quarta-feira, julho 29, 2026
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Maurício Saito destaca papel do Sebrae na transformação do agro em Mato Grosso do Sul


Maurício Saito, do Sebrae-MS
Foto: Canal Rural/reprodução

O avanço do agronegócio em Mato Grosso do Sul passa cada vez mais pela integração entre inovação, sustentabilidade e fortalecimento dos pequenos negócios. Essa é a avaliação de Maurício Saito, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Mato Grosso do Sul, que defende a atuação da instituição como ponte entre os micro e pequenos empreendedores e os grandes investimentos que chegam ao estado.

Em entrevista ao Planeta Campo Talks, Saito afirmou que o desenvolvimento do setor é resultado da combinação entre empreendedorismo dos produtores, pesquisa científica, políticas públicas e um ambiente favorável aos investimentos.

Evolução da agropecuária

Segundo ele, um dos diferenciais sul-mato-grossenses é a forte base tecnológica voltada à produção agropecuária. O estado reúne três biomas (Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica), cada um com unidades da Embrapa, além de universidades e instituições de pesquisa que contribuem para o desenvolvimento de tecnologias voltadas à sustentabilidade.

“Essa participação, essa interação entre todas as instituições aqui do estado, juntamente com as instituições do setor produtivo, tem levado o estado a ter uma um crescimento muito sustentado e baseado em de fato sustentabilidade”, destaca Saito.

Saito também atribui parte desse crescimento ao ambiente de negócios criado pelo governo estadual, baseado em segurança jurídica, diálogo com o setor produtivo e programas de incentivo que estimulam investimentos privados.

Nos últimos anos, segundo ele, Mato Grosso do Sul recebeu mais de R$ 100 bilhões em investimentos industriais, especialmente nos segmentos de celulose e biocombustíveis.

Pequenos negócios como elo da cadeia

Na avaliação do presidente de Saito, a chegada de grandes indústrias amplia as oportunidades para micro e pequenos empreendedores, responsáveis pelo fornecimento de serviços, insumos e produtos às novas plantas industriais.

“Não há como você imaginar a chegada de uma grande planta industrial aqui sem o trabalho realizado pelo pequeno e microempreendedor”, afirma.

É nesse contexto que o Sebrae concentra seus esforços, oferecendo capacitações para que pequenas empresas atendam aos padrões exigidos pelas grandes companhias. Além da qualificação técnica, a instituição atua como articuladora entre fornecedores locais e grandes empreendimentos.

Saito cita ainda a Rota Bioceânica como uma oportunidade para diversificar a economia estadual, especialmente por meio do turismo. A expectativa é que o novo corredor logístico impulsione segmentos como hotelaria, gastronomia, artesanato e serviços, ampliando a participação dos pequenos negócios nesse processo.

Crise exige preparo para aproveitar oportunidades

Apesar do momento desafiador enfrentado pelo agronegócio, marcado por dificuldades de crédito e cenário internacional instável, Saito avalia que o período também abre espaço para novos negócios.

Segundo ele, o papel do Sebrae é justamente preparar os empreendedores para que estejam estruturados quando o mercado voltar a crescer. Para isso, o conselho da instituição reúne representantes do agronegócio, indústria, comércio, universidades, instituições financeiras e governo estadual, buscando construir estratégias voltadas ao fortalecimento da economia local.

Sustentabilidade e produtividade caminham juntas

Outro ponto destacado por Saito é a meta de Mato Grosso do Sul de alcançar a neutralidade de carbono até 2030. Para ele, o crescimento da produção no estado não ocorreu à custa do desmatamento, mas principalmente pela recuperação de áreas degradadas e pelo aumento da produtividade.

Como exemplo, ele cita a pecuária, que reduziu o tamanho do rebanho bovino ao mesmo tempo em que ampliou a produção de carne, resultado de avanços tecnológicos e maior eficiência dos sistemas produtivos.

Na agricultura, destacou que a expansão da área cultivada com soja veio acompanhada de ganhos ainda maiores de produtividade, impulsionados pela adoção de tecnologias desenvolvidas por instituições de pesquisa e incorporadas pelos produtores.

Programas como o Precoce MS, voltado à pecuária de qualidade, e os investimentos em etanol de milho também foram apontados como exemplos de uma estratégia que alia competitividade, sustentabilidade e agregação de valor à produção rural.

Transição energética

Saito também ressaltou o papel estratégico de Mato Grosso do Sul na transição energética brasileira. Os investimentos em usinas de etanol de milho e outras iniciativas ligadas à energia renovável reforçam, segundo ele, o posicionamento do estado como referência em desenvolvimento sustentável.

Para o dirigente, a combinação entre empreendedorismo, inovação, pesquisa e políticas públicas continuará sendo determinante para consolidar Mato Grosso do Sul como um dos principais polos do agronegócio brasileiro, com oportunidades crescentes para produtores e pequenos empreendedores.

Trajetória

Nascido em Londrina, Paraná, Saito vive em Mato Grosso do Sul desde 1996. Ao longo de sua trajetória, presidiu o Sindicato Rural de Itaporã, participou da fundação de uma cooperativa em Maracaju, presidiu a Aprosoja-MS e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). Atualmente, Saito lidera o Conselho Deliberativo do Sebrae no estado.

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