A elefanta africana Pupy, de 36 anos, viveu por mais de três décadas no Ecoparque de Buenos Aires, na Argentina. Com a desativação do local, ela ganhará um novo lar, agora brasileiro.
O animal iniciou viagem na última segunda-feira (14) em direção ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso.
Na operação, intermediada pela unidade de Foz do Iguaçu (PR) da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) e que teve fim nessa última sexta-feira (18), a elefanta foi içada por um guindaste e acomodada em uma grande caixa de transporte sobre um caminhão em um percurso de aproximadamente 2.700 km.
Transporte da elefanta
Foto: Divulgação Vigiagro
Ao longo das mais de 10 horas em que passou sem sair de uma grande caixa de transporte (imagem acima), ela estudou o ambiente e “tomou o tempo dela”, segundo publicação feita pelo santuário nas redes sociais.
De acordo com publicação das redes sociais do SEB, na manhã deste sábado, Pupy estava no galpão dos elefantes africanos. No local, ela jogou terra no corpo, sinal de que a adaptação está funcionando. A expectativa dos tratadores é de que, nos próximos dias, ela saia de lá e viva em liberdade no santuário, local que conta com uma área de 51 mil metros quadrados e deve marcar uma nova fase na vida de Pupy, com mais espaço, liberdade e bem-estar.
Para viabilizar a importação, o Vigiagro analisou toda a documentação sanitária da espécime, verificou o cumprimento das exigências do certificado veterinário internacional e fiscalizou a entrada dela em território nacional.
O animal chegou ao antigo zoológico do país vizinho em 1993 e, desde então, viveu ao lado da elefanta Kuky, falecida em outubro de 2024. Agora, Pupy será a primeira elefanta africana – cuja expectativa de vida é de até 70 anos – a habitar o santuário brasileiro, que já abriga cinco elefantes de outras espécies.
“Estamos animados para vê-la redescobrir o que significa ser um elefante novamente”, disse Kat Blais, cofundadora e diretora de Bem-Estar do SEB.
As organizações Global Sanctuary for Elephants (GSE) e o Elephant Voices também colaboraram na tarefa de trazer a elefanta ao Brasil, ação que vem sendo planejado “há anos”, segundo nota do SEB.
O Projeto de Lei 119/2023, em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), foi discutido em audiência pública com mais de 700 fumicultores de 18 municípios do estado na última terça-feira (15).
A intenção foi a de ouvir os produtores de tabaco a respeito da iniciativa que pretende obrigar a agroindústria a fazer a classificação da matéria-prima dentro da propriedade, na hora da aquisição do produto.
Assim, o objetivo é o de mudar a atual metodologia, visto que hoje a comercialização do tabaco segue um sistema de classificação estabelecido pelo Ministério da Agricultura de Pecuária (Mapa), por meio de instrução normativa, que determina o preço pago aos produtores.
No entanto, sindicatos rurais paranaenses reclamam que centralizar a classificação em poucas unidades favorece as empresas compradoras, prejudicando, muitas vezes, os produtores, que ficam distantes do processo de análise da sua produção.
O presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, acredita que o PL, se aprovado, vai fortalecer a atividade dentro da porteira, dando mais autonomia ao fumicultor.
“Esse projeto de lei vai contribuir muito para os nossos produtores de tabaco, pois corrige uma distorção histórica e garante que o fumicultor acompanhe e até conteste a classificação do seu tabaco, colocando-o no centro da cadeia produtiva. Com essa mudança, o produtor vai receber o valor real da qualidade do seu produto, não ficando mais refém da indústria”, considera.
Famílias produtoras de tabaco
O presidente da Alep, Alexandre Curi, também enfatizou a importância da cadeia produtiva do tabaco no Paraná, que representa o sustento de 28 mil famílias do estado. “Nosso objetivo não é politizar. Temos um projeto importante e o nosso compromisso é, antes de aprovar ou não, debater com quem está no dia a dia”, ressaltou.
Atualmente, o Paraná é o terceiro maior produtor de tabaco do Brasil, atrás do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Assim, cerca de 95% da produção brasileira da planta está concentradas nos estados da Região Sul, dividida em 320 mil hectares cultivados.
Além disso, o Brasil é o maior exportador da commodity do mundo, respondendo anualmente por 20% a 30% de todo o comércio global.
Ao final da audiência pública, foi anunciada a criação de uma Comissão Especial para discutir e aprimorar o texto que, de acordo com os parlamentares, visa proteger o elo mais fraco da cadeia, que é o produtor e, ao menos, equilibrar a relação com a indústria do tabaco.
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A fiscalização também enfrentou momentos de tensão – Foto: Divulgação
Auditores fiscais federais agropecuários apreenderam mais de 54 mil litros de vinhos, cachaças e vinagres durante a Operação Sangria III, realizada em Bituruna (PR), conhecida como a “capital do vinho”. Os produtos, avaliados em mais de R$ 1 milhão, apresentavam graves irregularidades sanitárias. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), análises laboratoriais detectaram a presença de carbamato de etila — substância cancerígena — em níveis até cinco vezes acima do permitido.
Coordenada pelo Serviço Regional de Operações Avançadas de Fiscalização (SERFIC/DIPOV) e pela Coordenação de Operações e Pronta Resposta (CORESP/DTEC), com apoio da Polícia Militar e da Polícia Civil do Paraná, a operação constatou ainda o uso de vinhos vencidos, recipientes reutilizados de produtos sanitizantes, ingredientes não autorizados e completa ausência de controle sanitário no setor de produção de vinagres, que foi interditado.
A fiscalização também enfrentou momentos de tensão. Um dos sócios da empresa, já conhecido por ameaçar fiscais com arma de fogo em 2019, voltou a se exaltar, exigindo a intervenção da polícia para garantir a segurança da equipe. “A fiscalização exercida pelos auditores fiscais federais agropecuários é uma barreira essencial contra fraudes que colocam em risco o consumidor e comprometem a imagem de setores produtivos sérios e regulamentados. Por isso, é urgente garantir a segurança dos profissionais da carreira durante essas operações, que muitas vezes ocorrem em ambientes hostis”, destacou o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo.
A Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) somou 60.543 registros de bovinos e equinos em 2024, crescimento de 44,2% em relação a 2023, quando 41.978 animais passaram por este processo.
De acordo com a superintendente de Registros da entidade, Silvia Freitas, o aumento histórico se deve à melhoria de perspectivas no mercado de corte e no trabalho de conscientização dos pecuaristas feito pelo setor, especialmente quando o assunto é a necessidade de melhoramento genético e, consequentemente, de registro genealógico.
Ao fazer o procedimento, o criador passa a contar com uma escrituração zootécnica completa e atualizada de seu rebanho, o que inclui detalhes precisos sobre cada animal, como identificação, datas de nascimento, pedigree e outras informações relevantes.
“Sempre defendemos que só aumenta a lucratividade o produtor que consegue mensurar e conhecer os seus animais, que consegue gerir o seu negócio da maneira mais lucrativa possível”, diz Silvia.
Segundo ela, para seguir aumentando os números, a ANC simplificou o processo de registro, deixando-o mais intuitivo, o que leva ao aumento do uso da plataforma e, também, das taxas de registro de novas raças.
Melhorias no manejo
A profissional também detalha que o registro do bovino ou equino na ANC garante um controle rigoroso e eficaz das linhagens genéticas e de reprodução do animal, o que permite monitorar de perto as características de interesse do rebanho e tomar decisões mais precisas sobre futuros acasalamentos.
Assim, posteriormente, o criador informa à Associação os nascimentos resultantes das coberturas previamente comunicadas, cujos registros incluem dados detalhados sobre os animais nascidos, como data, identificação dos pais e peso ao nascer.
Futuro promissor
Outra vantagem da prática é que animais devidamente registrados possuem, geralmente, maior valor de mercado, visto que os compradores confiam mais na procedência e qualidade dos indivíduos com histórico documentado.
Segundo Silvia, as expectativas do setor para os próximos anos são positivas porque os pecuaristas estão buscando conhecimento, apoiado em genética, para aumentar a sua lucratividade.
“Estamos vivendo um momento de ascensão no mercado por conta do ciclo pecuário, mas sabemos que, daqui a pouco, possivelmente enfrentaremos dificuldades novamente, mas a gente sabe que o pecuarista quando está bem organizado poderá ter momentos difíceis que, mesmo assim, estará preparado para atravessar essa fase com a maior lucratividade possível.”
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O jejum deve ocorrer entre 8 e 12 horas antes do abate – Foto: Embrapa – MORÉS, Nelson
O correto manejo pré-abate dos suínos influencia diretamente o bem-estar animal e a qualidade da carne, destaca a zootecnista Letícia Matoso, da Auster Nutrição Animal. Etapas como jejum adequado, transporte sem estresse e descanso no frigorífico são fundamentais. A preparação começa ainda na granja, com a verificação das condições de saúde, organização da documentação e definição da logística de embarque.
Um dos pontos cruciais é o cálculo da densidade de transporte, que deve considerar o peso vivo dos animais. Com base na Instrução Normativa 113, usa-se a fórmula A = 0,027 x PV^0,667 para garantir espaço suficiente por animal. Para um suíno de 124 kg, por exemplo, são necessários cerca de 0,67 m² por cabeça no caminhão. Isso evita lesões e assegura conforto térmico durante o trajeto.
O jejum deve ocorrer entre 8 e 12 horas antes do abate, mantendo o acesso à água e, se possível, promovendo enriquecimento ambiental nas baias. O tempo total de jejum não pode ultrapassar 18 horas, somando a permanência na granja, transporte e descanso no frigorífico. O ambiente de embarque também precisa ser adaptado para facilitar a movimentação dos suínos, que são animais pesados e sedentários.
“Os procedimentos de manejo devem priorizar o conforto dos animais e ser seguidos rigorosamente por todos os estabelecimentos de produção e processamento de carne. A qualidade final do produto depende de diversos fatores, como genética, sanidade e nutrição, mas, acima de tudo, da excelência na execução dos manejos em todas as etapas da produção nas granjas”, ressalta a zootecnista Letícia Matoso, da Auster Nutrição Animal.
A soja é a principal commodity agrícola do Brasil há anos e, na safra 2024/25, deve bater recorde de produção, com 167,9 milhões de toneladas, aumento de 20,1 milhões de toneladas em comparação ao ciclo passado, de acordo com levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
No entanto, as pragas que afetam as lavouras da oleaginosa têm se desenvolvido em igual proporção. Para combatê-las, a nanotecnologia pode ser uma aliada revolucionária.
Estudos da Embrapa Soja indicam que os percevejos, por exemplo, podem reduzir a produtividade do grão em até 30%, resultando em perdas estimadas em mais de R$ 12 bilhões por temporada.
Da mesma forma, nematoides são responsáveis por perdas de uma safra a cada dez, acumulando prejuízos de aproximadamente R$ 374 bilhões ao longo de uma década.
A ferrugem-asiática também está na lista das principais ameaças. Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a doença já gerou perdas superiores a R$ 150 bilhões desde sua identificação no país.
Solução nanotecnológica
As perdas econômicas na cultura da soja proporcionadas por essas pragas ressaltam a importância de estratégias eficazes de manejo.
Pesquisadores membros do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro) desenvolveram um sistema avançado de liberação de pesticidas utilizando nanopartículas de policaprolactona (PCL) para encapsular o lufenuron, um regulador de crescimento de insetos amplamente usado no combate à lagarta falsa-medideira (Rachiplusia nu).
Assim, a pesquisa desenvolvida, focada em melhorar a estabilidade, eficácia e segurança ambiental dos pesticidas, testou as novas formulações nanoencapsuladas em laboratório (in vitro) e em condições semi abertas (in vivo).
Entre os resultados apreendidos está o de que tanto a versão nano quanto a formulação comercial convencional eliminaram quase 100% das larvas da praga na dose máxima. No entanto, o diferencial da versão nanoencapsulada foi manter altos níveis de eficácia mesmo em doses mais baixas.
De acordo com os pesquisadores, a nanotecnologia utilizada garante maior proteção do ingrediente ativo, controle gradual da liberação do produto e menor degradação ao longo do tempo.
“As nanopartículas funcionam como pequenas cápsulas que liberam o pesticida de forma mais controlada, mantendo sua ação por mais tempo e exigindo menos aplicações”, explica Marcos Lenz, um dos pesquisadores envolvidos no estudo.
Controle da praga da soja
Foto: Divulgação
Os ensaios realizados demonstraram que, em ambiente realista (in vivo), a formulação manteve uma taxa de controle acima de 90% na concentração recomendada. O desempenho caiu em concentrações menores, mas os pesquisadores veem isso como um passo importante para o futuro dos nanopesticidas.
“É crucial continuar testando essas formulações em diferentes condições ambientais para entender como elas se comportam no campo. O objetivo é afinar a concentração do ingrediente ativo nas nanopartículas, ampliando ainda mais sua competitividade e sustentabilidade”, afirma Lenz.
Para ele, essa estratégia, ao mesmo tempo eficiente e menos agressiva ao meio ambiente, pode ser um divisor de águas para o agronegócio — especialmente em um contexto onde o uso excessivo de defensivos agrícolas é alvo de críticas crescentes.
Uso em outras culturas
A expectativa dos pesquisadores do INCT NanoAgro é que as pesquisas avancem para otimizar ainda mais a concentração do ingrediente ativo nas nanopartículas e expandir os testes em diferentes tipos de culturas e climas.
Segundo Lenz, a longo prazo, tecnologias como essa podem reduzir drasticamente o volume de pesticidas usados nas plantações, preservando a produtividade sem comprometer a biodiversidade.
Uma quantidade atípica de soja brasileira foi comprada pela China na semana passada, entre os dias 7 e 10 de abril, em meio à escalada das tensões comerciais entre o gigante asiático e os Estados Unidos.
A informação, que partiu de reportagem da Bloomberg, detalha que ao menos 40 cargas do grão foram adquiridas, o equivalente a mais de 2,4 milhões de toneladas – quase um terço do volume médio que os chineses costumam processar por mês – com entregas programadas, em sua maioria, para maio, junho e julho.
O movimento ocorre no instante em que as transações comerciais entre as duas principais potências econômicas do mundo segue inviável, uma vez que Donald Trump fixou tarifas de importação que podem chegar a 245% aos chineses, que responderam na mesma moeda, com elevação de taxas.
O peúltimo relatório para a soja do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), inclusive, já havia detectado o avanço da demanda internacional por soja brasileira com o crescimento das negociações no mercado spot no fim de março.
Preferência pela soja brasileira
A soja é a principal commodity agrícola exportada pelos Estados Unidos à China. Contudo, o Brasil assumido protagonismo global nos embarques da oleaginosa aos asiáticos, os maiores compradores do grão.
Como movimento natural de mercado por conta da época da colheita da safra brasileira, as compras chinesas começam em fevereiro, contudo, as aquisições desta semana foram “excepcionalmente significativas e rápidas”, afirmam fontes ouvidas pela Bloomberg, não identificadas pela agência.
Neste cenário, os importadores também foram atraídos pelas margens mais altas no processamento interno da soja após as altas no farelo.
Agora, a expectativa de analistas é que a soja brasileira fique mais cara, visto que a China deve dar preferência ao país e evitar a commodity norte-americana no quarto trimestre, época em que costuma recorrer à oferta da nova safra produzida por lá.
De acordo com o último relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nessa quinta-feira (10), o Brasil deve produzir 167,9 milhões de toneladas de soja na safra 2024/25, 20,1 milhões de toneladas a mais do que o registrado na temporada passada.
Hora de vender
Em entrevista ao Canal Rural, o analista de mercado Carlos Cogo, as tensões comerciais entre Estados Unidos e China traz a oportunidade de o produtor avançar na comercialização antecipada não apenas de soja, mas também carne bovina e suína, café e algodão.
“O Brasil já é líder global nas exportações de soja, café e algodão. No caso da pluma, atingiu o posto em 2024 e se mantém em 2025, enquanto no café ocupa a primeira posição há muitos anos. Quanto ao algodão, assim como na soja, os Estados Unidos são ainda um grande supridor do mercado chinês, abastecendo em torno de 20% da demanda importadora asiática, mas, provavelmente, parte desse volume vai ser deslocado para o Brasil”, acredita.
Apesar desse provável ganho de mercado para o Brasil, Cogo ressalta que o produtor rural deve ter em mente que se tratam de benefícios temporários, visto que um acordo comercial entre Estados Unidos e China é dado como certo, ainda que não tenha data para ocorrer. “Pode ser daqui a uma semana, como também daqui há um ano.”
“Vale a pena olhar para ‘Trump 1’, quando Donald Trump assumiu [a presidência dos EUA] pela primeira vez em 2018. Naquela época, os preços e prêmios subiram, mas quando saiu o acordo comercial [com a China], chamado de Fase 1 naquele momento, os preços futuros das commodities subiram e os prêmios cederam”, lembra.
O analista considera que o mundo viverá a mesma situação comercial de anos atrás. “Nos bastidores, os departamentos de comércio de ambos os países estão traçando uma negociação para um acordo comercial. E o que os Estados Unidos teriam para oferecer que a China precisa? Grãos, fibras e carnes, assim como ocorreu no acordo anterior [do primeiro mandato de Trump].”
Diante dessa futura realidade, os preços futuros ficariam mais fortes pela demanda por commodities norte-americanas, mas, por outro lado, os prêmios nos portos brasileiros podem sofrer quedas acentuadas.
Assim, para o analista, o produtor brasileiro precisa aproveitar o momento para avançar na comercialização futura, principalmente de soja, café e algodão antes que o acordo entre chineses e norte-americanos seja assinado.
O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, apresentou no início da semana para o presidente Luíz Inácio Lula da Silva medidas para ampliação do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA).
Em reunião com o chefe do Executivo, Fávaro citou a possibilidade da participação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) na capacitação aos produtores por meio de parceria técnica.
A ideia do ministério é ampliar o alcance do Sistema nos municípios brasileiros e avançar no número de estabelecimentos cadastrados. O Sisbi-Poa concede o selo nacional a produtos pecuários que atendam aos requisitos de sanidade e manipulação. A meta da pasta é que até o fim do ano 1,8 mil municípios façam a adesão ao Sisbi-Poa, ante os atuais 970.
Esse número já avançou, visto que no início de 2023 eram 380 municípios que haviam adotado a iniciativa. Em março, o governo federal havia anunciado a meta de aumentar a aplicação do sistema de vigilância para 3 mil municípios ao fim de 2026.
Inflação dos alimentos
A ampliação do Sisbi-Poa integra também as medidas do governo para enfrentamento da inflação de alimentos. A avaliação de técnicos é que o maior número de produtos aptos a serem comercializados em todo o país amplia a oferta nacional destes itens, contribuindo para contenção dos preços.
Em março, o governo federal autorizou por um ano a equivalência do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), responsável pela inspeção de produtos de origem animal localmente à abrangência do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi). A medida foi autorizada para produtos como leite, mel e ovos, dentre o anúncio de medidas para barateamento dos preços dos alimentos.
O Sisbi, que integra o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), padroniza e harmoniza os procedimentos de inspeção de produtos de origem animal para garantir a inocuidade e segurança alimentar, segundo informações oficiais do ministério. Agora, o Sisbi permite que os produtos de origem animal inspecionados no município sejam comercializados em todo o território nacional.
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“Essas soluções destacam-se pela eficácia” – Foto: Pixabay
Durante o 25º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó (SC), a Phibro Saúde Animal apresentou ao mercado seu mais novo aditivo probiótico: o MicroLife® Prime. Desenvolvido a partir de anos de pesquisa, o produto é composto por cepas selecionadas de Bacillus e chega para fortalecer o portfólio da empresa voltado ao bem-estar e à produtividade das aves, com foco em práticas sustentáveis e alinhadas ao bem-estar animal.
Segundo Bruna Boaro Martins, gerente de produtos da Phibro, o MicroLife® Prime foi formulado para atuar diretamente na saúde do microbioma gastrointestinal, promovendo melhor desempenho zootécnico, eficiência alimentar, redução da mortalidade e controle de patógenos. “A avicultura enfrenta desafios constantes, incluindo pressões regulatórias, variações de mercado e restrição ao uso de antibióticos. Nesse cenário, probióticos destacam-se como uma solução eficaz para melhorar a produtividade e a saúde dos plantéis, respondendo a esses desafios da atividade de maneira sustentável”, explica.
Além do lançamento, a empresa também apresentou o protocolo Rotação de Fato, voltado à prevenção da coccidiose, e reforçou sua linha de vacinas Phibro Safety, que inclui soluções como Tabic IBVAR 206, MB-1, Salmin Plus, Phivax SLE e PhiShield, com foco no controle de enfermidades-chave da avicultura. “Essas soluções destacam-se pela eficácia e pela contribuição à saúde e ao bem-estar das aves, refletindo o compromisso da Phibro com a inovação e a sustentabilidade no setor avícola”, explica a gerente de produtos e serviços técnicos para linha de especialidades nutricionais da Phibro.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Embrapa indica que cerca de 46% das doenças agrícolas que ocorrem no Brasil devem se tornar mais severas até o ano de 2100, com impacto direto sobre culturas estratégicas como arroz, milho, soja, café, cana-de-açúcar, hortaliças e frutas. O aumento da temperatura e as alterações no regime de chuvas devem favorecer fungos, vírus e vetores, exigindo do país uma reestruturação nos sistemas de monitoramento e controle fitossanitário.
A projeção vem de uma ampla revisão científica que avaliou 304 patossistemas (conjunto formado por patógeno e planta hospedeira) relacionados a 32 das principais culturas agrícolas brasileiras. O levantamento mostra que os fungos são os patógenos mais recorrentes, presentes em quase 80% dos casos avaliados.
O estudo destaca que o aumento médio da temperatura pode ultrapassar os 4,5°C em algumas regiões brasileiras até o fim do século, se o mundo não tomar medidas para frear as mudanças climáticas. Para doenças causadas por fungos, como antracnose e oídio, esse cenário cria condições ideais para a proliferação. Alterações nas chuvas, com períodos mais secos ou intensamente úmidos, também interferem na dinâmica das doenças.
“A previsão de doenças em um cenário de mudança climática é um desafio complexo que exige a continuidade das pesquisas e implementação de novas estratégias de adaptação”, afirma a pesquisadora Francislene Angelotti, da Embrapa Semiárido (PE). Ela ainda enfatiza a importância de investimentos para fortalecer os sistemas e estruturas fitossanitários nacionais e promover a inovação científica para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Vetores em expansão
Não são apenas os fungos que preocupam. As doenças transmitidas por vetores, como pulgões, cochonilhas, tripes, moscas-brancas e ácaros, também devem aumentar de importância em todo o território nacional. Segundo o pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente (SP), o ciclo de vida desses insetos se torna mais curto com o calor, e a sua longevidade tende a aumentar. Isso significa populações maiores, mais ativas e por mais tempo durante o ano. A consequência é um risco elevado para culturas como batata, banana, tomate, citros e milho, que já são afetados por essas pragas.
Impacto sobre defensivos agrícolas
Pesquisas apontam que as mudanças climáticas podem afetar a eficácia dos defensivos agrícolas, exigindo ajustes nas estratégias de controle fitossanitário. Toda a dinâmica dos fungicidas nas plantas (a maneira como eles são absorvidos, transportados e degradados) pode se alterar com o novo cenário climático o qual também provocará alterações morfológicas e fisiológicas nas plantas.
Com isso, o uso de produtos químicos pode se tornar menos eficiente ou exigir mais aplicações, o que aumenta custos e riscos ambientais. Esse cenário já impulsiona a busca por alternativas, especialmente os chamados agentes biológicos de controle, como os biopesticidas.
Brasil é líder em biocontrole, mas precisa avançar
O Brasil é hoje o maior produtor e consumidor de biopesticidas no mundo e tem a maior área agrícola sob controle biológico. Segundo projeção da consultoria Research and Markets, o mercado global desses produtos deve atingir 19,49 bilhões de dólares até 2030.
Apesar do protagonismo, pesquisadores alertam que o País precisa reforçar a adaptação desses bioagentes às novas condições climáticas. “Precisamos desenvolver, com urgência, bioherbicidas e produtos biológicos que aumentem a eficiência do uso de nitrogênio e reduzam o estresse abiótico das plantas”, defende Bettiol. Ele também defende o avanço na criação de soluções biológicas para o controle de doenças estratégicas como a ferrugem asiática da soja e a ferrugem do cafeeiro, além da seleção de agentes de biocontrole adaptados ao novo clima.
Monitoramento e ação coordenada
Diante do cenário projetado, os especialistas recomendam uma combinação de ações para proteger os campos brasileiros como análise de risco, prevenção, adaptação, fortalecimento da vigilância fitossanitária, ampliação de investimentos em pesquisa e incentivo à cooperação internacional. Entre as medidas de curto prazo estão o uso de sistemas de cultivo diversificados, a integração de diferentes tecnologias de manejo, o emprego de agentes biológicos e a adoção de modelos de previsão e alerta de epidemias.
“O enfrentamento desses desafios exige políticas públicas eficazes e um esforço coordenado entre agricultores, cientistas e governos para garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade do setor agrícola”, reforça Angelotti. Ela destaca que a adaptação às mudanças climáticas no campo não pode depender apenas dos agricultores: é preciso uma articulação entre ciência, governo e setor produtivo.
Risco fitossanitário é estratégico para o País
O estudo também aponta para a ampla gama de patógenos vegetais do Brasil, em função de sua diversidade agrícola que se estende por um vasto território com climas variados, abrangendo plantas tropicais e temperadas. Essas características reforçam a necessidade da realização de avaliações regionalizadas com base na dinâmica dos problemas fitossanitários nas diferentes áreas produtoras e em cenários futuros.
A pesquisadora Emília Hamada, da Embrapa Meio Ambiente, enfatiza a importância de estudos sobre a distribuição espacial e temporal de patógenos nos cenários de risco às mudanças climáticas. Para ela, é necessário que eles contenham experimentações em condições de campo para identificar a vulnerabilidade e adotar medidas de proteção aos sistemas de cultivo.
Ela conta que as projeções climáticas indicam aumentos de temperatura no Brasil de até 4,5°C até 2100, em determinadas regiões e estações do ano. Além disso, Hamada explica, que os resultados indicam agravamento do risco de doenças fúngicas, como antracnose e oídio, em função dos aumentos de temperatura e alterações no regime de chuvas, a depender da região do país.
Os cenários de risco são cruciais para identificar a vulnerabilidade dos sistemas de cultivo a doenças em cenários de mudanças climáticas e mais avanços científicos são necessários para prevenir efetivamente danos econômicos e ambientais, complementa Hamada.
O estudo da Embrapa destaca que as mudanças climáticas já estão moldando o futuro da agricultura brasileira. Se nada for feito, os prejuízos econômicos e ambientais podem ser severos. Mas, com planejamento, inovação e ações coordenadas, o país pode transformar o desafio em oportunidade para modernizar seu sistema de defesa vegetal.