sexta-feira, junho 19, 2026
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O voo da galinha fracassou: por que o Brasil virou lanterna global em negócios?


Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Se você olhar apenas os discursos oficiais sobre o crescimento do PIB, vai achar que o Brasil decolou. Mas a realidade é um voo da galinha: curto, desengonçado e seguido por uma queda dura.

A prova mais recente veio com o Ranking Mundial de Competitividade, elaborado pelo IMD, da Suíça, em parceria com a Fundação Dom Cabral. O Brasil despencou sete posições de uma só vez, amargando o 65º lugar entre 70 nações avaliadas. Ficamos atrás de economias significativamente menores, como Gana, e passamos a integrar o grupo dos últimos colocados do mundo.

“O dinheiro foge da instabilidade: o Brasil cobra caro por um ambiente de negócios caótico”

O custo da falta de projeto

O investidor estrangeiro não convive bem com insegurança jurídica nem com mudanças constantes nas regras do jogo. Dinheiro para construir indústrias, ampliar fábricas e gerar empregos exige horizontes claros. Porém, o Brasil sofre há décadas com a ausência de um projeto consistente de longo prazo, substituído frequentemente por medidas de curto alcance e soluções emergenciais.

Essa combinação de fatores ajuda a explicar o pior desempenho histórico do país nos quesitos eficiência empresarial e eficiência governamental. O Estado arrecada muito, gasta mal e entrega uma infraestrutura insuficiente para sustentar o crescimento. Estradas precárias, portos lentos e energia cara drenam a competitividade de quem tenta produzir.

Último lugar onde mais importa

Para entender o tamanho do problema, o levantamento mostra que o Brasil ocupa a 70ª posição, a última colocação entre os países avaliados, em indicadores considerados vitais para a atividade econômica:

• Custo de capital: o crédito permanece inacessível para grande parte dos empreendedores.

• Endividamento corporativo: empresas convivem com elevados níveis de dívida para continuar operando.

• Produtividade da força de trabalho: deficiências históricas na educação e na qualificação limitam os ganhos de eficiência.

O resultado dessa asfixia financeira já aparece nas estatísticas. Segundo levantamentos do setor, as recuperações judiciais cresceram 24,3% em 2025, refletindo as dificuldades enfrentadas por empresas de diferentes portes e segmentos.

“Com juros proibitivos e burocracia sufocante, o país exporta empresários para vizinhos como o Paraguai”

A fuga do futuro

Exaustos de enfrentar um sistema tributário complexo, excesso de burocracia e mudanças frequentes nas regras econômicas, milhares de micro e pequenos empresários brasileiros buscam alternativas fora do país. Destinos vizinhos, como o Paraguai, com estruturas tributárias mais simples e previsíveis, passaram a atrair investimentos que poderiam gerar renda e empregos em território nacional.

O Brasil possui vantagens importantes. Conta com um mercado consumidor relevante, uma matriz energética diversificada e um setor produtivo resiliente. Mas, enquanto o debate público continuar concentrado na expansão contínua dos gastos públicos e deixar em segundo plano reformas estruturais capazes de elevar a produtividade, o país seguirá perdendo espaço na competição global.

Estar entre os piores desempenhos de competitividade do mundo não é apenas um alerta. É um sinal de que o Brasil corre o risco de se afastar, cada vez mais, das condições necessárias para atrair investimentos, gerar riqueza e construir crescimento sustentável.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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