Petróleo sobe com tensão no Oriente Médio e risco à oferta global

O petróleo fechou em alta nesta quarta-feira (3), pela terceira sessão seguida, em meio à nova escalada de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. O mercado reagiu ao aumento da percepção de risco sobre a continuidade da guerra no Oriente Médio e sobre a oferta global, diante das dificuldades para normalização do tráfego no Estreito de Ormuz. Também entrou no radar a queda dos estoques de petróleo nos Estados Unidos na semana passada.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do petróleo WTI para julho avançou 2,4%, ou US$ 2,26, e encerrou o dia cotado a US$ 96,02 por barril. Já o Brent para agosto, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), subiu 1,89%, ou US$ 1,81, para US$ 97,81 por barril.
A valorização ocorreu após declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, à CNBC, indicando que os Estados Unidos poderiam retomar ações militares em larga escala contra o Irã, se necessário. Ao mesmo tempo, o cessar-fogo no Estreito de Ormuz segue sob pressão, com novas acusações de ataques envolvendo embarcações e instalações ligadas ao conflito.
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O mercado também monitorou sinais de restrição física de oferta. Com o Estreito de Ormuz virtualmente fechado, aumentaram as dúvidas sobre a capacidade de escoamento de petróleo na região. Nesse contexto, o primeiro-ministro do Iraque determinou a retomada das operações de empresas petrolíferas no Curdistão a partir de quinta-feira (4).
Outro fator de sustentação veio dos estoques nos Estados Unidos. Segundo os dados citados no mercado, as reservas de petróleo caíram 7,974 milhões de barris na semana passada, acima da expectativa de recuo de 3,3 milhões de barris.
Para o agronegócio, o comportamento do petróleo é acompanhado de perto porque influencia os preços de diesel, frete, insumos industriais e custos de energia. Esses efeitos, no entanto, dependem da transmissão para os combustíveis no mercado interno, do câmbio e da política de preços adotada no Brasil.
No curto prazo, a direção das cotações seguirá condicionada à evolução do conflito no Oriente Médio, à situação do Estreito de Ormuz e aos dados de oferta e demanda. Sem uma normalização clara do fluxo na região, o mercado tende a manter prêmio de risco nas negociações.
Fonte: Estadão Conteúdo
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