sábado, agosto 8, 2026
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Açúcar em excesso pode agravar inflamação pulmonar associada à asma, aponta estudo


açúcar - conab
Foto: Freepik

O consumo de açúcar está associado a uma maior incidência de cáries, ao ganho de peso e, no longo prazo, pode contribuir para o surgimento de resistência à insulina ou diabetes. Mas, para quem sofre de asma, o impacto pode ser ainda maior.

Estudo com camundongos publicado na revista Nutrients mostrou que a ingestão de altas doses de açúcar piora severamente a inflamação pulmonar em curto prazo, agravando o risco de crises alérgicas.

Os camundongos receberam a quantidade regular de ração e, além disso, tiveram o consumo de leite condensado liberado. Em apenas duas semanas (período que em humanos equivaleria a aproximadamente dois anos) os efeitos negativos já começaram a surgir nos animais.

De acordo com os autores, este é o primeiro estudo com um modelo experimental de asma a mostrar a rapidez com que o açúcar pode agravar quadros inflamatórios.

“Quando uma criança consome muito açúcar, pensamos em consequências como cárie ou obesidade. Mas raramente consideramos que, em um período tão curto, uma alergia preexistente possa ser agravada. Os resultados, portanto, têm um impacto importante tanto na prática clínica quanto na formulação de políticas públicas”, comenta a professora do Centro de Ciências Naturais e Humanas da Universidade Federal do ABC (UFABC), Caroline Marcantonio Ferreira.

Na avaliação da cientista, o achado reforça a necessidade de iniciativas voltadas à redução do açúcar, especialmente entre populações vulneráveis, como crianças e pessoas com doenças respiratórias crônicas.

Fator de risco

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas em todo o mundo e cuja prevalência tem aumentado nas últimas décadas. A doença é caracterizada por uma série de alterações no sistema respiratório decorrentes da resposta inflamatória.

Nos pulmões, ocorre o aumento da espessura dos brônquios (tubos que conduzem o ar até o órgão). Além desse estreitamento, há um incremento na produção de muco, que se acumula e dificulta ainda mais a respiração.

O organismo ativa uma resposta imunológica típica de casos de alergia, com liberação de moléculas pró-inflamatórias e produção de anticorpos específicos (imunoglobulina E). Todo esse processo causa sintomas como dificuldade para respirar, chiado no peito e tosse persistente.

Com base nos achados do artigo, os autores alertam que pessoas com asma devem controlar a ingestão de açúcar assim como controlam no ambiente a presença de mofo, poeira e poluição.

“É preciso lembrar que a adequação da dieta é uma estratégia barata, acessível e extremamente eficiente, que deve ser implementada com o tratamento medicamentoso de pacientes com asma”, afirma o bolsista de doutorado da Fapesp no Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Unifesp e coautor do estudo, Mateus Casaro.

A origem da inflamação

Por meio dos experimentos realizados com camundongos, os pesquisadores demonstraram que o açúcar causa uma inflamação sistêmica que começa na gordura armazenada no abdômen, envolvendo órgãos vitais como fígado, pâncreas e intestinos.

Esse tecido adiposo visceral passa a produzir substâncias inflamatórias (como o hormônio leptina e as citocinas), que viajam pelo corpo e intensificam a resposta alérgica nos pulmões. As análises também indicam que células de defesa em estado inflamatório (macrófagos do tipo M1) podem migrar da gordura abdominal para os pulmões.

“Essa é a principal hipótese para explicar por que o açúcar piora a inflamação da asma. Observamos que o açúcar provoca inflamação no tecido adiposo mesmo em animais que não têm asma”, explica Ferreira.

De acordo com ela, nos que consomem açúcar, mas não são alérgicos, o pulmão permanece normal, mas a gordura fica inflamada. Isso sugere que o processo começa na gordura e que substâncias liberadas ali acabam migrando para o pulmão, onde intensificam uma resposta alérgica já existente.

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