Estudo da UFF aponta instabilidade em 25% da zona costeira no norte fluminense

Uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF), publicada nesta segunda-feira (26), identificou que mais de 25% das terras da faixa costeira entre Búzios e São Francisco de Itabapoana, no norte fluminense, estão em situação instável. O levantamento avaliou cerca de 22 mil km² entre 1984 e 2024 com base em imagens de satélite, sensoriamento remoto e sistemas de informação geográfica. Segundo o estudo, a degradação está associada ao desmatamento, à pecuária, ao cultivo de café e à expansão urbana.
O Inventário da Degradação do Solo na Zona Costeira do Rio de Janeiro mapeou 2.460,85 km² de áreas degradadas. Desse total, 1.916 km² foram classificados como zonas instáveis e de alta prioridade para recuperação ambiental. As análises abrangeram municípios entre Búzios e São Francisco de Itabapoana, além de Cachoeiras de Macacu, Maricá, Itaguaí, Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty.
Segundo Mohammad Al Abed, professor visitante da UFF e autor da pesquisa, a degradação em encostas íngremes eleva o risco de deslizamentos e intensifica o escoamento superficial da água da chuva. O estudo indica que, entre Maricá e Búzios, o avanço da degradação foi ligado à expansão agrícola e ao crescimento urbano acelerado.
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Na Costa Verde, os pesquisadores registraram erosão em sulcos próxima de áreas urbanas e instabilidade do solo associada ao turismo e à abertura de estradas. No período analisado, a urbanização da região cresceu 254%. O levantamento também apontou perda de 16,3% das áreas de restinga e de 47,8% das áreas úmidas.
Em Maricá, 5,88% das áreas degradadas foram relacionadas a incêndios e à substituição da vegetação nativa por pastagens. De acordo com o estudo, o fogo respondeu por 26% da perda de cobertura arbórea no município entre 2001 e 2023.
Para o setor agropecuário, o diagnóstico indica pressão sobre a conservação do solo, aumento do risco em áreas produtivas e possível impacto sobre estradas, dutos e moradias em regiões rurais e periurbanas. O relatório não apresenta estimativa financeira das perdas produtivas.
A pesquisa aponta que chuvas intensas e prolongadas ampliam a suscetibilidade dos solos à erosão, sobretudo onde houve retirada da vegetação. Com base nesse diagnóstico, a prioridade técnica recai sobre ações de recuperação ambiental e manejo do uso do solo nas áreas já classificadas como instáveis. Sem detalhamento adicional do cronograma de resposta pública, o estudo delimita o risco, mas não informa prazos para eventuais intervenções.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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