quinta-feira, agosto 20, 2026
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Touro Bandido: relembre a história do animal que marcou Barretos


Touro Bandido na arena de rodeio. Foto: Divulgação/Cia de Rodeio Paulo Emílio.

A tradicional Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo, começa sua 71ª edição nesta quinta-feira (20) e tem entre as figuras mais lembradas o Touro Bandido, animal que marcou a história do rodeio brasileiro e se tornou símbolo das arenas.

Durante sua carreira, o animal derrubou dezenas de peões e ficou conhecido pela dificuldade de permanecer oito segundos sobre sua garupa. A presença do touro também chamava a atenção antes das montarias. 

Quando entrava na arena, Bandido olhava para o público e arrastava a pata no chão. A postura fazia parte da apresentação do animal, que era anunciado pelos locutores no início das competições.

Segundo informações da assessoria da companhia em que Bandido viveu nos últimos anos, o animal nasceu em Goiás em 1994. O primeiro proprietário era um cigano, que deu ao touro o nome de Bandido.

Depois, o animal foi vendido a Renato Pires, da Fazenda Santa Helena, em Goiás. Mais tarde, passou para Neto Oger e Tércio Miranda. Em setembro de 2002, o empresário Paulo Emílio comprou o animal pertencente à Tércio por R$ 10 mil.

Boi Bandido em sua área de descanso. Foto: Divulgação/Cia de Rodeio Paulo Emílio.

Mais de 200 competidores derrubados

Durante o período em que competiu, Bandido derrubou mais de 200 competidores. Entre eles estava Adriano Moraes, tricampeão mundial de montaria em touros.

O animal também teve um único competidor que conseguiu permanecer oito segundos sobre sua garupa. Carlos de Jesus Boaventura venceu Bandido em 2001, durante um rodeio em Jaguariúna, no interior de São Paulo.

No auge da carreira, Bandido chegou a pesar 1.100 quilos. Para acompanhar a rotina de competições, o animal tinha cuidados que incluíam exercícios, alimentação, treinamentos e exames veterinários. Bandido também viajava sozinho em uma carreta própria.

Da arena para a televisão

A fama de Bandido ultrapassou os rodeios. Em 2005, o touro participou da novela América, da TV Globo, escrita por Glória Perez, que retratou a cultura dos rodeios.

A participação na televisão ampliou o reconhecimento do animal fora do circuito das competições e colocou Bandido entre os personagens ligados à cultura do rodeio brasileiro.

A aposentadoria e os últimos anos

O fim da carreira de Bandido ocorreu após problemas de saúde. Os veterinários diagnosticaram um câncer de pele maligno no olho esquerdo do animal.

O tumor foi controlado até o segundo semestre de 2008, quando se espalhou para a garganta, os pulmões e a cabeça. Bandido passou por quimioterapia, mas o tratamento não foi suficiente.

No mesmo ano, Paulo Emílio anunciou a aposentadoria do touro durante uma cerimônia.

Bandido morreu em 4 de janeiro de 2009, na Fazenda Santa Marta, em Icém, no interior de São Paulo.

Memorial no Parque do Peão

Após a morte, Bandido foi enterrado no Parque do Peão, em Barretos, local que recebeu muitas montarias durante sua carreira. 

Uma estátua do animal foi instalada no parque como homenagem. O memorial se tornou um dos locais visitados pelos frequentadores do espaço.

Estátua do Boi Bandido no parque do Peão de Boiadeiro de Barretos (SP). Foto: Divulgação.

Legado na reprodução

Bandido deixou um legado de mais de 70 filhos, 2 mil doses de sêmen congeladas e cinco clones. Parte de seus descendentes também participou de competições nas arenas de rodeio.

Em 2019, Paulo Emílio divulgou o nascimento de um animal resultado do cruzamento entre Bandido e Agressivo, outro touro de destaque nos rodeios brasileiros. O nascimento teria ocorrido por meio de técnicas de reprodução assistida, incluindo fertilização in vitro.

Clones do Boi Bandido em área de pasto. Foto: Divulgação/Cia de Rodeio Paulo Emílio.

A trajetória de Bandido passou pelas arenas, pela televisão e pela reprodução genética. O animal também ficou associado ao Parque do Peão, onde sua memória permanece registrada.

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