quarta-feira, julho 29, 2026
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Estudo aponta falha em antiparasitário e nova alternativa contra a bicheira de umbigo


Foto: Divulgação.
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O período de nascimento na pecuária de corte traz um dos maiores desafios sanitários da fazenda: a proteção dos bezerros recém-nascidos.

A bicheira de umbigo, nome popular da miíase cutânea causada pelas larvas da mosca Cochliomyia hominivorax, é um problema recorrente nos pastos brasileiros. Além do sofrimento animal, a infestação gera prejuízos produtivos diretos e pode levar à morte do bezerro em questão de dias se não houver a intervenção adequada.

A atração da mosca adulta pela mucosa exposta do cordão umbilical recém-cortado faz com que as posturas de ovos ocorram rapidamente.

Em menos de 24 horas, as larvas eclodem e iniciam a invasão dos tecidos. Quando o processo não é contido, o quadro pode evoluir para infecções bacterianas secundárias, resultando no conhecido “umbigo duro” ou na inflamação das articulações (“junta inchada”), comprometendo de forma severa o desenvolvimento do animal.

A perda de eficácia das soluções tradicionais

Por mais de trinta anos, o manejo de maternidade nas propriedades rurais brasileiras se baseou fortemente no uso preventivo da doramectina. No entanto, o uso contínuo e massivo dessa mesma molécula ao longo de décadas acabou selecionando populações de moscas resistentes.

Segundo o médico-veterinário Fernando Borges, mestre e doutor em Medicina Veterinária, relatos científicos no Brasil e na Argentina já confirmam a queda de eficácia da doramectina na prevenção de miíases em bovinos. O especialista alerta que, diante desse cenário de resistência, a margem de manobra do produtor diminui. Além disso, o aumento desmedido da dosagem de produtos tradicionais na tentativa de conter o problema traz sérios riscos de intoxicação e mortalidade nos bezerros.

A proliferação da doença também é favorecida pelo manejo em ambiente extensivo, onde a identificação rápida das infestações nem sempre ocorre no tempo ideal.

Novas alternativas para o manejo neonatal

Diante da necessidade de rotação de princípios ativos para contornar a resistência parasitária, a pesquisa científica tem buscado novas opções terapêuticas. Um estudo de campo conduzido pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com a MSD Saúde Animal, avaliou a eficácia da molécula fluralaner no combate à bicheira de umbigo.

A molécula, comercializada e já utilizada na pecuária bovina desde 2022, possui mecanismo de ação sistêmico e aplicação no dorso do animal. Nos testes de campo com a formulação a 5%, os pesquisadores observaram uma taxa de proteção preventiva de 96% nos bezerros avaliados.

Para Daniel Rodrigues, médico-veterinário e gerente técnico da unidade de Ruminantes da MSD Saúde Animal, garantir a proteção logo nos primeiros dias de vida é fundamental para evitar tratamentos corretivos posteriores, reduzindo a necessidade do uso de antibióticos e minimizando o refugo de animais na maternidade.

A evolução da resistência aos antiparasitários reforça a importância da consulta constante a médicos-veterinários para a adequação dos protocolos sanitários de cada propriedade, aliando boas práticas de manejo neonatal ao uso consciente de tecnologias preventivas.

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