ONS defende leilão anual de reserva de capacidade para reforçar segurança do sistema

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Marcio Rea, afirmou nesta segunda-feira (8), em Brasília, que o Brasil precisaria realizar um leilão de reserva de capacidade por ano para acompanhar o crescimento da geração de energia limpa e ampliar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo ele, a necessidade de novos certames é elevada diante das dificuldades de operação do sistema em horários de pico de consumo.
Durante evento na capital federal, Rea disse que a necessidade de leilões de reserva de capacidade é “dez” em uma escala de zero a dez. De acordo com o diretor, a expansão das fontes solar e eólica vem aumentando a exigência por potência disponível para equilibrar o sistema, especialmente no fim da tarde, quando a geração solar recua e a demanda por eletricidade aumenta.
Segundo o ONS, esse descompasso entre oferta e consumo em diferentes horários torna a operação mais complexa e exige recursos capazes de responder com rapidez para preservar a estabilidade do SIN. Rea afirmou que o leilão realizado em 2026 trouxe “alívio”, mas disse que a contratação ainda não é suficiente para atender à necessidade crescente de confiabilidade e potência. O conteúdo disponível não informa o volume contratado no certame nem os prazos de entrada em operação dos empreendimentos.
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O tema ganhou atenção adicional após o ONS acionar, no sábado, uma operação emergencial para reduzir a geração de energia, em caráter de teste. Segundo o diretor, a medida buscou avaliar procedimentos para situações em que haja excesso de geração sem demanda ou capacidade de escoamento compatível, o que poderia elevar o risco operacional no sistema.
Para o setor agropecuário, a discussão é acompanhada com atenção porque a confiabilidade do fornecimento elétrico afeta atividades dependentes de energia contínua, como irrigação, armazenagem, refrigeração, processamento e operações agroindustriais. A evolução dos próximos leilões e das regras de contratação tende a influenciar o ambiente de oferta e segurança energética, embora o impacto sobre tarifas e custos para o consumidor não tenha sido detalhado na fala do ONS.
A sinalização do ONS reforça a necessidade de expansão da capacidade de resposta do sistema elétrico à medida que cresce a participação de fontes intermitentes. Sem dados adicionais sobre contratação, calendário e regulamentação, ainda não é possível estimar com precisão os efeitos econômicos e operacionais das próximas medidas.
Fonte: Estadão Conteúdo
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