Entidades do setor rebatem crítica de Flávio Bolsonaro à mistura E32

Entidades representantes dos produtores de açúcar e etanol rebateram na sexta-feira (21) declarações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina. Em nota conjunta, as organizações afirmaram que a comparação do E32 com a chamada reduflação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas.
Assinam a manifestação a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), a Bioenergia Brasil, a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), a União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) e a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana).
As entidades também destacaram que a Lei do Combustível do Futuro, que abriu caminho para a elevação da mistura, foi aprovada pelo Senado em 2024 com participação de Flávio Bolsonaro. Na nota, o grupo afirmou que causa surpresa a crítica partir de quem participou da decisão.
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Durante live na quinta-feira (20), Flávio Bolsonaro disse que a proporção de etanol na gasolina deveria ser discutida e comparou a mudança à redução da quantidade de produtos vendidos pelo mesmo preço. O senador afirmou ainda que “pagou pela gasolina, tem que levar gasolina” e citou a discussão sobre possíveis danos aos motores.
Em resposta, as entidades sustentaram que o E32 foi implementado com base em avaliações técnicas e defenderam que a mistura não prejudica o desempenho dos veículos. Segundo o setor, o Instituto Mauá de Tecnologia testou 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota de 1994 a 2024, com misturas de 27%, 30% e 32% de etanol, em laboratório e pista.
Os testes foram acompanhados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), fabricantes e importadores de veículos e motocicletas. Conforme as entidades, os ensaios apontaram plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor.
A mistura de 32% de etanol anidro na gasolina passou a vigorar em 1º de agosto, por decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). As entidades afirmaram ainda que o etanol é produzido em mais de mil municípios brasileiros e defenderam os efeitos econômicos e energéticos do biocombustível.
Fonte: Estadão Conteúdo
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