Soja é o ‘combustível invisível’ do mundo, mas perda de renda do produtor na safra 26/27 preocupa, aponta Buffon

A soja brasileira se consolidou como uma das principais engrenagens da economia mundial e exerce um papel fundamental tanto na segurança alimentar quanto na segurança energética do planeta. A avaliação é de Mauricio Buffon, presidente licenciado da Aprosoja Brasil, durante o painel “O papel estratégico da soja na balança comercial global”, realizado no Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap) 2026, em Campo Grande (MS).
Segundo Buffon, o Brasil cultiva cerca de 48 milhões de hectares de soja e construiu uma cadeia baseada na produção de proteínas e de biocombustíveis. Nos últimos 20 anos, o consumo mundial da oleaginosa cresceu impulsionado pelo aumento da população e pela maior demanda por energia.
“A soja é muito mais do que alimento. O mundo passou a demandar mais biocombustíveis e isso impulsionou toda a indústria no campo. Hoje, ela é a principal commodity do planeta e um pilar estratégico da segurança alimentar”, afirmou.
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Buffon destacou que o complexo soja movimenta cerca de US$ 300 bilhões e responde por aproximadamente US$ 176 bilhões em grãos, sendo um dos principais responsáveis pelo superávit da balança comercial brasileira.
Atualmente, cerca de 78% do farelo de soja é destinado à produção de ração animal, enquanto aproximadamente 19% do óleo é direcionado ao consumo humano e à fabricação de biodiesel. Do óleo produzido no Brasil, 60% segue para os biocombustíveis e os outros 40% permanecem na cadeia alimentar, principalmente no óleo de cozinha.
“A cada vez que ampliamos o uso dos biocombustíveis, aumentamos a sustentabilidade. Trata-se de um combustível altamente renovável e que ainda gera mais farelo de soja para a produção de alimentos”, ressaltou.
Ele lembrou ainda que o Brasil já utiliza uma mistura de 15% de biodiesel no diesel, tornando essa matriz uma importante alternativa para reduzir a dependência nacional do petróleo.
Soja como motor do mundo
Buffon classificou a soja como um “combustível invisível” para o mundo e destacou a evolução da produção brasileira nas últimas duas décadas. Há 20 anos, o país produzia cerca de 53 milhões de toneladas da oleaginosa. Atualmente, a produção gira em torno de 176 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como maior exportador mundial da commodity.
Na última safra, a produção brasileira alcançou 177,8 milhões de toneladas, das quais 111 milhões foram destinadas às exportações. A indústria nacional também teve papel importante, com exportações de 24,6 milhões de toneladas de farelo e consumo interno de aproximadamente 22 milhões de toneladas.
“O mercado chinês é extremamente importante para o Brasil. Apesar dos grandes números da produção e das exportações, acreditamos que teremos um ano mais desafiador para o setor”, disse.
O outro lado da lavoura: os desafios do sojicultor
Buffon alertou que, apesar dos recordes de produção e embarques, a renda do produtor vem sendo pressionada nos últimos quatro anos. Segundo ele, a combinação entre queda dos preços, aumento dos custos, pandemia e conflitos geopolíticos reduziu as margens no campo.
O dirigente chamou atenção para a forte dependência brasileira de fertilizantes importados e afirmou que esse é um dos principais desafios para a sustentabilidade da agricultura nacional.
“Hoje, o produtor brasileiro perdeu poder de investimento nas propriedades e enfrenta dificuldades para manter sua competitividade. O desafio para a safra 2026/27 será reduzir custos. Com menos poder de negociação e menor capacidade de investimento, a tendência é que muitos produtores utilizem menos recursos na próxima temporada”, concluiu.o produtor e para a sustentabilidade econômica da atividade. Precisamos nos atentar a isso que ”, concluiu.
O Fiap 2026 é uma realização da BR IN Eventos e do Canal Rural, com correalização do Sistema Famasul. O evento conta com patrocínio da ApexBrasil, Sebrae, CNA/Senar e Friboi, apoio da Abiec, Governo de Mato Grosso do Sul, Massey Ferguson e CropLife, e tem a Azul como linha aérea oficial.
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