Clima sustenta perspectiva altista para o açúcar no segundo semestre de 2026

O cenário projetado para o segundo semestre de 2026 permanece predominantemente construtivo para o mercado internacional do açúcar, com fortalecimento gradual do viés altista ao longo dos próximos meses, tendo como base a matriz Safras IA Score – Açúcar.
A leitura da matriz sugere que os fundamentos de oferta continuarão relativamente apertados, enquanto os riscos climáticos permanecem como o principal vetor de sustentação dos preços.
No curto prazo (julho/agosto de 2026), o contrato do Sugar #11 em Nova York apresenta score de +50, equivalente a uma tendência altista média. Apesar de não indicar um movimento explosivo, o indicador aponta para um ambiente de recuperação consistente, sustentado principalmente pela percepção de risco sobre a produção global.
Entretanto, para o mercado interno brasileiro, o score permanece em -25, caracterizando uma tendência baixista fraca, reflexo da maior disponibilidade sazonal de açúcar durante o pico da moagem do Centro-Sul e da maior oferta física no mercado doméstico.
A partir do médio prazo (setembro/outubro), o cenário torna-se ainda mais positivo. O score do mercado internacional avança para +85, classificando a tendência como altista forte, enquanto o mercado interno migra para +25, indicando uma inversão do viés e o início de uma recuperação também dos preços domésticos. Essa mudança coincide com a expectativa de redução gradual da pressão de oferta do pico da safra brasileira e maior atenção do mercado aos riscos produtivos do Hemisfério Norte.
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No longo prazo (novembro/dezembro), a matriz mantém praticamente a mesma leitura. O açúcar em Nova York continua com score +85, preservando um ambiente de forte sustentação para as cotações internacionais, enquanto o mercado interno permanece com score +25, sugerindo continuidade da recuperação, embora em intensidade inferior à observada na bolsa internacional.
A decomposição dos fatores da matriz ajuda a entender essa construção. O clima aparece como o principal componente altista durante todo o horizonte analisado, mantendo classificação Altista Forte em curto, médio e longo prazo. Essa avaliação reforça que as incertezas climáticas permanecem elevadas para importantes produtores mundiais e representam o principal risco para a oferta global.

O fator oferta também contribui positivamente, com classificação Altista Média em todos os períodos. Embora o Brasil continue apresentando elevada capacidade exportadora, a expectativa é de que o balanço global permaneça relativamente ajustado, impedindo uma pressão baixista mais intensa sobre as cotações internacionais.

Já a demanda é considerada Neutra durante todo o horizonte da projeção, indicando que o consumo mundial deve permanecer relativamente estável, sem representar um fator adicional de pressão positiva ou negativa para os preços. O mesmo comportamento é observado para o câmbio, cuja influência é avaliada como neutra na composição do score.
Por outro lado, os prêmios de exportação ganham importância ao longo do semestre. A matriz aponta Altista Média no curto prazo, evoluindo para Altista Forte tanto no médio quanto no longo prazo, sugerindo melhora da competitividade do açúcar brasileiro e maior firmeza nas negociações internacionais conforme o avanço da temporada comercial.
Em síntese, a matriz indica que o mercado internacional deve permanecer significativamente mais fortalecido que o mercado doméstico durante o segundo semestre de 2026. Enquanto o Brasil ainda convive, inicialmente, com a pressão da ampla oferta gerada pelo avanço da moagem, o cenário global tende a precificar cada vez mais os riscos climáticos e o aperto relativo da disponibilidade mundial, favorecendo uma trajetória de valorização das cotações em Nova York. No mercado interno, a recuperação deve ocorrer de forma mais gradual, acompanhando a redução da pressão sazonal da safra e a melhora do ambiente internacional.

*Maurício Muruci é especialista em açúcar, etanol e biodiesel da Safras & Mercado, com mais de 15 anos de experiência em análises econômicas e consultoria para mercados agrícolas
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