‘Inadmissível’: ministro cobra retorno do Brasil à lista de fornecedores de carne da UE

O governo brasileiro intensificou as negociações com a União Europeia para recuperar o acesso de produtos de origem animal ao bloco, com atenção especial às carnes bovina e de aves. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou ao Canal Rural que o tema é tratado como estratégico e mobiliza diferentes áreas do governo e representantes do setor produtivo.
Segundo o ministro, uma das prioridades é fazer com que o Brasil volte a integrar a lista de países habilitados pela União Europeia a fornecer carne bovina. Para ele, recuperar essa condição é fundamental, independentemente do ritmo de retomada efetiva das exportações.
“Tão importante quanto voltar a fornecer a nossa carne é voltar a ter o Brasil listado entre os produtores que estão habilitados, cumprindo as determinações que sejam acordadas, a fornecer a carne. O fato de nós termos saído da lista é algo que é inadmissível”, afirmou.
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De Paula destacou que o governo trabalha para acelerar as tratativas e promover as adequações necessárias. Segundo ele, a expectativa é de que o processo relacionado à carne de aves possa avançar mais rapidamente devido às características do ciclo produtivo.
“O ciclo das aves é um ciclo menor, então qualquer que seja a adequação necessária, ela se promove e os seus efeitos são percebidos de forma mais rápida”, explicou.
No caso da carne bovina, o ministro reconheceu que o processo tende a demandar mais tempo. Mesmo depois de eventuais ajustes às exigências europeias, o ciclo de produção mais longo pode retardar a retomada dos embarques.
Governo mobiliza diplomacia nas negociações
As discussões com a União Europeia não estão restritas ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). De acordo com André de Paula, o assunto está sendo conduzido de forma transversal pelo governo, envolvendo também o Ministério das Relações Exteriores e a Presidência da República.
O ministro citou a participação do chanceler Mauro Vieira e do corpo diplomático nas negociações e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha as tratativas.
Segundo De Paula, o governo brasileiro busca uma resposta da União Europeia diante dos esforços realizados para ampliar a parceria entre o Mercosul e o bloco europeu.
“Nós estamos trabalhando intensamente, governo, setor produtivo e Ministério da Agricultura, para que a gente possa ter sucesso nesse esforço”, disse.
O ministro também informou que mantém reuniões com entidades do setor produtivo. Entre elas estão representantes das cadeias de proteína animal envolvidos diretamente nas discussões para recuperar e ampliar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado internacional.
Brasil mira abertura do mercado sul-coreano
Além das negociações com a União Europeia, o governo brasileiro trabalha para ampliar o acesso das proteínas animais a mercados asiáticos.
Segundo André de Paula, uma auditoria da Coreia do Sul em frigoríficos brasieiros A inspeção faz parte do processo para viabilizar a abertura do mercado sul-coreano aos produtos brasileiros.
“Eu tenho muita convicção que muito rapidamente esse mercado será aberto para o Brasil também”, afirmou.
O ministro relacionou a estratégia de abertura de novos destinos à redução da dependência brasileira de mercados específicos. Segundo ele, diversificar compradores permite diminuir os impactos quando algum destino impõe restrições temporárias aos produtos nacionais.
De Paula afirmou que o governo contabiliza 675 novos mercados abertos para produtos agropecuários e pretende superar a meta de 700 durante a atual gestão.
“Quanto mais mercados a gente abre, menor é a dependência que nós temos dos mercados que podem temporariamente se fechar, por maior que seja a relevância que esses mercados têm para o nosso produto”, destacou.
Plataforma busca ampliar alcance da Embrapa
A entrevista ocorreu durante o lançamento de uma plataforma de inovação do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com participação da Embrapa.
De acordo com o ministro, a iniciativa poderá ampliar a cooperação entre países e facilitar o acesso a pesquisas e tecnologias desenvolvidas pela estatal brasileira.
De Paula afirmou que a expertise da Embrapa é frequentemente demandada durante viagens e encontros internacionais. Para ele, a nova plataforma pode conectar produtores e pesquisadores e ampliar a cooperação científica e tecnológica no setor agropecuário.
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