Exportações do Brasil para os EUA despencam em meio à ameaça de novo tarifaço

As exportações brasileiras para os Estados Unidos seguem em queda em 2026, em meio ao avanço das discussões sobre novas tarifas comerciais que podem atingir produtos brasileiros. Dados divulgados pela Amcham Brasil mostram que as vendas do Brasil ao mercado norte-americano recuaram 16% entre janeiro e maio deste ano, somando US$ 14 bilhões, o menor valor para o período desde 2022.
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O desempenho ocorre em um momento de tensão comercial entre os dois países, após os relatórios divulgados no âmbito das investigações da Seção 301 conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Caso as medidas propostas avancem, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar sobretaxas de até 37,5%.
Segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil, a corrente de comércio bilateral totalizou US$ 29,5 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, queda de 14,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
Além da retração das exportações brasileiras, as importações de produtos norte-americanos também caíram. As compras do Brasil vindas dos Estados Unidos somaram US$ 15,5 bilhões no período, recuo de 12,6%.
Com isso, o déficit brasileiro na balança comercial bilateral aumentou 43,3%, alcançando US$ 1,5 bilhão.
Entre os principais produtos responsáveis pela queda das exportações brasileiras aparecem petróleo bruto, café não torrado, semiacabados de ferro ou aço e celulose.
Já do lado das importações, houve redução nas compras de motores e máquinas, aeronaves e partes, além de óleos brutos de petróleo.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram em maio o décimo mês consecutivo de retração. No mês, os embarques somaram US$ 3,1 bilhões, queda de 14% na comparação anual. As importações também recuaram, marcando o sexto mês seguido de baixa.
Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, o comércio bilateral opera abaixo do potencial entre os dois países.
“O comércio bilateral continua operando abaixo do seu potencial. Os resultados no acumulado de 2026 reforçam a importância de avançar nas negociações em curso para evitar novas tarifas e criar condições para a retomada do comércio entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou.
O levantamento também aponta que o desempenho das exportações brasileiras para os Estados Unidos ficou muito abaixo do registrado nas vendas externas totais do Brasil. Enquanto as exportações brasileiras para o mundo cresceram 8,7% entre janeiro e maio, os embarques destinados ao mercado norte-americano recuaram 16%.
Segundo a Amcham, os produtos já sujeitos a sobretaxas adicionais apresentaram retração ainda mais intensa, de 22,6%, ampliando a preocupação do setor exportador brasileiro diante da possibilidade de novas barreiras comerciais.
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