quarta-feira, julho 15, 2026
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Investigações comerciais dos EUA já atingem 98% da economia mundial


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Foto: Pixabay

As investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos já alcançam economias que representam 98% de toda a atividade econômica mundial fora do próprio território norte-americano. A informação consta no estudo “14 Apontamentos sobre a Conjuntura Comercial dos EUA, Brasil e o Resto do Mundo”, do economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), conhecido como Banco dos Brics.

O conteúdo foi divulgado com exclusividade pela Coluna do Estadão desta quarta-feira (15), assinada pela jornalista Roseann Kennedy, e chega em um momento de expectativa em relação ao detalhamento das novas tarifas que o governo dos Estados Unidos pretende aplicar a produtos brasileiros.

Segundo o levantamento, 85 países soberanos, além de Hong Kong, estão atualmente sob algum tipo de investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da Seção 301 da legislação comercial americana. Juntas, essas economias somam aproximadamente US$ 84,5 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB) nominal.

Considerando que a economia mundial, excluindo os Estados Unidos, gira em torno de US$ 86 trilhões, o estudo conclui que as investigações possuem um alcance praticamente universal.

Para Troyjo, trata-se de um movimento sem precedentes na política comercial americana.

“Nunca antes um instrumento unilateral de política comercial dos Estados Unidos alcançou, simultaneamente, economias responsáveis por praticamente toda a atividade econômica mundial fora dos próprios EUA”, afirma o economista no estudo.

Principais economias estão na lista

Entre os países e blocos econômicos submetidos às investigações estão os 27 membros da União Europeia, além de Brasil, China, Hong Kong, Japão, Índia, Coreia do Sul, México, Taiwan, Suíça, Noruega e diversas economias do Sudeste Asiático.

As apurações abrangem diferentes temas considerados estratégicos pelo governo americano, como:

  • excesso de capacidade industrial;
  • uso de mão de obra forçada;
  • propriedade intelectual;
  • economia digital;
  • sistemas eletrônicos de pagamento;
  • barreiras regulatórias;
  • acesso a mercados;
  • outras práticas consideradas desleais pelos Estados Unidos.

Política comercial ganha dimensão geopolítica

Na avaliação de Marcos Troyjo, a Seção 301 deixou de ser apenas um mecanismo de proteção da indústria americana para assumir um papel estratégico na disputa pela liderança tecnológica e econômica global.

Segundo o economista, a política comercial passou a ser utilizada como instrumento de segurança econômica, fortalecimento das cadeias produtivas e ampliação da influência geopolítica dos Estados Unidos.

O estudo também destaca que o principal fator de poder de negociação de Washington continua sendo seu mercado consumidor. Os Estados Unidos importam cerca de US$ 3,7 trilhões por ano, mantendo-se como o maior importador do planeta.

De acordo com Troyjo, esse volume supera o Produto Interno Bruto da França e também é maior que o PIB combinado de todos os países do continente africano, reforçando a capacidade dos Estados Unidos de utilizar o acesso ao seu mercado como ferramenta de pressão nas negociações comerciais internacionais.

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