O governo publicou, nesta segunda-feira (15), Portarias Interministeriais que estabelecem parâmetros para a concessão de subvenção econômica, na forma de equalização de preços, para o arroz em casca da safra 2024/25 e para o trigo em grãos da safra 2025/26, no valor de R$ 167 milhões.
A medida, enquadrada na Política de Garantia dos Preços Mínimos (PGPM), pretende garantir renda aos produtores, estimular o escoamento da produção nacional e contribuir para o equilíbrio do mercado agrícola, informou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em comunicado.
A subvenção será operacionalizada por meio do pagamento do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural ou sua Cooperativa (Pepro) e do Prêmio para Escoamento de Produto (Pep), ofertados em leilões públicos a serem realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Para o arroz em casca, o montante de recursos destinado à política é de até R$ 100 milhões. Os preços mínimos vigentes foram fixados em R$ 63,64 por saca de 50 kg para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e em R$ 80,00 por saca de 60 kg para o estado do Paraná e para as regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste.
Em relação ao trigo em grãos, o volume total de recursos previsto é de até R$ 67 milhões, mas o benefício está condicionado ao escoamento do produto para fora da região produtora. Adicionalmente, a subvenção para o trigo será concedida apenas ao produto nacional e somente quando o preço de mercado estiver abaixo do preço mínimo vigente para a safra.
A participação nos leilões do Pepro é permitida a produtores rurais e cooperativas de produtores rurais. Já nos leilões do PEP, poderão participar, no caso do trigo, as indústrias moageiras e os comerciantes de cereais e, no caso do arroz, as indústrias e os comerciantes de cereais.
O Brasil voltou a conviver com um conflito institucional de alto impacto. De um lado, o Congresso Nacional tenta avançar com uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para estabelecer o marco temporal, fixando a promulgação da Constituição de 1988 como limite para a demarcação de terras indígenas. De outro, o Supremo Tribunal Federal (STF) já iniciou julgamento no sentido oposto, com votos contrários ao marco temporal, ampliando o alcance das demarcações.
O resultado desse choque entre Legislativo e Judiciário é um só: insegurança jurídica.
Hoje, produtores rurais que ocupam e produzem legalmente suas terras vivem sob o risco permanente de perder áreas produtivas por decisões futuras, muitas vezes retroativas, baseadas em interpretações abertas sobre ocupação indígena. Isso não é um detalhe técnico. É um fator que paralisa investimentos, encarece crédito, reduz produtividade e cria um clima de instabilidade no campo.
O Congresso tenta resolver o problema por meio de uma PEC, elevando o marco temporal ao nível constitucional. Caso seja aprovada e sancionada, cria-se um novo patamar jurídico. Ainda assim, parte da comunidade jurídica argumenta que o Supremo poderia questionar essa mudança com base nas chamadas cláusulas pétreas da Constituição, alegando proteção a direitos fundamentais.
Esse cenário transforma o debate em um verdadeiro “nó jurídico”, em que ninguém sabe, de fato, qual regra vai prevalecer amanhã. E quando a regra do jogo muda durante a partida, o investimento simplesmente recua.
O peso do agro na economia brasileira
Essa insegurança não recai sobre um setor qualquer. O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira, responsável por parcela significativa do PIB, do emprego e, sobretudo, do saldo comercial do país. Colocar uma “espada sobre a cabeça” do agro significa fragilizar justamente o setor que sustenta a economia em momentos de crise.
Nenhum país cresce punindo quem produz. Nenhuma nação se desenvolve criando dúvidas permanentes sobre o direito de propriedade.
Entendo que há um ponto central que costuma ser ignorado nesse debate: os povos indígenas já detêm cerca de 14% do território nacional. O problema enfrentado por essas comunidades não é, majoritariamente, a falta de terras.
O drama indígena hoje é outro. Em muitas áreas, aldeias são dominadas por garimpeiros ilegais, desmatadores, traficantes de armas e facções criminosas. Crianças sofrem com desnutrição, falta de atendimento médico, ausência de escolas e abandono do Estado. Isso não se resolve com mais hectares no papel, mas com presença efetiva do poder público.
Cidadania significa saúde, educação, segurança, proteção territorial real e integração produtiva. Sem isso, ampliar terras é apenas empurrar o problema para dentro da floresta, deixando populações vulneráveis à mercê do crime organizado.
Uma escolha que o Brasil precisa fazer
O debate sobre o marco temporal deveria ser uma oportunidade para o país buscar equilíbrio: proteger os direitos indígenas sem destruir a segurança jurídica e a capacidade produtiva do campo. Transformar essa discussão em uma guerra institucional só amplia a instabilidade e afasta soluções reais.
O Brasil precisa decidir se quer enfrentar os problemas com seriedade ou continuar apostando em decisões simbólicas, que parecem virtuosas no discurso, mas fracassam na prática.
Os povos indígenas precisam de cidadania. O campo precisa de segurança jurídica. E o país precisa de responsabilidade institucional. Sem isso, todos perdem.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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Se o agro pudesse escolher a maior preocupação neste ano, provavelmente as opções se dividiriam entre o aumento da inadimplência e dos pedidos de recuperação judicial. Com 2025 próximo do fim, as atenções se voltam para os impactos no crédito rural, que segue restrito, diante de um cenário de juros altos e margens apertadas no campo.
Contudo, o cenário não representa a realidade do agronegócio como um todo. Pelo menos essa é a avaliação do vice-presidente de agronegócios e agricultura familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt. Ele afirma que 94,7% dos clientes do banco estão adimplentes e a carteira da instituição continua saudável.
“O aumento da inadimplência tem sido localizado e não é um problema generalizado do agro brasileiro. Ele se concentra em alguns setores, regiões e, principalmente em crédito a taxas livres”, diz. Os números, por outro lado, mostram que o alerta não é infundado.
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o atraso nas operações contratadas a taxas de mercado chegou a 11,4% em outubro. Esse é o maior patamar desde o início da série histórica, iniciada em 2011. Já as recuperações judiciais mais do que dobraram no trimestre encerrado em outubro, de acordo com dados da Serasa Experian. Foram 628 requisições, contra às 254 registradas no mesmo período de 2024.
Sobre o aumento do endividamento no agro, Bitencourt explica que há um descompasso entre as receitas e os compromissos financeiros dos produtores, o que compromete o fluxo de caixa das propriedades.
“Essa redução na disponibilidade de recursos ocorre por causa de uma combinação de fatores, como investimentos feitos em máquinas com preços acima da média e aumento dos custos com arrendamento”, afirma. O vice-presidente do BB cita ainda a renegociação em decorrência de perdas de produção e o impacto dos juros altos nos custos.
Diante disso, o Banco do Brasil aposta em novas estratégias, como o aprimoramento dos modelos de risco e mudanças na qualificação de garantias. “Passamos a olhar por setor, região, perfil de produtor e a exigir garantias mais robustas onde o risco tem se mostrado mais elevado”, esclarece Bittencourt. Ele também admite que a instituição está mais rigorosa na forma de olhar a carteira de crédito.
Seguro rural é importante, mas não é solução
A ampliação da cobertura do seguro rural aparece entre as possíveis soluções para o cenário de crise. Porém, o quadro de inadimplência observado atualmente não decorre, em sua maioria, de perda de produção por clima.
“Seguro rural é sempre positivo. Quanto mais seguro, seja climático ou de preço, melhor para o produtor e para as instituições. Mas a origem principal está no fluxo de caixa”, reforça Bittencourt.
Sobre o Plano Safra 2025/26, o Banco do Brasil destaca que desembolsou R$ 87 bilhões em crédito rural e na cadeia de valor do agro, e que acompanha o andamento da produção no país. Conforme o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deve colher 354,4 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 0,6% em relação ao ciclo anterior.
Demanda permaneceu enfraquecida, com mais empresas reduzindo o esmagamento
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Foto: Canva
Apesar de chuvas terem limitado o avanço da colheita de mandioca no início da semana passada, a disponibilidade de matéria-prima seguiu elevada no período, aponta o Cepea. Produtores continuaram mostrando interesse na comercialização, visando se capitalizar ou com expectativas baixistas para o início de 2026, conforme explicam pesquisadores.
Por outro lado, a demanda permaneceu enfraquecida, com mais empresas reduzindo o esmagamento ou já em férias coletivas. Como resultado, levantamentos do Cepea mostram que os preços da raiz caíram pela sexta semana consecutiva. Entre 8 e 12 de dezembro, a média nominal a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 515,16 (R$ 0,8959/grama de amido), queda de 2,94% em relação ao intervalo anterior e de 8,4% no acumulado das últimas quatro semanas.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aguarda a aprovação do orçamento de R$ 700 milhões necessários aos preparativos do já atrasado Censo Agropecuário em 2026, para que possa ir à coleta de campo em 2027. O cronograma inicial previa os preparativos em 2025 e coleta em campo em 2026, mas foi adiado por falta das verbas demandadas no orçamento da União.
“Diante das dificuldades de dotação orçamentária, (…) a gente teve que fazer o replanejamento das ações. O ano de 2026, que seria originalmente um ano de coleta, ele passou a ser um ano de preparação, com o início de uma etapa de cadastro no final de 2026, com a coleta iniciando em abril de 2027”, disse Fernando Damasco, coordenador-geral de Operações Censitárias do IBGE. “É importante registrar que o ano de 2025 seria o ano da preparação, mas foi um ano em que a gente não teve dotação orçamentária para o censo, diante de uma série de dificuldades relacionadas ao orçamento da União. Então todo esse planejamento foi reposicionado para 2026 e 2027.”
O levantamento censitário prevê a coleta de informações de cerca de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários em todo o país. No novo cronograma, caso os recursos previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual estejam garantidos, o IBGE dará início em outubro de 2026 ao cadastro de estabelecimentos para coleta de dados online, que começaria a ser feita em janeiro de 2027. Em abril de 2027 teria início a coleta presencial.
A efetivação do cronograma atualmente vigente ainda depende da confirmação da dotação orçamentária para 2026 e da aprovação do processo seletivo simplificado para contratação de trabalhadores temporários para o levantamento. Devido ao período de defeso eleitoral, o instituto precisaria da homologação do processo seletivo até o início de julho de 2026, caso contrário, por limitação da legislação, só seria possível convocar os aprovados em janeiro de 2027.
“Então, são restrições a que o IBGE está submetido”, disse Damasco. “Esses dois condicionantes são cruciais, porque se eles não se concretizarem, o IBGE não tem as condições necessárias para realizar a pesquisa”, alertou.
A verba para os preparativos envolvem a viabilização de testes, contratação de analistas censitários e aquisições de equipamentos, entre eles aproximadamente 27 mil tablets.
“A gente tá recebendo a sinalização de R$ 700 milhões, a gente entende que é um orçamento suficiente para as etapas preparatórias. Agora, ele não é suficiente para realização da coleta”, frisou Damasco.
A equipe técnica tinha estimado inicialmente um orçamento de mais R$ 1,8 bilhão para o ano de coleta do censo, mas prevê ajustes para adequar o montante às necessidades de atração e retenção de mão de obra, além de encarecimento de custos como combustíveis, por exemplo.
O primeiro pré-teste do Censo Agropecuário foi realizado entre os dias 1º e 12 de dezembro, em seis municípios: Alfenas (MG), Grão Mogol (MG), Bacabal (MA), Sobradinho (BA), Juazeiro (BA) e Nova Friburgo (RJ). Segundo o instituto, o principal objetivo era avaliar aspectos como logística, metodologia, uso do aplicativo de coleta, tempo de aplicação e compreensão dos informantes sobre o questionário.
“São municípios com uma diversidade significativa de biomas, que reúnem diferentes padrões produtivos, uma diversidade de estrutura fundiária bastante importante”, lembrou Damasco.
O censo passará a investigar mais detalhadamente na próxima edição temas como expectativa do produtor sobre sucessão familiar, perdas decorrentes de alterações climáticas, destino municipal da produção e uso de tecnologias. Os assuntos já foram inseridos no teste piloto, com boa compreensão dos informantes, disse o IBGE.
“A gente aguarda ansiosamente a confirmação dos recursos previstos para 2026, na lei orçamentária de 2026. Por enquanto, a gente tem uma sinalização no âmbito do projeto de lei orçamentária, mas isso vai ser apreciado ainda pelo Congresso Nacional, e a gente espera que esses recursos sejam confirmados, para garantir a execução desse trabalho, de modo que a gente possa devolver à sociedade brasileira os dados que o Brasil precisa”, concluiu Damasco.
Além dos R$$ 700 milhões pretendidos para o Censo Agropecuário, o Ministério do Planejamento alocou outros R$ 30 milhões em recursos no orçamento do IBGE para o primeiro censo da população em situação de rua, acrescentou o diretor de Pesquisas do instituto, Gustavo Junger.
O mercado global de fertilizantes nitrogenados vive um momento de reacomodação, com impactos diretos sobre as decisões de compra no Brasil, destaca relatório da consultoria StoneX.
Segundo o analista de Inteligência de Mercado da empresa Tomás Pernías, a demanda mundial mais fraca tem pressionado os preços da ureia, abrindo espaço para que o produto recupere parte de sua atratividade frente a alternativas como o sulfato de amônio (SAM) e o nitrato de amônio (NAM).
De acordo com ele, ao longo de 2025 os compradores brasileiros direcionaram uma parcela relevante da demanda para fertilizantes de menor concentração, especialmente o SAM. Assim, em diversos momentos do ano, o produto apresentou uma relação custo-benefício mais favorável do que a ureia, fertilizante mais concentrado e amplamente utilizado no país.
Essa mudança de perfil foi influenciada, principalmente, por dois fatores. “O primeiro deles foi o patamar elevado de preços de fertilizantes como a ureia e o MAP, que mantiveram cotações altas ao longo de 2025, resultando em relações de troca pouco atrativas. O segundo fator foi o cenário de custos de produção elevados e margens mais apertadas, que levou produtores a buscar alternativas para reduzir despesas”, realça.
No entanto, esse movimento começa a mostrar sinais de reversão. A demanda global enfraquecida, aliada à ausência de restrições relevantes de oferta na maioria dos países produtores, pressionou os preços da ureia nos últimos meses.
“Desde o final de agosto até a segunda semana de dezembro, as cotações da ureia nos portos brasileiros acumulam uma queda de aproximadamente 18%. Em algumas semanas, a retração superou US$ 10 por tonelada, evidenciando a falta de sustentação dos preços no mercado internacional”, contextualiza Pernías.
Escolha dos compradores
A redução no preço da ureia devolveu competitividade ao produto, que passa novamente a disputar espaço com outros nitrogenados. Ao mesmo tempo, o aumento da demanda pelo sulfato de amônio elevou as cotações do produto nas últimas semanas, reforçando esse movimento de recuperação da atratividade da ureia.
Apesar disso, ainda há incertezas quanto à principal escolha dos compradores brasileiros em 2026. Dados da StoneX indicam que há um volume significativo de SAM programado para desembarcar nos portos do país, o que deve manter a oferta abundante no curto prazo. Além disso, a trajetória dos preços da ureia e do SAM nos próximos meses será determinante para as decisões de compra.
Segundo Pernías, o cenário internacional também seguirá no radar. A aproximação do período de aplicações de fertilizantes nos Estados Unidos e na China tende a movimentar o mercado global de nitrogenados. Outro fator relevante é a demanda da Índia, cujas licitações podem trazer volatilidade adicional aos preços.
“É fundamental que os compradores brasileiros acompanhem de perto esses movimentos, pois eventos como as compras indianas e a sazonalidade de grandes consumidores globais podem gerar oscilações importantes no mercado e impactar diretamente os custos de aquisição”, conclui o analista.
A previsão do tempo indica um cenário favorável para as áreas produtoras de soja no Brasil. Uma nova frente fria avança sobre a região Sul e contribui para a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), condição atmosférica que estimula a ocorrência de chuvas mais frequentes e volumosas no Brasil Central.
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As regiões Sudeste, Centro-Oeste, interior do Matopiba e sul do Pará devem registrar acumulados expressivos nos próximos dias, com volumes elevados que ajudam no bom desenvolvimento da oleaginosa e na manutenção da umidade do solo. Esse padrão é positivo para áreas em fases importantes do ciclo da cultura.
Na próxima semana, a chuva volta a ganhar força no Rio Grande do Sul. Apesar de poder atrapalhar pontualmente os trabalhos em campo, a precipitação contribui para preservar as boas condições de umidade do solo no estado.
Já no Matopiba, com volumes em torno de 50 mm, as chuvas seguem regulares, enquanto o tempo fica mais firme em Mato Grosso do Sul, no Paraná e no Sudeste, abrindo uma janela favorável para o manejo e as aplicações fitossanitárias.
Após o período do Natal, no período de 26 a 30 de dezembro, a previsão indica nova rodada de instabilidades, com as chuvas voltando a se espalhar por grande parte do país, mantendo o clima como um fator de suporte para a safra de soja.
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O governo federal aprovou nesta segunda-feira (15) o Plano Clima 2024–2035, documento estratégico que passa a orientar as políticas públicas brasileiras voltadas ao enfrentamento da mudança do clima. A decisão foi tomada durante a 4ª reunião do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), em Brasília.
O plano estabelece diretrizes para mitigar as emissões de gases de efeito estufa e ampliar a capacidade de adaptação do país aos impactos climáticos, com ações organizadas em horizontes de curto, médio e longo prazos. A meta central é conduzir o Brasil a uma economia com emissões líquidas zero até 2050, alinhada aos compromissos internacionais assumidos no Acordo de Paris e na Agenda 2030 da ONU.
Até 2030, o Plano Clima prevê limitar as emissões líquidas nacionais a 1,2 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente. Já em 2035, o objetivo é reduzir esse volume para uma faixa entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas, preparando o caminho para a neutralidade climática em 2050.
A estratégia nacional está estruturada em dois eixos principais: mitigação e adaptação. No campo da mitigação, o plano contempla oito setores, entre eles agricultura e pecuária, energia, indústria, transportes, cidades, resíduos sólidos e mudanças no uso da terra em áreas públicas e privadas. Cada setor terá metas específicas para 2030 e 2035, com monitoramento contínuo dos resultados.
No eixo da adaptação, o Plano Clima reúne 16 planos setoriais e temáticos, que abrangem áreas como recursos hídricos, saúde, segurança alimentar, biodiversidade, povos indígenas, comunidades tradicionais e redução de riscos de desastres. Ao todo, a estratégia de adaptação prevê mais de 800 ações, com foco em justiça climática, soluções baseadas na natureza e desenvolvimento sustentável
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Plano Clima busca orientar e monitorar ações coordenadas para a transição climática, conciliando produção agropecuária, sustentabilidade ambiental e segurança alimentar. O ministro Carlos Fávaro afirmou que a construção do plano ocorreu com responsabilidade, transparência e participação do setor produtivo e da sociedade.
A elaboração do documento envolveu um amplo processo de diálogo. De acordo com o material oficial, mais de 40 ministérios e centenas de instituições participaram de oficinas, reuniões técnicas, workshops e consultas públicas ao longo do desenvolvimento do plano
A versão inicial do Plano Clima, no entanto, gerou reações negativas no campo. Representantes do setor produtivo manifestaram preocupação em relação às responsabilidades atribuídas à agropecuária nas emissões de gases de efeito estufa
Em outubro, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues fez críticas públicas ao documento em elaboração. Para ele, é inadequado atribuir ao produtor rural responsabilidades por crimes ambientais quando a produção ocorre dentro da legalidade.
“Não podemos aceitar que crimes ambientais sejam colocados na conta de quem produz dentro da lei. Isso é injusto e prejudica a imagem do Brasil no mercado internacional”, afirmou Rodrigues na época.
A resolução que aprova o Plano Clima, apreciada na reunião do CIM na segunda, deve ser publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (16).
A parceria entre a Efense e a Embrapa Meio Ambiente, iniciada oficialmente em 2021, avança no desenvolvimento de uma tecnologia inédita no país para produção de fungos por fermentação líquida submersa.
Essa técnica é considerada uma das alternativas mais promissoras para o controle biológico da mosca-branca, uma das pragas mais difíceis de manejar na agricultura brasileira.
O projeto começou a ser delineado antes da criação da Efense e ganhou forma com a inauguração da fábrica da empresa em 2022, em Edeia, município do sul de Goiás.
Segundo Marcus Santana, CEO da Efense, a equipe já acompanhava os primeiros estudos da Embrapa sobre a produção de fungos em meio líquido. “Desde o início, vimos que seria possível produzir fungos por fermentação submersa. Quando entendemos, com o Mascarin, a rapidez de infecção de blastosporos de Cordyceps javanica e Beauveria bassiana produzidos nesse sistema, nos interessamos rapidamente pela tecnologia”, afirmou.
A parceria e a produção de fungos
O acordo firmado em 2021 tem como foco a produção de C. javanica e B. bassiana, ambas cepas bioprospectadas pela Embrapa. A companhia goiana já dispõe de infraestrutura consolidada para produção de bactérias, com cerca de sessenta mil litros por mês, mas a fabricação de fungos exige biorreatores menores e ciclos mais longos, limitando o volume a cerca de sete a oito mil litros mensais.
Mesmo assim, a parceria conseguiu validar a tecnologia em diferentes escalas, passando de biorreatores de dez litros para biorreatores de até mil litros, com elevada concentração de blastosporos, estrutura fúngica produzida especificamente pela fermentação líquida.
A Efense nasceu da demanda de agricultores da região, principalmente produtores de grãos que já utilizavam bioinsumos produzidos nas próprias fazendas, mas enfrentavam dificuldades para garantir qualidade, estabilidade e ausência de contaminação.
Diante desse cenário, nove produtores decidiram investir na construção da biofábrica e fundaram também a Associação Goiana de Agricultura Sustentável, dedicada à promoção do controle biológico e ao uso de microrganismos em diferentes aplicações, do manejo de pragas ao estímulo do crescimento vegetal.
Resultados e desafios do projeto
A mosca-branca é uma praga de difícil controle, sobretudo quando se depende apenas de químicos. Pesquisas de Gabriel Mascarin demonstraram que Cordyceps e Beauveria apresentam bons resultados no manejo do inseto, mas o grande diferencial veio com o desenvolvimento da fermentação líquida, capaz de produzir blastosporos com maior eficiência biológica.
A Efense passou a apoiar os estudos com o objetivo de registrar e lançar no mercado um produto comercial à base dessas estruturas. Atualmente, não há nenhum bioinsumo com blastosporos registrado no Ministério da Agricultura, o que pode fazer da empresa a primeira a colocar esse tipo de tecnologia à disposição dos produtores.
Os testes de campo realizados em propriedades e estações experimentais têm mostrado forte redução da população de mosca-branca, indicando potencial para ampliar produtividade e diminuir perdas causadas pela praga.
O próximo desafio da equipe é aprimorar a formulação para aumentar o tempo de prateleira dos produtos, atualmente menor que o observado nos fungos produzidos em fermentação sólida tradicional. A previsão é concluir essa etapa e solicitar o registro ao Ministério da Agricultura, visando ao lançamento comercial conjunto com a Embrapa em 2027.
A pesquisa da Embrapa Meio Ambiente tem avançado no uso da fermentação líquida submersa como alternativa mais rápida, sustentável e econômica para produção de bioinsumos fúngicos.
O processo permite controle rigoroso das condições de cultivo, maior eficiência na multiplicação dos microrganismos e produção em larga escala, além de possibilitar o uso de diferentes tipos de propágulos, como blastosporos, conídios, micélio e microescleródios.
Com a parceria, Efense e Embrapa buscam não apenas oferecer um novo instrumento de manejo, mas também fortalecer a adoção de insumos biológicos em sistemas agrícolas, ampliando alternativas para reduzir o uso de químicos e promover práticas mais sustentáveis no campo.
O avanço de uma frente fria pela costa do Sudeste, a partir desta terça-feira (16), volta a reforçar as instabilidades e deixa São Paulo e Rio de Janeiro em alerta para temporais, de acordo com a Climatempo. O sistema frontal deve provocar chuva expressiva, principalmente na faixa leste paulista, com destaque para o litoral, onde os altos acumulados elevam o risco de transtornos.
Você quer entender como usar o clima a seu favor?Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.
Faixa leste de São Paulo concentra maiores volumes
Em São Paulo, a chuva ganha força ao longo desta terça-feira e deve persistir durante a madrugada de quarta-feira (17). A situação é considerada mais preocupante no litoral paulista, na Grande São Paulo e em áreas do leste do estado, onde a combinação de chuva persistente e volumes elevados pode causar alagamentos, enxurradas e elevação repentina de córregos.
No interior paulista, as pancadas também ocorrem, algumas com intensidade moderada a forte, mantendo essas áreas na rota dos temporais, embora com menor persistência em relação ao litoral.
Na quarta-feira (17), a chuva perde força em São Paulo. O avanço de uma massa de ar polar de menor intensidade deve provocar queda nas temperaturas, mais perceptível na faixa leste e no litoral, trazendo alívio ao calor intenso no interior do estado.
Rio de Janeiro entra em alerta entre a noite de terça e quarta
Entre a noite de terça-feira (16) e a quarta-feira (17), a frente fria avança sobre o Rio de Janeiro, intensificando a instabilidade em todo o estado. A previsão indica chuva expressiva, com potencial para alagamentos e deslizamentos de terra, especialmente na Região Serrana.
Na capital fluminense, os volumes podem ser elevados, com acumulados acima de 60 mm apenas ao longo da quarta-feira, aumentando o risco de transtornos em áreas urbanas.
Risco também alcança Minas Gerais
Além de São Paulo e Rio de Janeiro, o risco de temporais se estende ao sul e à Zona da Mata de Minas Gerais, onde a chuva pode ocorrer com moderada a forte intensidade, acompanhada por rajadas de vento e descargas elétricas. Outras regiões do interior mineiro também seguem sob influência das instabilidades, porém com menores volumes.
Diante do cenário, a Climatempo recomenda atenção redobrada nas áreas em alerta, especialmente no litoral paulista, no estado do Rio de Janeiro e em regiões serranas, e orienta o acompanhamento constante das atualizações da previsão do tempo.