sexta-feira, agosto 14, 2026
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Tarifaço faz exportações brasileiras aos EUA despencarem e atinge produtos do agro


Foto: Pixabay.
Foto: Pixabay.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,2% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. As vendas somaram US$ 21 bilhões, cerca de US$ 2,9 bilhões a menos, e atingiram o menor nível para o período dos últimos três anos.

Os dados são do Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil com base nas informações do Comexstat referentes a julho.

A queda foi ainda mais intensa entre os produtos brasileiros submetidos às sobretaxas mais elevadas, atualmente entre 25% e 37,5%. As exportações desses itens despencaram 31,5% no acumulado do ano, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões — redução de US$ 1,4 bilhão.

Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, os números indicam perda de dinamismo no comércio entre os dois países, sobretudo entre os produtos mais afetados pelas tarifas.

“Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, afirma.

Exportações voltam a cair em julho

Considerando apenas julho, o Brasil exportou US$ 3,6 bilhões para os Estados Unidos, queda de 5% em relação ao mesmo mês de 2025.

O desempenho interrompeu a recuperação observada em junho, quando as vendas haviam registrado o primeiro crescimento desde agosto do ano passado, período em que as tarifas mais elevadas começaram a ser aplicadas.

Entre os bens submetidos às sobretaxas atualmente entre 25% e 37,5%, a retração chegou a 25,7% em julho. Em sentido contrário, os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionados principalmente pelas vendas de produtos de aço e alumínio.

Sebo bovino está entre produtos mais afetados

Entre os principais produtos sujeitos às sobretaxas mais elevadas que registraram forte queda nas exportações entre janeiro e julho estão sebo bovino, madeiras compensadas, portas, fumo, madeira de coníferas, granitos, torneiras e sucos de frutas**.

Semimanufaturados de ferro e aço, submetidos às medidas da Seção 232, também apresentaram retração no período.

O impacto sobre o sebo bovino coloca um produto ligado diretamente à cadeia pecuária entre os itens afetados pela redução das vendas ao mercado norte-americano.

Brasil acumula déficit de US$ 2,3 bilhões

Do lado das importações, julho marcou uma mudança de trajetória. Após sete meses consecutivos de queda, as compras brasileiras de produtos dos Estados Unidos avançaram 0,6%, para US$ 4,3 bilhões.

Com as exportações em queda e as importações praticamente estáveis, o Brasil registrou déficit comercial de US$ 639 milhões com os Estados Unidos em julho.

No acumulado de janeiro a julho, as importações brasileiras de produtos norte-americanos chegaram a US$ 23,2 bilhões, queda de 10,4%. Ainda assim, o déficit brasileiro no comércio bilateral alcançou US$ 2,3 bilhões, avanço de 122,3% na comparação com o mesmo intervalo de 2025.

Vendas aos EUA destoam das exportações brasileiras

O desempenho das vendas para os Estados Unidos contrasta com o resultado das exportações brasileiras para o restante do mundo.

Enquanto os embarques destinados ao mercado norte-americano caíram 12,2% entre janeiro e julho, as exportações totais brasileiras cresceram 10,5%. Mesmo com a retração, os Estados Unidos permanecem como o segundo maior destino dos produtos brasileiros, atrás apenas da China.

Entre os dez principais produtos enviados aos Estados Unidos, quatro registraram queda naquele mercado ao mesmo tempo em que avançaram nas vendas para outros destinos.

As exportações de óleos brutos de petróleo para os Estados Unidos caíram 25,5%. Também houve retração nos embarques de semimanufaturados de ferro ou aço (-11,1%), ferro-gusa (-7,9%) e celulose (-5,3%).

O levantamento aponta ainda que, entre os principais produtos sobretaxados, cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos apresentaram queda no acumulado de 2026. Esses mesmos produtos, porém, registraram crescimento nas vendas brasileiras para o restante do mundo.

Segundo a Amcham, as análises consideram a estrutura tarifária vigente após as medidas que entraram em vigor em 22 e 24 de julho, relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e sobre trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232.

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