quarta-feira, maio 20, 2026
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Crédito rural sustentável cai R$ 8,2 bilhões até março da safra 2025/26


Crédito rural sustentável cai R$ 8,2 bilhões até março da safra 2025/26

O crédito rural com potencial de promover ganhos de sustentabilidade na agropecuária somou R$ 46 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, nos três primeiros trimestres do Plano Safra 2025/26. O volume representa queda de quase R$ 8,2 bilhões em relação ao mesmo período da safra anterior, quando alcançou R$ 54,2 bilhões. Os dados constam no boletim trimestral Crédito Rural em Jornada de Sustentabilidade, divulgado nesta quarta-feira (20) pela consultoria Agroicone.

Segundo o levantamento, o montante respondeu por 22,6% do total desembolsado nas finalidades de custeio e investimento no período. No crédito total dessas duas finalidades, os recursos para investimento recuaram de R$ 79,02 bilhões para R$ 64,99 bilhões, queda de 17,7%. Dentro do recorte com potencial sustentável, a retração foi maior no investimento, de 18,4%, enquanto o custeio caiu 12,5%.

Os pesquisadores Gustavo Lobo e Lauro Vicari, da Agroicone, apontam que o aumento do custo do capital, em ambiente de taxa básica de juros elevada, e o avanço do endividamento rural seguem limitando a transição produtiva. No recorte por atividade, a agricultura teve redução de 16,2% na contratação de recursos alinhados à sustentabilidade, enquanto a pecuária recuou 6,4%.

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Entre os estados, os maiores volumes ficaram com Rio Grande do Sul, com R$ 8,4 bilhões, Minas Gerais, com R$ 6,9 bilhões, Paraná, com R$ 4,6 bilhões, Mato Grosso, com R$ 3,8 bilhões, e São Paulo, com R$ 3,1 bilhões. Por fonte de recursos, os maiores valores vieram de recursos obrigatórios, com R$ 10,4 bilhões, da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) controlada com subvenção econômica, com R$ 10,1 bilhões, e do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), com R$ 4,4 bilhões.

No Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), as linhas com finalidade sustentável somaram R$ 2,3 bilhões, acima dos R$ 1,9 bilhão de igual período anterior. A participação no montante de investimento subiu para 9,1%. Já subprogramas rotulados, como o RenovAgro, perderam participação, segundo a consultoria.

O estudo também destaca a Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) nº 5.268/2026, que teve a entrada em vigor adiada para 2027 e 2028, conforme o porte do imóvel rural. A norma trata da observância de desmatamento e da comprovação de legalidade em conversão de áreas. Para a Agroicone, a implementação dessas exigências tende a ampliar a diligência e o monitoramento de critérios de sustentabilidade no crédito rural. O boletim não apresenta estimativa consolidada para os desembolsos até o encerramento da safra 2025/26.

Fonte: Estadão Conteúdo

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