilidade do comércio global e à segurança alimentar de bilhões de pessoas.

De acordo com a nota da ABAG, as tarifas, que começam com alíquota mínima de 10% sobre os produtos brasileiros destinados ao mercado americano, violam as regras multilaterais da Organização Mundial do Comércio (OMC) e tendem a alimentar pressões inflacionárias, além de provocar desaceleração econômica não só nos EUA, mas em diversas regiões do mundo.

“Apenas com cadeias globais facilitadas, canais de comércio desimpedidos e com a flexibilidade necessária é possível garantir o adequado suprimento de alimentos a preços justos”, destaca o comunicado. A associação também lembra que o agronegócio brasileiro é peça-chave na oferta de alimentos com qualidade, segurança e sustentabilidade, abastecendo tanto o Brasil quanto mercados internacionais.

Segundo a ABAG, o setor agrícola nacional estará preparado para enfrentar os desafios impostos pelas tarifas e buscará novas oportunidades no cenário global. A entidade defende a diversificação de mercados e a abertura de novas rotas comerciais como prioridades para o governo brasileiro.

A nota ainda ressalta a importância de uma estratégia diplomática firme por parte do Executivo federal. “Evitar imediatismos e preservar os interesses de longo prazo do país são fundamentais neste momento”, afirma a ABAG, que também vê com bons olhos o avanço do Projeto de Lei 2.088/2023, em tramitação no Congresso Nacional, por oferecer respaldo legal para possíveis medidas de resposta contra ações consideradas abusivas por parte de governos estrangeiros.

Por fim, a associação reforça o papel do agronegócio como base sólida da economia brasileira e agente essencial para garantir segurança alimentar, desenvolvimento sustentável, geração de empregos e avanço tecnológico no país.





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Tarifas de Trump colocam mercado da soja em alerta; preços recuam no Brasil



O mercado global de soja foi abalado nesta semana pelo acirramento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China. A crise começou após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar um pacote de tarifas abrangente, atingindo diferentes parceiros comerciais e sendo especialmente duro com os chineses.

Segundo informações fornecidas pela consultoria Safras & Mercado, em resposta, a China anunciou nesta sexta-feira (4) a imposição de uma tarifa adicional de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA, incluindo a soja.

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A medida impacta diretamente o comércio global do grão e já trouxe consequências para os preços tanto no mercado brasileiro quanto na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nos Estados Unidos.

De acordo com Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, o Brasil pode se beneficiar dessa nova configuração comercial. “Se essas tarifas se mantiverem por mais tempo, o Brasil tende a ganhar espaço no mercado chinês, que hoje é o maior comprador mundial de soja”, afirma.

Rafael Silveira, também analista da Safras & Mercado, avalia que os embarques dos EUA devem sofrer forte queda no segundo semestre. “A China deverá intensificar suas compras no Brasil, principalmente com o avanço da colheita por aqui”, projeta.

Apesar dessa perspectiva positiva para os produtores brasileiros no médio prazo, o impacto imediato das medidas foi negativo. “A política externa de Trump é baixista para todo o complexo soja”, observa o analista Gabriel Viana. “Essas tarifas atingem quase todos os países, e isso pressiona os preços das commodities negociadas nas bolsas norte-americanas”, completa.

Ritmo da colheita de soja no Brasil

A colheita no Brasil já está praticamente encerrada, e a Argentina dá início à sua safra. Segundo os analistas, a demanda global deve, portanto, se deslocar para a América do Sul nos próximos meses.

Enquanto isso, os preços recuaram nos principais mercados do país. O contrato futuro de soja com vencimento em maio caiu 2,44% na semana, cotado a US$ 9,98 por bushel em Chicago, abaixo da marca simbólica de US$ 10.

No mercado físico brasileiro, a desvalorização também foi sentida. Confira os preços da saca de 60 quilos:

  • Porto de Paranaguá (PR): de R$ 133,00 para R$ 131,00
  • Passo Fundo (RS): de R$ 130,00 para R$ 128,00
  • Cascavel (PR): de R$ 126,00 para R$ 124,00
  • Rondonópolis (MT): de R$ 115,00 para R$ 112,00



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