EUA devem confirmar novo tarifaço contra o Brasil; como fica o agro?

O governo dos Estados Unidos deve confirmar a aplicação de um novo tarifaço contra produtos brasileiros, mas sinalizou um aumento da lista de exceções, conforme apuração da CNN Brasil. A informação foi transmitida pelo chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer, a interlocutores do governo brasileiro.
Segundo esses interlocutores, Greer indicou que já encaminhou ao presidente Donald Trump a recomendação final sobre as novas taxas. O avanço da medida ocorre após o encerramento das negociações bilaterais na terça-feira (14), em Washington.
De acordo com os relatos obtidos pela CNN, o representante do USTR deu as discussões por encerradas e queixou-se da postura do Brasil.
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A mobilização de emergência das entidades do agro
O “novo tarifaço”, proposto pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA coloca em jogo bilhões de dólares em exportações e mobiliza as principais lideranças do agronegócio nacional.
Na semana passada, a iminência do prazo final desencadeou uma série de reuniões estratégicas de emergência entre os principais representantes dos exportadores brasileiros e as autoridades de comércio exterior.
Os debates contaram com forte participação de lideranças nacionais, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Sociedade Rural Brasileira (SRB), além de entidades do setor cafeeiro, como o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Juntas, as representações setoriais intensificaram a articulação junto ao governo federal e à embaixada americana para tentar mitigar os impactos das possíveis barreiras. O foco dessas discussões na última semana foi duplo:
- Defesa contra bitributação: Alinhar os argumentos jurídicos que contestam a legalidade das investigações americanas.
- Mitigação de riscos colaterais: Avaliar o impacto das barreiras sobre o fluxo logístico e buscar alternativas de mercado internacional, caso as taxas sejam aplicadas.
Essas entidades reforçaram que a imposição de barreiras desestruturaria cadeias de suprimentos globais que dependem diretamente da regularidade e da alta qualidade do produto brasileiro.
O que está em jogo na decisão de hoje?
A proposta atual do governo norte-americano prevê uma tarifa adicional de 25% baseada em alegações de práticas comerciais desleais. No entanto, o cenário monitorado de perto pelas entidades do agro ao longo da última semana aponta para um risco ainda mais severo:
- A sobretaxa de 25%: Tarifa base sob a Seção 301.
- O adicional de 12,5%: Uma segunda frente de investigação, focada em supostas fragilidades brasileiras no combate ao trabalho forçado, pode somar mais 12,5% de imposto.
- Pior cenário: Caso as duas tarifas sejam cumulativas, os produtos brasileiros afetados poderão enfrentar uma barreira alfandegária de até 37,5%.
Exceções e pressão no limite do prazo
Apesar da postura agressiva de Washington, a intensa articulação diplomática e o peso de entidades, como o Cecafé, ajudaram a blindar setores estratégicos.
No desenho atual do projeto, itens fundamentais do agronegócio nacional, como o café verde e a carne bovina, além de peças de aeronaves e terras raras, foram mantidos fora da lista de produtos diretamente afetados pela sobretaxa de 25%.
Por outro lado, o setor de café solúvel, derivados de cana-de-açúcar, madeira e rochas ornamentais (como granito e ardósia) seguem sob forte ameaça na decisão que será anunciada em definitivo nas próximas horas.
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