O que a Austrália ensina ao Brasil sobre como enfrentar a seca na pecuária?

O Giro do Boi abriu nesta segunda-feira (13) a semana especial de “Nutrição e Saúde na Seca” com um debate de alto impacto gerencial. Em entrevista ao vivo, o engenheiro agrônomo Dr. Diogo Costa, professor e pesquisador da Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), destacou a importância de aprender com o modelo produtivo do deserto australiano para enfrentar desafios semelhantes no Cerrado brasileiro.
Dr. Costa, que possui mais de uma década de experiência internacional em universidades da Austrália e dos estados Unidos, afirmou que o sucesso no enfrentamento da seca reside na variabilidade zero de processos e no manejo cirúrgico do rúmen. Ele enfatizou a necessidade de rigoroso compliance sanitário, mesmo em ambientes de escassez hídrica.
Confira:
Desafios forrageiros e comparação de modelos
O especialista apresentou dados que revelam a magnitude do desafio forrageiro na Oceania, comparando-o com a realidade brasileira. Segundo ele, embora a Austrália tenha uma extensão territorial semelhante à do Brasil, cerca de dois terços do país são áridos e semiáridos, com um índice pluviométrico anual que não ultrapassa 600 milímetros.
No Brasil, uma lotação de 1 Unidade Animal (UA) por hectare em pastos extensivos é considerada baixa. Em contrapartida, na Austrália Central, a realidade exige 1 UA para cada 20 a 30 hectares, enquanto em regiões mais secas esse número pode saltar para 1 UA para cada 50 hectares. O capim nativo, que sustenta a maior parte da carne produzida, apresenta qualidade nutricional baixa durante a estiagem prolongada.
Estratégias de manejo e nutrição
O Dr. Costa destacou que, sem acesso à vasta oferta de coprodutos agroindustriais disponíveis no Brasil, o produtor australiano utiliza o Nitrogênio Não-Proteico (ureia) como base de subsistência para manter a microbiota do gado ativa. Além disso, os confinamentos locais, que representam mais de 50% dos jovens abatidos, precisam importar insumos para garantir a competitividade no mercado global.
Durante a entrevista, o pesquisador compartilhou suas experiências em Queensland, onde os pecuaristas utilizam a raça sintética droughtmaster, uma combinação de Zebu e Taurino, para suportar o calor extremo. Para mitigar o estresse térmico, grandes grupos australianos investem em estruturas de sombrites nos piquetes de engorda.
Status sanitário e reconhecimento social
Outro ponto abordado foi o status sanitário da pecuária australiana, que é classificada como zona livre de brucelose e tuberculose. Essa condição permite acesso a mercados internacionais exigentes. Dr. Costa também destacou o elevado status do pecuarista australiano na sociedade urbana, reconhecido pelo seu papel na produção de alimentos.
Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.
Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.
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