terça-feira, junho 2, 2026
News

Tarifaço dos EUA cria ‘barreira artificial’ ao etanol, alerta advogado


etanol usina cana - produção industrial - mato grosso
Foto: Canal Rural

A proposta do governo dos Estados Unidos de taxar em 25% os produtos brasileiros acende um alerta estrutural para o agronegócio nacional.

Segundo o doutor e mestre em Agronegócio e sócio do Lara Martins Advogados, André Aidar, mesmo com o fato de itens primários da pauta alimentar terem sido poupados, a medida vai muito além de uma simples disputa econômica, visto que setores-chave enfrentam o risco de perder mercados e lidar com um aumento severo de exigências documentais.

Para ele, o impacto imediato recai sobre a competitividade do etanol brasileiro nos Estados Unidos, que perde sua vantagem ligada ao diferencial ambiental. A tarifa encarece o produto na entrada do mercado norte-americano e reduz sua atratividade frente ao biocombustível produzido em solo estadunidense.

“Na prática, a tarifa funciona como uma barreira artificial: não discute apenas eficiência ou sustentabilidade, mas altera o preço relativo e pode deslocar contratos, margens e previsibilidade comercial”, considera Aidar.

O especialista lembra que o biocombustível aparece no centro da justificativa norte-americana, já que os Estados Unidos alegam tratamento desigual no acesso ao mercado brasileiro.

Sanção reputacional

Outro ponto considerado crítico pelo especialista é o uso do desmatamento ilegal como justificativa para o tarifaço. “Essa abordagem amplia o risco para cadeias que dependem de rastreabilidade, origem regular e comprovação socioambiental. Mesmo setores que já adotam boas práticas podem ser afetados por uma percepção generalizada de risco ligada ao desmatamento ilegal”, afirma.

Aidar pontua que para mercados de celulose, madeira e couro, tal impedimento significa aumento de exigências documentais, além de pressão sobre certificações, auditorias e contratos internacionais.

“O problema é que a tarifa deixa de ser apenas comercial e passa a carregar uma espécie de ‘sanção reputacional’, que pode penalizar empresas regulares por falhas de fiscalização ou por fragilidades percebidas na cadeia como um todo”, avalia o advogado.

Ao mesmo tempo, as consequências globais da taxação também preocupam. Isso porque a alteração do destino natural das exportações força as empresas a redirecionarem volumes para outros mercados. Na visão de Aidar, isso pode gerar excesso de oferta em alguns destinos, pressão sobre preços, aumento de custos logísticos e renegociação de contratos.

Em consequência disso, compradores norte-americanos podem buscar fornecedores alternativos, também pressionando preços internacionais.

O especialista ressalta que o efeito cascata não é automático nem uniforme, mas é bastante possível em cadeias integradas, como energia, fibras, madeira, couro e insumos agroindustriais.

“A consequência principal desse cenário imposto pela taxação é mais volatilidade e menos previsibilidade para produtores, indústrias e exportadores brasileiros”, conclui Aidar.

O post Tarifaço dos EUA cria ‘barreira artificial’ ao etanol, alerta advogado apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *