Mesmo em meio a incertezas, acordo entre EUA e Irã avança e traz alívio para economia global

Os mercados financeiros iniciaram a semana acompanhando de perto o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã para um acordo de paz no Oriente Médio. Apesar das novas ameaças entre os dois países e da continuidade dos conflitos envolvendo Israel e o Hezbollah no Líbano, os primeiros sinais de progresso nas conversas ajudaram a reduzir parte da aversão ao risco e aliviaram a pressão sobre ativos ligados à crise geopolítica.
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A primeira rodada de negociações entre as delegações norte-americana e iraniana foi realizada neste domingo (21), na Suíça, poucos dias após a assinatura de um memorando de entendimento entre os dois países. O encontro durou cerca de 80 minutos e terminou com avanços na construção de um roteiro para um acordo definitivo, cuja conclusão está prevista para ocorrer em até 60 dias.
Segundo comunicado conjunto divulgado por autoridades do Catar e do Paquistão, houve progresso nas tratativas, embora ainda existam obstáculos importantes para a consolidação da paz.
O principal impasse continua sendo a guerra no Líbano. A delegação iraniana deixou claro que um acordo definitivo dependerá do encerramento dos conflitos em todas as frentes da região, especialmente entre Israel e o Hezbollah.
“O acordo final só poderá avançar com a implementação das medidas previstas no memorando, incluindo o fim da guerra no Líbano”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei.
Além das questões militares, as negociações também abordaram temas econômicos, como a flexibilização das sanções dos Estados Unidos às exportações de petróleo iraniano e a liberação de recursos financeiros do país que permanecem congelados no exterior.
Petróleo recua após avanço das negociações
Os sinais de evolução nas conversas contribuíram para reduzir parte da tensão nos mercados internacionais.
Depois de o Irã anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz em resposta aos ataques israelenses no Líbano, medida que voltou a elevar os riscos para o abastecimento mundial de petróleo, investidores passaram a reagir positivamente ao avanço diplomático.
Na manhã desta segunda-feira (22), o contrato do petróleo WTI para agosto era negociado em queda de 0,81%, a US$ 75,25 por barril, enquanto o Brent recuava 1,78%, para US$ 79,12.
As bolsas europeias operavam em baixa, enquanto os mercados asiáticos fecharam em alta. Nos Estados Unidos, os índices futuros apresentavam pouca variação, refletindo a cautela dos investidores diante da possibilidade de novas oscilações no cenário geopolítico.
Ameaças mantêm clima de incerteza
Apesar do avanço nas negociações, o ambiente permanece delicado.
Durante o fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar bombardear o Irã caso o país não impeça ações do Hezbollah no Líbano.
“O Irã deve impedir imediatamente que seus agentes bem pagos no Líbano causem problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente”, afirmou o presidente.
A resposta veio rapidamente. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país está preparado para reagir a qualquer ofensiva norte-americana.
Ao mesmo tempo, Israel reforçou que manterá tropas no sul do Líbano, enquanto o Hezbollah afirmou que responderá a qualquer nova ação militar israelense.
Mercado segue atento aos próximos passos
Embora a continuidade dos conflitos mantenha um elevado grau de incerteza, os investidores enxergam nas negociações entre Washington e Teerã uma possibilidade concreta de redução das tensões no Oriente Médio.
Caso um acordo seja alcançado, a expectativa é de diminuição dos riscos sobre o fornecimento global de petróleo, redução da volatilidade dos mercados e possível flexibilização das sanções econômicas impostas ao Irã, fatores que podem contribuir para um ambiente mais favorável à economia mundial nos próximos meses.
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