quinta-feira, junho 18, 2026
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Produção de grãos no Brasil ultrapassa meta global projetada pela FAO para 2050


Jorge Meza Fiap 2026
Foto: Junner Schmidt

O Brasil consolidou sua posição como um dos principais fornecedores de alimentos do mundo e já ultrapassou a meta global de crescimento da produção agrícola projetada para 2050. A avaliação foi feita pelo representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Jorge Meza, durante participação no Fiap 2026, ao destacar o peso do agronegócio brasileiro para a segurança alimentar mundial.

Segundo Meza, o país ocupa posição de liderança tanto na produção quanto na exportação de commodities agrícolas estratégicas, como soja, café, açúcar, suco de laranja e carne bovina. O representante chamou atenção para o forte direcionamento da produção brasileira ao mercado internacional.

Na soja, por exemplo, mais de 60% da produção é exportada em grão, enquanto parte do processamento nacional gera farelo e óleo destinados ao comércio exterior. Meza destacou ainda que, na safra 25/26, o Brasil alcançou cerca de 360 milhões de toneladas de grãos, sendo aproximadamente metade composta por soja.

No café, a expectativa para 2026 é de produção de 66,7 milhões de sacas beneficiadas (alta de 18% em relação ao ciclo anterior), com mais de 70% do volume destinado às exportações.

Outro destaque foi a laranja, segundo os dados apresentados, o Brasil produziu 13 milhões de toneladas em 2025, volume equivalente à soma da produção da China e da União Europeia e mantém liderança global na exportação de suco.

“Laranjas brasileiras estão presentes em oito de cada dez copos de suco consumidos no planeta”, afirmou.

De acordo com Meza, no caso do açúcar, cerca de 80% da produção nacional é destinada ao mercado externo. Já na carne bovina, aproximadamente um terço do volume produzido atualmente é exportado, com previsão de aumento de 15% nos próximos dez anos.

Meta alcançada

Meza relacionou o desempenho brasileiro à meta estabelecida pela FAO em 2005, que previa crescimento de 70% na produção mundial de alimentos até 2050 para atender uma população estimada em 9,1 bilhões de pessoas.

Segundo ele, apenas na produção de grãos o Brasil já superou esse objetivo. Entre 2005 e 2025, o volume produzido passou de aproximadamente 100 milhões para mais de 350 milhões de toneladas. “Isso quer dizer que de longe, o Brasil já alcançou aquela meta que tinha estabelecido com a FAO de 70% de crescimento até 2050”, destacou.

Segurança alimentar

Apesar dos resultados, Meza alertou que produzir mais alimentos não é suficiente para garantir segurança alimentar global. “Só produzir alimentos e vender alimentos, não é só isso segurança alimentar e nutricional no mundo. Tem outros eixos importantes”, afirmou.

Ele explicou que o conceito envolve quatro pilares: disponibilidade, estabilidade, acesso físico e econômico e qualidade nutricional dos alimentos.

Riscos

Entre os principais riscos apontados para o Brasil estão a elevada dependência de fertilizantes importados e os efeitos das mudanças climáticas. Segundo os dados apresentados, cerca de 88,2% dos fertilizantes consumidos no país vêm do exterior, o que representa vulnerabilidade para a estabilidade da produção agrícola.

Além disso, projeções climáticas indicam aumento significativo das temperaturas na América Latina ao longo do século, o que pode reduzir a capacidade de adaptação da agricultura.

“A agricultura do Brasil já não tem ganhos pelo clima, ela já chegou no seu limite em sentido de ganhos pelo clima. Agora, somente ganhos por tecnologia”, afirmou.

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