Petróleo cai mais de 2,8% com trégua em foco no Oriente Médio

Os contratos internacionais de petróleo fecharam em queda nesta quinta-feira (4), pressionados pela perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio. O movimento ocorreu após sinais de avanço nas negociações entre Israel e Hezbollah e expectativas de alívio nas relações entre Estados Unidos e Irã. Segundo o mercado, a reação reduziu parte do prêmio de risco geopolítico incorporado às cotações nas últimas semanas.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para julho recuou 3,1%, ou US$ 2,98, e encerrou a US$ 93,04 por barril. Na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, o Brent para agosto caiu 2,84%, ou US$ 2,78, a US$ 95,03 por barril.
A queda devolveu parte dos ganhos da sessão anterior. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que a implementação de um cessar-fogo poderá começar em até 24 horas após a aprovação final de um acordo. Apesar disso, o Irã negou avanço concreto nas conversas e condicionou qualquer entendimento ao fim dos ataques israelenses e à retirada de tropas do território libanês.
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A corretora XS.com observou que episódios anteriores de aparente desescalada foram seguidos por novas rodadas de conflito. Segundo a instituição, a ausência de um acordo formal e vinculante mantém o risco de retomada das hostilidades e de novas pressões sobre o mercado energético.
O Price Futures Group avaliou que sinais de distensão geopolítica costumam estimular realização de lucros, mas ressaltou que os riscos para a oferta global continuam elevados. A instituição acrescentou que, mesmo com eventual reabertura plena do Estreito de Ormuz, a normalização dos fluxos pode levar meses por desafios logísticos e operacionais.
Para o agronegócio, o comportamento do petróleo segue no radar por sua relação com diesel, frete e custos de operação. O material disponível, no entanto, não apresenta estimativas de repasse imediato aos combustíveis no Brasil. O ING afirmou que os estoques globais ainda oferecem suporte parcial ao mercado, mas indicou aperto gradual da oferta no terceiro trimestre.
No curto prazo, o mercado deve continuar sensível a sinais diplomáticos e a eventuais interrupções na oferta. Sem acordo formal consolidado, permanece a volatilidade nas cotações, o que mantém atenção sobre custos de energia e logística para cadeias produtivas que dependem de transporte rodoviário e insumos derivados de petróleo.
Fonte: Estadão Conteúdo
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