sábado, julho 11, 2026
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Mercado do boi gordo está em queda, mas expectativa para o último trimestre é de alta


boi, China
Foto: Arquivo/Canal Rural

O mercado físico do boi gordo registrou lentidão nos negócios ao longo da semana. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias, os pecuaristas relutam em entregar os animais nas atuais condições de preço, enquanto os frigoríficos que ainda operam com escalas encurtadas tentam sustentar a pressão baixista nas cotações.

No entanto, o especialista esclarece que as condições para o produtor cadenciar o ritmo dos negócios são piores no momento, considerando o atual momento das pastagens, além da necessidade de girar os negócios nos confinamentos.

Iglesias destaca que o virtual esgotamento da cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina é um elemento importante a ser mencionado neste momento. “As indústrias ainda operam com maior capacidade ociosa para se adequar a uma realidade de menor exportação ao principal mercado do Brasil nos últimos anos.”

O que esperar?

Os preços da arroba do boi gordo devem ter uma alta consistente no último trimestre do ano. A volta da demanda chinesa focada na cota de exportação do Brasil em 2027, a forte procura esperada pelos Estados Unidos e o período auge de demanda no mercado interno tendem a dar sustentação ao mercado.

O coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, acredita que a arroba deve superar a máxima do ano até aqui, de R$ 360 na praça-base São Paulo. “Há uma soma de fatores que nos levam a crer neste comportamento, como a menor participação de fêmeas em relação aos machos, o que puxa o preço do boi intraanualmente.”

Além disso, o especialista ressalta que a partir de setembro, a tendência é a de que a movimentação para o período eleitoral no Brasil intensifique a circulação de renda no país, além da geração de empregos temporários típicos do fim do ano e a diminuição de encargos, somada às bonificações e festas de fim de ano.

“Do lado exportador, o setor já programa os abates e produção de carne para enviar à China e para os Estados Unidos fora das tarifas adicionais que os dois países impõem após a cota de volume superada. Outro destaque é a estação de monta no Brasil, que estimula a retenção de matrizes e, com isso, os preços atuais da reposição devem puxar uma aceleração do quadro para o fim do ano”, destaca Fabbri.

Média da arroba do boi

Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 9 de julho:

  • São Paulo (Capital): R$ 330, baixa de 1,49% frente aos R$ 335 registrados no final da última semana;
  • Goiás (Goiânia): R$ 315, recuo de 1,56% ante os R$ 320 do final da semana anterior;
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 310, retração de 1,59% em comparação aos R$ 315 praticados no fechamento da semana anterior;
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 320, sem mudanças frente à semana passada;
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 320, decréscimo de 3,03% perante os R$ 330 registrados no fechamento da semana passada;
  • Rondônia (Vilhena): R$ 315, declínio de 1,56% em relação aos R$ 320,00 registrados no encerramento da semana passada.

Mercado atacadista

O mercado atacadista se deparou com preços estáveis durante a semana. A eliminação precoce da seleção brasileira de futebol resultou em uma expectativa mais comedida de consumo de carne em relação à Copa do Mundo.

“A carne bovina ainda perde competitividade se comparada às proteínas concorrentes, em especial frente à carne de frango”, lembra o analista.

  • Quarto do dianteiro: cotado a R$ 20 por quilo, queda de 4,76% frente aos R$ 21 por quilo praticados na semana passada;
  • Quarto do traseiro bovino: precificado a R$ 25,50 por quilo, sem mudanças ante à semana anterior.

Exportações de carne bovina

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 288,346 milhões em julho até o momento (3 dias úteis), com média diária de US$ 96,115 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 45,169 mil toneladas, com média diária de 15,056 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.387,70.

Em relação a julho de 2025, houve alta de 43,9% no valor médio diário da exportação, ganho de 25,1% na quantidade média diária exportada e avanço de 15% no preço médio.

*Com informações de Safras News

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