segunda-feira, maio 18, 2026
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Produtores cobram avanço de projeto no Senado para renegociar dívidas rurais


Produtores cobram avanço de projeto no Senado para renegociar dívidas rurais

Produtores rurais do Rio Grande do Sul acompanham a tramitação do Projeto de Lei 5.122/2023 no Senado como uma alternativa para repactuar dívidas em condições mais acessíveis. Em Pedras Altas (RS), agricultores relatam dificuldade para honrar compromissos financeiros após perdas sucessivas desde a safra 2022/2023. Segundo a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), o endividamento rural no Brasil ultrapassou R$ 170 bilhões em janeiro deste ano.

O quadro relatado por produtores da região combina queda de produtividade, juros elevados, preços da soja abaixo do necessário para cobrir custos e concentração de vencimentos entre 2026 e 2028. Na propriedade da sojicultora Carla Krame, a colheita caiu para 10 a 12 sacas por hectare na safra 2022/2023, em meio à estiagem. Em 2024/2025, a produção chegou a 40 sacas por hectare, mas a receita foi direcionada para passivos acumulados. Na temporada atual, a estimativa é de cerca de 25 sacas por hectare, abaixo do custo de produção, calculado em torno de 30 sacas por hectare, sem considerar dívidas anteriores.

Também em Pedras Altas, a produtora Vanessa Kuntzer relata que o principal problema hoje é o fluxo de caixa. Segundo ela, mesmo após renegociações, os vencimentos seguem concentrados nos próximos anos, o que limita a capacidade de pagamento e de novo investimento. Em um dos casos citados pela produtora, houve oferta de crédito pessoal com taxa de 76% ao ano, patamar que inviabiliza o alongamento financeiro da atividade.

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Diante desse cenário, produtores passaram a vender máquinas, avaliar a alienação de áreas e reorganizar o sistema produtivo. A diversificação inclui trigo, aveia, arroz, canola e pecuária, além do uso de Cédulas de Produto Rural (CPRs) para reduzir dependência de bancos. Ainda assim, os relatos indicam que o volume obtido não tem sido suficiente para recompor capital de giro e financiar o plantio.

O PL 5.122/2023, com votação prevista para esta terça-feira (19) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, é apontado pelo setor como um mecanismo para alongar prazos e ajustar encargos. O texto detalhado da proposta não foi informado integralmente no conteúdo disponível, mas a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) atua para que a medida avance antes do próximo Plano Safra.

A tramitação do projeto será acompanhada pelo setor como um teste para a política de crédito e renegociação no campo. Sem definição legislativa e sem melhora no fluxo de caixa, produtores relatam limitação para custeio, investimento em irrigação e recomposição produtiva após perdas climáticas sucessivas.

Fonte: agencia.fpagropecuaria.org.br

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