IBGE vê recuo da indústria em junho como ajuste após aceleração

O recuo de 1,8% da produção industrial em junho de 2026 pode ter características de ajuste após a aceleração observada em 2025, segundo avaliação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise foi apresentada nesta terça-feira (4) por André Luiz Oliveira Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal. O instituto também relaciona o ambiente de juros elevados à perda de dinamismo da atividade.
Segundo Macedo, a taxa de juros mais alta afeta o poder de compra das famílias e influencia as decisões das empresas sobre produção e modernização dos parques produtivos. Na avaliação do técnico, a política monetária mais apertada também pesa sobre a demanda doméstica, com maior inadimplência e menor capacidade de consumo, o que leva a indústria a adequar o ritmo de produção.
O quadro de junho foi marcado por disseminação das perdas. Das 25 atividades pesquisadas, 16 ficaram no campo negativo. Macedo afirmou que esse espalhamento reforça a leitura de menor dinamismo e destacou que a queda já havia aparecido no mês anterior.
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No acumulado trimestral, a atividade industrial avançou 1,4% no primeiro trimestre de 2026 e desacelerou para 0,3% no segundo trimestre.
A principal influência negativa sobre o resultado geral veio de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com queda de 5,9% em junho. Foi o segundo recuo seguido do segmento, que acumulou perda de 11,8% no período, após ter somado alta de 16,5% em cinco meses de expansão. Também pesaram negativamente produtos químicos (-4,3%), produtos alimentícios (-1,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,0%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11,0%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,9%), outros equipamentos de transporte (-8,6%), produtos de borracha e material plástico (-2,8%) e indústrias extrativas (-0,6%).
Entre os avanços, celulose, papel e produtos de papel cresceu 5,4% e exerceu a principal influência positiva, com terceira alta consecutiva e ganho acumulado de 7,3%. Impressão e reprodução de gravações subiu 20,2%, enquanto metalurgia avançou 1,4%.
No grupo de produtos químicos, Macedo afirmou que a produção de adubos e fertilizantes foi pressionada pelas guerras em curso e contribuiu para a queda de 4,3% do segmento em junho.
Para o IBGE, o recuo de junho reflete uma combinação de ajuste após aceleração anterior, juros elevados, enfraquecimento da demanda doméstica e um movimento de queda distribuído entre as grandes categorias econômicas e atividades industriais.
Fonte: Estadão Conteúdo
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