segunda-feira, maio 4, 2026
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Irrigação encerra Agrishow 2026 com vendas abaixo de 2025, mas acima da expectativa inicial


Irrigação encerra Agrishow 2026 com vendas abaixo de 2025, mas acima da expectativa inicial

As empresas de irrigação avaliam que o segmento teve desempenho mais resistente do que outras áreas de máquinas agrícolas na 31ª Agrishow, encerrada na sexta-feira (1º), em Ribeirão Preto (SP). Embora as vendas tenham ficado abaixo das registradas em 2025, fabricantes afirmam que o resultado superou as projeções mais pessimistas levadas à feira.

Segundo Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valley e presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a expectativa inicial era de retração de cerca de 30% nas vendas durante o evento. A estimativa atual da empresa é fechar a feira com queda entre 15% e 18%.

Del Nero afirma que, no consolidado de 2025, ainda sem números oficiais divulgados pela entidade, a expectativa do setor é de recuo próximo de 8% em irrigação. Em outros segmentos da indústria de máquinas, as quedas superam 10% e, em alguns casos, se aproximam de 15%.

Na avaliação do executivo, a demanda é sustentada pelo papel técnico da irrigação na redução do risco climático e na estabilidade da produção. Segundo ele, o uso de pivôs centrais permite ampliar a regularidade de produtividade e, em algumas propriedades, viabilizar segunda e terceira safra. Ele relata também predominância de compras com recursos próprios, embora em ritmo menor do que no período imediatamente posterior à pandemia.

Já Luiz Alberto Roque, CEO da Bauer e da Irricontrol, informou que a empresa confirmou retração de cerca de 30% nas vendas na comparação com a feira do ano passado, dentro do planejado. Ele destacou melhora no fluxo de negócios ao longo dos dias do evento e citou avanço de modalidades como barter, Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e linhas dolarizadas.

Apesar da diferença na leitura sobre financiamento, as empresas convergem em um ponto: o produtor está mais seletivo e prioriza investimentos com retorno direto na produtividade e maior previsibilidade de receita. Esse movimento ajuda a explicar por que a irrigação segue com espaço relevante, mesmo em um ambiente de crédito mais caro e cautela no mercado de máquinas.

O cenário observado na Agrishow indica manutenção do interesse por projetos de irrigação, sobretudo entre produtores que já operam com a tecnologia e buscam expandir área irrigada. A evolução das vendas no restante de 2026 dependerá da disponibilidade de crédito, do custo financeiro e da continuidade da demanda por sistemas com retorno produtivo mensurável.

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