quarta-feira, julho 1, 2026
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El Niño ganha força e muda o clima em julho; veja a previsão para o mês


O mês de julho começa com mudanças importantes no padrão climático sobre o Brasil. O rápido fortalecimento do fenômeno El Niño já começa a influenciar o tempo no país, favorecendo extremos de temperatura e alterando o regime de chuvas em diferentes regiões, segundo a previsão do meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller.

A tendência é de um mês marcado por duas características distintas: a primeira quinzena ainda será influenciada por massas de ar polar, principalmente no Sul, enquanto a segunda metade de julho deve registrar calor intenso no Centro-Oeste, Matopiba e parte do Norte.

Calor pode chegar aos 40°C no Matopiba

De acordo com Arthur Müller, as temperaturas devem subir rapidamente ao longo do mês, especialmente na segunda quinzena.

As áreas mais afetadas serão o leste de Mato Grosso, o Matopiba, região que engloba áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e o norte de Goiás. Nessas regiões, as temperaturas máximas poderão atingir os 40°C.

“O fim de junho foi marcado por frio intenso, mas julho será diferente. A tendência é de uma elevação rápida das temperaturas, principalmente na segunda metade do mês”, explica o meteorologista.

Frio continua no Sul

Apesar do avanço do calor em boa parte do país, novas massas de ar polar ainda devem atingir o Sul durante a primeira quinzena de julho.

O risco de geadas, porém, tende a ficar concentrado no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e, de forma mais localizada, no centro-sul do Paraná.

Segundo Arthur Müller, áreas do interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Triângulo Mineiro também poderão registrar temperaturas baixas, mas sem condições favoráveis para formação de geadas.

El Niño reduz chuva no Norte e Nordeste

Outro efeito típico do fortalecimento do El Niño aparece na distribuição das chuvas. A previsão indica precipitações abaixo da média no litoral do Nordeste e em grande parte da Região Norte durante julho.

Segundo o meteorologista, esse cenário pode agravar a estiagem nos próximos meses, especialmente a partir de agosto, quando normalmente começa o período seco em boa parte da Amazônia.

Enquanto Norte e Nordeste tendem a registrar menos chuva, a Região Sul seguirá com excesso de precipitações.

A previsão indica volumes acima da média no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, sul de São Paulo e sul de Mato Grosso do Sul.

Arthur Müller ressalta que esse padrão deverá persistir não apenas durante julho, mas também ao longo de agosto, setembro e até parte do próximo verão, mantendo a atenção para problemas relacionados ao excesso de umidade, como dificuldades para o trabalho no campo.

Temporais abrem o mês

Os primeiros dias de julho também serão marcados por temporais no Sul do país.

Nesta quarta-feira (1º), a atuação de uma frente fria favorece chuva intensa entre o sul do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Há risco de granizo de grande porte, rajadas intensas de vento, microexplosões atmosféricas e até tornados isolados, principalmente entre o norte gaúcho, Santa Catarina e o sul paranaense.

Os acumulados de chuva podem superar 70 milímetros em áreas do norte do Rio Grande do Sul até quinta-feira (2), elevando o risco de alagamentos, deslizamentos de terra e prejuízos às atividades no campo.

Neve pode voltar

Com a chegada da nova massa de ar frio, a temperatura cai rapidamente a partir de quinta-feira (2).

Como ainda haverá umidade disponível na atmosfera, existe possibilidade de neve entre quinta e sexta-feira nas áreas mais altas da Serra Gaúcha e da Serra Catarinense.

Em cidades como São Joaquim (SC), os termômetros podem atingir 0°C durante o fim de semana.

Segundo Arthur Müller, a primeira quinzena de julho deve permanecer bastante fria no Sul do país antes da intensificação do calor prevista para a segunda metade do mês.

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