quarta-feira, março 18, 2026

Autor: Redação

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IBGE: Abate de bovinos, suínos e frangos registra recorde no 3º trimestre


Embarque de bovinos do sítio Shofar para o abate. Foto: Matheus Roz
Embarque de bovinos do sítio Shofar para o abate. Foto: Matheus Roz

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira (10), mostram que a produção pecuária brasileira avançou no 3º trimestre de 2025 e registrou resultados recordes em diferentes segmentos.

O abate de bovinos, suínos e frangos cresceu no período, assim como a aquisição de leite e de couro. A produção de ovos também superou o volume do mesmo período de 2024, apesar de leve recuo frente ao trimestre imediatamente anterior.

Abate de bovinos mantém ritmo de crescimento

O abate de bovinos somou cerca de 11,28 milhões de cabeças no 3º trimestre de 2025. O volume representou alta de 7,4% frente ao mesmo período de 2024 e crescimento de 7,1% em relação ao 2º trimestre do ano. O avanço ocorreu mesmo com comportamentos distintos entre categorias, como bois, vacas, novilhos e novilhas.

A produção de carcaças bovinas acompanhou esse movimento. O peso total chegou a aproximadamente 2,97 milhões de toneladas, com aumento de 6,5% na comparação anual e avanço de 11,2% frente ao trimestre anterior. O resultado reflete tanto o maior número de animais abatidos quanto a elevação no rendimento médio das carcaças.

Suínos e frangos também registram expansão

O abate de suínos alcançou 15,81 milhões de cabeças no 3º trimestre. O número indica crescimento de 5,3% em relação ao mesmo período de 2024 e de 4,8% frente ao trimestre anterior. O peso total das carcaças somou cerca de 1,49 milhão de toneladas, mantendo variação positiva nas duas bases de comparação.

No segmento de aves, foram abatidas aproximadamente 1,69 bilhão de cabeças de frango no período. O resultado ficou 2,9% acima do registrado no 3º trimestre de 2024 e 3,0% superior ao observado no trimestre imediatamente anterior. A produção de carcaças totalizou cerca de 3,60 milhões de toneladas.

Leite e couro puxam recordes na indústria

A aquisição de leite cru pelos estabelecimentos sob algum tipo de inspeção sanitária somou 7,01 bilhões de litros no 3º trimestre de 2025. O volume cresceu 10,2% em relação ao mesmo período de 2024 e 7,9% na comparação trimestral. O leite efetivamente industrializado acompanhou esse avanço.

No mercado de couro, os curtumes receberam 11,42 milhões de peças de couro cru bovino no período. O volume representa aumento de 8,2% frente ao 3º trimestre de 2024 e de 6,2% na comparação com o trimestre anterior.

Produção de ovos segue elevada

A produção de ovos de galinha alcançou aproximadamente 1,24 bilhão de dúzias no 3º trimestre de 2025. O resultado ficou 2,6% acima do volume registrado no mesmo período de 2024, embora tenha recuado 0,5% em relação ao 2º trimestre do ano.

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Exportações de algodão podem atingir novo recorde


Algodão Mato Grosso pluma
Foto: Viviane Petroli/Canal Rural Mato Grosso

Os preços domésticos do algodão em pluma estão oscilando neste início de dezembro. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o instituto, os momentos de baixa vêm sendo influenciados pela necessidade de alguns vendedores de captar recursos e/ou de liquidar certos lotes. Por outro lado, as altas estão atreladas à firmeza de vendedores, especialmente aqueles capitalizados e/ou com lotes de qualidade superior.

Do lado comprador, pesquisadores do Cepea explicam que indústrias se preparam para o recesso de fim de ano e realizam aquisições pontuais. Preocupações logísticas também entram no radar de agentes neste período, o que reforça a lentidão dos negócios. Além de cumprir contratos a termo, players têm realizado novas programações, sobretudo para o primeiro semestre de 2026.

Quanto às exportações, o setor nacional deve alcançar uma nova marca histórica em 2025. Até então, o recorde anual fica com 2024, de 2,77 milhões de toneladas, conforme dados da Secex.

Em novembro, os envios somaram 402,5 mil toneladas, o maior volume para o período, além de superar em 36,9% o de outubro/25 e em 34,4% o de novembro/24. No ano, já acumulam 2,57 milhões de toneladas.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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AgroNewsPolítica & Agro

Comércio exterior soma US$ 12,9 bilhões no início de dezembro


A balança comercial brasileira iniciou dezembro de 2025 com superávit de US$ 1,9 bilhão, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) nesta segunda-feira (8). De acordo com o órgão, a corrente de comércio da primeira semana do mês alcançou US$ 12,9 bilhões, resultado de US$ 7,4 bilhões em exportações e US$ 5,5 bilhões em importações.

A Secex informou que, no acumulado do ano, “as exportações totalizam US$ 325,3 bilhões e as importações, US$ 265,5 bilhões”, o que gera saldo positivo de US$ 59,8 bilhões e corrente de comércio de US$ 590,7 bilhões.

Nas vendas externas, a comparação entre a média diária da primeira semana de dezembro de 2025 e a de dezembro de 2024 mostra alta de 25,4%, passando de US$ 1,184 bilhão para US$ 1,486 bilhão. As importações também cresceram: “houve aumento de 14,3%”, com a média diária subindo de US$ 964,06 milhões para US$ 1,101 bilhão.

Até a primeira semana do mês, a média diária da corrente de comércio somou US$ 2,587 bilhões, enquanto o saldo médio diário foi de US$ 384,67 milhões. Na comparação com dezembro de 2024, “houve crescimento de 20,4% na corrente de comércio”, aponta o informe.

No desempenho por setores, as exportações mostram avanço em todas as áreas. A Secex destacou que, até a primeira semana de dezembro de 2025, houve crescimento de 58,9% na Agropecuária, equivalente a US$ 111,59 milhões na média diária. A Indústria Extrativa registrou alta de 42,8% (US$ 103,3 milhões), enquanto a Indústria de Transformação aumentou 11,3% (US$ 84,28 milhões).

Nas importações, também houve expansão. A Agropecuária cresceu 13,3% (US$ 3,01 milhões), a Indústria Extrativa avançou 33,3% (US$ 12,88 milhões) e os produtos da Indústria de Transformação tiveram alta de 14,1% (US$ 126,07 milhões) na média diária.





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Queda no preço dos alimentos ajuda a desacelerar inflação em novembro


alimentos alta inflação
Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

A inflação oficial medida pelo IPCA registrou alta de 0,18% em novembro. O resultado ficou acima do índice de outubro, que havia sido de 0,09%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (10).

Com isso, a inflação acumulada no ano chegou a 3,92%. Em 12 meses, o indicador ficou em 4,46%, abaixo dos 4,68% registrados no período imediatamente anterior.

O desempenho de novembro foi influenciado, principalmente, pelo avanço nos preços de serviços e pela alta da energia elétrica. Em novembro de 2024, a inflação havia sido maior, com variação de 0,39%.

Pressões vieram de despesas pessoais e habitação

Cinco dos nove grupos pesquisados apresentaram aumento de preços em novembro. As maiores pressões vieram de despesas pessoais e habitação, ambos com alta de 0,77% e 0,52%, respectivamente.

Em despesas pessoais, o principal impacto veio do item hospedagem. A alta de 4,09% refletiu aumentos expressivos em Belém, que sediou a COP30 no mês. Esse movimento respondeu por 0,03 ponto percentual do IPCA.

No grupo habitação, a energia elétrica residencial subiu 1,27% e teve impacto relevante no índice. A vigência da bandeira tarifária vermelha patamar um manteve cobranças adicionais na conta de luz, somadas a reajustes regionais aplicados em capitais como Goiânia, Brasília, São Paulo e Porto Alegre.

A energia elétrica acumula alta de 15,08% no ano e de 11,41% em 12 meses. Esse item é o principal impacto individual do IPCA nos dois períodos.

Transportes e alimentos ajudaram a conter o índice

O grupo transportes avançou 0,22% em novembro, pressionado pela alta de 11,90% das passagens aéreas. Em sentido oposto, os combustíveis recuaram 0,32%, com quedas na gasolina, no diesel e no gás veicular. O etanol subiu 0,39%, mas em ritmo menor que em outubro.

Já alimentação e bebidas registrou variação negativa de 0,01%. A alimentação no domicílio caiu pelo sexto mês seguido, com destaque para reduções nos preços do tomate, leite longa vida e arroz. As carnes e o óleo de soja tiveram alta no período.

Entre as regiões, Goiânia apresentou a maior variação mensal, com 0,44%. Aracaju teve o menor resultado, com deflação de 0,10%, influenciada pela queda em serviços e combustíveis.

INPC tem alta mais moderada

O INPC, que mede a inflação para famílias de menor renda, avançou 0,03% em novembro. No ano, o índice acumula 3,68% e, em 12 meses, 4,18%, também abaixo do período anterior.

Assim como no IPCA, a energia elétrica e os preços de alimentos influenciaram os resultados regionais do indicador.

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Chuvas trazem otimismo para produtores de café


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

Os bons volumes de chuvas registrados em muitas regiões produtoras de café arábica vêm trazendo otimismo ao setor, à medida que favorecem o potencial produtivo da nova safra. Isso é o que explicam os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Para o robusta, segundo o instituto, apesar de um período mais seco que prejudicou o início da temporada, chuvas no norte do Espírito Santo, onde se concentra a maior parte da área da variedade, têm ocorrido em quantidades ainda maiores. Para esta semana, a Climatempo prevê novas precipitações no cinturão cafeeiro, o que, conforme análise do Cepea, intensifica as expectativas positivas entre os agentes.

Dados divulgados neste mês pela Conab apontam que a produção da safra 2025/26 alcançou 56,5 milhões de sacas, aumentos de 4,3% em relação a 2024 e de 2,5% frente a 2023, mas ainda abaixo do necessário para que os estoques voltem a ficar confortáveis. Para a temporada 2026/27, estimativas da Conab devem ser divulgadas em janeiro/26. 

Além de se tratar de uma safra de bienalidade alta, agentes consultados pelo Cepea indicam que as condições climáticas, mesmo com alguns dias com menor volume de chuva em novembro, estão melhores que as observadas em safras anteriores.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo

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Agro diz que ajuda de US$ 12 bilhões de Trump não cobre prejuízos causados por tarifas


Donald Trump, irã
Foto: Joyce N. Boghosian/ The White House

O novo pacote de US$ 12 bilhões anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi recebido com alívio, mas também com forte ceticismo pelos agricultores norte-americanos. Apesar do apoio emergencial vir em um momento de margens apertadas, com preços baixos, custos elevados e exportações em queda devido às disputas comerciais, lideranças do setor afirmam que o valor é insuficiente para compensar as perdas.

Economistas, produtores e instituições financeiras estimam que o impacto financeiro das tarifas aplicadas pelo governo norte-americano esteja entre US$ 34 bilhões e US$ 44 bilhões, muito acima do montante anunciado. Ainda assim, reconhecem que o pacote ajudará a viabilizar a próxima temporada de plantio, aliviando pressões de curto prazo.

Nova lei agrícola de Trump

A Casa Branca justifica que o pacote é apenas uma medida transitória até que entre em vigor a One Big Beautiful Bill, proposta de legislação tributária e de gastos defendida por Trump. A nova lei promete aumentar os pagamentos agrícolas ao elevar os preços de referência para culturas como milho e soja, reduzindo a dependência de auxílios emergenciais a partir de 2026.

Mesmo com a expectativa de mudanças estruturais, produtores e analistas afirmam que os ajustes previstos são insuficientes para conter o aumento das dívidas e os altos custos de produção no país.

Pesquisas recentes revelam que mais da metade dos agricultores pretende usar a nova ajuda apenas para pagar dívidas existentes, e não para investir ou expandir atividades. Credores agrícolas também projetam que menos da metade dos produtores será lucrativa em 2026, reforçando sinais de deterioração da economia rural americana.

Soja é o setor mais afetado

Entre as culturas, os sojicultores são os que enfrentam o maior impacto. A suspensão das importações americanas pela China, durante a crise comercial, eliminou bilhões de dólares em vendas, perdas que não devem ser revertidas.

Associações do setor afirmam que o pacote federal cobrirá apenas um quarto dos prejuízos da soja. Já produtores de frutas e vegetais estão em situação ainda mais delicada, porque receberão apenas uma parcela reduzida dos recursos.

Setor agrícola segue vulnerável

Mesmo antes da nova rodada de ajuda, os pagamentos governamentais ao setor já se aproximavam de um recorde histórico. Apesar disso, especialistas destacam que a agricultura norte-americana continua exposta a:

  • altos riscos climáticos e de mercado,
  • demanda global enfraquecida,
  • custos operacionais crescentes,
  • endividamento estrutural.

Assim, embora o pacote de US$ 12 bilhões seja visto como necessário, analistas o classificam como uma “ponte temporária”, capaz de desacelerar as perdas, mas longe de resolver os problemas estruturais enfrentados pelos agricultores dos Estados Unidos.

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Agro ocupa 32% do território do Brasil e segunda safra dispara com 14,7 milhões de hectares de milho


Gado ilegal no Maranhão
Gado ilegal estava em território indígena no estado do Maranhão Foto: divulgação/ Casa Civil

As atividades agropecuárias já ocupam 32% do território brasileiro, segundo novo levantamento divulgado nesta quarta-feira (10) pelo MapBiomas. Do total, 56,7% correspondem a pastagens plantadas e 23% às áreas agrícolas, ambas com sinais claros de intensificação do uso do solo observados via satélite.

Entre as lavouras temporárias, como soja, milho e algodão, quase dois terços (64%), ou 31,4 milhões de hectares, apresentaram mais de um ciclo de cultivo, incluindo soja seguida de milho ou algodão, ou ainda o uso de plantas de cobertura. Já 78% das pastagens (121,4 milhões de hectares) registram médio ou alto vigor, indicador diretamente relacionado à capacidade de suporte animal por hectare.

Os dados fazem parte da nova plataforma aberta do MapBiomas, que acaba de lançar o primeiro mapa nacional da agricultura de segunda safra, ainda em versão beta, cobrindo o período de 2000 a 2024.

Segunda safra: milho domina mais de 14,7 milhões de hectares em 2024

O novo mapeamento revela que o milho é a principal cultura da segunda safra no Brasil. Em 2024, foram identificados:

  • 14,7 milhões de hectares de milho
  • 2,5 milhões de hectares de algodão
  • 6,5 milhões de hectares de outras culturas temporárias ou coberturas vegetais

Cerca de 95% do milho safrinha foi implantado após a colheita da soja, reforçando a importância das rotações e do plantio direto no sistema tropical brasileiro.

“A segunda safra é um trunfo da agricultura tropical. Ela aumenta a produção sem abrir novas áreas, melhora o retorno econômico e ajuda no sequestro de carbono”, destaca o pesquisador Eliseu Weber, coordenador do tema de agricultura do MapBiomas.

O especialista alerta, porém, para desafios crescentes: degradação do solo pelo uso intensivo, mudança climática e redução das chuvas, fatores que podem ameaçar a viabilidade da segunda safra, especialmente do milho, nas próximas décadas.

Mato Grosso lidera a segunda safra

O levantamento mostra forte concentração geográfica:

  • Mato Grosso: 7,1 milhões de ha de milho (48% do total mapeado) e 1,6 milhão de ha de algodão
  • Paraná: 5 milhões de ha de segunda safra (2,2 milhões de milho; 2,8 milhões de outras culturas)
  • Mato Grosso do Sul: 2 milhões de ha, sendo 1,9 milhão de milho
  • Goiás: 2 milhões de ha (1,7 milhão de milho; 300 mil de algodão)

Na safra de verão, a soja segue dominante, saltando de 4,5 milhões de hectares em 1985 para 40,7 milhões de hectares em 2024. Mais de dois terços (65%) da soja apresentam dois ciclos de cultivo por ano.

Pastagens: 155 milhões de hectares, com maioria em médio e alto vigor

O monitoramento identificou 155 milhões de hectares de pastagens no país. Apesar de quase 22% das áreas apresentarem baixo vigor, cerca de 34 milhões de hectares com sinais de degradação, a maior parte demonstra boa capacidade forrageira:

  • Médio vigor: 43%
  • Alto vigor: 35,4%

Entre 2000 e 2024, houve ganho líquido de vigor em 6,2 milhões de hectares. A Amazônia concentra as pastagens com maior biomassa (acima de 25 t/ha/ano).

“Essas áreas de baixo vigor representam uma enorme oportunidade para conversão produtiva, alinhada ao Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas”, afirma Laerte Guimarães Ferreira, coordenador no MapBiomas.

Os estados com mais pastagens são:

  • Pará – 21,7 milhões ha
  • Mato Grosso – 20,2 milhões ha
  • Minas Gerais – 19,3 milhões ha
  • Bahia – 14,6 milhões ha
  • Mato Grosso do Sul – 12,2 milhões ha
  • Goiás – 12 milhões ha

Juntos, representam quase 70% do total nacional.

Expansão agrícola avança sobre pastagens, que, por sua vez, avançam sobre vegetação nativa

O MapBiomas confirma que a expansão agrícola ocorreu principalmente sobre áreas de pastagens, enquanto as pastagens avançaram sobretudo sobre vegetação nativa, primeiro sobre formações florestais e depois savânicas.

Ainda assim, uma parte relevante das pastagens voltou a ser vegetação nativa ao longo das décadas, movimento observado em todas as séries analisadas.

Culturas permanentes também crescem

Entre 1985 e 2024, houve expansão consistente em cultivos permanentes:

  • Cana-de-açúcar: 2,2 para 10,1 milhões ha
  • Arroz: 390 mil para 1,1 milhão ha
  • Citrus: 100 mil para 400 mil ha
  • Dendê: 10 mil para 240 mil ha (forte concentração no Pará)
  • Silvicultura: 1,56 para 9 milhões ha

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Câmara aprova reabertura de prazo para regularizar imóveis rurais em faixa de fronteira


Câmara dos Deputados sessão vetos licenciamento
Foto: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (9), o Projeto de Lei 4497/24, que reabre por mais 15 anos o prazo para a ratificação de registros imobiliários de imóveis rurais localizados na faixa de fronteira. O texto segue agora para sanção presidencial.

A proposta, de autoria do deputado Tião Medeiros (PP-PR), também define regras específicas para imóveis com mais de 2,5 mil hectares, cuja ratificação dependerá de análise do Congresso Nacional, inclusive de forma tácita, caso o parlamento não se manifeste em até dois anos.

A relatora, deputada Chris Tonietto (PL-RJ), recomendou a aprovação do texto vindo do Senado sem alterações. Segundo ela, a medida “traz avanços na ratificação de registros de imóveis situados na faixa de fronteira”, ao unificar procedimentos e estabelecer critérios para declarar ineficácia de títulos, garantindo segurança jurídica.

Por que o projeto é necessário?

O problema fundiário se arrasta há décadas. A União é proprietária das terras localizadas dentro da faixa de fronteira de até 150 km, mas estados venderam imóveis nessas áreas ao longo do século 19 e 20, gerando impugnações de registros, conflitos de domínio e casos de grilagem.

A Lei 13.178/15 tentou organizar as regras de ratificação, mas seu prazo expira em 2030. Com o novo projeto, o período será estendido para 15 anos após a publicação da futura lei, o que pode levar o limite até 2040. Esse prazo, no entanto, poderá ser suspenso enquanto houver processo em cartório, análise no Congresso ou impedimento jurídico.

Em 2022, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucionais trechos da lei anterior, exigindo que toda ratificação respeite princípios como função social da propriedade, submissão à política agrícola e coerência com o plano nacional de reforma agrária.

O que muda na prática?

  1. Comprovação da função social

O interessado deverá apresentar apenas um documento: o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR), emitido pelo Incra. As informações são consideradas prestadas de boa-fé, mas o órgão poderá questionar inconsistências.

  1. Ação da União

Depois que o cartório concluir o procedimento e comunicar a União, o governo terá cinco anos para decidir se declara a área de interesse social para reforma agrária, sem indenização pela terra nua, se comprovado descumprimento da função social.

Caso se constate que um estado vendeu terreno pertencente à União, caberá ao estado indenizar o comprador.

  1. Direito à contestação

Quem se sentir prejudicado pode recorrer à Justiça em até cinco anos, prazo que fica suspenso enquanto durar o processo administrativo.

  1. Processos em andamento

Ratificações já averbadas continuam válidas. Processos ainda não concluídos poderão usar as novas regras.

  1. Cadeia dominial

A União terá cinco anos para declarar ineficaz a ratificação se faltar registro da transferência dominial do imóvel — mas isso só pode ocorrer por ação judicial.

O projeto também permite que o interessado peça reconhecimento judicial da origem do título, apresentando documentos históricos e provas diversas.

Como ficam imóveis acima de 2,5 mil hectares?

Para grandes propriedades, o procedimento inicial é o mesmo, mas após a conferência documental, o cartório deverá enviar o caso ao Congresso Nacional, que consultará o Executivo. O governo terá três anos para se manifestar.

Se não houver divergências, a ratificação segue. Se houver, o caso deve ser decidido pelo Parlamento.

Pequenas propriedades e georreferenciamento

Para imóveis de até 4 módulos fiscais, a exigência de coordenadas georreferenciadas só valerá um ano após a regulamentação da isenção de custos desse levantamento técnico.

O projeto ainda dispensa georreferenciamento em casos como:

  • sucessões;
  • partilhas e doações na dissolução de casamento ou união estável;
  • penhora ou indisponibilidade;
  • dação em garantia e atos relacionados à hipoteca ou alienação fiduciária.

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Após decisão do TCU, ministério deixa leilão do megaterminal do Porto de Santos para março


Foto: Vosmar Rosa/Ministério do Portos e Aeroportos

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) confirmou que o leilão do Tecon Santos 10, novo terminal de contêineres do Porto de Santos, deve ocorrer na primeira quinzena de março de 2026. A previsão foi divulgada após a deliberação do Tribunal de Contas da União (TCU), que autorizou o avanço do processo.

Segundo o MPor, em janeiro será realizado um roadshow internacional com embaixadas e empresas interessadas no projeto. Na sequência, o governo publicará o edital de licitação do terminal, considerado estratégico para a expansão da capacidade portuária brasileira.

Investimentos de R$ 6,4 bilhões

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que o empreendimento representa um dos maiores investimentos recentes no setor portuário:

“O Tecon Santos 10 trará investimentos de R$ 6,4 bilhões e ampliará em 50% a capacidade de movimentação de contêineres do Porto de Santos. Agora, com a decisão do TCU podemos dar continuidade ao processo, que vai consolidar o Porto de Santos como um dos principais hubs de contêineres da América Latina.”

Segundo o ministro, as obras devem gerar 2,5 mil empregos diretos e 5 mil indiretos.

Próximos passos e expectativa de alta competitividade

Com a decisão do TCU, o processo retorna ao MPor para ajustes técnicos finais. De acordo com o secretário nacional de Portos, Alex Ávilla, isso deve ocorrer nos próximos dias:

“A partir daí, faremos os ajustes técnicos para a publicação do edital até o final de janeiro. Esperamos uma ampla participação no leilão, já que há muitas empresas nacionais e internacionais interessadas. Sem dúvida, será o maior leilão da história e bastante competitivo.”

Modelo de outorga terá inovação sugerida pelo TCU

O leilão contará com uma inovação na modelagem da outorga, incorporando recomendações do TCU. Entre elas, está a definição de uma outorga mínima, com o objetivo de garantir equilíbrio entre a atratividade do ativo e o retorno financeiro para o poder público.

Novo terminal elevará capacidade para 9 milhões de contêineres

Com 621 mil metros quadrados, o Tecon Santos 10 será voltado à movimentação e armazenagem de contêineres e carga geral. O Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina e responsável por 29% do comércio exterior brasileiro, ganhará um salto significativo de eficiência.

A capacidade anual de movimentação do porto poderá alcançar 9 milhões de TEUs após a entrada em operação do novo terminal. O projeto prevê a construção de quatro berços de atracação para embarque e desembarque.

O vencedor do leilão será o proponente que apresentar maior valor de outorga, e a concessão terá prazo de 25 anos.

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Defesa Civil do RS confirma tornado em cidade da Serra Gaúcha


Foto: Defesa Civil do RS

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul confirmou nesta terça-feira (9) que o fenômeno que atingiu a cidade de Flores da Cunha, na Serra Gaúcha, na segunda-feira (8), foi um tornado. A conclusão foi divulgada pelo Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual, após análise técnica das imagens coletadas na região.

Equipes do Departamento de Gestão de Desastres estiveram no local desde o momento do ocorrido e realizaram levantamentos detalhados dos danos. Segundo o órgão, imagens aéreas da comunidade de Alfredo Chaves, no interior do município, mostram claramente o padrão típico de um tornado: destroços arremessados em diferentes direções, característica que distingue esse tipo de fenômeno de ventos lineares.

Ventos podem ter ultrapassado 100 km/h

A análise meteorológica indicou a presença de uma tempestade com alta refletividade sobre a área atingida, sugerindo que as rajadas de vento podem ter superado os 100 km/h.
A Defesa Civil informou ainda que às 17h10, pouco antes do impacto, o Centro de Operações havia emitido um alerta laranja para a região de Flores da Cunha, incluindo a comunidade atingida. O aviso mencionava potencial para tempestades, ventos fortes e granizo.

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