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Foto: Canva
O custo de produção da soja em Mato Grosso para a safra 2025/2026 foi projetado em R$ 4.118,61 por hectare. Segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado nesta segunda-feira (21), o valor representa um aumento de 3,75% em relação ao ciclo anterior.
De acordo com o projeto Centro de Pesquisas Agropecuárias de Mato Grosso (CPA-MT), a alta é consequência da valorização dos insumos. O impacto é percebido diretamente na relação de troca, especialmente para produtores que utilizam o modelo de barter — sistema em que parte da produção é trocada antecipadamente por insumos.
“A elevação dos custos e a necessidade de aquisição de produtos tornaram o cenário menos favorável para os sojicultores que optaram pelo barter”, informa o boletim do Imea. Os dados de março de 2025 mostram que, para adquirir uma tonelada de fertilizante Super Simples (SSP), o produtor precisaria entregar 24,98 sacas de soja. No caso do MAP (fosfato monoamônico), a exigência subia para 45,26 sacas por tonelada.
Em comparação com março de 2024, essas proporções aumentaram 29,97% para o SSP e 18,23% para o MAP. “Essa variação reduz o poder de compra dos agricultores frente aos insumos e compromete o planejamento financeiro de parte das propriedades”, afirma o relatório.
O documento ainda ressalta que uma parcela significativa dos produtores deve custear integralmente ou em parte a próxima safra por meio de operações de barter. A prática, embora comum, pode representar um desafio adicional no controle dos custos da atividade, diante das oscilações do mercado e da pressão sobre as margens de lucro.
A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), vê com preocupação as tarifas adicionais impostas ao Brasil e a outros países, conforme anúncio feito pelo presidente Donald Trump. Restrições forçosas aos fluxos de comércio, incompatíveis com as regras multilaterais da Organização Mundial do Comércio (OMC), tendem a desacelerar a economia global e elevar o custo de vida dos cidadãos. O impacto negativo á ainda mais grave quando atinge o setor agrícola, responsável pela segurança alimentar de bilhões de pessoas em todos os continentes.
O adequado suprimento de alimentos a preços justos apenas é garantido com cadeias globais facilitadas, canais de comércio desimpedidos e com a flexibilidade necessária para atender às cambiantes demandas nas várias geografias.
Tarifas adicionais de 10%, o patamar mínimo estabelecido na Ordem Executiva da Casa Branca, incidirão sobre os produtos brasileiros destinados ao mercado americano. Alíquotas ainda mais elevadas recairão sobre os bens oriundos de muitos outros países. Isso alimentará pressões inflacionárias e de desaceleração econômica, não apenas nos EUA, mas em todo o globo.
O agronegócio brasileiro, em todas suas vertentes, é responsável pelo suprimento de commodities que abastecem o Brasil e nações mundo afora, com elevados padrões de qualidade e segurança, resultado de técnicas de produção em incessável busca de inovações, produtividade e sustentabilidade. É papel e desempenho que não podem ser subestimados.
Diante dos desafios advindos da imediata implementação das tarifas adicionais, o setor agrícola nacional estará preparado para superar obstáculos e aproveitar oportunidades que se apresentem neste novo cenário. Veremos um profundo reordenamento das cadeias de produção e rotas de abastecimento. Diversificação e abertura de mercados, novos ou tradicionais, devem ser prioridades do Governo brasileiro, que pode contar com o empenho e apoio do Agro nesses esforços.
A ABAG espera que o Governo adote firme estratégia diplomática de resposta às tarifas adicionais, evitando imediatismos e preservando os interesses de longo prazo do país. Nesse contexto, o Projeto de Lei 2.088/2023, em curso no Congresso Nacional, é bem-vindo por oferecer o embasamento legal necessário a eventuais medidas de resposta a políticas arbitrárias e abusivas adotadas por governos estrangeiros em detrimento do nosso sistema produtivo.
O Brasil pode contar com o agronegócio, alicerce central de nossa sociedade a oferecer, não apenas estabilidade e solidez econômica, mas também segurança alimentar, qualidade de vida, empregos qualificados, tecnologia de ponta e biocompetitividade para o desenvolvimento em todos os segmentos do setor.
Segundo informações da TF Agroeconômica, divulgadas em 23 de abril de 2025, o mercado da soja iniciou o dia em alta em Chicago, influenciado por declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a possibilidade de redução substancial das tarifas de 145% sobre importações chinesas. O otimismo foi reforçado pelas falas do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, que sinalizou uma provável “desescalada” na guerra comercial entre as duas potências.
A soja para maio de 2025 registrava US$ 1042,00/bushel (+7,0) em Chicago, com pico em US$ 1046,00 e mínima em US$ 1037,50. A safra de maio de 2026 subia para US$ 1054,75 (+5,0), o que equivale a R$ 139,50 no porto brasileiro. No mercado doméstico, o indicador CEPEA apontava queda de 0,96% no dia (R$ 134,31), mas com alta acumulada de 1,60% no mês. Já no Paraguai, a cotação em Assunção para julho estava em US$ 356,36, com elevação de 1,65%.
O milho, por sua vez, operava em leve queda em Chicago, cotado a US$ 475,25 para maio (-0,50), ainda sob o efeito do ritmo acelerado da semeadura nos EUA reportado pelo USDA. Entretanto, as previsões de chuva para áreas importantes como Iowa devem influenciar positivamente a umidade do solo. No Brasil, o milho B3 para maio estava em R$ 77,18 (+0,27%), enquanto o CEPEA indicava queda diária de 1,10% (R$ 82,57) e recuo de 5,86% no mês. No Paraguai, o cereal era negociado a US$ 220 (maio) e US$ 200 (julho).
Já o trigo apresentava leve alta em Chicago, cotado a US$ 536,75 para maio (+1,25), impulsionado pelas chuvas nas Grandes Planícies americanas, que beneficiam a safra de inverno. Porém, a expectativa de uma colheita robusta na União Europeia em 2025/26, após a fraca safra de 2024/25, contribui para um viés de baixa. No Brasil, os preços do trigo recuaram: R$ 1.574,81 no Paraná (-0,30%) e R$ 1.469,50 no Rio Grande do Sul (-0,69%), conforme dados do CEPEA. No Paraguai, os preços variavam entre US$ 255 e US$ 300 conforme a região.
O mercado da soja teve um dia travado nesta quarta-feira (23), com poucos negócios sendo realizados em função da volatilidade do câmbio.
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, os prêmios permaneceram praticamente estáveis, e o produtor segue retraído após as recentes baixas nas cotações.
Preços da saca de soja no Brasil
Passo Fundo (RS): subiu de R$ 131 para R$ 135
Santa Rosa (RS): caiu de R$ 132 para R$ 131
Porto de Rio Grande (RS): caiu de R$ 136,50 para R$ 135
Cascavel (PR): mantido em R$ 130
Porto de Paranaguá (PR): caiu de R$ 134 para R$ 133
Rondonópolis (MT): caiu de R$ 116 para R$ 115
Dourados (MS): manteve em R$ 120
Rio Verde (GO): caiu de R$ 116 para R$ 115
Soja em Chicago
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja encerraram o dia em leve alta, impulsionados por compras especulativas e um ambiente global de menor aversão ao risco. A sinalização do presidente dos EUA, Donald Trump, de que pretende negociar tarifas com a China ajudou a aliviar tensões comerciais, o que refletiu positivamente no mercado.
As condições climáticas nos Estados Unidos continuam sendo monitoradas de perto. Após episódios de chuvas, a expectativa é de um período mais seco, o que pode influenciar o ritmo do plantio da nova safra norte-americana.
Contratos futuros da soja
Os contratos da soja em grão com entrega em maio subiram US$ 5,25 centavos, ou 0,5%, fechando a US$ 10,40 1/4 por bushel. A posição julho teve valorização de US$ 4,25 centavos, ou 0,4%, encerrando a US$ 10,50 1/4 por bushel.
Nos subprodutos, o farelo com vencimento em julho caiu US$ 0,90, ou 0,9%, para US$ 298,60 por tonelada. Já o óleo teve alta de 0,31 centavo, ou 0,64%, terminando a US$ 48,34 centavos por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial encerrou o pregão em leve queda de 0,18%, sendo cotado a R$ 5,7171 para venda e R$ 5,7151 para compra.
Ao longo do dia, a moeda norte-americana variou entre a mínima de R$ 5,6585 e a máxima de R$ 5,7285.
O mercado físico do boi gordo apresenta movimentos distintos, a depender do estado. De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, em São Paulo e em Goiás, as indústrias passaram a testar patamares mais baixos de preço, com o argumento de que o escoamento da carne será mais lento no restante do mês.
Já em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul o mercado é mais firme, com negócios acima da referência média.
“No geral, as escalas de abate ainda estão posicionadas entre cinco e sete dias úteis na média nacional”, afirmou.
São Paulo: R$ 327,25 – R$ 329,92 ontem
Goiás: R$ 310,36 – R$ 310,71 na terça
Minas Gerais: R$ 326,76 -R$ 325,88 anteriormente
Mato Grosso do Sul: R$ 323,75 – R$ 319,32 ontem
Mato Grosso: R$ 328,72 – R$ 328,38 na terça
Mercado atacadista
O mercado atacadista apresenta alguma volatilidade em seus preços para a carne bovina. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pelo recuo dos preços, considerando um perfil mais discreto de demanda no restante do mês.
“A população tende a priorizar o consumo de proteínas mais acessíveis, a exemplo da carne de frango, embutidos e ovos.”
O quarto dianteiro foi precificado a R$ 20,50 o quilo, alta de R$ 0,50, enquanto o traseiro foi cotado a R$ 25 por quilo, queda de R$ 1. Já a ponta de agulha ainda é indicada a R$ 18,50 o quilo.
Os levantamentos mais recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que o preço do algodão segue registrando pequenos avanços diários.
Outros dados positivos que o instituto destaca são o ritmo das exportações e as valorizações externas da pluma.
Esses pontos ajudam a reduzir o excedente interno e também valorizam as cotações domésticas. Isso ocorre porque contribuem para manter os vendedores afastados do spot e firmes nos preços pedidos por novos lotes.
De acordo com o Cepea, os valores do algodão no Brasil seguem oscilando em uma faixa estreita. Desde maio de 2023, as médias mensais operam entre R$ 3,81 e R$ 4,24 por libra-peso (lp).
Neste mês de abril, o valor médio é de R$ 4,2414/lp, sendo assim o maior valor, em termos nominais, desde abril de 2023, quando a média era de R$ 4,3115/lp. Em termos reais, o maior valor foi atingido em julho de 2024 chegando a R$ 4,3115/lp, como explica o instituto.
Os preços do etanol hidratado voltaram a cair no mercado paulista nesta última semana, de acordo com levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Entre 14 e 17 de abril, o indicador do instituto fechou em R$ 2,7140 por litro, representando uma queda de 1,17% com relação ao período anterior.
O cenário é diferente para o indicador do etanol anidro, que subiu 2,27% no mesmo comparativo, atingindo R$ 3,1508/litro. De forma geral, os pesquisadores do Cepea afirmam que os agentes do mercado seguem apreensivos.
Com a entrada do produto da colheita recém iniciada da safra 2025/26, o novo foco tem sido o fechamento de contratos para o etanol anidro. O setor também está apreensivo com relação às movimentações do preço do barril de petróleo e os possíveis impactos sobre a gasolina.
Para o futuro próximo no Brasil, a expectativa é, de acordo com o instituto, para a mudança do PIS/Cofins a partir de primeiro de maio. O Cepea explica que essa modificação tende a melhorar a liquidez do etanol hidratado para os próximos dias.
A colheita da segunda maior safra de milho da história no Brasil, estimada em mais de 120 milhões de toneladas, não deve se traduzir em um aumento proporcional das exportações. Apesar da elevada oferta, a demanda interna crescente, puxada pelas usinas de etanol, tende a manter os preços sustentados no mercado doméstico.
De acordo com a análise da Grão Direto, divulgada nesta terça-feira (22), o consumo interno deve absorver uma parcela maior da produção neste ciclo, especialmente se houver impactos climáticos no fim do desenvolvimento das lavouras. Com isso, o excedente disponível para exportação pode ser menor, o que ameaça a posição do Brasil como o segundo maior exportador mundial do cereal.
Esse cenário pode influenciar diretamente o planejamento de safra dos produtores, que passam a considerar o milho como opção mais rentável em comparação à soja, especialmente na Safra Verão. A Conab indica que, nas principais regiões produtoras, as condições climáticas são variadas. Em estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, a regularidade das chuvas favorece o bom desenvolvimento das lavouras. Já em regiões como Paraná, Tocantins e Mato Grosso do Sul, a escassez de precipitações tem gerado preocupações com a produtividade.
A irregularidade climática no Centro-Sul do Mato Grosso do Sul causou perdas, enquanto no norte do estado as lavouras continuam com bom desempenho, aponta a análise. No Piauí, o desenvolvimento das plantações é considerado regular, refletindo condições menos favoráveis.
Nos Estados Unidos, o plantio da safra 2025/26 segue em ritmo dentro da média histórica. No entanto, o clima mais frio no Meio-Oeste americano pode gerar atrasos nas próximas semanas. O mercado monitora a situação, atento à possibilidade de maior volatilidade nos preços, diante da expectativa de uma safra robusta no país. Ao mesmo tempo, a continuidade das tensões comerciais entre China e EUA afeta a demanda chinesa e pode abrir novas oportunidades para o milho brasileiro no mercado internacional.
O mercado interno de milho seguirá sustentado pela demanda, mas a recente queda nas cotações na B3 causou pressão negativa no mercado físico, sendo vista como uma correção de preços saudável. Apesar dessa correção, o cenário permanece favorável, com preços ainda favoráveis devido à manutenção da demanda, destaca o relatório.
Os exportadores de café deixaram de embarcar 637.767 sacas do produto em março, equivalente a 1.932 contêineres. Isso causou prejuízo de R$ 8,901 milhões no caixa das empresas por causa de gastos imprevistos com armazenamento adicional, detenções, pré-empilhamento e antecipação de portões, informou em comunicado o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Desde que o Conselho iniciou o levantamento, em junho de 2024, as empresas associadas à entidade já reportaram um prejuízo de R$ 66,576 milhões com esses custos extras em virtude da estrutura defasada nos principais portos de escoamento de café do Brasil.
Conforme o Cecafé, o não embarque desse volume de grãos também fez com que o país deixasse de receber US$ 262,8 milhões, ou R$ 1,510 bilhão, como receita cambial em suas transações comerciais no mês passado, considerando o preço médio do Free on Board (FOB) de exportações de US$ 336,33 por saca (café verde) e um dólar de R$ 5,7462 na média de março.
“O Brasil é o país que mais repassa o preço FOB de exportação ao produtor e, ao deixarmos de embarcar nossos cafés por causa da não concretização dos embarques, temos o repasse menor a nossos cafeicultores, que trabalham arduamente para entregar produtos de qualidade e sustentáveis”, disse na nota o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron.
Conforme o Boletim Detenção Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 55% dos navios, ou 179 de um total de 325 embarcações, teve atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil em março passado.
De acordo com o Boletim DTZ, o Porto de Santos, que respondeu por 78,5% dos embarques de café no primeiro trimestre de 2025, registrou um índice de 63% de atraso ou alteração de escalas de navios, o que envolveu 113 do total de 179 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera no mês passado foi de 42 dias no embarcadouro santista
“Conforme dados de relatórios de mercado que monitoramos, dentro desse universo dos dados totais referentes a Santos, além dos atrasos, descobrimos que ocorreram 19 omissões de escalas e outras 13 omissões por cancelamento da viagem em embarcações de longo curso, em março, por conta das limitações de infraestrutura portuária, que elevam o tempo de espera dos navios. Isso nos causa grande preocupação porque potencializa a lotação nos pátios, o que desencadeia efeito em toda a cadeia produtiva”, comenta o diretor técnico do Cecafé.
Também no mês passado, apenas 12% dos procedimentos de embarque tiveram prazo maior do que quatro dias de portão aberto por navios no embarcadouro santista. Outros 55% possuíram entre três e quatro dias e 33% tiveram menos de dois dias.
Já o complexo portuário do Rio de Janeiro (RJ), o segundo maior exportador de cafés do Brasil, com 17,2% de participação nos embarques de janeiro a março deste ano, teve índice de atrasos de 59% no mês passado, com o maior intervalo sendo de 15 dias entre o primeiro e o último prazo. Esse porcentual implica que 43 dos 73 navios destinados às remessas do produto sofreram alteração de escalas.
Ainda no primeiro trimestre deste ano, 18% dos procedimentos de exportação tiveram prazo superior a quatro dias de portão aberto por porta-contêineres nos portos fluminenses; 36% registraram-se entre três e quatro dias; e 46% possuíram menos de dois dias.
O mês de abril de 2025 marca exatamente um ano para que sejam iniciadas as movimentações de vulto para as eleições gerais brasileiras de 2026, cabendo analisar o quadro tanto da situação como das oposições, com foco tanto nas disputas pela Presidência da República e pelo Congresso Nacional como nas 27 unidades federativas que compõem a nação.
Tal marco temporal está ligado ao fato de que abril de 2026 será o prazo final para que os eventuais candidatos estejam devidamente filiados ao partido político no qual irão disputar as eleições de outubro e para que as necessárias desincompatibilizações de alguns cargos sejam concluídas, como por exemplo no caso de governadores que buscam a corrida presidencial.
Nessa disputa para o cargo mais alto da República, o governo busca a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegaria a um inédito quarto mandato. Apesar da vantagem em disputar na condição de incumbente, Lula enfrenta duas situações adversas: os questionamentos sobre sua saúde ante os 80 anos que deve completar no próximo ano e a queda de popularidade do governo correlacionada com a inflação, especialmente do preço dos alimentos.
Em ambos os casos, o governo federal tem buscado utilizar melhor a comunicação institucional, capitaneada pelo publicitário Sidônio Palmeira, com vistas a mostrar Lula mais ativo em compromissos oficiais e, ao mesmo tempo, exibir os esforços da gestão para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. Por ora, os resultados ainda são tímidos, mas já é possível observar que a impopularidade estancou, apesar de ainda não ter sido revertida.
Para construir a candidatura à reeleição, contudo, Lula ainda precisa alinhavar melhor as alianças partidárias, sobretudo para além do campo da esquerda. Nesse sentido, é necessário que dê continuidade a uma reforma de seu ministério, abrindo mais espaço para as siglas aliadas. A despeito da premência desses acordos, tal reforma ministerial ainda segue inconclusa e não parece mais estar entre as prioridades do governo neste momento.
Com a reticência do governo em ceder mais espaço a tais siglas, as oposições avançam sobre esses partidos do Centrão, sendo que a votação de urgência na Câmara dos Deputados para o projeto de lei de anistia para os participantes dos atos de 8 de janeiro acendeu um sinal de alerta para o governo Lula: partidos com titulares nas pastas do governo federal – União Brasil, PSD, Progressistas, MDB e Republicanos – deram mais da metade das assinaturas para a aprovação do decreto.
A postura de tais siglas demonstra que há uma boa probabilidade de que elas se voltem a um projeto oposicionista no pleito do próximo ano e, se ainda não desembarcaram do governo para este outro lado, provavelmente isso se deva ao campo da direita permanecer em compasso de espera diante da situação e do comportamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Bolsonaro, submetido recentemente a um novo procedimento cirúrgico no abdômen, aguarda os desdobramentos do processo judicial no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem grandes chances de condená-lo, inclusive a uma pena em regime fechado. Ademais, permanece inelegível junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030, o que inviabilizaria sua participação nas eleições do próximo ano.
Apesar disso, o ex-presidente insiste em se colocar como candidato, denotando uma estratégia semelhante à do atual presidente Lula, nas eleições de 2018, quando, apesar de preso, lançou-se na disputa, sendo substituído por seu vice (e atual ministro) Fernando Haddad. No caso de Bolsonaro, entretanto, a substituição parece ficar em família, com maiores chances para o filho Eduardo Bolsonaro, que hoje se radicou nos Estados Unidos e estabelece pontes com o governo daquele país, sob a liderança de Donald Trump.
Neste ponto, cumpre esclarecer que a estratégia de Bolsonaro não tem sido bem aceita entre seus próprios aliados, uma vez que acaba por “amarrar” as lideranças do campo da direita, prejudicando tanto o aspecto jurídico (sobre filiações e desincompatibilizações) como o político (no estabelecimento de alianças e na montagem dos palanques nacional e estaduais). Ao esperar a definição de Bolsonaro, alguns nomes como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Romeu Zema permanecem na indefinição entre as candidaturas a presidente, vice-presidente, governador (em caso de reeleição) e senador.
Aqueles aliados que advogam pela retirada da candidatura de Bolsonaro apontam para dois benefícios que o próprio ex-presidente e seu entorno poderiam colher. Primeiramente, a eleição de um presidente na direita abriria a possibilidade para que esse indultasse os condenados pelo STF, incluindo Bolsonaro. Em segundo lugar, permitiria uma organização melhor da direita para compor o Senado Federal com seus quadros, buscando inclusive antepor a supremacia da Corte Suprema, ameaçando com eventual impedimento de seus ministros.
As eleições para o Senado, aliás, serão um grande campo de batalha no próximo ano, dado que dois terços de sua composição devem ser renovados, opondo o bolsonarismo a uma possível aliança que iria da esquerda à centro-direita, visando isolar aqueles e evitar uma crise institucional com o Judiciário. Diante dessas estratégias de ambos os lados e somado aos problemas do governo e ao resultado das últimas eleições municipais, fica cada vez mais clara a tendência de o país virar à direita.
Em uma configuração política como essa, Lula precisaria fazer concessões claras para buscar uma nova recondução, como já fica claro diante de mudanças de seu discurso (como no caso da crítica aos beneficiários do Bolsa-Família) e de suas políticas (como no caso do lançamento de uma faixa do Minha Casa, Minha Vida que atenda a classe-média). Ainda assim, teria claras dificuldades de governabilidade e precisaria sinalizar uma migração ao centro que não realizou neste mandato.
Já um eventual nome da direita – cujo favoritismo atual recai sobre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas – tenderia a ter uma maior facilidade para governar, ainda que tivesse de ceder às pressões dos aliados do Centrão, o que é uma situação inescapável a qualquer um que venha a chefiar o Executivo, principalmente no momento atual de hipertrofia de um Poder Legislativo com ampliados poderes de agenda e orçamentais.
Por fim, mas não menos importante, não podemos descartar que a ascensão significativa de um candidato da direita poderia compelir Lula a desistir de uma nova disputa, a fim de evitar o encerramento de sua carreira política com uma derrota, o que poderia abrir prematuramente a possibilidade de uma renovação da esquerda ou mesmo da emergência de uma candidatura de centro.
Ainda falta um ano para começarmos a observar esses nós serem desatados. Ou podemos dizer que falta só um ano…
*Leandro Consentino é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), atua na como docente desde 2010 e, atualmente, é professor de graduação em Economia e Administração e do Programa Avançado em Gestão Pública do Insper
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