Fiemg vê risco à competitividade brasileira com tarifas dos EUA

As novas tarifas em estudo pelo governo dos Estados Unidos podem reduzir a competitividade dos produtos brasileiros e favorecer fornecedores internacionais, segundo avaliação da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). A decisão do Escritório da Representação Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre eventual imposição das medidas contra o Brasil deve ser anunciada até esta quarta-feira (15).
De acordo com a Fiemg, a diferença tarifária pode comprometer a posição do Brasil como fornecedor de matérias-primas e insumos para a indústria americana. Nesse cenário, exportadores brasileiros podem perder espaço para concorrentes, enfrentar pressão por redução de preços e renegociar contratos e condições comerciais.
A entidade calcula que a soma de uma tarifa de 25%, associada à aplicação da lei da Seção 301, com outros 12,5%, vinculados a uma suposta falha contra o trabalho forçado, pode gerar cobrança adicional de 37,5% para produtos alcançados simultaneamente pelas duas medidas em análise.
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Levantamento do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiemg indica que a maior exposição está concentrada em matérias-primas, insumos agroindustriais, produtos de madeira e determinados bens industriais. Entre os itens mais expostos está o ferro-gusa, que pode ser atingido pelas duas medidas discutidas pelos Estados Unidos.
Segundo a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN da Fiemg, Verônica Ribeiro Winter, o problema central está na diferença de tratamento entre países que disputam os mesmos compradores. Ela afirma que essa desvantagem pode influenciar a decisão dos importadores e comprometer contratos em mercados estratégicos.
No caso do ferro-gusa, o produto brasileiro concorre no mercado americano com fornecedores da Ucrânia, Índia, Canadá, África do Sul e Indonésia. Conforme a Fiemg, o ferro-gusa ucraniano poderia chegar aos Estados Unidos com vantagem tarifária de até 37,5 pontos porcentuais em relação ao produto brasileiro. Sebo e produtos de madeira também estão entre os itens expostos, diante da possibilidade de concorrentes enfrentarem tarifas inferiores.
Para a Fiemg, o efeito das tarifas varia conforme a disponibilidade de fornecedores alternativos, o grau de diferenciação dos produtos e a relação comercial entre exportadores e importadores. Diante da proximidade da decisão americana, a entidade defende a intensificação das negociações entre Brasil e Estados Unidos, a ampliação da lista de exceções e a definição de regras claras para a aplicação das tarifas.
Fonte: Estadão Conteúdo
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