sábado, agosto 22, 2026
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Pesquisadores redescobrem plantas raras em Minas Gerais após décadas sem registros


Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena

Um grupo de pesquisadores encontrou na região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, espécies raras de plantas, antes consideradas extintas há mais de 30 anos. O local onde essas variedades foram encontradas é uma área protegida e mantida pela Vale em parceria com o Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, que envolve universidades e instituições de pesquisa.

A pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Laís Zeferino, contou que o projeto vai a campo nos locais onde espécies raras costumam ser encontradas, “Algumas plantas que a gente tinha na nossa lista de espécies-alvo não eram vistas há mais de 100 anos e eram consideradas potencialmente extintas (…) Mas fazendo esse trabalho de ir procurar por essas plantas, a gente acabou encontrando-as na natureza e redescobrindo-as novamente”, comentou a doutora em biologia vegetal.

Espécies encontradas recentemente são típicas da região das serras de Minas Gerais e são conhecidas por suas flores que mantêm a aparência mesmo depois de secas, são elas: Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena.

“Essas plantas são específicas do Quadrilátero Ferrífero, onde a gente tem aquela vegetação em um solo ferruginoso, que é aquela terra bem vermelha”, completou Laís.

A engenheira agrônoma, Patrícia Favoreto Renci, gerente de propagação da Rede Propagar, confirma que essas plantas são endêmicas, o que significa que são específicas de uma determinada região e têm grande importância para a biodiversidade. “São plantas que conseguem sobreviver em condições de temperatura e de estresse relacionado a estresse hídrico e estresse térmico, condições a que outras plantas não conseguiriam sobreviver”, disse Patrícia.

Espécies Redescobertas

Eentre as espécies encontradas, a Paepalanthus magalhaesii é parecida com um minúsculo pompom espalhado entre as rochas rente ao chão. A espécie foi localizada nas áreas protegidas de Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca, entre Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto.

A Coracoralina amoena, outra planta reencontrada, é mais rara e vive em áreas de rochas, com solo fino, muito sol e pouca disponibilidade de água. Essa espécie chegou a ser apontada como desaparecida da natureza.

Laís reforça o que essa pesquisa pode trazer no futuro, “Acredito que trabalhos como esses vão trazer outros registros que a gente ainda não conhece, não só de espécies que já eram conhecidas e que estavam há muito tempo sem serem vistas, mas também de espécies que a gente ainda não tem conhecimento, espécies que a gente considera como novas”.

Da coleta à pesquisa

O material coletado pelos pesquisadores foi enviado para o laboratório da Rede Propagar, local onde as amostras passarão por um sequenciamento genético, o que deve ampliar o conhecimento sobre essas variedades.

Ana Cristina Amoroso, engenheira florestal e especialista em campo rupestre da Vale, explicou que os estudos vão desde a genômica até a produção de mudas. “A ideia é a gente desenvolver métodos de propagar essas plantas, já que a maioria delas tem pouquíssimo conhecimento gerado.”

Além da intenção de reintroduzir as plantas, alguns dos exemplares devem ser guardados e preservados em uma coleção de referência, que poderá ser utilizada em estudos futuros.

Patrícia Favoreto também destacou a importância do projeto para manter a integridade dos locais preservados. Segundo ela, a principal proposta é ‘a conservação do ecossistema e da biodiversidade desse local, “a conservação do ecossistema e da biodiversidade desse local, principalmente em se tratando de um alto índice de mais de 30% de espécies que só ocorrem lá”.

A engenheira também ressaltou a dificuldade de mensurar a relevância desse estudo, “Isso tem uma riqueza difícil de mensurar por elas serem endêmicas. Então, a preservação dessas plantas é crucial para a integridade ecológica dessa região, principalmente diante das pressões que ocorrem por atividades antropogênicas [provocadas por atividade humana] e também com relação às mudanças climáticas, que estão cada vez mais expressivas”.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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