segunda-feira, julho 27, 2026
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Exportação de açúcar para os EUA dentro da cota fica de fora da nova sobretaxa de 12,5%


Chuvas impactam carregamento de açúcar no Paraná -
Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O açúcar brasileiro exportado para os Estados Unidos dentro do regime de cotas ficou de fora da nova sobretaxa de 12,5%, referente à investigação de trabalho forçado, aplicada pela administração de Donald Trump a outros produtos.

A informação é do presidente-executivo da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), Renato Cunha, com base na decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) da última quinta-feira (23).

Desta forma, o açúcar exportado para os Estados Unidos no âmbito da cota estará sujeito apenas à tarifa anterior, de 25%, e somente o que eventualmente for embarcado além da cota pagará 37,5% de tarifa (25% + 12,5%).

A cota é operada exclusivamente por usinas do Norte e do Nordeste, segundo a Lei nº 9.362/1996, que reserva a essas regiões a exportação de derivados de cana para mercados preferenciais.

Por outro lado, no mesmo despacho, o USTR cortou de 156 mil toneladas para 100 mil a parcela brasileira na cota tarifária a partir do ano fiscal 2027, que começa em outubro. “Esta redução pode ser duradoura ou momentânea, o que significa que o volume pode voltar para o Brasil ou ainda ser distribuído entre os outros 38 países contemplados no regime de cotas”, sinaliza Cunha.

Para ele, trata-se de uma medida que alimenta o vaivém de imprevisibilidade, “que ao final do dia provoca toda sorte de desarranjos no segmento da cana. Vamos acompanhar os desdobramentos”, assinala.

Venda de etanol ao Brasil

No caso do etanol, o presidente da NovaBio ressalta que os Estados Unidos demonstram que querem ter livre acesso ao mercado brasileiro sem contrapartidas. “Os Estados Unidos têm excesso de etanol, seja porque não avançam no aumento da mistura na gasolina, bem como pela força da indústria petrolífera local, e almejam mudar este quadro querendo vender o biocombustível para o Brasil, que não tem necessidade alguma de importar”, salienta.

De acordo com ele, vale ressaltar que as exportações brasileiras de açúcar permanecem sujeitas a cotas, ao passo que os Estados Unidos ainda querem exportar etanol para o Brasil com isenção. “Isso acaba não sendo uma negociação, mas sim imposição”, acentua Cunha, que encerra: “o protecionismo não parte de nós, e sim deles, haja vista que além de nossas exportações de açúcar serem sujeitas a cotas, eles ainda reduziram o volume do próximo ciclo de 156 mil toneladas para 100 mil”, conclui.

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