segunda-feira, agosto 17, 2026
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Milho: oferta elevada limita preços, mas demanda e exportações dão suporte


Milho
Foto: divulgação/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento

A oferta elevada de milho continua pressionando as cotações no mercado brasileiro, com a entrada da segunda safra aumentando a disponibilidade do cereal. Ao mesmo tempo, a demanda doméstica e o mercado externo ajudam a limitar perdas. O cenário é apontado pela Grão Direto, por meio da plataforma de Inteligência de Mercado Grainsights.

Segundo a análise, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa para a produção total de milho para 143 milhões de toneladas, sendo cerca de 111 milhões de toneladas da segunda safra. Com maior disponibilidade e estoques elevados, compradores têm menos necessidade de disputar lotes, mantendo pressão sobre os preços em importantes regiões produtoras.

Demanda interna limita pressão

Apesar da oferta confortável, o consumo doméstico segue absorvendo volumes relevantes. A Conab elevou a estimativa de demanda interna para 95 milhões de toneladas, com destaque para as indústrias de proteína animal e o setor de etanol de milho.

Na avaliação da Grão Direto, esse consumo ajuda a equilibrar parte da pressão provocada pela entrada da safrinha e explica as diferenças de comportamento entre as regiões. Mesmo com bastante milho disponível, as cotações não recuam na mesma intensidade em todas as praças.

Nos portos, a valorização do dólar trouxe alguma melhora às referências de exportação durante a semana. O escoamento externo é importante para retirar parte do excedente da segunda safra, mas ainda não foi suficiente para provocar uma recuperação generalizada dos preços.

Com isso, logística e distância dos portos continuam sendo fatores importantes para a formação das cotações no mercado físico.

Milho sobe em Chicago e na B3

De acordo com a Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com alta de 4,56%.

No Brasil, o contrato de mesma referência na B3 também avançou e fechou a semana a R$ 70,20 por saca, com valorização de 2,01%.

No mercado físico, a região Norte de Mato Grosso terminou a semana com referência de R$ 44,54 por saca.

Colheita da safrinha entra no radar

Para os próximos dias, o ritmo da colheita da segunda safra será um dos principais pontos de atenção. Segundo a análise da Grão Direto, menos de 80% da área havia sido colhida no país, abaixo da média histórica de 85%.

No Paraná e na Região Sul, o excesso de chuvas e a elevada umidade têm atrasado os trabalhos. Também há relatos de ocorrência de milho ardido e aplicação de descontos por qualidade, o que reduz a disponibilidade de lotes de padrão superior no mercado físico.

Esse cenário pode contribuir para sustentar os preços em algumas regiões, mesmo diante da oferta elevada projetada para a safra brasileira.

Estoques globais dão suporte ao mercado

No exterior, a revisão dos estoques globais promovida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também trouxe suporte às cotações. A estimativa indica recuo de 8% em relação à safra passada.

Diante disso, o mercado deve acompanhar nos próximos dias o fluxo de embarques nos portos brasileiros, que começa a ganhar força em agosto, além da evolução do clima no Corn Belt, principal região produtora de milho dos Estados Unidos.

Demanda segue como fator de sustentação

A demanda das indústrias de proteína animal e do setor de etanol de milho permanece aquecida e ajuda a sustentar as cotações regionais.

Para o produtor, a recomendação da Grão Direto é acompanhar também os custos de logística rodoviária e armazenagem. Momentos de estabilidade e de alta no mercado futuro podem abrir oportunidades para garantir margens e reduzir a exposição às oscilações de preços.

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