A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (5), no Rio de Janeiro, que reduzirá os preços de venda do diesel A para as distribuidoras em R$ 0,16 por litro. O novo valor será de R$ 3,27 por litro a partir desta terça-feira (6).
Segundo a estatal, o preço do diesel para o consumidor passará a ser, em média, de R$ 2,81 por litro. Isso porque há uma mistura obrigatória de 86% de diesel A e 14% de biodiesel para composição do diesel B vendido nos postos.
A Petrobras disse que, desde dezembro de 2022, os preços de diesel para as distribuidoras foram reduzidos em R$ 1,22/litro, diminuição de 27,2%.
Considerando a inflação do período, essa redução é de R$ 1,75/ litro ou 34,9%.
As recentes invasões de terra promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) — iniciativa conhecida como Abril Vermelho — escancaram uma crise que vai além do campo: trata-se de um grave desrespeito ao Estado de Direito e à ordem constitucional.
O MST, que atua sem CNPJ, sem personalidade jurídica e sem fiscalização, se comporta como uma entidade acima das leis.
É preciso ser claro: invasão de propriedade privada é crime previsto na Constituição Federal e no Código Penal, e não pode ser tolerada como forma de “luta social”. O artigo 5º da Constituição garante o direito à propriedade, e o artigo 1210 do Código Civil brasileiro assegura a posse legítima contra esbulho.
No entanto, os poderes constituídos — Executivo, Judiciário e Ministério Público — têm se omitido vergonhosamente, permitindo que atos de vandalismo travestidos de reivindicação política avancem sobre o direito alheio, criando um cenário de insegurança jurídica que compromete não só a paz no campo, mas a confiança dos investidores e a soberania produtiva do país.
Vivemos num país de dimensões continentais, onde parte das terras ainda tem origem em registros coloniais, o que exige um tratamento técnico, sério e institucional. Mas o que se vê é uma reforma agrária feita na base do improviso, entregando terras a pessoas sem preparo técnico, sem infraestrutura básica e, em muitos casos, sem qualquer afinidade com a vida no campo. O resultado? Assentamentos que se transformam em favelas rurais, sem produtividade, sem dignidade, sem perspectivas.
Em paralelo, o agronegócio brasileiro, altamente tecnológico e eficiente, segue liderando o abastecimento interno e as exportações. A contradição é gritante: enquanto uns produzem para o mundo com excelência, outros são usados como massa de manobra para fins políticos.
A reforma agrária é necessária, mas precisa ser feita com responsabilidade, critério e meritocracia. Terra deve ser concedida a quem quer, pode e sabe produzir, e acompanhada de assistência técnica, acesso a crédito, e inserção nos mercados. Sem isso, não há emancipação, só dependência e miséria.
A verdade é dura, mas precisa ser dita: a reforma agrária, quando feita com viés ideológico e conivência institucional, se torna um projeto de poder – não de justiça social. E nesse caminho, o Brasil planta insegurança e colhe retrocesso. Terra é produção. Terra é lei. Terra não é trincheira partidária.
Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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O mercado brasileiro de soja iniciou a semana com preços mais baixos. A combinação de queda na Bolsa de Chicago (CBOT) e recuos nos prêmios pressionou as cotações no mercado interno. De acordo com Rafael Silveira, consultor da Safras & Mercado, o ambiente seguiu travado, com o produtor relutante em negociar novos volumes. “O produtor continua retraído, especialmente após as boas vendas realizadas em abril”, apontou. Já a indústria indicou preços abaixo da paridade de exportação, o que reduziu ainda mais o ímpeto de venda.
A soja por região
Passo Fundo (RS): caiu de R$ 128,00 para R$ 126,00
Santa Rosa (RS): caiu de R$ 129,00 para R$ 127,00
Porto de Rio Grande (RS): caiu de R$ 134,00 para R$ 131,00
Cascavel (PR): caiu de R$ 128,00 para R$ 127,00
Porto de Paranaguá (PR): manteve em R$ 133,00
Rondonópolis (MT): caiu de R$ 116,00 para R$ 115,00
Dourados (MS): caiu de R$ 118,50 para R$ 118,00
Rio Verde (GO): manteve em R$ 115,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na CBOT encerraram a sessão desta segunda-feira em queda. A previsão de clima favorável ao andamento do plantio nos Estados Unidos somada à ausência de avanços nas negociações comerciais entre China e EUA contribuiu para o movimento de baixa. Com isso, o interesse chinês segue migrando para a América do Sul, enquanto o cenário de entrada da nova safra brasileira aumenta a competitividade dos preços internos.
Além disso, a queda do petróleo e o ambiente global de maior aversão ao risco acentuaram o tom negativo dos mercados. No final do dia, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgará atualização dos dados de plantio, com expectativa de bom ritmo nos trabalhos.
As inspeções semanais de exportação de soja dos EUA somaram 324.101 toneladas na semana encerrada em 1º de maio, contra 457.844 toneladas na semana anterior e 358.179 toneladas no mesmo período do ano passado.
Contrato futuro da soja
O contrato de julho da soja em grão caiu 12,50 centavos (1,18%) para US$ 10,45 1/2 por bushel. A posição novembro perdeu 8,25 centavos (0,80%) e fechou a US$ 10,22 1/4 por bushel.
No farelo, julho recuou US$ 1,40 (0,47%), para US$ 295,50 por tonelada. O óleo de soja com vencimento em julho caiu 0,70 centavo (1,41%) e encerrou a 48,73 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial fechou com valorização de 0,62%, cotado a R$ 5,6898 na venda e R$ 5,6878 na compra. Ao longo do dia, a moeda oscilou entre a mínima de R$ 5,6293 e a máxima de R$ 5,6908.
O mercado físico do boi gordo abre a semana com preços em predominante acomodação. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, em algumas praças de produção e comercialização ainda há tentativas de compra em patamares mais baixos.
Isso porque a indústria frigorífica segue apontando para escalas de abate confortáveis, posicionadas entre seis e oito dias úteis na média nacional.
“Por outro lado, a sazonalidade do mercado em relação à demanda oferece sustentação aos preços. Além da entrada dos salários na economia há o adicional de consumo relacionado ao Dia das Mães. A demanda externa também faz a sua parte, com quantidades impressionantes de carne embarcadas na atual temporada, com o país caminhando a passos largos para estabelecer um novo recorde histórico.”
São Paulo: R$ 319,58
Goiás: R$ 299,11
Minas Gerais: R$ 311,18
Mato Grosso do Sul: R$ 320,34
Mato Grosso: R$ 318,85
Mercado atacadista
O mercado atacadista iniciou a semana com preços estáveis, mas com perspectiva positiva para a semana do Dia das Mães.
O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 25,00 por quilo, o dianteiro segue no patamar de R$ 20,50 por quilo e a ponta de agulha ainda é cotada a R$ 18,50, por quilo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,62%, sendo negociado a R$ 5,6898 para venda e a R$ 5,6878 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,6293 e a máxima de R$ 5,6908.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou nesta segunda-feira (5) o primeiro informativo climático de maio. Confira os volumes de chuva e as temperaturas mínimas e máximas entre hoje e o dia 12:
Sul
Foto: Reprodução Inmet
A passagem de uma frente fria no início da semana deve provocar chuvas volumosas sobre o sul do Rio Grande do Sul, com volumes que podem ultrapassar os 60 mm (tons em laranja e vermelho no mapa acima). Segundo o Inmet, no norte gaúcho e centro-oeste de Santa Catarina, precipitações entre 10 e 20 mm (tons em azul) são esperadas. Em grande parte do Paraná e nordeste de Santa Catarina, a previsão é de tempo aberto.
Sudeste
Podem ocorrer chuvas fracas na parte leste da Região, porém a semana é de predomínio de tempo estável ao longo dos próximos sete dias.
Centro-Oeste
A previsão é de chuvas mais localizadas sobre o noroeste de Mato Grosso, com acumulados inferiores a 30 mm (tons em verde) durante a semana. Conforme o Inmet, podem ocorrer fracas precipitações no oeste de Mato Grosso do Sul, porém, a previsão é de tempo aberto em grande parte da Região.
Nordeste
Chuvas acima de 50 mm devem atingir áreas do noroeste do Maranhão, além do litoral da Bahia, de Sergipe e parte de Alagoas (tons em laranja e vermelho). Para o restante da Região, são previstas chuvas fracas e inferiores a 20 mm (tons em azul) e em algumas localidades pode não haver registro, levando à redução da umidade relativa do ar, especialmente no oeste da Bahia, sul do Maranhão e do Piauí.
Norte
Os maiores acumulados de chuva se concentrarão em Roraima e no Amapá, locais onde a posição mais ao norte da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) favorecerá a ocorrência de volumes que podem ultrapassar os 60 mm (tons em laranja e vermelho). Áreas de instabilidade também podem favorecer a ocorrência de precipitações significativas em parte do Amazonas e Pará. Volumes entre 20 e 40 mm (tons em verde) são previstos para a divisa do Amazonas, Acre e Rondônia, enquanto em Tocantins e sudeste do Pará, as chuvas não ultrapassarão os 10 mm (tons em azul).
Temperaturas mínimas e máximas
Foto: Reprodução Inmet
A previsão ao longo da semana indica elevação das temperaturas máximas, podendo superar os 30°C, especialmente no interior da Região Nordeste, áreas da Região Norte, Região Centro-Oeste, São Paulo, Triângulo Mineiro, Paraná e nordeste de Santa Catarina.
De acordo com o Inmet, em áreas do sul da Bahia, nordeste de Minas Gerais e Espírito Santo, as temperaturas máximas podem ficar abaixo de 28°C. No dia 09 de maio (imagem acima), são previstas temperatura máximas acima de 34°C em grande parte do país, exceto no Rio Grande do Sul, onde as temperaturas estão mais amenas, com valores abaixo de 20°C.
As temperaturas mínimas seguirão acima de 22°C na Região Norte, Região Centro-Oeste e norte da Região Nordeste. Conforme o Inmet, em grande parte da Região Sul e leste da Região Sudeste, esperam-se mínimas abaixo de 20°C. As temperaturas mínimas devem ser abaixo de 18°C em áreas da das regiões Sul e Sudeste.
Entre os dias 10 e 11 de maio, são previstas temperaturas mínimas abaixo de 14°C no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e sul do Paraná.
Esta semana é decisiva para os produtores de soja, pois há a oportunidade para finalizar as operações em campo no Sudeste e Centro-Oeste, já que o tempo deve permanecer firme nessas áreas. A exceção é o centro-norte do Mato Grosso, onde há previsão de chuvas fracas, com acumulados que não devem ultrapassar os 20 milímetros em cinco dias, o que não deve causar grandes impactos nas atividades agrícolas.
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Por outro lado, a atenção redobrada fica por conta do Rio Grande do Sul e de Roraima, que devem enfrentar chuvas mais volumosas, com acumulados superiores a 100 e até 150 milímetros em alguns pontos, também no intervalo de cinco dias. Essas condições podem prejudicar os trabalhos em campo, especialmente na região de Dom Pedrito e no centro-sul gaúcho. Além do grande volume de água, essas chuvas podem vir acompanhadas de granizo e rajadas de vento que ultrapassam os 100 quilômetros por hora.
O tempo nas lavouras de soja no Norte
No Norte do país, a chuva avança sobre o Pará, colaborando para manter uma boa umidade do solo, o que beneficia o desenvolvimento das lavouras. Já no interior da região conhecida como Matopiba, o tempo úmido deve se concentrar no norte do Tocantins e no centro-norte do Maranhão, o que também ajuda a manter o bom ritmo das operações agrícolas por ali.
Além da distribuição irregular das chuvas, o calor e a baixa umidade do ar serão marcantes nesta semana, especialmente nas regiões do interior. As temperaturas máximas devem alcançar entre 33 e 36 graus Celsius, enquanto a umidade relativa do ar pode cair para 30%. Por isso, é essencial que o produtor tome os devidos cuidados com a hidratação durante os trabalhos em campo, para evitar riscos à saúde.
Baixas temperaturas
As temperaturas mínimas, especialmente no Sudeste e Sul, devem girar em torno de 15 graus, sem risco de geada nas áreas produtoras de milho da segunda safra. No entanto, a partir da próxima semana, entre os dias 11 e 15 de maio, o frio volta a ganhar força na região Sul. As mínimas nas áreas de baixada devem cair para abaixo de 10 graus, mas o risco de geada nesse período estará limitado às regiões da Serra Gaúcha e da Serra Catarinense.
A tendência geral é de que o frio perca força ao longo desta semana nas lavouras de soja, com tempo seco predominando em grande parte do país, o que favorece o avanço das operações agrícolas. Ainda assim, é fundamental acompanhar as atualizações meteorológicas, especialmente nas áreas com previsão de chuva intensa, para evitar prejuízos e garantir a segurança no campo.
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Foto: Sheila Flores
Segundo o informativo “Tem Boi na Linha” divulgado pela Scot Consultorias na sexta-feira (02), o mercado do boi gordo começou o mês de maio com poucas negociações e indústrias ausentes das compras após o feriado, mantendo as cotações estáveis na maior parte das regiões, segundo informações do setor.
Na Bahia, os preços permaneceram sem alterações nas regiões Sul e Oeste do estado. No Pará, o cenário foi misto. Em Marabá, o boi gordo registrou queda de R$2 por arroba, enquanto os preços da vaca e da novilha seguiram estáveis. Em Redenção, o boi gordo manteve o valor do dia anterior, mas houve recuo de R$2 por arroba para a vaca e a novilha. O “boi China” também apresentou redução de R$2 por arroba na mesma região. Em Paragominas, as cotações permaneceram inalteradas.
O mercado futuro também encerrou o mês com estabilidade. No último dia útil de abril, ocorreu a liquidação do contrato futuro do boi gordo na B3, com o código BGIJ25. A cotação da arroba no vencimento ficou em R$322,26, segundo o indicador da B3. Já o indicador do Cepea apontou valor de R$322,54 por arroba.
“Após o feriado, o mercado iniciou maio com ritmo lento, refletindo a menor atuação das indústrias nas compras”, avaliou um analista de mercado.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) organizou uma missão de negócios para levar produtores e empresários rurais do Brasil para Angola, na África.
O grupo de cerca de 30 pessoas, liderado pelo próprio ministro Carlos Fávaro, está no país de língua portuguesa para conhecer o potencial local na produção de alimentos e prospectar áreas para investimento de brasileiros.
“Estamos aqui na segunda visita a Angola em cinco meses buscando reverter o tempo perdido. Entendemos que há oportunidades recíprocas para os dois países. O Brasil tem semelhanças de clima, terra, água e de oportunidades na agricultura tropical. O Brasil que também já foi um grande importador de alimentos e conseguiu, através da Embrapa, principalmente, da pesquisa, desenvolver sua agropecuária forte, pujante e hoje com excedentes a ser exportados pode e quer ajudar a Angola a atingir esse patamar”, disse o chefe da pasta.
“Angola vive um momento de grande transformação e aposta na diversificação de sua economia, tenho a agricultura e a agroindústria como pilares desse processo”, complementou o secretário de Estado de Agricultura e Pecuária, Castro Paulino Camarada.
A missão brasileira em Angola começou pela capital Luanda, e segue ao longo da semana com visitas a propriedades com potencial para investimentos em áreas das províncias de Malanje e de Cuenza Norte, para depois retornar a Luanda.
“Nós estamos chegando hoje e vamos andar para conhecer as áreas produtivas, e analisar a disponibilidade de crédito, estradas, armazéns, quer dizer, para produzir grão precisa de um monte de coisas. Já existe agricultura aqui, já estamos sabendo, mas temos que acabar conhecendo um pouquinho mais a fundo e saber o que pode ser feito. Mas com certeza existe jeito para tudo”, ressaltou o produtor e distribuidor de insumos em Lucas do Rio Verde (MT), Carlos Simon.
A primeira visita dos brasileiros ao país africano foi ao porto da capital, por onde passam 80% de todas as exportações e importações de Angola. Ali, eles conheceram o moinho de trigo que faz parte de um dos principais grupos da cadeia do agro do país africano, que procura parceiros para ampliar as operações com trigo, feijão e arroz, entre outras culturas.
Embrapa na África
Um dos pontos chaves entre os acordos assinados entre Brasil e Angola é a transferência tecnológica. No encontro, o ministro Carlos Fávaro anunciou que, nos próximos meses, Angola poderá contar com a presença efetiva da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
“Para que Angola dê esse passo importante, superamos as burocracias e os pesquisadores da Embrapa poderão estar aqui, auxiliando e transferindo tecnologia”, finalizou.
*O jornalista viajou a convite da missão brasileira, organizada pelo Mapa
Nos tempos antigos, eram os tropeiros que rasgavam caminhos por esse Brasil afora, levando gado, mantimentos e cultura por rotas que hoje ajudam a contar a história do nosso país. Num Brasil que avança com pressa, ainda há quem caminhe no compasso da poeira e dos cascos.
Em Aruanã (GO), no coração do Araguaia, um grupo de cavaleiros apaixonados por mulas e burros reviveu o tempo dos tropeiros em uma cavalgada de 15 quilômetros pela memória, pela amizade e pela alma da terra: a 1ª Cavalgada do Zé Mineiro — uma festa de tradição, fé e reencontros.
O repórter do Canal Rural Mato Grosso, Pedro Silvestre, esteve em Goiás e acompanhou o evento.
Logo ao amanhecer, na Fazenda Santa Luzia, o ranger das selas avisava que o dia começava cedo. Enquanto o sol ainda cochilava atrás da serra, a peonada preparava a tropa com zelo e cuidado. Entre o café quente e a prosa solta, cada detalhe era um aceno à vida simples do campo. A tropa, feita majoritariamente de burros e mulas, era enfeitada com orgulho.
Para Carlos Lopes Rodrigues, tropeiro experiente fazenda, “a tropa foi o barco do Brasil. Carregava café, arroz, gado. Mais de 30 anos puxando boi e nunca mais larguei”. A cavalgada também se tornou espaço de valorização genética dos muares. “Estamos fazendo embriões de éguas quarto de milha com jumentos para produzir muares mais robustos, com casco forte e mais resistência”, explica Weliton dos Santos, gerente da fazenda.
Durante o percurso, a caravana avançava como se o tempo parasse, cortando os campos sob o olhar sereno do Rio Araguaia. Homens, mulheres e crianças — cerca de cem cavaleiros —, ao som dos cascos e do velho carro de boi, homenageavam o tropeirismo em uma verdadeira viagem no tempo.
A cavalgada também foi um tributo a José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, referência do agronegócio nacional. Sua paixão pela lida com os muares começou ainda na infância e é lembrada com orgulho.
O legado se espalha pelos filhos, netos e bisnetos. “Desde pequenos, fomos criados no campo. Meu pai liderou sempre com o exemplo”, disse Wesley Batista. Para Joesley Batista, “é um privilégio conviver com ele e manter viva a cultura que ele construiu”.
O encerramento foi marcado por um almoço típico, moda de viola e um clima de gratidão. “São tradições que só sobrevivem se forem ensinadas no dia a dia”, afirmou o jovem José Batista Neto, neto de Zé Mineiro.
A data escolhida, 2 de maio, foi ainda mais simbólica: aniversário de casamento de Zé Mineiro e Flora Mendonça Batista, que celebraram 66 anos de união. “Foi uma surpresa linda. Não esperava…”, disse Dona Flora, emocionada.
No compasso das mulas, com cheiro de terra e som de berrante, a cavalgada provou que, no coração do Brasil, as raízes da cultura tropeira seguem firmes — como os passos de quem ainda acredita na força da tradição.
Uma operação deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) está investigando um esquema de fraudes que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Batizada de Operação Sem Desconto, a ação foi iniciada no último dia 23 de abril e apura a participação de 11 entidades, entre sindicatos, associações e confederações — incluindo organizações ligadas ao setor agropecuário.
Entre as instituições mencionadas estão a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares Rurais (Conafer) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag). Ambas se manifestaram por meio de nota oficial. A Conafer disse estar surpresa com a inclusão no processo e afirmou estar à disposição das autoridades. Já a Contag declarou que sempre atuou com ética e responsabilidade, reafirmando seu compromisso com a legalidade.
Os detalhes revelados até o momento apontam para irregularidades grave no INSS: filiações fraudulentas de até 100 pessoas por hora, uso de assinaturas falsas, desvio de benefícios de pessoas com deficiência e analfabetos, além da aquisição de imóveis de alto valor com recursos supostamente desviados — incluindo 16 salas comerciais compradas por R$ 5 milhões em São Bernardo do Campo (SP), atribuídas à Contag, revelou o jornalista do Canal Rural, Ricardo Araújo, na edição desta segunda-feira (5) do Mercado & Companhia.
A classe política reagiu fortemente. Deputados e senadores da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) cobraram investigação rigorosa e punição exemplar aos responsáveis. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) classificou o caso como “um escândalo” e defendeu punições a quem estiver tirando recursos “dos aposentados, das pessoas idosas e vulneráveis”. Já o deputado Alceu Moreira (MDB-RS) afirmou que esse tipo de esquema “parece estar no DNA” de governos petistas, citando outros casos de corrupção em estatais e fundos públicos.
O novo presidente do INSS confirmou que o processo de ressarcimento dos benefícios a aposentados e pensionistas lesados deve começar já na próxima semana.
As investigações seguem sem prazo para encerramento, e novas informações devem surgir nos próximos dias, conforme o avanço da apuração.