segunda-feira, julho 6, 2026
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Maior oferta pode manter preços do etanol pressionados na safra 2026/27


Preços do etanol hidratado e anidro recuam nas usinas paulistas, aponta Cepea

O mercado brasileiro de etanol pode registrar novas quedas de preços ao longo da safra 2026/27 se o consumo doméstico não crescer o suficiente para absorver a oferta adicional do biocombustível. A avaliação é da consultoria Czarnikow, em relatório divulgado na sexta-feira (3), que aponta aumento da destinação de cana para etanol, recuo do mix açucareiro e reflexos também sobre o mercado de açúcar.

Segundo a consultoria, os preços do etanol hidratado recuaram cerca de 15% desde o início da safra. Mesmo assim, o biocombustível segue mais atrativo que o açúcar para as usinas na maior parte dos Estados produtores, inclusive em alguns momentos em São Paulo. Esse movimento levou as unidades a ampliar a produção de etanol e reduziu o mix açucareiro ao menor nível desde a safra 2022/23.

A analista Ana Zancaner afirmou no relatório que os motoristas precisam migrar o consumo para o etanol para absorver a oferta adicional gerada pela maior destinação de cana ao biocombustível. De acordo com a Czarnikow, a produção de etanol hidratado de cana até a segunda quinzena de maio ficou 44% acima da observada no mesmo período do ano passado.

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Ao mesmo tempo, a produção de etanol de milho caiu 15% na comparação anual, o que evitou um excedente ainda maior de oferta. Ainda assim, o superávit estimado pela consultoria segue elevado, em cerca de 1,5 bilhão de litros. A Czarnikow também avaliou que a demanda ainda não reagiu ao aumento da oferta, mesmo com a paridade entre etanol e gasolina no menor nível da década. No relatório, a consultoria afirmou que a participação do etanol hidratado precisa superar 30% para sustentar os preços.

Outro ponto destacado é o avanço da produção de etanol anidro, puxado principalmente pelo milho. Segundo a consultoria, esse volume está cerca de 60% acima do registrado há um ano e pode acrescentar aproximadamente 1 bilhão de litros ao mercado até o fim da temporada. A cana-de-açúcar também pode adicionar mais 600 milhões de litros de anidro.

Para reduzir esse excedente, a Czarnikow considera essencial elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, hoje em 30%. A expectativa da consultoria é de aumento para 32% ainda neste ano. Se a medida entrar em vigor em agosto, a demanda adicional seria de cerca de 700 milhões de litros. Na produção de cana, as chuvas mais intensas atrasaram a moagem na segunda quinzena de maio, mas o processamento acumulado da safra segue 16% acima do registrado em igual período do ciclo anterior.

Fonte: Estadão Conteúdo

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