Crédito sem burocracia e proteção de renda: o pedido da Aprosoja Brasil ao próximo presidente

O próximo presidente da República terá o desafio de criar condições para que o produtor rural consiga financiar a produção, proteger sua renda e investir com mais segurança. Essa é a avaliação do presidente da Aprosoja Brasil, Lucas Costa Beber, que defende uma reestruturação das políticas de crédito e seguro rural como prioridade para o novo governo.
Segundo ele, a cobertura do seguro rural ainda é insuficiente no país. Atualmente, menos de 4% da área agrícola está protegida pela modalidade, de acordo com o dirigente.
“Precisamos de uma reestruturação nas políticas de crédito rural e também do seguro rural. A área coberta pelo seguro rural atualmente é menos de 4%”, afirmou.
Na avaliação de Beber, a política de proteção precisa contemplar não apenas perdas provocadas por eventos climáticos extremos, mas também mecanismos capazes de preservar a renda do produtor diante de oscilações que comprometam a viabilidade econômica da atividade.
“Nós temos que ter políticas que protejam o produtor tanto em catástrofes climáticas quanto também a proteção da sua renda”, disse.
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Crédito e segurança jurídica
Outra frente apontada pela Aprosoja Brasil é a segurança jurídica. Para a entidade, acelerar a regularização fundiária permitiria que mais produtores utilizassem suas propriedades como garantia na contratação de financiamentos.
“Precisamos também ter segurança jurídica e, para isso, nós temos que acelerar a regularização fundiária dentro do nosso país para que o produtor também possa ter certeza do que é a sua propriedade e usá-la também como garantia para crédito rural”, afirmou.
Beber também defende a desburocratização do crédito rural. Segundo ele, há produtores com capacidade de pagamento e sem problemas de crédito que, ainda assim, encontram dificuldades para conseguir financiamento por não terem garantias suficientes.
É nesse ponto que entra outra demanda da Aprosoja Brasil: a estruturação de um fundo garantidor.
“Muitos produtores, mesmo tendo capacidade para poder financiar, ou seja, não tendo crédito problemático, não têm áreas para darem garantia”, disse.
CAR também entra na agenda
A regularização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) também foi citada como uma medida que poderia facilitar o acesso ao crédito. Beber defende uma força-tarefa para acelerar a análise e a regularização dos cadastros.
Na visão da entidade, a combinação entre regularização fundiária, CAR, fundo garantidor e simplificação dos processos poderia ampliar o número de produtores com acesso às linhas de financiamento.
Para Beber, o objetivo final é criar condições para que o produtor brasileiro consiga competir em um mercado internacional no qual concorrentes contam com diferentes mecanismos de apoio.
“Precisamos de políticas públicas que tornem o produtor brasileiro competitivo, a exemplo dos principais concorrentes nossos, como os produtores norte-americanos e os produtores europeus”, afirmou.
Segundo o presidente da Aprosoja Brasil, esses países contam com políticas de apoio à produção e condições de infraestrutura que reduzem riscos e dão maior previsibilidade aos produtores.
A entidade defende, portanto, que o próximo governo combine crédito acessível, proteção de renda, segurança jurídica e infraestrutura para melhorar as condições de produção e garantir a sustentabilidade econômica da atividade.
A posição da Aprosoja Brasil integra a série do Canal Rural com as principais demandas das entidades do agronegócio para o próximo presidente da República. Confira na íntegra:
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