Juros futuros ganham inclinação com pressão externa e ruído político

A curva de juros futuros ganhou inclinação nesta terça-feira (19), com avanço mais evidente nos contratos de prazo mais longo. O movimento foi influenciado pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, pela piora da percepção de risco político doméstico e por declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David. No fechamento, o DI para janeiro de 2029 subiu a 14,11% e o de janeiro de 2031 avançou a 14,27%.
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 encerrou a sessão em 14,14%, praticamente estável ante os 14,15% do ajuste anterior. Já os vencimentos mais longos registraram alta: o DI para janeiro de 2029 passou de 14,06% para 14,11%, enquanto o DI para janeiro de 2031 subiu de 14,18% para 14,27%.
No cenário externo, o principal vetor foi a abertura das taxas dos Treasuries, em meio ao impasse entre Estados Unidos e Irã. A percepção de risco também acompanhou o mercado de energia. O petróleo Brent para julho fechou em queda de 0,82%, a US$ 111,28 por barril, mas permaneceu em patamar elevado.
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No ambiente doméstico, agentes financeiros citaram falas de Nilton David, do Banco Central, como fator adicional para o movimento de inclinação da curva. Segundo o diretor, a desancoragem das expectativas de inflação segue no radar da autoridade monetária. Investidores também monitoraram declarações atribuídas a conversa reservada, nas quais o diretor teria indicado espaço para cortes adicionais da Selic além de 13,25% ao fim do ano.
De acordo com Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, a pressão internacional foi o fator predominante sobre os juros futuros. Ele também apontou influência do quadro político local sobre os vértices mais longos.
Para o agronegócio, a movimentação da curva é um sinal relevante porque afeta o custo de captação, o financiamento de máquinas, armazenagem, logística e capital de giro. O texto-base, no entanto, não traz recorte específico sobre linhas de crédito rural nem estimativas setoriais.
Sem mudança imediata no ciclo de política monetária indicada pelo Banco Central, o mercado segue concentrado no comportamento da inflação, dos juros globais e do risco fiscal. Para produtores, cooperativas e agroindústrias, a referência técnica é acompanhar os vencimentos mais longos, que influenciam o custo financeiro das operações de investimento.
Fonte: Estadão Conteúdo
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