Acordo Mercosul e União Europeia: o Brasil encara a realidade do mercado global

A entrada em vigor do acordo entre o Mercosul e a União Europeia não é apenas um ajuste de tarifas; é um choque de realidade.
De um lado, temos o agronegócio, moderno, competitivo e pronto para conquistar as gôndolas europeias. Do outro, uma indústria nacional que, por décadas, se acostumou com o conforto de muros tarifários e que agora se vê diante do espelho da eficiência global.
O grande protagonista deste novo capítulo é, sem dúvida, o produtor rural brasileiro. Com tarifa zero imediata para 82% das nossas exportações, o agro rompe as últimas correntes que o impediam de dominar o mercado europeu.
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Frutas frescas, café solúvel, farelo de soja e óleos vegetais agora entram na Europa sem o peso dos impostos que antes encareciam o produto brasileiro frente aos concorrentes.
Para setores como a carne bovina e o açúcar, que operam sob cotas, o acesso privilegiado representa uma entrada de capital bilionária. O agronegócio prova que, quando há investimento em tecnologia e gestão, o Brasil não deve nada a ninguém.
Devemos questionar: por que o resto do país não seguiu o mesmo exemplo? Enquanto o campo celebra, o setor industrial brasileiro encara um cenário de urgência.
Durante anos, o discurso de “proteger a indústria nacional” serviu de pretexto para manter impostos de importação astronômicos. O resultado foi a manutenção de fábricas, muitas vezes, obsoletas e produtos caros para o consumidor final.
Com a redução gradual das tarifas para bens europeus, que incluem desde vinhos e queijos finos até máquinas industriais e produtos químicos de alta tecnologia, a “redoma” acabou.
A indústria brasileira terá de aprender, na marra, a competir com a precisão alemã e o design italiano. Não há mais espaço para ineficiência. Ou as fábricas brasileiras se modernizam, aproveitando justamente a importação mais barata de bens de capital europeus, ou serão engolidas pela qualidade e preço do mercado externo.
Para quem está na ponta final, o consumidor, o acordo é uma vitória inquestionável. A médio prazo, a queda de preços em itens que antes eram considerados “de luxo” e a modernização da base produtiva interna devem aliviar o bolso do brasileiro.
Mais do que isso, a exigência europeia por padrões ambientais rigorosos obriga o Brasil a subir o nível de sua governança, o que é benéfico para todos.
Importância
O acordo Mercosul-UE é o xeque-mate no isolacionismo. Ele premia a competência do agronegócio e expõe as feridas de uma indústria que parou no tempo. O Brasil agora joga a Champions League do comércio mundial.
Se soubermos usar a força do campo para financiar a modernização das cidades e das fábricas, estaremos trilhando o caminho definitivo para o desenvolvimento.
O tempo de se esconder atrás de tarifas acabou; agora, o que vale é a competência.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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