Irrigação encerra Agrishow 2026 com vendas abaixo de 2025, mas acima da expectativa inicial

As empresas de irrigação avaliam que o segmento teve desempenho mais resistente do que outras áreas de máquinas agrícolas na 31ª Agrishow, encerrada na sexta-feira (1º), em Ribeirão Preto (SP). Embora as vendas tenham ficado abaixo das registradas em 2025, fabricantes afirmam que o resultado superou as projeções mais pessimistas levadas à feira.
Segundo Cristiano Del Nero, diretor-presidente da Valley e presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a expectativa inicial era de retração de cerca de 30% nas vendas durante o evento. A estimativa atual da empresa é fechar a feira com queda entre 15% e 18%.
Del Nero afirma que, no consolidado de 2025, ainda sem números oficiais divulgados pela entidade, a expectativa do setor é de recuo próximo de 8% em irrigação. Em outros segmentos da indústria de máquinas, as quedas superam 10% e, em alguns casos, se aproximam de 15%.
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Na avaliação do executivo, a demanda é sustentada pelo papel técnico da irrigação na redução do risco climático e na estabilidade da produção. Segundo ele, o uso de pivôs centrais permite ampliar a regularidade de produtividade e, em algumas propriedades, viabilizar segunda e terceira safra. Ele relata também predominância de compras com recursos próprios, embora em ritmo menor do que no período imediatamente posterior à pandemia.
Já Luiz Alberto Roque, CEO da Bauer e da Irricontrol, informou que a empresa confirmou retração de cerca de 30% nas vendas na comparação com a feira do ano passado, dentro do planejado. Ele destacou melhora no fluxo de negócios ao longo dos dias do evento e citou avanço de modalidades como barter, Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e linhas dolarizadas.
Apesar da diferença na leitura sobre financiamento, as empresas convergem em um ponto: o produtor está mais seletivo e prioriza investimentos com retorno direto na produtividade e maior previsibilidade de receita. Esse movimento ajuda a explicar por que a irrigação segue com espaço relevante, mesmo em um ambiente de crédito mais caro e cautela no mercado de máquinas.
O cenário observado na Agrishow indica manutenção do interesse por projetos de irrigação, sobretudo entre produtores que já operam com a tecnologia e buscam expandir área irrigada. A evolução das vendas no restante de 2026 dependerá da disponibilidade de crédito, do custo financeiro e da continuidade da demanda por sistemas com retorno produtivo mensurável.
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