segunda-feira, agosto 10, 2026
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EUA ameaçam reduzir cota de açúcar do Brasil em meio a negociações comerciais


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Exportação de açúcar. Foto: Governo Federal

O governo dos Estados Unidos sinalizou que poderá reter e redistribuir cerca de 56 mil toneladas da cota de exportação de açúcar destinada ao Brasil no ano fiscal de 2027 caso o país não apresente “propostas comerciais satisfatórias” a Washington.

A declaração foi feita pelo subsecretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, durante um simpósio da American Sugar Alliance, realizado no Colorado.

Tradicionalmente, a cota tarifária (TRQ, na sigla em inglês) destinada ao açúcar brasileiro é de aproximadamente 156 mil toneladas. Para o ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro de 2026, porém, apenas 100 mil toneladas foram destinadas ao Brasil até o momento.

As aproximadamente 56 mil toneladas restantes ainda não foram alocadas e correspondem a cerca de 36% da cota tradicional brasileira.

No total, os Estados Unidos estabeleceram para o período uma cota de aproximadamente 1,117 milhão de toneladas de açúcar, distribuída entre 39 países.

Por que a cota de açúcar dos EUA é importante?

Apesar de representar uma parcela pequena das vendas brasileiras ao exterior, a cota tem importância comercial por permitir a entrada do produto nos Estados Unidos com uma tarifa significativamente menor.

As exportações brasileiras de açúcar são estimadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 35,7 milhões de toneladas na safra 2025/26. Dessa forma, o volume tradicionalmente destinado ao mercado americano dentro da cota corresponde a menos de 0,5% dos embarques totais do país.

A diferença está no custo de acesso ao mercado. No caso do açúcar bruto, a tarifa aplicada dentro da cota é de aproximadamente US$ 14,60 por tonelada.

Fora desse limite, a cobrança sobe para cerca de US$ 338,60 por tonelada, antes da incidência de eventuais tarifas adicionais. Isso significa uma tarifa mais de 20 vezes superior para o açúcar comercializado fora da cota.

Produtores americanos pressionam por restrições

A possibilidade de retenção da parcela brasileira ocorre em um momento de pressão dos produtores de açúcar dos Estados Unidos por medidas mais rígidas contra o produto importado.

Representantes do setor defendem uma revisão da chamada tarifa “tier 2”, aplicada às importações que ultrapassam as cotas estabelecidas pelo país. O argumento é que a cobrança, definida em 2000, teria perdido capacidade de conter a entrada do produto estrangeiro.

Outro fator que aumenta a preocupação dos produtores americanos é o nível dos estoques domésticos.

Segundo Carlann Unger, responsável pelo programa de açúcar do USDA, os Estados Unidos começaram o ano fiscal de 2026 com os maiores estoques de açúcar já registrados, aumentando a pressão sobre os preços no mercado interno.

Um estudo do Centro de Políticas de Risco Agrícola da Universidade Estadual de Dakota do Norte (NDSU) estima que o aumento das importações de açúcar acima das cotas provocou mais de US$ 3 bilhões em perdas aos produtores americanos nas duas últimas safras.

A definição sobre as 56 mil toneladas ainda não alocadas, portanto, ocorre em meio tanto às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos quanto à pressão interna do setor açucareiro americano por maior proteção contra as importações.

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